segunda-feira, setembro 25, 2006

Como uma Andorinha que partes…


Hoje sinto-te frágil e não sei de noticias que aliviem este sentir que tenho comigo.
Dou voltas e voltas à memória e continuo a sentir-te assim deste modo que penso frágil.
Demasiado frágil. Demasiado insegura. Demasiado inquieta. Demasiado nervosa. Demasiado cansada. Demasiado fechada em ti.Hoje sinto-te demasiado só. É assim que te sinto hoje. Ainda me dizes que és como uma andorinha. Mas eu imagino-te sempre uma andorinha. Eu sei que estás de partida. De mim. Do meu sentir. Eu sei.
Perdoa ter buscado a tua companhia mas o teu voar encanta-me. Encanta-me ainda se é importante saberes.
Sinto-te demasiado sensível, e eu sei como é ser assim. E não me dás noticias. Espero sempre as que chegam aos poucos. Chegam em quantidade ínfima quando te lembras que eu também voo. O grave é que te lembras pouco. Pelo menos eu acho. E eu lembro-me muito de ti. Da tua graciosidade no céu. Os voos rasantes que fazes junto a mim. Parece que sinto o calor do teu corpo como uma aragem que me consola. O som do teu coração pequenino batendo rápido como rápido é o teu voar. Quero agarrar-te nos braços nesses instantes e ir contigo. Não te dás conta? Nunca te dás conta do meu querer? Sei que estás de partida. Não posso reter-te. És livre de voar, eu é que gostava de ir contigo, mas o mar não tem asas. Tem sonhos e pesadelos que são coisas completamente distintas. Mas voar contigo é um sonho. Perdoa-me por eu sonhar e assim te prender no meu sonho. Sei que não devo. Mas vou continuar aqui à tua espera, e quando voltares na próxima primavera eu vou estar cá esperando por ti. Chegas, e eu feliz, fico como a maré-viva enorme. Transbordante. Plena. É a forma possível de te dizer o quanto gosto de ti. Eu sei que é pouco, que mereces mais, mas não tenho asas. Às vezes tenho tempestades. Ventos ciclónicos que rasgam e atiram as velas brancas dos velhos barcos pelos ares, e elas sim, parecem asas feridas. Mas não é por mal que faço isto. Acredita que não, é uma coisa que vem do fundo, das profundezas onde a luz não chega. É uma forma de dizer que vivo, que estou vivo, luto por me manter vivo. Acredita que também sou frágil, não sou um mar infinito. E hoje sinto-me um pouco doente até. Mas passa. Na próxima maré-cheia renovo-me.
E hoje talvez por me sentir sensível te sinto no corpo triste…

12 comentários:

Anónimo disse...

Dizem que uma andorinha não faz a primavera... mas algumas, aquelas que são realmente andorinhas de asas abertas... essas são as que fazem a primavera... aguarda. Todos os anos trazem a primavera... e ela trar-te-á a tua andorinha. Até lá... navega e atenta o céu, quem sabe ela não regresse mais cedo para ti.

I.

Claudia disse...

Desculpa mas até as andorinhas perdem a graça por vezes.

Sinto-me perdida...

Infinitamente triste...

E por isso, não sou a mesma. Mas há-de, tem que passar.

Voltará a Primavera para nós.

Beijo enquanto me sinto perdida

maresia disse...

olá!!!
Quem escreve assim, quem sou eu para comentar!!
Eu que nem me consigo expressar os meus sentimentos!!

tb disse...

em cada ida e vinda há um esvoaçar de penas de alma...

Anónimo disse...

Já por aqui apareci sem fazer muitos comentários, mas será que em vez de lamntarem o que não fizeram, ou o que poderiam ter feito, não lhe dão força para começar novamente a sorrir? também sou humana, também já me desiludiram e com toda a certeza já desiludi alguém, mas a Vida é demasiado bela para nos aconchegarmos a um canto dos nossos pensamentos mais recalcados e deixarmos a os dias passarem.Em vez disso abram o coração a novos voos de novas andorinhas...que tal?
Vá amigo(perdoa chamar-te assim, visto não te conhecer) levanta-te e caminha..e principalmente SORRI! Sorri muito! é grátis e recebes a recompensa com outros sorrisos.

Sejam Felizes.

Anónimo disse...

OH...o comentário anterior é meu...

Elsa (memórias)

joão marinheiro disse...

Amiga Anónima, Ou Elsa suponho. Disse Álvaro de Campos: O poeta é um fingidor… e eu não sei, claro que sei. Assim a vida anda para a frente, acredita minha amiga que costumas ler o que escrevo, que a minha vida sempre andou para a frente até porque as águas passadas não movem moinhos, e também porque já não há destes moinhos a funcionar…Cair e levantar faz parte da aprendizagem da vida acredita. Errar também, e por cada erro que cometemos aprendemos algo.
Às vezes fico surpreso como confundem o escritor com a pessoa que está por trás, então onde fica a criatividade?
Obrigado entretanto pelo teu comentário. Porque é importante deste lado sentir o efeito das palavras nas pessoas…
E para que saibas gosto das andorinhas…
Abraço com ventos de poente.

João marinheiro

rtp disse...

Apetece ser andorinha ... com um mar assim à espera! Texto lindíssimo!

Ana Luar disse...

Olá marinheiro!
Lembrei-me que mesmo que morra uma andorinha (neste caso está só de partida) não acaba a Primavera.
Graças a Deus.


Além disso marinheiro, lembra-te tb que elas vão... mas voltam quase sempre ao mesmo local... quer dizer... "algumas voltam".



Beijo amigo

Anónimo disse...

Olá João

Longe de mim pensar que tudo o que escreves seja baseado na "tua" realidade, só tu a sabes claro, mas não acredito que o teu envolvimento literário não absorva o reflexo do que te vai na alma.A ficção tende sempre a retratar um sentimento que anda lá bem no fundo do baú.
O que me "aflige" (risos), são os comentários que de criatividade deixam muito a desejar, focando apenas uma espécie de consolo enegrecido pela tristeza (mais risos).
Se me é permitido perguntar, João marinheiro ausente porquê? Já não navegas? a paixão pelo Mar nunca a perdemos e com a tua sensibilidade e criatividade, podias explorar mais esse tema que nos inibria pela Vida fora ...

Ah... o meu português pede estar enferrujado, por isso voltei a "treinar" e é com um suporte como o teu que espero voltar a escrever sem muitas falhas :)e obrigada por dispensares umas linhas à minha humilde pessoa

e sou a Elsa sim ...enchanté João

Tem um resto de dia perfeito

Elsa

A. disse...

...sei que não vai ajudar muito.mas deixo um abraço.para que te ajude a passar a dor.

Su disse...

jocas maradas de marés altas