segunda-feira, novembro 27, 2006

Os dias da partida…


És uma espécie de não sei o quê na minha vida.
Estás em mim nas doze horas claras do dia e nas dozes horas escuras da noite
És uma espécie de prazer para o qual não encontro a definição
Porque me dás prazer, e nunca te dás conta.

És uma espécie de nada na minha vida
E as minhas mãos, os meus dedos não chegam para te agarrar ou te sentir
Porque foges como uma espécie de areia fina. Branca. Morna
E foges por ente os dedos como uma carícia breve
Coloco as mãos em concha, inútil tentativa de te aprisionar
Porque então és vento e soltas-te como pó e voas
Um voar gracioso. Porque toda tu és graça
Toda tu és harmonia. O desajeitado sou eu, e não me importo…

Espero-te a todas as horas
Amanheces em mim ao raiar da manhã
Enquanto escuto os pardais nas arvores e sinto o redondo dos teus seios nas mãos
E as minhas mãos não chegam
Para te agarrar por inteira
E ardem. Queimam. O redondo dos teus seios fica marcado como uma marca a fogo
E eu não sei que fazer
Verdadeiramente já não sei que fazer.
E toda tu és agora, por inteiro
A miragem que se esconde para lá do vidro fosco
A contra luz que anoitece.
Queria uma única vez. Uma única!
Olhar-te nos olhos. Tomar-te as mãos. Dizer-te
Que não posso esperar-te mais
Ficar acordado toda a noite esperando que amanheças
Que abras os olhos
Porque a essa hora para mim sou eu que durmo abandonado


João marinheiro ausente 27/11/06
Fotografia, KOTA/www.olhares.com

7 comentários:

algevo disse...

Hoje fazes sentir-me a alma como costumo dizer; líquida por trás dos olhos.

Sem palavras.

I.

Claudia disse...

Imagina que não te conheço. Que não sei quem és. Que estas palavras não eram também minhas.

Imagina.

E que te leio agora. É difícil ficar indiferente. Não me deixar deslumbrar pela tua escrita. Não pensar para quem to escreves. Quem te inspira. E como ela tem sorte... E quem me dera eu ter a mesma sorte.

E depois...

Eu sou ela.

E eu assim pareço fria, distante, altiva... E eu não sou essa. Tu sabes que não!

Talvez altiva, é certo. Mas quente, amiga, terna...Essa, sei que sou eu.

E é assim que eu quero que continues a ver. Sempre. Porque essa sou eu agora, por inteiro...

Beijo meu João

Maré-Cheia disse...

Escrevi-te algumas vezes. Andei com as tuas cartas de papel para todo o lado. Em papel. Abraçei-as, chorei-as, amei cada palavra. O desespero toma conta de nós, podias fazer um esforço e entender. Enganei-me. Queria que fosses mas não és. Desculpa pelas palavras atropeladas que te fui deixando. São as cartas mais bonitas que li até hoje. Não publiques isto por favor, é o meu último pedido. Vim despedir-me, porque entendo que mereces respeito. As tuas cartas estão guardadas a alguns metros abaixo da luz do dia. Só eu sei onde estão. Fui eu que as deixei lá. São como um tesouro que tive afundar porque a dúvida matou-me dia para dia. Que encontres o teu porto João Marinheiro.

Ana Luar disse...

Marinheiro... tu no teu melhor :)
Tu consegues... porque como dizes... tens consciência que as "tuas" palavras nunca são inocentes... :)
O poeta... mistura-se com o homem... e a sarilhada começa.
Estou no lugar que me reservas-te para assistir (risos... E confesso... saíste-me melhor que a encomenda... rsrsrsr

Beijo eterno meu amigo querido marujo. ;)

PS: O texto´está lindo... como sempre.

Viva o poeta!

mar... disse...

estou à ler-te novamente...
e então, não sei se vivo ou estou à morrer mais um pouco... na angustia e na dor de ainda esperar pelo amor!!!
És mais que um marujo poeta, és um deus em descrever o universo do amor!

APC disse...

A ausência bem gravada numa espera que já não o é, restando um "não sei o quê" que amanhece o corpo e anoitece os dias. Mas que fica!
Beijo fraterno.

APC disse...

Nota breve: e para mim o menino é "birge" (ohohohoho!:-)