Fotografia de Barcoantigo em 2008
Quinta-feira, Dezembro 29, 2011
Sábado, Outubro 29, 2011
Domingo, Outubro 09, 2011
As árvores ainda morrem de pé
Tu, remetes-te ao silêncio desse lado das palavras, não sei se é efeito da crise ou os tempos nostálgicos que nos afligem...
E eu fui embora faz tempo. A mim também se me esgotaram as palavras, ou as emoções.
Desculpas-me essa falta grave?
Todas as formas de estar tem algo de egoístas, já te deste conta...
Morremos e os braços, um do outro estão inertes. Vazios ao longo do corpo. Como um rio seco de água. A água é a primeira memória da humanidade.
Morremos na memória um do outro, sem memórias já! Só tempos presentes tão dolorosos e ausentes.
A ausência é um estado de dor que não se vê, não se explica, sente-se por dentro como um acido corroendo, espécie de sal na boca. Coexistimos em circulo então. Na tal memória redonda. (o sal dá sede e a sede faz com que procuremos a água, a água é a primeira memória da humanidade…) Somos quase água no ventre materno, quase, quase.
Cada dia é um adiar a angústia. Cada dia é uma batalha ganha ao tempo. Cada dia é mais um dia a descontar no calendário biológico da vida.
Um dia perguntei-te – O que é a minha vida sem ti?
Nunca me respondeste, e eu sobrevivi. Aprendi a viver sem ti.
Para enganar o coração com a tua ausência escrevia-te cartas, que nunca leste, confesso que nunca tas enviei, por não saber onde habitas. Sei só ainda o teu endereço no coração. No meu coração, mas o meu coração é manhoso e velho e cheio de manias estranhas, não é confiável porque cede e bate descompassado, e desliga-se deste tempo de crises e bate à tua porta de mansinho, leve, levemente, como diz o poema, “será chuva, será gente”. Não, não é chuva ou vento ou gente, é ele a pregar-me partidas de memória, a mostrar-me por dentro dos olhos, os teus olhos, o teu rosto, a tua voz, o teu perfume, a linha do teu corpo como uma vela alva de um barco que parte recortada na linha do horizonte liquido.
Também abandonei os barcos.
Talvez que essa seja a explicação para a minha falta de noticias, o meu esgotar de palavras, o meu tempo sem tempos e horas certas. Talvez? Não sei as respostas porque as perguntas, se é que existiram alguma vez, nunca tive a coragem de as pronunciar.
Abandonei os barcos, corria Dezembro quase natal. Percorri o fieiro da praia uma ultima vez a fazer o regresso a terra e os barcos varados na areia de proa ao mar a sentirem o vento norte frio de Dezembro repousavam. Não me despedi porque não gosto de despedidas, e posso voltar se eles me aceitarem com todas as imperfeições de que sou feito, e sonhos e promessas por cumprir. Ao menos que se cumpra o Mar como dizia Pessoa.
Tu remetes-te ao silêncio desse lado das palavras.
É assim que eu retomo o meu monólogo contigo a imaginar que é um diálogo, mas não é, nunca foi. É uma invenção da memória a ver se coincide com a tua memória de mim. Estou a repetir-me.
No fundo o que somos senão uma repetição, uma duplicação até à exaustão de nós. Alguém que me responda se souber a resposta. Eu não sei.
Preciso de encher o peito de ar, de exercitar os pulmões como fazia trinta anos atrás, de sentir o peito estalar quando numa vertigem mergulhava no azul profundo, foi o fascínio do mar. Depois vieste tu e foste o meu segredo, o meu fascínio onde mergulhei até me doerem os tímpanos e se alucinar o cérebro narcotizado.
Abandonei o mergulho. Pediste-me um dia na ilha ao luar.
Então eras o meu mar, a minha praia no cabo do mundo, o meu cabo das descobertas, o meu veleiro, as minhas travessias, as minhas viagens, a minha rosa-dos-ventos, a minha carta de marear. Eras a minha miúda do Porto, desse Porto revisitado agora, desse porto sentido, desse porto onde soltei amarras e parti rumo a sul, sempre a sul.
Ainda és o meu mar, e o coração ainda me atraiçoa porque te trás à memória como da primeira vez, à minha memória.
Pediste-me um dia na ilha e ainda sinto o fogo dos teus lábios.
Só a lua envelheceu, a ilha diferente e nós vazios.
As árvores ainda morrem de pé…
São Paio de Antas, Outubro de 2011
Fotografia de Barcoantigo em 2010
Domingo, Fevereiro 13, 2011
Sexta-feira, Janeiro 28, 2011
lentamente...lentamente...
Esgotasse-me o cérebro
Lentamente. Lentamente. Lentamente…
O barco sai à deriva liberto na corrente
Mar aberto sem fronteiras
As galhetas voando em bandos negros
Já não reconheço este mar
Nem a silhueta da ilha que foi minha
Oeste o rumo agora, oeste distante oceano dentro, mar adentro…O fim…
João Marinheiro 2011
Sábado, Janeiro 15, 2011
Domingo, Dezembro 26, 2010
Este ano não houve Pai natal...
Sábado, Dezembro 11, 2010
interminavelmente...(repetição!)
Fico aqui interminavelmente a imaginar-te a vinda à tua espera tardiamente a ida não chegamos e não partimos estamos desencontrados nas horas dos dias frios espero-te ainda que voltes hoje mais logo pelo entardecer e a tua silhueta recortada na praia em contra luz apetece-me e os teus cabelos soltos e negros ao longe confundem-se no negro da noite que chega a horas certas porque só essas são horas certas e as nossas não eu sei tu sabes e o tempo também e quando voltares estarei envergando a vela alva da nossa catraia para partir outra vez em busca do pão que o mar há-de dar na forma de sardinha prateada e viva mas agora fico aqui a imaginar o teu rosto e o brilho do teu olhar já te disse hoje que o vejo todo no mar o teu rosto e olhar
Novembro 2007
João marinheiro 2010
Fotografia de Barcoantigo em 2008
Domingo, Novembro 21, 2010
Solidão...

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...
Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco Buarque de Holanda
Sábado, Novembro 20, 2010
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