domingo, março 19, 2006

SONHO



Por vezes na minha vida agarro-me aos sonhos
És o meu sonho no momento
E contigo partilho anseios
Partilho desesperos
Solidão
És assim, surda-muda, estática
Estás sempre ai como uma imagem
Que eu teimoso revisito diariamente
Volto sempre de mãos vazias
E retorno na esperança vã
Como na fábula da raposa e das uvas
Volto a cabeça sempre, e o olhar
Mas não te encontro
Continuas o meu sonho
E não acordo porque te quero aqui juntinha a mim
Porque te desejo aqui sentada ao meu lado enquanto de olhos fechados descanso
Porque te digo obrigada pela bebida fresca que me preparaste com o carinho especial
Porque te imagino em círculos de poesia
E porque a poesia em círculos não vai dar a lugar nenhum
Fico perdido sem rumo
E tonto mesmo sabendo, alimento a esperança de notícias que já não vem
Sei que a memória naufragou no imenso oceano atlântico
Como um barco em ferro que encerra em si
O segredo ultimo da fé da esperança ou do amor em vão.
Escrevo. Escrevo.
És a musa que me inspira a saudade
Enquanto escuto na rádio a canção faites l`amor, faites l`amor
Que amor este
Gritado!

L`amour c`est un passant
Toujours dans la misère
A scruter les étoiles
A scruter qui sait quoi ?
A se prendre pour qui ?
Je vous demande un peu
A chercher la lumière
Dans des yeux malheureux…

18 Março 2005
João marinheiro ausente

6 comentários:

TioManel disse...

Amei, adorei

La Mort des amants

Nous aurons des lits pleins d'odeurs légères,
Des divans profonds comme des tombeaux,
Et d'étranges fleurs sur des étagères,
Écloses pour nous sous des cieux plus beaux.

Usant à l'envi leurs chaleurs dernières,
Nos deux cœurs seront deux vastes flambeaux,
Qui réfléchiront leurs doubles lumières
Dans nos deux esprits, ces miroirs jumeaux.

Un soir fait de rose et de bleu mystique,
Nous échangerons un éclair unique,
Comme un long sanglot, tout chargé d'adieux;

Et plus tard un Ange, entr'ouvrant les portes,
Viendra ranimer, fidèle et joyeux,
Les miroirs ternis et les flammes mortes.

meialua disse...

Ola vim agradecer a visita e as palavras e conhecer o teu espaço. gostei muito do que escreves. Adicionei-te nos meus links, espero que não te importes. Beijinhos e uma boa semana*

Aurora disse...

Atraquei aqui novamente...rsrs,para ler o poema da "dedicatória" à sua irmã mas não o encontro.Acabo de ler estes últimos,respeitando as suas ideias,acerca do poema "Homens de Nassíria" valente revolta nesse poema demonstrado,mas deixe-me dizer que Deus não é o autor do crime,da violência,respeita imenso a liberdade de cada filho,uma vez que é amor, só quer amor,a guerra é feita pela ambição,destruição e pelo mal.Não podemos culpar um Pai que tudo deu aos seus filhos para disfrutar dos seus bens,e este só tem feito destruir tudo e todos à sua volta.Mas hoje como inicia a Primavera,tenhamos e esperança que um dia este encontre o seu verdadeiro sentido enquanto peregrino efémero desta viagem.Abraços.
Desculpe só mais uma palavrinha,faz bem em falar com Ele....(sorri)

Gaybriel disse...

Mas que bem se está por aki!Adorei o poema...O amor nas suas diversas formas partilhado em rimas, prosas, sempre lindo de se lêr!Um abraço...

Ana Luar disse...

No dia em que deixares de sonhar João é porque envelheceste....nunca o permitas....voa pelos sonhos...abraça.os como se fossesm uma tábua de salvação e isso te conduzirá à sua concretização.

Anónimo disse...

Oi Jão!
Lindos os teus escritos!
Tu sabes que sempre gostei da tua forma de escrever...
... as tuas divagações pelo mundo do desejo e sonho... com uma mistura suave de realidades... por vezes crueis...
mas que nos fazem crecer por dentro e nos tormam pessoas melhores...
... o encontro com as palavras é sensível e para os que têm um coração grande como tu!
Um beijo AMIGO!
Até breve!
Rose