terça-feira, outubro 30, 2007

Sobrevivência…




...Aquilo que nos escapa frequentemente é que os barcos não existem sem as comunidades humanas que lhes deram origem e identidade, e que essa relação é recíproca.
Esse é o elemento da sobrevivência...
Ivone Magalhães
Fotografia de Barcoantigo 2004

3 comentários:

Maria disse...

Apesar de triste, a tua fotografia é muito bela...

Um abraço, daqui

M. disse...

Tão somente por isso é que os barcos falam e cantam História..

"...A minha quilha quebrou a massa imóvel de icebergues deslumbrantes (...) Depois naveguei por mares de bruma que estendiam as suas neblinas entre outros astros mais claros que a Terra. Depois por mares brancos, por mares vermelhos que tingiram o meu casco com as suas cores e brumas(...). E um dia, sempre inesperado, os meus navegantes invísiveis erguiam as minhas âncoras e o vento inchava as minhas velas fulgurantes.(...) Cheguei à terra, ancoraram-me num mar, o mais verde sob um céu azul que eu não conhecia. Acostumadas ao beijo verde das ondas, as minhas âncoras repousavam na areia dourada do fundo do mar, brincando com a flora retorcida das suas profundezas, sustentando as alvas sereias que nos longos dias iam cavalgar nelas. Os meus altaneiros e aprumados mastros são amigos do Sol, da Lua e do ar moroso que os experimenta.(...) Comecei a amar este céu, este mar. Comecei a amar estes homens...
Mas um dia, o mais inesperadamente possível, chegarão os meus navegantes invisiveis. Levarão as minhas âncoras arborescidas nas águas da água profunda,encherão de vento as minhas velas fulgurantes..
E será outra vez o infinito sem caminhos, os mares vermelhos e brancos que se estendem entre outros astros eternamente solitários."

(Pablo Neruda, in o Barco dos Adeuses)

APC disse...

Um barco não nos abandona, nunca desiste por ele mesmo...

(Linda imagem!)