terça-feira, janeiro 16, 2007

Da tua ausência…


Hoje faltam-me as palavras
O coração abandonou-me lentamente
Já não estás comigo na varanda onde olhávamos o mar
Não te falo já
Escrevo para amanhã
As palavras adiadas de agora
Espero sempre noticias tuas
E nunca chegam
Continuo a não saber se existes por fora de mim
Porque habitas por dentro

Um incómodo silêncio se abate no dia de hoje
Não consigo apagar o passado
Amo-te só, um lugar do coração escuro
Não sei mais que te dizer. Das palavras finitas
Tardas demasiado em notícias
Nunca chegas.

Espero-te em todos os aeroportos
Em todas as estações ferroviárias
E todas as estações de metro
Em todas as paragens de autocarro
Todos os terminais do barco que chega da outra margem
Em todas as fronteiras
E não chegas…

Não sei se verdadeiramente existes
Existe a distância da tua ausência
Que me faz sentir esta saudade triste
Hoje. Porque o dia é frio e estranho
E eu estou longe. Demasiado longe
Na distância que falta ainda percorrer
O último trilho. A esperança vã do teu encontro
Porque estou perdido eu sei
Na tua ausência.

João marinheiro, Marselha 11/01/07
Fotografia de Artur Franco, www.olhares .com

9 comentários:

Bruna Pereira disse...

Que bonito.
Espero que algum marujo te traga alvíssaras, marinheiro, que coração algum merece ficar triste em alto mar.

:)

Jane & Cia disse...

"Espero-te... e não chegas"

como dói essa dura realidade que tão bem conheço.

Belas as palavras que não rastejam, aqui.

mar... disse...

Não me julgues.
Não tentes entender-me.
Sou como o vento
Não tenho destino.
Apenas passo...
Aproveita a brisa !

Não me prendas,
Não me possuas.
Sou como água,
Se presa, evaporo.
Mate apenas tua sede !

Não tentes guardar-me.
Não me aprisiones.
Sou como as flores,
Colhida, feneço.
Guarda-me o perfume !

happiness...moreorless disse...

tão intenso...
sinto sempre o desespero nas tuas palavras quando passo por aqui.

é lindo o que escreves*

rtp disse...

Hoje (e sempre) faziam-me falta estas palavras. Estas palvras que encontro nos seus posts. Enchem-me (sempre) de agrado.

Anónimo disse...

É tão profundo e doloroso o que escreves? Sinto-o como se fosse para mim. Toca-me. Sofro contigo. Alguma mor perdido? Alguma paixão que o passar do tempo apagou? Como te compreendo, João. Uma mulher sózinha

APC disse...

Não que fosse fácil (sequer possível!) escolher de entre todos os teus escritos, aquele que guardaria para mim ou que gostaria de ter escrito eu. Mas este é, certamente, um dos melhores.
Um dos meus melhores abraços para ti, também.

PS - Já o li e reli. Agora vou dizê-lo em voz alta. E sei que um dia irei citar parte dele.

Maria disse...

Este texto podia ser meu. Não me comparando como escreves, mas como o sinto!
Dói muito, dói tanto...
Vou levá-lo comigo e guardá-lo numa caixinha para o reler sempre que me apetecer...

Nicole disse...

Passei aqui por acaso, parei, li, senti... bonitas palavras... talvez chegue a ela, como chegou a mim... até!