sexta-feira, março 29, 2013

insónia...


 
Não sei quantos dos dias ainda serão de chuva,
Não me importo que seja uma primavera adiada
As flores se atrasem a desabrochar
As noites são longas em mim
Não consigo vencer a falta de sono o desassossego interior
 
Por vezes dormes ao meu lado
Por vezes desenho-te de memória na cama
E percorro as tuas costas com beijos ternos
Por vezes acordas e dás-me um abraço apertadinho
Ficamos aninhados um no outro
Adormeço por fim…
 
Mas tudo é irrealidade em mim
Tu, a tua silhueta, a tua pele
As formas do teu corpo despido
Os cabelos na almofada desalinhados
As tuas mãos abertas...
 
 
E os beijos
São como gotas da chuva que escorre na vidraça fria
Não passam de criações do cérebro cansado
O desassossego interior
O livro aberto sobre a cama
A falta de sono…
 
 
 
 
João marinheiro Ineditos 2013
 
Fotografia de António Mizael www.olhares.com

5 comentários:

Maria disse...

Não tenho palavras.
Muito belo!!!!

Abraço de chuva.

Borboleta com Asas disse...

Este teu livro aberto, ao qual me deixas espreitar de vez em quando,tão de vez em quando, que me levas o meu sono para dentro do teu sonho...ou não fosses tu o marinheiro que habita num mar nunca navegado, apenas sonhado...
Tudo isso apenas acontece,na ausência do sono!

© Piedade Araújo Sol disse...

tão terno e tão belo...

:)

Parapeito disse...

gostei ...muito
brisas mansas**

Anónimo disse...
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