sábado, abril 01, 2006

O FIO DA NAVALHA…


Estamos sentados no fio frágil da navalha
E custa segurar-te porque me fazes sangrar as mãos
E sinto os dedos cansados.

Perdemos o encanto lentamente.

Quero-te aqui!
Fazer amor contigo pela madrugada
Fazer amor contigo de manhãzinha

Custa segurar-te
És uma linha divisória pelo meio de mim
O outro gume da navalha
O espelho de sangue rubro que sinto nos dedos

Porque te quero eu
Neste momento de solidão
Porque te escrevo de novo
Foges por fora de mim novamente
Um traço descontinuo numa estrada de nada!
E eu perdido acordo cansado

Não durmo

Procuro-te por todos os lugares possíveis
Os sítios imaginados e por imaginar
Encontro sempre a tua sombra recente
A tua marca subtil, um cheiro ao teu perfume,
Um eco do teu riso a ecoar ao longe
Nunca te encontro
Que se passa
Por onde caminho desencontrado
Divides-me ao meio com esse fio invisível

O fio da navalha…
João marinheiro ausente

2 comentários:

Ana Luar disse...

Ai mar...o fio rubro que escorre no fio da navalha é a paga pelo certo e o errado.......nunca saberemos a diferença entre esses dois elementos. O que importa mesmo é ser feliz...mesmo que o sangue escorra durante uns dias...todas as feridas acabam por cicatrizar mar....todas! Procura...bem dentro de ti...bem lá no fundo...verás que quem procuras está lá sorrindo para ti.Por vezes é preciso encontrarmos as pessoas erradas para dar-mos valor às pessoas certas.....pensa nisso.

Arthur Saraiva disse...

Mas o que é a vida senão o fio da navalha? Encontros e desencontros da vida, não pares a tua procura! Um abraço.