sexta-feira, março 16, 2007

Das andorinhas que partem...










Que sabes tu das andorinhas que partem
Do cheiro a erva cegada nos campos
Do sabor do pão saído do forno quente
Ou das mãos que acariciam o tempo
Que sabes tu disto e daquilo e do nada que sou
Queria morrer agora!
Morrer sem que tu saibas que morri
Para andares à minha procura como doida do tempo.

Que sabes das rolas na árvore no dia de chuva
Que vejo da janela onde estou
Que sabes deste mundo onde habito
De loucos
Hospício da vida
A minha vida sem ti tornou-me louco por ti.

Que sabes das flores, margaridas e papoilas
E trevos verdes no campo que olho diariamente
Agora que a primavera chega
As andorinhas voltam
E eu espero que voltes como prometeste
Quando partiste.

Que sabes tu! Que eu não sei?

Que ingénuo fui escrever-te cartas de amor
Não queres cartas de amor
Queres que te amem
Não sei amar-te! Não sei amar uma andorinha que parte?
As andorinhas amam-se com o pensamento
Acariciam-se com o olhar só.
Nunca senti uma andorinha nas mãos
Nunca fizeram ninho nas minhas mãos.

Que sei eu?

Sou demasiado rude e frio
Sou homem do mar habituado a acariciar as vagas de saudade
As ventanias.
Os medos
O frio e o sal nos olhos!

Que sabes tu!



…Às vezes nas travessias
Sou visitado por andorinhas.
Não são como tu, são Andorinhas do mar.
Dizem-me que chego a terra e quando chego, na primavera, procuro atracar naquele porto velho com pedras centenárias comidas pela saudade dos marinheiros.
Subo a rua estreita e íngreme e húmida em direcção à taberna velha com a tabuleta da sereia em ferro, sem cor, dançando ao vento com pequenos gritos.
Parecem gritos de sereias o chiar do ferro.
No beiral, escondido pelo ramo de loureiro seco que tempera o olfacto existe um ninho de andorinha que está vazio agora.
Penso sempre que és tu que o habitas mas sei que não…

Que sabes do queixume das flores
Do choro dos pássaros
Da ânsia dos amantes
De saber de mim que sou teu!


João marinheiro 2007
Fotografia Google

9 comentários:

Anónimo disse...

sabes que estou.
sabes de mim...
sabes que voarei
de volta à ti

Maria disse...

Não tenho palavras para comentar.
Podia ir embora, porque não tenho as palavras.
Mas quero dizer-te que SENTI o que escreveste...

Um abraço

nena disse...

desde já aqui te armo cavaleiro de todos os mares e arredores.
deixaste de ter sangue nas veiaslargando o sal plas ameias
de tais corredores
joelha-te!..

© Piedade Araújo Sol disse...

também não tenho palavras para te comentar...

obrigada por partilhares a tua escrita poetica...

Ana Luar disse...

Pintaste o amor com as cores do mar azul, desenhaste-lhes gaivotas. E, serenamente, da poesia, nasceu um espaço de sonhos, criado dia a dia, maré a maré.

Bjs marujo sonhador

Morgaine disse...

Olha sabes... sei mais do que pensas..

nena disse...

ai sabes morganita? atão conta lá á gente sua cusca..

mar... disse...

Que importa o meu saber de ti...

Que diferença faz à mim e a ti!

Vejo também em minha janela
o horizonte bordado de flores silvestres, margaridas amarelas à enfeitar os sonhos lá no infinito e que é visto apenas pela alma de quem transporta-se em saudade.

As andorinhas jamais serão cativas, quando não amadas.

Delas...
as andorinhas, eu sei... porque é assim que sou,
uma andorinha sempre à partir!

Tantas foram as perguntas...
Tantas seriam as respostas!


Acho que não escutarei mais a tua voz, se é que eu à tenha escutado algum dia...
Tudo não passou de um sonho
apenas um sonho virtual.

Lumife disse...

II ENCONTRO DE BLOGS EM ALVITO


AOS 21 DE ABRIL DE 2007


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