terça-feira, julho 25, 2006

VII

As jornadas estavam na recta final. Foram um sucesso.
Ofereceste-me um livro lembras. Um livro pequenino. “O dia em que o mar [des]apareceu”com dedicatória e tudo: Em memórias apaixonadas (…) numas jornadas com sabor a mar…Gostei tanto da ternura do teu gesto, tanto. O gesto simples da oferta a mim, um livro a falar de mar, o meu mar de paixão, o mar onde me perco nos sonhos como uma gaivota mar alto vogando. Logo eu que nunca fui habituado a receber presentes. Logo eu.
Nessa noite fomos a um bar a Monte Gordo beber um vinho e fazer a despedida fomos todos em três carros nem lembro. Estava contente e triste ao mesmo tempo. Ias de novo embora. Em mim a esperança de voltares. Ainda agora te tinha reencontrado. Não te dás conta do importante que és já, em mim.
Não vez nos meus olhos o que confessam a ti, porque eu também vejo nos teus…

Durou até tarde a despedida de roda de um bom vinho tinto. Acolheram de bom grado a minha ideia de bebermos um vinho nosso em vez das tais cervejas estrangeiras na moda.
Fomos deitar-nos no início da madrugada, disse-te um até amanhã à porta do elevador, fizeste uma pequena festa no meu braço que ainda sinto hoje, o calor da tua mão como um choque eléctrico quente, de alta voltagem. De manhã não te vi. Não te vi de manhã. Adiei a partida ao máximo e tu não estavas. Disseste-me depois, meses mais tarde que não gostavas de despedidas, que me viste partir. Que estavas à janela por detrás da cortina. E eu que olhei todas as janelas, e nunca um vislumbre de ti por detrás da vidraça… soube depois que foste no avião da tarde, eu já vinha correndo na auto-estrada para o nosso porto.
Andei triste durante uns tempos. Perdido em ti, no teu olhar na tua voz no teu perfume, no teu sorrir, andei saudoso de ti, não te dás conta?
Que te dizer mais. Que me confesse de novo repetidamente até ficar exausto!
Fiquei aguardando que voltasses. Esperei por ti. Regressaste um dia. Meses depois, esperava-te ainda. - Espero-te porra!
Ligaste a dizer que tinhas voltado por uns dias ao Porto, que me querias ver, que tinhas saudades. Fiquei tremulo, perdido. Em branco com a surpresa, demorei a responder-te, disseste: - Então não me queres ver? - Claro que quero ver-te. - Claro que quero olhar-te finalmente. Olhos nos olhos, claro que sim. É importante que saibas que te amo. Mesmo que não te importes, ou que escrever-te agora, seja um sacrifício para mim porque tu estás em mim e estás ausente.
Fomos felizes os dois. Porque fechaste a porta atrás de ti? Porque não olhaste para mim na despedida? Porque te despediste se não gostavas de despedidas…
Porque fiquei assim de olhar vazio de ti?
E porque fico triste ainda quando faço o esforço tremendo para te recordar. Quase não lembro teu rosto, o rosto que percorri milímetro a milímetro com meus lábios. Merecemos isto os dois? Mereces tu? Mereço eu? Devo merecer claro, acho que errei em alguma coisa, o meu amor padecia de algum mal misterioso, só pode ser isso…

Ficamos a meio de nós, entendes. Ficamos a meio das conversas. A meio do amor nos braços um do outro. Ficamos a meio. Espécie de história sem epilogo, onde eu não sei o principio nem o meio, e fico só com a tristeza que dói de um final por terminar ainda. Perpetuo em mim…

4 comentários:

tb disse...

interessante modo de sentir...

Ana Luar disse...

Cometeste o erro crucial mar, de não amar.
Pk se amasses terias lutado, nunca terias permitido esse fim.
Esse olhar triste que ainda hoje te dói…
E dói pk sabes que não tiveste a coragem de tentar.
Lembras-te do olhar de despedida no aeroporto...
E que mais mar?
Mais nada… pk continuas a cometer os mesmos erros.
Sabes como gosto deste conto….
Sabes bem porquê!
Mas não estará na altura de mudar o rumo desse barco?

Beijo-te com o carinho que já me conheces... com:
"Ignorâncias",
"ausências"
"algumas palavras"
etc...etc...

© Piedade Araújo Sol disse...

Ficamos a meio de nós...será?

Su disse...

sabes pq ? ...pq sabem que esperamos....

jocas maradas