sábado, março 18, 2006

EXECUÇÃO



Além...
Além é a distância que ficou por percorrer
Ao fundo, não sei se perto ou distante há sombras...
Mil sois se projectam na parede nua.
Tomba um corpo
Há sangue e balas espalhadas...
Mil sois abriram fendas na parede ainda nua.
Todos os dias se ouve o matraquear das armas
Todos os dias tombam corpos de olhos vendados...

A ferida que sinto hoje no peito.
É como o sol afogando a melancolia,
Como se um sorriso fosse o meu destino! ...


...Há pouco um companheiro tombou exausto.
A vida, lentamente e viscosa, fugia-lhe por quatro buracos no peito. Rubro...!
Confusão colorida nos cravos de Abril...

Distância...


...Em um outro qualquer meridiano. Mundo!... Lugar!... Rua!...
Num estalo estala a violência na face duma criança!



....Fim?!

Excerto do livro por editar
" Das vezes que não posso ser quem sou"
1ª parte, Poemas sem tempo 17/07/83
João marinheiro ausente

1 comentário:

Ana Luar disse...

Vou responder a este post com um clamor....espero que não te importes....mas acho lindo demais.
.
.
Atenta, ó Deus, no meu grito,
escuta o meu clamor...
De mim mesmo, que não tenho
vez nem voz, nem as terei!
Olha este pó e a cinza
que por todo me preenchem
e tem piedade de mim....
Não sei quem sou;nunca soube
Mas creio, com firme certeza,
que Tu és!, e em ti espero!


Sabes que a minha relação com Deus não é das melhores João.....mas quando li este post relembrei este clamor.........sinto-o indicado ao teu texto.