terça-feira, abril 11, 2006

PORQUE EXISTES...


Ou porque surgiste assim de repente na minha vida?
Quem és?
O que buscas?
Que feridas são essas que teimas em sarar?
Tantas perguntas que eu faço. E tanto que falo comigo mentalmente
Perguntas porque te quero conhecer melhor?
Claro que vou navegar procurando o mistério do amor
Ou conhecer-te
Sempre
Porque preciso desse alimento assim estranho, de sabor desconhecido…
Ou do sossego, ou da paz, ou em última instância do porto de abrigo…
E tu!
No momento és a paz que busco
Escrever, dizes. É um acto expiatório. Ou confesso, um acto de amor
Porque o amor se revela em cada palavra ou frase
E pessoalmente acho que tens jeito para a escrita
Sabes melhor do que eu que o mundo é redondo
Não discuto essa máxima! Mas interrogo?
Porque tinha de te conhecer neste momento, lugar, ou instante?
Ou nesta parte do mundo, que me trás recordações…
Revelas no que escreves, ou nem isso…
Que a escrita é uma mistura de clarões, instantes, e muitos espaços em branco…
Tens razão, porque eu, faz tempo, ou nem sei
Que te revejo por instantes, clarões, ou nos espaços em branco
Mas principalmente na saudade que fica, quando acordo
Ou o gosto amargo que sinto da tua ausência
Ou o não saber quem és
E o mundo redondo continua aqui… Presente e imperfeito
Também eu acredito, ou quero, ou tento num melhor
Para os dois, ou só meu, imaginado ao pormenor
E tu também lá estás em clarões de luz azul…
Porquê interrogo-me. Que me faz correr para ti?
Se calhar, já andamos de mãos dadas na beirada do mar
Se calhar, já procurei beijinhos, por entre as conchas vazias
E forçosamente, ou porque o desejo, vou finalmente oferecer-te um
Um gesto carregado de simbologia, emoção, desejo ou simplicidade
Que é como eu gosto das coisas. Simples, naturais e belas.
Se calhar, já te deitaste comigo, ao meu lado na minha cama vazia
E depois, imagino
Quando adormecia cansado, tuas mãos afagavam meu rosto
Porque sentia de manhã o rosto limpo e sereno
e ao espelho via de novo o brilho intenso dos olhos
Assim não precisava durante uns tempos, de os ter semicerrados…
Se eu não sou um sonho, então que és tu na minha vida?
Ou o que vai ser a minha vida contigo…
Também eu não quero, ou deseje ficar assim
Estático. Absorto no dia a dia do trabalho, ou da rotina instituída
Dos compromissos, que os tenho assumidos, ou em kit completo. Como afirmas
De acessórios
Confesso que nunca me tinham dito assim desta maneira, mas se calhar tens razão
A razão da ausência prolongada, ou da falta, ou da solidão…
O timing pode estar errado
Ou a nossa hora é hora solar
Portanto desfasada do ponteiro dos relógios
Mas mais de acordo com o astro rei que nos ilumina…
Ou da paixão que nasce, ou do calor que emana
Que nas nossas idades, o amor é diferente. Objectivo
Amamos, com gestos e carícias adolescentes, mas intenso e doridamente profundo
o amor todo, de uma vez, como tu afirmas. Dizes
Ou tens necessariamente razão…
Porque queremos o amor assim calmo, sem pressas e desejado
Saboreado em pequenos sorvos como um néctar dos deuses
Sem hora marcada nem restrições
Por amizade. Por amor
Ou simplesmente porque existes…
João marinheiro ausente
Inicio de Dez Contos , um livro por escrever

2 comentários:

Mendes Ferreira disse...

excelente livro.....livre....!


magnifico este "perguntar".


beijo.

A. disse...

simplesmente isto...e basta.

recordas-me alguém.este amor...esta paixão.sempre o mesmo caminho a seguir.
doloroso.ausente.permanente talvez...paralelo mas sem nunca se tocar.recordas-me alguém que já não ouço nem sinto.alguém que não sei onde está...mas que simplesmente existia.

um abraço meu.