quarta-feira, outubro 03, 2007

De um sonho...



Algumas pessoas aqui chamam-me poeta…
Não é isso que sou. Sou um marinheiro velho com sonhos por cumprir.
É isso que sou…
A história de amor e desamor de José Belchior aqui, para quem não conhece:


João 2007

Foto José Belchior

11 comentários:

Andreia Ferreira disse...

Acho que o link não está a funcionar... *

joão marinheiro disse...

Olá Andreia, já corrigi e está a funcionar.
Abraço.

isabel mendes ferreira disse...

somos todos um pouco assim...ou não?


talvez não...


mas Tu cumpres o destino. de dar a conhecer o amor.


obrigada.


beijo J.

algevo disse...

Meu querido e liquido amigo, as coisas que me mostras neste mundo.

I.

Andreia Ferreira disse...

:) ...

Maria disse...

E o que é um poeta senão alguém com sonhos (ainda) por cumprir?

Um abraço, daqui

APC disse...

Que senhor gracioso!...
... Vou ler, já volto! :-)

PS - Bom comentário, o da Maria! ;-)

APC disse...

Li. E gostei!
Um relato de grande coragem!!!

No entanto, fizeram-me alguma espécie duas afirmações que encontrei no texto:

1ª - "Infelizmente, o casamento não correu bem e para Felismina, rapariga pobre e ingénua que pouco mais conhecia que a sua ilha, o Zézinho representava a ideia de príncipe encantado, e os afectos foram-se alicerçando com ele".

- Essa ideia de que, por ser uma moça ingénua, se deixou levar pela imagem fantasista de um homem mais polido, aparece por duas vezes (esta, e outra lá mais para o fim) e parece-me um alvitrar demasiado pessoal por parte do narrador. Que eu saiba, a falta de escolaridade ou posses não impede ninguém de se apaixonar. que a paixão é uma ilusão, não ponho em causa; mas que não é exclusiva de ricos ou de pobres, parece-me certo.

2ª - "Apesar da traição ao seu marido Florimundo, Felismina foi sempre extraordinariamente fiel ao seu amor por Zé Belchior".

Creio que o "apesar" está ali a mais. Atribui à oração um sentido próximo do "uma vez adúltera, sempre adúltura", quando já devíamos saber melhor que os nossos actos variam em função de muita coisa (e de muita gente). Poder-se-ia pensar al contrario sensu: que Felismina, ao abandonar o homem que não amava (como hoje se permite e na altura não), estaria a ser fiel aos seus mais nobres sentimentos (que ainda é o amor, ou já deixou de ser? - ou não podia ser?), e assim continuou a sê-lo com Belchior. Mas não... O autor volta a ser excessivo, denunciando alguma falta de neutralidade, na minha opinião.

Apesar disso, gostei. Mesmo!
Foi um bom trabalho de recuperação e organização de uma história bonita.

Obrigada por no-las trazeres! :-)

A fotografia de ambos, 42 anos depois, é "sólida", sabes? Não importa com quantas pessoas partilhámos a felicidade ao longo da vida. Importa que o fizémos; e importa também (se possível) que alguma dessa felicidade possa ficar-nos na memória. A Felismina tem uma história de amor para contar aos seus filhos e netos, fazendo-os sonhar com as deles!

Um beijo, meu querido amigo! :-)

joão marinheiro disse...

Sabes minha querida amiga APC, estou farto de escrever palavras que a maioria das pessoas não entende, noto por alguns dos comentários que por aqui arribam. Como as aves migratórias, a pensarem que o poeta aqui, (julgo excessivo o termo poeta), escreve só e exclusivamente de um amor perdido no tempo e que como o naufrago vive amarrado a esse amor. E, no meu entender, o amor não é isso. O amor quer-se livre para poder voar, sob pena de ser um amor ferido, sem asas, sem amor nenhum.
No momento. Faz já algum tempo. Não me apetece quase colocar aqui, as palavras que às vezes, cada vez menos, passam num relance em mim.
Escrever é muitas vezes um acto solitário, doloroso diria até. (Revejo-me nas palavras de Lobo Antunes, um destes dias, em que fala precisamente na morosidade da escrita, na dificuldade em produzir de forma que os leitores apreciem, ou gostem...)
Ao longo da minha vida, e hoje acrescento mais um ano. Fui colhendo histórias. Aqui e ali, nos meus lugares de vivências.
Às vezes dedico-me a escutar os velhos lobos-do-mar que pescavam na Terra nova…
O colocar aqui algumas das pistas a essas histórias com estorias dentro é, quem sabe, uma forma de partilhar um pouco desse meu mundo paralelo. O tal mundo do poeta ou do marinheiro com sonhos…
O que me liga a esta história, muito pouco. O tipo de barco usado na travessia, um pequeno Saveiro quase extinto já na nossa costa algarvia. O ter habitado na mesma ilha e conhecer nesse tempo a Culatra como as minhas mãos. O ter conhecido alguma da família do Belchior, também o ter visto a reportagem na Tv.
E principalmente porque ele, como eu, ambos marinheiros, um dia vamos partir e ainda nos ficam uma mão cheia de sonhos por cumprir…
Abraço-te daqui.

mar... disse...

Penso que todos nós somos parte de uma grande poesia que é
"A Vida".
Em suas páginas nossa existência está traçada...
E expirados somos, como versos, que de ciclos em ciclos
inspiram-nos à rimas e poemas tão singulares como a história de Belchior e Felismina.

Obrigada João em trazer uma história que nos serve de exemplo ao constatar a grandeza da força de que é capaz um ser humano quando deseja ardentemente pela vida.

Um abraço sempre

APC disse...

Bonito, meu querido.
Espero não te ter magoado com a minha frontalidade. Não conheço o autor do texto e espero que não seja um pseudónimo teu!(?) Lol :-)
Hoje é um dia estranho, não é?
Olha... Felizmente ainda fui a tempo de to dizer, mas repito aqui porque jamais será demais: PARABÉNS, jeitoso! :-)))
E que importa que os outros pensem que escreves sobre um amor presente ou passado, perdido ou encontrado, assim ou assado? Quem não sabe não te sabe; quem te sabe não se engana! :-)
Vai um beijo especial de mim pati!*