domingo, março 26, 2006

UM TEMPO PASSADO



Houve um tempo para lá deste em que existiu
O sentido da palavra amor
Um tempo em que me amavas e eu te amava
Um tempo sentido feito de desejos e de olhares
Em que nos perdíamos um no outro como o rio se perde no mar
Eras a foz onde eu desaguava tranquilo nas manhãs de primavera.
Eras o meu campo de margaridas amarelas
Hoje não sei se tem a mesma cor as margaridas?
Houve um tempo para lá deste em que te escrevo de novo
Em que lias os meus escritos, corrigias os erros ortográficos
Hoje nem lés nem eu corrijo todos os outros que cometi.
Houve um tempo para lá deste de agora
Em que fazíamos amor com as palavras
E os actos consentidos eram de prazer.
Hoje não faço amor contigo
Não sei se existes
Perdi o teu rosto, a cor dos teus cabelos, o perfume que usavas
Detalhes que te faziam única.
Houve um tempo para lá deste e destas folhas
Onde redijo o monólogo mental que regista tudo
Mas tudo!
O que te queria dizer e não consentes.
Um tempo diferente com tempo para o sentido da palavra amor…
Houve um tempo para lá deste tempo de agora presente
Em que eu te amei e tu me amaste.
Hoje no tempo presente que é tempo deste tempo
Não sei de ti, mas o tempo que houve esse tempo, guardei-o.
Um dia quando voltares
Regressamos a esse tempo para lá do tempo…

João marinheiro ausente
Fotografia de Barcoantigo

10 comentários:

alice disse...

bom dia, lobo do mar

vim agradecer as suas palavras no blog colectivo autópsia da decadência

há uns anos atrás escrevi um romance com um personagem com o seu nome

obrigada por me ter dado a possibilidade de vir aqui...

um beijinho,
alice

Mendes Ferreira disse...

um beijo dentro do tempo fora de tudo...e
gostei deste temporal. macio. belo.


bom domingo.

(isa/Piano)

Luna disse...

Ontem foi tempo, hoje é tempo, e no amanhã tempo vira,recordações passadas que se projectam no futuro, e se vão desvanecendo como a espuma das ondas do mar que vem acariciar a areia da praia.
Um bom domingo

Miriam5 disse...

O hoje, constroi-se sempre a partir de tempos passados e tendo fé em tempos vindouros. O melhor que podemos ofercer às pessoas, é guardá-las para quando elas voltarem, terem novamente o seu tempo connosco, o seu espaço.
Um beijinho, e obrigada pela visita

Claudia_peixinha disse...

LI e me REVI:)
Obrigado,está lindo:)
Engraçado como o sentimento e o sentir é igual no ser humano:)

Bjs!

hala_kazam disse...

um dia o tempo há-de conseguir explicar tudo

*boa semana*

beijos*

BlueShell disse...

ADOREI, adorei, adorei este texto...
Apetecia-me ficar aqui...a ler e a ouvir a música!

Só assim....ficar!
Aceitas um beijito?
BShell

lena disse...

gostei que tivesses ido à minha cabana, assin indicou-me o caminho até aqui

escreves com sentimento num tempo, onde é sempre possivel regressar, pois a porta só se fecha quando quisermos,
não a deixes fechar e porque adoro o mar deixo-te para ti


mar


é o teu cheiro que me acorda
um cheiro a maresia,
que comigo se identifica
sinto o teu bater nas rochas,
imagino as ondas desfeitas em espuma
e como bates na areia,
assim devagar, lentamente,
num vai e vai harmonioso
parece um canto, esse teu vai e vem
sim, parece que danças para mim
ouço quando me chamas
és magnífico, imponente e até romântico
sabes ser nostálgico,
misterioso ou amoroso
tens danças, como um amante em perdição
sabes ser revoltado e teatral
vejo-te mais belo que nunca quando estamos só os dois!
e
queria-te só para mim

l.maltez

beijinhos para ti com um cheiro a maresia e obrigada pela tua visita

lena

© Piedade Araújo Sol disse...

...li, reli e achei um emaranhado de sentimentos e sentires muito bem descritos, lembrei-me de Augénio de Andrade...um certo estilo...

© Piedade Araújo Sol disse...

..Ressalvo :lembrei-me de Eugénio de Andrade.....

PS:Como não consigo o seu contacto, agradecia que me contactasse.

Obrigada

piedadesol@sapo.pt