terça-feira, março 14, 2006

MEDO


Hoje sinto-me a atravessar um desfiladeiro imenso
E vou a medo
Como num trapézio sem rede por baixo
Hoje entendo.
Hoje sou eu despido de máscaras
Arrumei o poeta, enterrei o poeta, esqueci o poeta
Reneguei o homem.
Sou só o sonho
O pesadelo
Ou o inicio do fim
Vencida que foi a timidez inicial.
Estou no meio do caminho e é sempre a descer
Sem volta, retorno ou tentativa
Hoje sou eu
Vou só
Negro.
Nem o sol nem a lua me iluminam, seja dia ou noite
Liberto-me de ti
Do luto
Das vestes negras
Hoje vou só
E rasgo a pele de encontro ás rochas frias mas não me importo
Que o sangue brote quente e queime.
Vou a medo
Já não escuto o poeta que me confunde
Já não acredito na palavra
Porque perdi a candura da inocência
E depois
Já não mais!
Nenhuma palavra é inocente!!!
Tremo por dentro
Em arrepios descontrolados
Convulsivamente, sufoco, asfixio, vomito.
Morro! Envenenado pelo amor
Não sei?
Tremo
Gelo
Suor frio
Cheiro de morgue
Vou no precipício
A medo.

João marinheiro ausente 14/03/06

4 comentários:

elisabete disse...

Em primeiro lugar, muito obrigada pela tua visita ao meu blog.
Depois, é verdade, definitivamente, o mar é muito nosso, meu e teu e de todos os que amam a vida e têm a sorte de o conhecer. Quem um dia o conhece, será sempre uma pessoa diferente, mais rica, mais atenta, maior. É um pouco (muito??) como o amor... Tanto (A)Mar...
Quanto ao teu blog, foi uma prenda linda que "abri" hoje. Que maravilha,caro amigo marinheiro! Fiquei fascinada com a imaginação, as palavras, as imagens, a sensibilidade, a força, ... Quero e vou voltar sempre que possa. Há coisas e pessoas que são demasiado boas para não termos tempo para, para passarmos ao lado de. Há coisas e pessoas que só podem ser cultivadas e amadas, "haja o que houver"...
Vim aqui numa corrida, num intervalinho precioso, em que tinha pensado fazer mil coisas imprescindíveis. De repente... fui ficando... e preciosas e imprescindíveis tornaram-se as tuas palavras.
Vou voltando... para mais viagens por este (A)Mar.

Anónimo disse...

Boas João venho agradecer a passagem pelos meus sonhos.
Mas ao entrar aqui fiqeui sem palavras pela beleza dos teus poemas.já tinha lido alguma coisa tua no blog da nossa querida amiga Ana Luar pois voltarei mais vezes ... Um Abraço
Jose Bernardo
http://zerondapinturas.blogs.sapo.pt

Ana Luar disse...

Mar o poeta morreu...ficou sem voz...voltamos a ficar mudos...
Como mudos eram os silêncios de outrora.
Tu alma amiga que me admiras,
que me sorris,
que me acolhes em teu coração...
Que me fazes tua companheira de horas mortas
Onde estás?
Eu aguardo o renascer, respeitando o teu silêncio. Tu voas livre...eu continuo cativa.
Que a amizade seja eterna.

Aanonima disse...

ola...houve momentos que vinha aqui e nao postavas, mas vejo que retornaste.nao deixei de vir aqui ler-te.
estas triste? eu sei tb infeizmente o que e sentir me triste.
mas o amor que exista em ti nunca morra, que nunca deixes de gostar essencialmente de ti, de te amar...nao afastes o sonho, nao afastes o ser humano que es...e verdade que ja nao somos mais inocentes, que as palavras ditas poucas sao sinceras...mas a vida e importante tal como a convivencia. por mais sos que nos sintamos e tristes,nao nos podemos fechar num casulo,faz-nos mal, a mim faz...eu tb me sinto assim as vezes mas a solidao doi e custa, prefiro dar a mao, se me tiram o tapete e caio e magoou me, passa, mas dei oportunidade, se nao a aceitam ou estragam, as acçoes estao com quem as pratica e o tempo cuida de tudo, tal como nosso Deus que olha por nos. se percebi a mensagem...percebi?
um beijinho grande.
http://quemestaai1.blogs.sapo.pt