<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984</id><updated>2012-01-15T01:16:10.015Z</updated><title type='text'>memórias virtuais</title><subtitle type='html'>Escrevo em tua memória porque me desesperas.
Se regressares um dia nem me vais reconhecer.
Envelheci como os barcos que amo...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>125</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2537027438614018376</id><published>2011-12-29T19:06:00.001Z</published><updated>2011-12-29T19:13:17.039Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-DnoAVhelfUo/Tvy7WvryzrI/AAAAAAAACe0/QdFDw_C-FDM/s1600/o%2Btempo.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5691630028521131698" style="DISPLAY: block; 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A mim também se me esgotaram as palavras, ou as emoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpas-me essa falta grave?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as formas de estar tem algo de egoístas, já te deste conta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morremos e os braços, um do outro estão inertes. Vazios ao longo do corpo. Como um rio seco de água. A água é a primeira memória da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morremos na memória um do outro, sem memórias já! Só tempos presentes tão dolorosos e ausentes.&lt;br /&gt;A ausência é um estado de dor que não se vê, não se explica, sente-se por dentro como um acido corroendo, espécie de sal na boca. Coexistimos em circulo então. Na tal memória redonda. (o sal dá sede e a sede faz com que procuremos a água, a água é a primeira memória da humanidade…) Somos quase água no ventre materno, quase, quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada dia é um adiar a angústia. Cada dia é uma batalha ganha ao tempo. Cada dia é mais um dia a descontar no calendário biológico da vida.&lt;br /&gt;Um dia perguntei-te – O que é a minha vida sem ti?&lt;br /&gt;Nunca me respondeste, e eu sobrevivi. Aprendi a viver sem ti.&lt;br /&gt;Para enganar o coração com a tua ausência escrevia-te cartas, que nunca leste, confesso que nunca tas enviei, por não saber onde habitas. Sei só ainda o teu endereço no coração. No meu coração, mas o meu coração é manhoso e velho e cheio de manias estranhas, não é confiável porque cede e bate descompassado, e desliga-se deste tempo de crises e bate à tua porta de mansinho, leve, levemente, como diz o poema, “será chuva, será gente”. Não, não é chuva ou vento ou gente, é ele a pregar-me partidas de memória, a mostrar-me por dentro dos olhos, os teus olhos, o teu rosto, a tua voz, o teu perfume, a linha do teu corpo como uma vela alva de um barco que parte recortada na linha do horizonte liquido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também abandonei os barcos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez que essa seja a explicação para a minha falta de noticias, o meu esgotar de palavras, o meu tempo sem tempos e horas certas. Talvez? Não sei as respostas porque as perguntas, se é que existiram alguma vez, nunca tive a coragem de as pronunciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonei os barcos, corria Dezembro quase natal. Percorri o fieiro da praia uma ultima vez a fazer o regresso a terra e os barcos varados na areia de proa ao mar a sentirem o vento norte frio de Dezembro repousavam. Não me despedi porque não gosto de despedidas, e posso voltar se eles me aceitarem com todas as imperfeições de que sou feito, e sonhos e promessas por cumprir. Ao menos que se cumpra o Mar como dizia Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu remetes-te ao silêncio desse lado das palavras. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;É assim que eu retomo o meu monólogo contigo a imaginar que é um diálogo, mas não é, nunca foi. É uma invenção da memória a ver se coincide com a tua memória de mim. Estou a repetir-me.&lt;br /&gt;No fundo o que somos senão uma repetição, uma duplicação até à exaustão de nós. Alguém que me responda se souber a resposta. Eu não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de encher o peito de ar, de exercitar os pulmões como fazia trinta anos atrás, de sentir o peito estalar quando numa vertigem mergulhava no azul profundo, foi o fascínio do mar. Depois vieste tu e foste o meu segredo, o meu fascínio onde mergulhei até me doerem os tímpanos e se alucinar o cérebro narcotizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandonei o mergulho. Pediste-me um dia na ilha ao luar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eras o meu mar, a minha praia no cabo do mundo, o meu cabo das descobertas, o meu veleiro, as minhas travessias, as minhas viagens, a minha rosa-dos-ventos, a minha carta de marear. Eras a minha miúda do Porto, desse Porto revisitado agora, desse porto sentido, desse porto onde soltei amarras e parti rumo a sul, sempre a sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda és o meu mar, e o coração ainda me atraiçoa porque te trás à memória como da primeira vez, à minha memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediste-me um dia na ilha e ainda sinto o fogo dos teus lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a lua envelheceu, a ilha diferente e nós vazios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As árvores ainda morrem de pé…&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;São Paio de Antas, Outubro de 2011&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1950855472587182177?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1950855472587182177/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1950855472587182177&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1950855472587182177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1950855472587182177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2011/10/as-arvores-ainda-morrem-de-pe.html' title='As árvores ainda morrem de pé'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WDskg_PPHcQ/TpF_fnrZMyI/AAAAAAAACeM/odp0m3NNeIE/s72-c/naturesa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-9221142633872689011</id><published>2011-02-13T10:41:00.001Z</published><updated>2011-02-13T10:43:15.371Z</updated><title type='text'>sem palavras...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-xeU71rPkrJs/TVe1pATO2ZI/AAAAAAAACdo/OVn_onGmrdo/s1600/gato.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 272px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573122779954207122" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-xeU71rPkrJs/TVe1pATO2ZI/AAAAAAAACdo/OVn_onGmrdo/s400/gato.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagem da Net&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-9221142633872689011?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/9221142633872689011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=9221142633872689011&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/9221142633872689011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/9221142633872689011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2011/02/sem-palavras.html' title='sem palavras...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-xeU71rPkrJs/TVe1pATO2ZI/AAAAAAAACdo/OVn_onGmrdo/s72-c/gato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-292083867364501838</id><published>2011-01-28T23:43:00.000Z</published><updated>2011-01-28T23:45:29.451Z</updated><title type='text'>lentamente...lentamente...</title><content type='html'>&lt;iframe class="youtube-player" title="YouTube video player" height="390" src="http://www.youtube.com/embed/m13EcmaMv8o" frameborder="0" width="480" type="text/html"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esgotasse-me o cérebro&lt;br /&gt;Lentamente. Lentamente. Lentamente…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barco sai à deriva liberto na corrente&lt;br /&gt;Mar aberto sem fronteiras&lt;br /&gt;As galhetas voando em bandos negros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não reconheço este mar&lt;br /&gt;Nem a silhueta da ilha que foi minha&lt;br /&gt;Oeste o rumo agora, oeste distante oceano dentro, mar adentro…O fim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Marinheiro 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-292083867364501838?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/292083867364501838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=292083867364501838&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' 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type='text'>Love...</title><content type='html'>Imortal Leo Ferré&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/A9MeGolp9ME?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/A9MeGolp9ME?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4327516375800219502?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4327516375800219502/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' 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houve Pai natal...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TRe4xDHbteI/AAAAAAAACdc/0spD_e3tKfE/s1600/Plane.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TRe4xDHbteI/AAAAAAAACdc/0spD_e3tKfE/s400/Plane.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555111818174379490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhando o atraso, fomos informados que estava bloqueado pela neve algures num aeroporto da Europa, como a foto documenta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2397094355506599298?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2397094355506599298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2397094355506599298&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2397094355506599298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2397094355506599298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/12/este-ano-nao-houve-pai-natal.html' title='Este ano não houve Pai natal...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TRe4xDHbteI/AAAAAAAACdc/0spD_e3tKfE/s72-c/Plane.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8040111911008564274</id><published>2010-12-11T11:41:00.002Z</published><updated>2010-12-11T11:58:33.835Z</updated><title type='text'>interminavelmente...(repetição!)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TQNnNndXlnI/AAAAAAAACdQ/qWz_NFTndhE/s1600/por%2Bsol.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 266px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549392649478706802" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TQNnNndXlnI/AAAAAAAACdQ/qWz_NFTndhE/s400/por%2Bsol.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Fico aqui interminavelmente a imaginar-te a vinda à tua espera tardiamente a ida não chegamos e não partimos estamos desencontrados nas horas dos dias frios espero-te ainda que voltes hoje mais logo pelo entardecer e a tua silhueta recortada na praia em contra luz apetece-me e os teus cabelos soltos e negros ao longe confundem-se no negro da noite que chega a horas certas porque só essas são horas certas e as nossas não eu sei tu sabes e o tempo também e quando voltares estarei envergando a vela alva da nossa catraia para partir outra vez em busca do pão que o mar há-de dar na forma de sardinha prateada e viva mas agora fico aqui a imaginar o teu rosto e o brilho do teu olhar já te disse hoje que o vejo todo no mar o teu rosto e olhar&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Novembro 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;João marinheiro 2010&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#000099;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8040111911008564274?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8040111911008564274/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8040111911008564274&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8040111911008564274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8040111911008564274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/12/interminavelmenterepeticao.html' title='interminavelmente...(repetição!)'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TQNnNndXlnI/AAAAAAAACdQ/qWz_NFTndhE/s72-c/por%2Bsol.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3280751902251157759</id><published>2010-11-21T13:48:00.002Z</published><updated>2010-11-21T13:52:04.059Z</updated><title type='text'>Solidão...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TOkjwuIa5iI/AAAAAAAACdI/3HNYUfFjiI0/s1600/ATT00000_.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px 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destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isto é um princípio da natureza. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isto é circunstância.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Solidão é muito mais do que isto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Francisco Buarque de Holanda &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3280751902251157759?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3280751902251157759/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3280751902251157759&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3280751902251157759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3280751902251157759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/11/solidao.html' title='Solidão...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/TOkjwuIa5iI/AAAAAAAACdI/3HNYUfFjiI0/s72-c/ATT00000_.jpg' height='72' 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src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6223668405776263896</id><published>2010-06-14T23:34:00.004+01:00</published><updated>2010-06-14T23:44:50.041+01:00</updated><title type='text'>então chegamos ao começo do fim de uma Nação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recebida por mail.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recebo muitos pensamentos por mail, muitas criticas, muitas manifestações por isto e aquilo. Geralmente não partilho, mas quem cala consente, e é tempo de começar a dar importancia à insatisfação que vai minando. Á pouco escutava na Tv o professor António Sergio por causa do futebol a dizer que temos falta de lideres com garra, com carisma, concordo plenamente, tanto que resolvi alterar o rumo deste blog meio abandonado e partilhar esses pensamentos que me chegam aqui.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este é o primeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um professor de economia da universidade Texas Tech disse que raramente chumbava um aluno, mas tinha, uma vez, chumbado uma turma inteira. Esta turma em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e "justo".&lt;br /&gt;O professor então disse, "Ok, vamos fazer uma experiência socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as vossas notas dos exames."&lt;br /&gt;Todas as notas seriam concedidas com base na média da turma e, portanto seriam "justas". Isto quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém chumbaria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia 20 valores...&lt;br /&gt;Logo que a média dos primeiros exames foi calculada, todos receberam 12 valores.&lt;br /&gt;Quem estudou com dedicação ficou indignado, pois achou que merecia mais, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado!&lt;br /&gt;Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.&lt;br /&gt;Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que também eles se deviam aproveitar da média das notas. Portanto, agindo contra os seus princípios, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. O resultado, a segunda média dos testes foi 10. Ninguém gostou.&lt;br /&gt;Depois do terceiro teste, a média geral foi um 5. As notas nunca mais voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, procura de culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No fim de contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar os outros. Portanto, todos os alunos chumbaram... Para sua total surpresa.&lt;br /&gt;O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela era baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado.&lt;br /&gt;"Quando a recompensa é grande", disse, o professor, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não lutaram por elas, então o fracasso é inevitável."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento abaixo foi escrito em 1931.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"É impossível levar o pobre à prosperidade através de leis que punem os ricos pela sua prosperidade.&lt;br /&gt;Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa tem de trabalhar recebendo menos. O governo só pode dar a alguém aquilo que tira de outro alguém.&lt;br /&gt;Quando metade da população descobre de que não precisa de trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adrian Rogers, 1931&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dá que pensar...chegar ao fundo é facil, dificil é chegar ao cimo novamente, é como um naufrágio, depois do barco alagado não existem milagres. Portugal parece um barco sem fundo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6223668405776263896?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6223668405776263896/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6223668405776263896&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6223668405776263896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6223668405776263896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/06/entao-chegamos-ao-comeco-do-fim-de-uma.html' title='então chegamos ao começo do fim de uma Nação'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-289741301252406358</id><published>2010-05-11T00:22:00.002+01:00</published><updated>2010-05-11T00:25:56.808+01:00</updated><title type='text'>naufragado...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S-iVZc5PCiI/AAAAAAAACbo/9Cj9apfQSNg/s1600/naufragado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469786011926989346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S-iVZc5PCiI/AAAAAAAACbo/9Cj9apfQSNg/s400/naufragado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um barco não é só uma quilha umas quantas cavernas armadas, um convés, um casco em tabuado e um mastro seguro por brandais e velas a esvoaçar livres ao vento. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um barco é muito mais que isso. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais do que está visível aos olhos menos atentos de cada olhar que o mira e imagina viagens, aventuras e medos. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um barco é um mundo de saberes com alma e vida própria. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Só morre se o deixarmos abandonado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 1999&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-289741301252406358?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/289741301252406358/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=289741301252406358&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/289741301252406358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/289741301252406358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/05/naufragado.html' title='naufragado...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S-iVZc5PCiI/AAAAAAAACbo/9Cj9apfQSNg/s72-c/naufragado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2056928997693987269</id><published>2010-04-03T14:59:00.000+01:00</published><updated>2010-04-03T15:00:40.823+01:00</updated><title type='text'>alto mar...</title><content type='html'>...Já não sei se são saudades. Se os imagino ainda. Se as minhas mãos alguma vez tocaram a tua pele, a cintura fina e leve tua.&lt;br /&gt;Não deve ser nada&lt;br /&gt;Só imaginação minha este sal na boca&lt;br /&gt;Este murmúrio do mar, o argaço frio que me enleia as pernas.&lt;br /&gt;Não podem ser saudades&lt;br /&gt;Nunca existiram os teus beijos, só os meus alquebrados nas tábuas do convés, baldeados borda fora enquanto dois arroazes brincam na proa do barco. Estarão felizes?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2056928997693987269?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2056928997693987269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2056928997693987269&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2056928997693987269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2056928997693987269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/04/alto-mar.html' title='alto mar...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4888287270951939864</id><published>2010-03-21T23:04:00.000Z</published><updated>2010-03-21T23:06:06.606Z</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>saudades dos teus beijos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4888287270951939864?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4888287270951939864/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4888287270951939864&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4888287270951939864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4888287270951939864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/03/blog-post.html' title='...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-9189029728745054886</id><published>2010-01-17T13:47:00.003Z</published><updated>2010-01-17T13:50:24.590Z</updated><title type='text'>carta com muito amor dentro...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S1MVF4uJ_-I/AAAAAAAACbY/scGnb8C5yOo/s1600-h/carta.jpeg.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427705166781087714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S1MVF4uJ_-I/AAAAAAAACbY/scGnb8C5yOo/s400/carta.jpeg.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S1MVTaSeBoI/AAAAAAAACbg/AMCCfyEVoN8/s1600-h/untitled+2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427705399130064514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 287px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S1MVTaSeBoI/AAAAAAAACbg/AMCCfyEVoN8/s400/untitled+2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quanta ternura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(recebida por email)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-9189029728745054886?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/9189029728745054886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=9189029728745054886&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/9189029728745054886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/9189029728745054886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/01/carta-com-muito-amor-dentro.html' title='carta com muito amor dentro...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/S1MVF4uJ_-I/AAAAAAAACbY/scGnb8C5yOo/s72-c/carta.jpeg.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6207497877321016328</id><published>2010-01-15T23:56:00.002Z</published><updated>2010-01-16T00:23:51.748Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>eu falo contigo todos os dias...&lt;br /&gt;mas silêncio devolve-me as palavras &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;homens desfalecidos dormem&lt;br /&gt;colchões de papel velho escondem-nos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desço outra vez a rua como faço sempre&lt;br /&gt;e falo contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é nestas horas enquanto caminho que acredito no amor&lt;br /&gt;algum dia sim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dou por mim a pensar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6207497877321016328?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6207497877321016328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6207497877321016328&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6207497877321016328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6207497877321016328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2010/01/eu-falo-contigo-todos-os-dias.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5967334836788117350</id><published>2009-10-31T23:04:00.002Z</published><updated>2009-10-31T23:12:08.537Z</updated><title type='text'>passeio nocturno a sul</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SuzEHCfZTXI/AAAAAAAACao/YYZ3rSuGQDs/s1600-h/smitt+fragata.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398905678517063026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 378px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SuzEHCfZTXI/AAAAAAAACao/YYZ3rSuGQDs/s400/smitt+fragata.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Passo a deixar um rasto de palavras, como esteira de navio rápido sulcando águas rumo a sul. A cidade adormeceu embrulhada na luz amarelo pálido, os gatos vagueiam nas ruas velhas, sentem o odor do peixe, por vezes por entre as fitas caídas na porta das tabernas saem vozes emaranhadas no vinho ácido nas gargantas já. Os barcos bamboleiam no porto, não os vejo. Sinto-os a percorrerem-me a pele e sinto o nevoeiro frio a tolher-me os ossos. Dos olhos correm dois rios quase secos, na praia quase extinta dois pescadores tardios lançam a linha noite dentro. São dois, um fuma um cigarro, sinto-lhe o cheiro a tabaco abafado. Os meus pés agora caminham pela beira-mar, o corpo permanece adormecido na atalaia. Quatro centenas de gaivotas cinzentas, não mais acordam ao mesmo tempo e levantam voo aos gritos, esvoaçam por cima de mim e pousam mais atrás. Ainda lhes senti o arfar das penas como seda a rasgar-se na noite. A cidade não vai acordar tão cedo. Só os gatos vagueiam na calçada de ruas velhas, e algum bêbado tardio em busca da porta velha. O meu corpo permanece sentado nas pedras da índia a olhar a enseada tomada pela névoa. Imagino velas alvas e imponentes navios negros navegando no silêncio húmido. Sou eu que os imagino, um corpo sem pernas, umas pernas a caminharem na beira do mar, a areia fina. Pequenos detalhes para uns olhos cansados, quase dois rios secos. Nas margens brotam pequenas pétalas de flor de sal cheias de ternuras espalhando-se pelas rugas do rosto. Passaram 3 horas e eu sem sono vagueio, a cidade vai acordar no alvor da manhã, os gatos recolheram-se, a ultima taberna antiga com a idade da memória cerrou a velha porta, escutei as duas voltas do ferrolho metálico a entranhar-se na pedra. As fitas, não lhes distingo cor. Permanecem quietas como cabelos de sereias longos e negros. Não sei se as sereias têm cabelos, se são negros se ficam quietos, se algum dia ficaram pendurados a servir de fitas na porta de uma taberna. Ainda me faltam tantas respostas e tantos sonhos. O castelo tem as portas cerradas, ando à sua volta. Gama permanece altivo encostado à parede a olhar o mar, por um momento sinto um aperto no coração. O coração de Gama é um coração de bronze, ou o mais certo esqueceram-se de lhe fazer um coração de bronze, de o colocar por dentro do peito. Gama é uma estátua adormecida também…&lt;br /&gt;As pernas voltaram da beira-mar, o corpo descansado reúne-se de novo levanto-me desço a escadaria velha tomo a estrada rumo a sul, quem sabe um dia chego a São Torpes.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro, Inéditos 2009&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Smith Fragata&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5967334836788117350?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5967334836788117350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5967334836788117350&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5967334836788117350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5967334836788117350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/10/passeio-nocturno-sul.html' title='passeio nocturno a sul'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SuzEHCfZTXI/AAAAAAAACao/YYZ3rSuGQDs/s72-c/smitt+fragata.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4436711644361512683</id><published>2009-10-26T01:37:00.001Z</published><updated>2009-10-26T01:38:36.940Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Bom vou deixa-los porque tenho alguns afazeres ainda diz Filipe enquanto se levanta. A despesa é por minha conta. Prazer em o conhecer João Pedro, apareça um dia destes para dar-mos uma volta por Lisboa se quiser.&lt;br /&gt;- Obrigado pode ser que aceite o seu convite, ainda vou estar por Lisboa mais uns dias antes de ir para Londres.&lt;br /&gt;Olho Esmeralda nos olhos, está a sorrir, o seu rosto espelha alegria, os olhos são dois pontos brilhantes, duas pérolas luzidias que sobressaem aqui nesta esplanada tão concorrida, tão a transbordar de pessoas. Ou sou eu que me admiro com a sua serenidade o seu ar feliz. Esmeralda é uma mulher bonita que prende a atenção, simpática, sou tentado a querer conhece-la melhor, mas a minha timidez, não me deixa à vontade para lhe perguntar quem é, sei lá se não me vai achar uma pessoa demasiado curiosa ou intrometido.&lt;br /&gt;Durante uns momentos, demasiado longos acho, estivemos calados, sinto que agora é Esmeralda que me observa, tenho outra vez aquela sensação de estar a ser observado.&lt;br /&gt;- O João Pedro acredita em coincidências, ou nas partidas do destino?&lt;br /&gt;- Não sei Esmeralda porque pergunta isso?&lt;br /&gt;- Se lhe disser que já o conhecia. Acredita?&lt;br /&gt;- A Esmeralda está a dizer que já me conhecia? De onde? Como pode ser possível?&lt;br /&gt;- Partida do destino ou a tal coincidência João Pedro. Diz Esmeralda a sorrir enquanto solta uma pequena gargalhada. E não faça essa cara de incrédulo ok. Deixemo-nos de formalismos, eu não gosto de tratar os amigos por senhor, nem doutor nem comandante ok, tu, para mim és um amigo que quero descobri, conhecer melhor, afinal à mais de 5 anos que desapareceste e não sonhava encontrar-te de novo. Muito menos no hotel onde agora trabalho. Foi uma surpresa quando abriste a porta do quarto e te levei o jantar.&lt;br /&gt;Mas de onde me conheces Esmeralda? Pergunto cheio de curiosidade.&lt;br /&gt;Daqui de Lisboa mesmo, temos, ou tínhamos uma amiga comum, Laura, diz a sorrir enquanto me olha inquiridora, já estiveste com ela?&lt;br /&gt;Sim estive, respondo, estive em casa dos seus pais a almoçar hoje, e estive com ela, ainda sinto o efeito do reencontro. É natural diz Esmeralda.&lt;br /&gt;– Laura casou com um colega médico, vivem no norte, está de bebé, falei com ela ontem pelo telefone. Não lhe disse que te tinha encontrado aqui em Lisboa, foi a tal coincidência que te falei à pouco, hoje ela veio com o marido para um congresso de medicina e passou em casa dos pais e tu, por coincidência hoje foste visitar os seus pais e foste em sua busca. Partida do destino, hoje eu que estou de folga estava aqui com o Filipe e tu vinhas descendo a avenida meio perdido nesta cidade viva de movimento, ou não é verdade. Demasiadas coincidências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Conheço-te do tempo da Escola Náutica. Lembras o café onde paravas, onde ias com Laura, é dos meus pais, era porque já o venderam. Na altura estudava Relações Internacionais fazia o 2º ano da faculdade, Laura estava em medicina também no 2º ano, tu fazias a especialização. Cumprimentamo-nos duas ou três vezes só, durante esse ano. Depois quando foste embora, cheguei a falar com a Laura muito sobre ti.. Laura sofreu um bom bocado, foste demasiado duro e insensível com ela, acho que te amava, embora fossem só amigos. Nunca me disse mas notava-se o seu grande carinho por ti quando falávamos as duas.&lt;br /&gt;- Imaginavas uma coisa assim. Uma partida do destino destas. Os dois aqui no Rossio a falar de um tempo à cinco anos atrás. As probalidades, uma num milhão de aqui estarmos, tu e uma desconhecida que sabe de ti, da tua passagem por Lisboa, do amor marinheiro deixado no porto a desaguar nas águas frias do Tejo. ..&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;( continua)&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4436711644361512683?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4436711644361512683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4436711644361512683&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4436711644361512683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4436711644361512683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/10/livro-de-contos-bom-vou-deixa-los.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1110632980448146571</id><published>2009-10-18T14:45:00.000+01:00</published><updated>2009-10-18T14:52:54.832+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>(livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apetece-me beber um copo. Lisboa é para mim uma cidade estranha hoje, sou um estrangeiro por cá, é isso. Lisboa é uma cidade bonita interessante para se desfrutar com uma companhia, para se partilhar. Dou-me conta que nos últimos anos tenho sido só, sem partilhar o tempo e as emoções. Desço a avenida em direcção ao Rossio, gosto de me sentar na esplanada da pastelaria que não lembro o nome, só a reconheço pela escultura de Pessoa o poeta. Espero que esteja ainda aberta, gosto de me sentar ali e observar o movimento das pessoas. Lisboa é uma confluência de culturas e de raças agora, já o era quando aqui estive a estudar, mas hoje são muito mais as pessoas que aqui deambulam, de raças diferentes, mais africanos, mais asiáticos, mais dos países de leste, é fácil de os reconhecer, pelas roupas, pelo tom de pele, pelos modos. Lisboa é uma cidade de contrastes.&lt;br /&gt;A pastelaria está aberta, hoje o fim de tarde é esplêndido, quente e luminoso. A esplanada completamente cheia, nem uma mesa vaga, olho em volta, pareço meio perdido na névoa, é assim que me sinto por breves momentos. Apetece-me sentar-me em qualquer lado e descansar um pouco, sinto-me terrivelmente cansado. O almoço em casa dos pais de Laura, o reencontro com Laura ainda estão dentro de mim a fazer estragos, ou sou eu que ainda não tive tempo para clarear as ideias. Por breves momentos tenho a impressão que estou a ser observado. Uma sensação que sobe por dentro do estômago à garganta, uma espécie de pânico silencioso. Instintivamente busco com o olhar alguém ao redor. Debaixo de um guarda-sol acenam-me, acho que me acenam, um casal está sentado, dirijo-me para eles e reconheço Esmeralda, a funcionária do hotel onde estou hospedado.&lt;br /&gt;- Sente-se aqui connosco Sr. comandante, a esplanada está cheia diz Esmeralda. Obrigado, aceito o vosso convite, estou cheio de sede e de calor, digo enquanto me sento ao lado do jovem que acompanha esmeralda e me apresento. Sou o João Pedro estou hospedado no hotel onde trabalha a menina esmeralda digo enquanto estendo a mão num comprimento.&lt;br /&gt; – Olá João, sou o Filipe irmão da Esmeralda, a minha irmã disse-me quem era quando o viu descer a avenida. Olho Esmeralda neste repente, os seus olhos estão a observar-me, e sinto outra vez aquela sensação estranha de estar a ser observado sem saber de onde.&lt;br /&gt;– Obrigado de novo Esmeralda pelo convite a partilhar a vossa mesa, a verdade é que não se arranja lugar a esta hora, e mesmo que alguma mesa estivesse vazia é sempre mais agradável estar aqui sentado com companhia. Lisboa é uma cidade para se desfrutar em companhia acho eu, mas posso estar enganado.&lt;br /&gt; – É capaz de ter razão comandante, costuma-se dizer que Lisboa é uma cidade mágica, mas eu pessoalmente penso que a magia existe nas pessoas e não depende do lugar ou do momento, diz Esmeralda a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1110632980448146571?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1110632980448146571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1110632980448146571&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1110632980448146571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1110632980448146571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/10/livro-de-contos-apetece-me-beber-um.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6378978250657214185</id><published>2009-07-14T23:12:00.002+01:00</published><updated>2009-07-14T23:25:35.691+01:00</updated><title type='text'>chuva de julho...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Sl0FsouXkuI/AAAAAAAACZA/SkhCTSEWatk/s1600-h/barco.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358445396045042402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Sl0FsouXkuI/AAAAAAAACZA/SkhCTSEWatk/s400/barco.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Chove torrencialmente e é Julho de um verão que teima em meter férias e não estar presente. Da janela onde olho o mar ao longe as gotas de chuva caem grossas batidas pelo vento norte fresco, obliquas em traços descendentes e ao pensar na forma oblíqua da chuva lembro-me instintivamente das palavras oblíquas de Pessoa.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tenho uma janela e uma porta que dá para uma varanda de cinco por um metro, mas dessa varanda já um dia escrevi, acho que um dia de Agosto chuvoso, estava sentado da mesma maneira a aproveitar o pouco de luz natural que me chega. Não estava constipado como hoje me sinto, nem a música era a que escuto no momento. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os momentos são partes do tempo breves. Temos um tempo demasiado breve em nós e não nos damos conta.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Da janela vejo um barco. Mesmo que não visse sei como são os barcos e podia imaginar um com todos os pormenores. Conheço os barcos como me conheço a mim. Já fui um bom barco, novo, esbelto, possante. Agora sou um barco velho, um barco antigo. Um homem é como um barco. Quando nasce é a direito, escorreito e aprumado, um barco é assim, de proa altiva, de quilha direita esbelta. Depois o tempo, os pedaços de tempo, os tais momentos breves pesam em nós e o corpo verga submergido no peso e descai para a frente a tentar o equilíbrio possível, no barco passa-se o mesmo, alquebra-se e a proa descai a popa descai e o porte esbelto desequilibra-se e o barco torna-se vagaroso a arrastar-se no mar como eu me arrasto na areia da praia do fim do mundo para onde o meu pensamento vai quando te imagino.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Da janela onde olho o mar já não vejo o barco que passou por breves momentos, era um veleiro breve de duas velas pardas e distante, rumava a norte numa bolina acertada e rápida. Sete, oito nós, não mais que o vento não é muito, mas o suficiente para encapelar o mar aqui na linha de costa e transformar a água em espuma miraculosamente branca como algodão ou a neve da serra.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava de passear pela serra e comer medronhos no tempo deles. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas vezes fui contigo passear pela serra. Agora invento os caminhos de memória, são caminhos breves que não passam de invenções que ficaram registadas na memória e eu julgava perdidos para sempre. Não gosto verdadeiramente da frase, &lt;em&gt;para sempre&lt;/em&gt; é demasiado tempo, e o tempo já me dei conta é demasiado breve para ficar em nós. Deixa-nos marcas, o que é verdadeiramente mais doloroso e duradoiro, ou o contrário. Por vezes o contrário e passa demasiado rápido, sem marcas e sem memórias, só um vazio e um silêncio perene a substituir o tempo.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A varanda tem uma mesa redonda branca, plástica, com duas cadeiras plásticas à volta também brancas e molhadas. Da mesa corre um fio de água em direcção ao chão, o chão é em mosaico castanho de uma fábrica que já não deve existir, feitos por mãos que fizeram milhares e sabe-se lá quantas histórias teriam para contar. O tampo da mesa está transformado numa espécie de pequenos lagos de água reunidos. Entretanto a chuva parou. A maré prenha de mar está no máximo de amplitude, quase maré viva. E hoje estranhamente ainda não vi uma gaivota, só o veleiro que passou rumo a norte. Nem de propósito uma gaivota cinzenta paira por breves momentos emoldurada na janela e prende a minha atenção, os meus olhos cansados e fico por uns momentos a registar o seu voo na memória, quem sabe um dia me fará falta, quando já não conseguir avistar gaivotas e a ver só de memória. Alquebro-me como o velho veleiro.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Estamos no verão. É Julho, princípios de Julho, o solstício de verão já foi, já se fizeram os rituais e as oferendas ao rei astro, e eu socorrendo-me da memória construo de novo os amanheceres e os nascer do sol nas milhentas vezes que o vi e me fez companhia, o esplendor da luz a leste de mim. Algumas vezes, poucas, fizeste-me companhia, um dia até esperamos que ele nascesse para darmos um beijo e jurar o amor, tínhamos combinado que o sol seria a testemunha &lt;em&gt;para sempre&lt;/em&gt;. Compreendes porque a frase me parece um exagero agora.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Passam mais duas gaivotas cinzentas rápidas. Afinal ainda não se tinham ido embora, estavam atrasadas, só isso. E ao fundo na linha do horizonte calmamente surgem a silhueta de umas velas, primeiro uma, um pequeno veleiro ruma a sul depois outra mais próximo, ambos só levam içada a genoa a vela que amura na proa, navegam calmamente a uma popa livre e despreocupada. Eu aqui ainda a deixar a memória livre ser levada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro praia de Fornelos, Julho 2009&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6378978250657214185?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6378978250657214185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6378978250657214185&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6378978250657214185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6378978250657214185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/07/chuva-de-julho.html' title='chuva de julho...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Sl0FsouXkuI/AAAAAAAACZA/SkhCTSEWatk/s72-c/barco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1128251680081226944</id><published>2009-07-12T23:04:00.001+01:00</published><updated>2009-07-12T23:06:38.070+01:00</updated><title type='text'>Abandono…</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SlpeRFVuZ3I/AAAAAAAACY4/69SGVdPD_qk/s1600-h/letras....JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357698354294712178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SlpeRFVuZ3I/AAAAAAAACY4/69SGVdPD_qk/s400/letras....JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Queria dizer-te que já abandonei os barcos. Queria que soubesses. Queria dizer-te que agora já não existem motivos para que partas, já não te troco pelo mar e os barcos são só memória. Mas é a tua que se sobrepõe a todas as outras memórias mesmo sendo a água a primeira memória da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria que soubesses isso. Que abandonei os barcos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora para matar o tempo, para que saibas também, passeio pela beira-mar na praia que foi a nossa no cabo do mundo. E se um dia resolveres regressar nem a vais reconhecer…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2009&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1128251680081226944?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1128251680081226944/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1128251680081226944&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1128251680081226944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1128251680081226944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/07/abandono.html' title='Abandono…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SlpeRFVuZ3I/AAAAAAAACY4/69SGVdPD_qk/s72-c/letras....JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-377933972360872342</id><published>2009-06-28T14:52:00.005+01:00</published><updated>2009-06-28T23:05:34.234+01:00</updated><title type='text'>do desencontro IX...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Skd2s8hwHaI/AAAAAAAACYY/hLQEUbKtZYQ/s1600-h/janela.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352377196687138210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Skd2s8hwHaI/AAAAAAAACYY/hLQEUbKtZYQ/s400/janela.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;( livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;...Sabe Armando, não tenho muito para contar da minha vida, digo, enquanto observo que todos me olham suspensos das minhas palavras. A mãe está reformada, embora ainda esteja ligada à faculdade, dedica-se a fazer conferencias e escreve artigos em revistas especializadas. O meu pai Morris, faleceu fez três anos em Fevereiro, também se tinha reformado. Quase não aproveitou a reforma, seis meses depois faleceu, repentinamente um AVC fulminante. Eu estava no mar, recebi por mensagem a notícia. Desde que sai de Lisboa passei quatro ou cinco semanas em Inglaterra, falo com a mãe por telefone por mail ou vídeo chat, estas coisas modernas que encurtam as distancias e disfarçam as saudades. No mar habituamo-nos a disfarças as saudades, só custam os primeiros tempos, depois a rotina entranha-se em nós, e estamos tão limitados ao espaço físico do navio que tudo o que ficou para trás em terra deixa de ter significado.&lt;br /&gt;Entre os capitães existe uma rivalidade disfarçada, uma competição feroz que se sente. Os navios entram e saem dos portos no menor espaço de tempo, sempre a cumprir contratos e encurtar tempos. As companhias privilegiam os capitães que lhe dêem lucros e poucos trabalhos. Eu também ando metido nessas competições, digamos assim, até ter um estatuto de reconhecimento do meu valor como capitão a luta é tremenda. Às vezes penso que nada disto vale a pena porque num minuto o mundo se vira do avesso, ou a vida se transforma. A minha transformou-se meio ano atrás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então que se passou João Pedro? Pergunta dona Rosário com um olhar inquiridor. O menino casou? Abandonou os barcos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esboço um sorriso, e desvio o olhar, começo a sentir-me aflito, bebo mais um pouco de vinho para me acalmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe dona Rosário de repente ganhei dois pais. Dois pais mortos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Como assim interroga Armando surpreso? Como dois pais João Pedro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. É por isso que estou em Lisboa, tirei umas férias por seis meses, uma licença sem vencimento. Á cerca de meio ano a mãe mandou-me uma carta para Sidney, só a abri umas semanas depois quando cheguei de viagem. Quando tenho o navio na Austrália se for perto aproveito e vou até casa, foi o que aconteceu, tinha um monte de correspondência sem interesse à minha espera e uma carta da mãe. Uma carta diferente. A falar-me da sua juventude em Portugal. A falar-me de um namorado um antigo amor. Um capitão da marinha mercante como eu, que, disse-me, é o meu verdadeiro pai. Morris casou com a mãe antes de eu nascer. Como calculam para mim foi um choque, mas ao mesmo tempo as respostas para muitas das minhas perguntas interiores. A minha ligação ao mar, o gosto pelas viagens, a aventura, o estar sempre de partida, o gostar de estar aqui em Portugal. Sempre fui inglês, aliás sou pelo registo de nascença, mas ao mesmo tempo inexplicavelmente sentia-me português, não sabia explicar, agora procuro as respostas. O meu verdadeiro pai faleceu há três semanas, vivia em S. Martinho junto ao mar num lar.&lt;br /&gt;A vida é uma temenda data de coincidências que se passam em simultâneo. Muitas vezes não nos damos é conta do que se passa à nossa volta de tão apressados em querer viver.&lt;br /&gt;O pai que agora vim procurar aqui em Portugal reformou-se na mesma altura que Morris. Tinha uma casa cá em Lisboa que vendeu, e existe uma no Porto abandonada onde viveu com a mãe. Amanhã estou a pensar ir ao porto rever a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe quando enviuvou, retomou o contacto com uma amiga de infância que lhe deu a morada do pai, então escreveu-lhe a contar da minha existência. Ao mesmo tempo também me escreveu a contar a verdade. As cartas chegaram atrasadas. O capitão Júlio recebeu a que era para ele quinze dias antes de morrer. Sei destas coisas porque me deixou um pequeno computador portátil com tudo escrito. Estava à minha espera. Sem saber de mim parece que me conhecia desde sempre. Surpreende-me em cada palavra que deixou escrita para eu ler. E depois o amor que teve pela mãe foi um amor universal e único. Nesse aspecto sem o saber acho que cometi os mesmos erros que o pai. Já não terão remédio, mas quem sabe o destino assim quis. Para mim tem sido difícil tudo, estas revelações que guardo, pois não tenho com quem partilhar, é a primeira vez que revelo porque cá estou. Mas afinal também não tenho amigos em Portugal, vocês são as únicas pessoas que conheço e recordo com amizade.&lt;br /&gt;Portanto estou por cá a tentar descobrir as minhas origens, e a recolher os pertences do capitão que deixou em S. Martinho para levar para Londres.&lt;br /&gt;Fiquei com uma mágoa não ter chegado a tempo de o conhecer pessoalmente. Por incrível que pareça não tenho uma foto dele. Espero encontrar alguma nos seus documentos mas não tive tempo de verificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que ontem à noite estava no hotel, me deu uma vontade enorme de vir até cá de os rever, de rever a Laura, enfim entendem, acho quem não me portei da melhor maneira quando estava cá a acabar o curso. Fui embora quase sem me despedir sem uma explicação. Agora é tarde, mas como dizem por cá num dos vossos ditados populares mais vale tarde que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens razão João Pedro mais vale tarde que nunca, diz a dona Rosário, enquanto armando esboça um sorriso e termina o resto do vinho no copo.&lt;br /&gt;A Laura está para chegar ai pelas duas e meia, falta pouco, entretanto vamos comer a sobremesa e se calhar ainda esperamos por ela para o café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, continuando, não me casei dona Rosário, e os barcos só os coloquei em segundo plano por uns tempos. Precisava de umas ferias, em seis anos quase não tive ferias. Sinto-me um pouco cansado. É tempo de fazer uma análise da minha vida, traçar novos rumos e objectivos. O capitão Júlio deixou-me uma pequena carta que me fez pensar, pensar muito, por isso estou aqui.&lt;br /&gt;Somos interrompidos pelo som da campainha, e eu sinto um baque no coração, um estremecer no corpo, sei que é a Laura que está do lado de fora. A dona Rosário levanta-se e vai abrir. Espero, acho que o tempo neste espaço de minutos se demora propositadamente a passar. Escuto a voz de Laura a mesma voz que tenho de memória, levanto-me e Laura entra na sala com a mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então João Pedro que surpresa! A mãe disse-me que estavas cá, quase não acreditava, não te imaginava em Lisboa.&lt;br /&gt;Damos um abraço que me pareceu tão fugaz. Olhamo-nos olhos nos olhos e por momentos somos só nós ali. Laura está preciosa, uma barriga enorme, grávida, sorri enquanto eu a olho.&lt;br /&gt;- Gémeos. Estou de oito meses João, vou ter um casal de gémeos, incrível não é. Tenho já uma Margarida com dois anos, ficou com os avós no norte, eu vim com o Carlos o meu marido e aproveitei para visitar os pais, mas tu és uma surpresa hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não consegui dizer uma palavra, de repente sinto-me aliviado, invade-me uma ternura imensa, Laura está bem, sei que está, vi isso nos seus olhos, o brilho de felicidade, uma luz intensa, Laura tem uns olhos magníficos que me encantam, sempre soube disso, eu ficava momentos intermináveis a olhar os seus olhos, até se fartar e me chamar doido. Uns olhos grandes de um negro misterioso que cintilam como diamantes. De repente o desejo que eu sentia por Laura, as memórias, tudo o que lhe queria falar deixou de fazer sentido e eu sinto-me liberto de uma culpa confusa que deixei dentro de mim por resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade Laura sou uma surpresa hoje. A minha vida nos últimos tempos tem sido uma surpresa. Como estava em Lisboa vim à tua procura e dos teus pais, tive sorte pelo que me contas, em te encontrar hoje, tive sorte em muitas coisas hoje aliás. Já falamos sobre isso a tua mãe e eu.&lt;br /&gt;Somos interrompidos pela Fernanda – vamos tomar café meninos. A Laura não toma café pois não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomamos o café na biblioteca, a Laura tem que se sentar e lá estão mais confortáveis diz Rosário, os meninos tem muita conversa a colocar em dia e leva Laura com ela, vamos atrás eu e Armando. Fernanda serve o café em chávenas de porcelana finíssimas, nem sei porque reparo sempre nestes pormenores aqui, a pequena colher com cabo de prata lavrada, uma preciosidade rara nos dias de hoje. Armando trás uma garrafa de aguardente velha e serve-me um cálice. Provo, excelente, boa para rematar uma suculenta refeição, e o café saboroso intenso aromático. Tudo demasiado perfeito hoje. Parece que o tempo se dispôs a abrir a porta da perfeição, do paraíso e permitiu que eu pudesse durante umas horas usufruir desse paraíso dos sonhos imaginário. Laura sentou-se ao meu lado, sinto o cheiro do seu cabelo brilhante, ainda usa o cabelo longo pelas costas negro a contrastar com a pele morena, nota-se que é uma mulher feliz, que não ficou perturbada pela minha presença. Ainda bem. A sua ausência fez-me desejar um amor impossível que nunca aconteceu de verdade, criar expectativas irreais em mim, porque o tempo que é um carrasco de nós avançou sem mim. Fiquei parado à porta do tempo e ela lentamente fechou-se e transformou-se em memórias que só alimentam o cérebro e não nos deixam viver no tempo presente. Somos assim, capazes de viver em tempos diferentes ao mesmo tempo sem nos darmos conta, e quando damos esse mesmo tempo avançou sem nós e ficamos perdidos, desiludidos e velhos. Acho que foi isso que aconteceu com o capitão Júlio, vivia em dois tempos diferentes, e eu estava a seguir o mesmo rumo? Estou a tempo de corrigir.&lt;br /&gt;Tinha no coração a preocupação de Laura estar presa ao mesmo tempo passado à minha espera, ainda bem que isso não aconteceu, vive no tempo presente, e no futuro que se avizinha. Espero que me conte, porque eu verdadeiramente tenho demasiado pouco que contar, um baú cheio de memorias e pouco mais. ...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Continua...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-377933972360872342?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/377933972360872342/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=377933972360872342&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/377933972360872342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/377933972360872342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/06/do-desencontro-ix.html' title='do desencontro IX...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Skd2s8hwHaI/AAAAAAAACYY/hLQEUbKtZYQ/s72-c/janela.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8623319264728648827</id><published>2009-05-28T23:45:00.003+01:00</published><updated>2009-05-28T23:53:09.983+01:00</updated><title type='text'>do desencontro... VIII (continuação)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Sh8VlK-LuZI/AAAAAAAACYQ/gZtoKTan3Vk/s1600-h/sonhador.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341011411429210514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Sh8VlK-LuZI/AAAAAAAACYQ/gZtoKTan3Vk/s400/sonhador.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;( Livro de contos)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou ter que lhe pedir desculpa pelos meus actos, espero que me perdoe, mas já não se podem remediar. Quando a encontrar logo verei o que dizer, o que vou sentir. Quem sabe é melhor assim esta espécie de preparação para a despedida, nas horas que faltam posso acalmar e habituar-me à ideia que Laura agora tem uma família e um mundo próprio do qual já não faço parte. Seria muito egoísmo da minha parte querer fazer parte de seu mundo, se eu optei por partir, se fui eu que renunciei e virei costas. Quando nos despedimos não disse uma palavra, ficou a olhar-me subir as escadas para bordo, enquanto os seus olhos me pareciam cada vez maiores e brilhantes. A Laura tem uns olhos fantásticos de belos. Afasto estes pensamentos da cabeça, acabo de beber o vinho do Porto de um gole. Armando está a conversar comigo há alguns minutos e não o escutei. Perdi-me. Fechei-me num mundo insonorizado por uns momentos. Volto à realidade da sala – perdão Sr. Armando, perdi-me por uns momentos. Voltando á minha vida no mar. Como pode imaginar quando acabei o curso tive a oportunidade de embarcar como 2º Imediato num cruzeiro que partiu de Lisboa para a costa leste da América, ora eu agarrei logo a oportunidade, até porque a companhia em questão também tem navios de longo curso e tinha a oportunidade de passar para essas rotas, o que aconteceu 4 meses depois.&lt;br /&gt;Durante dois anos fiz o tirocínio como 2º e 1º Imediato, fui parar à Austrália, fiquei a viver em Sidney, uma cidade fantástica, tive a oportunidade de ingressar na Australian Sea, a Companhia marítima onde estou até hoje, nas rotas até à nova Zelândia, China, Japão, Indonésia, nunca vim para norte, para o hemisfério norte, nunca calhou…navego sempre no Indico e no Pacifico. Outros mares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estar cá hoje em Lisboa deve-se a alguns acontecimentos que ocorreram nos últimos tempos, acontecimentos dos quais eu sou parte interessada sem que o soubesse, pelo menos até seis meses atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos interrompidos pela dona Rosália que nos chama para almoçar, e eu neste momento dou pela minha falta grave. - Perdoem, desculpem mas nem pensei na indelicadeza de aparecer agora á hora do almoço, estou a causar transtorno. – Ora essa! Exclama Armando, enquanto me dá uma palmada amigável nas costas. Sente-se aqui ao meu lado que assim podemos continuar a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos servidos pela senhora que me abriu a porta, espécie de governanta penso eu, e sou interrompido pela dona Rosário, – Fernanda este é o menino João é como se fosse da família, portanto nada de cerimónias. A senhora olha-me enquanto sorri e serve da terrina em porcelana a sopa fumegante á dona Rosário, um creme de legumes com um aroma fantástico. As saudades que eu tinha de uma comida assim, feita em casa, com todo o carinho e tempo dedicado. Cozinhar é uma arte que cada vez se perde mais em favor da comida industrial. Se temos uma boa coisa em Portugal é a comida. Das poucas vezes que comi aqui em cada dos pais de Laura sempre me senti bem. Não sei explicar, sempre me senti inglês, nasci em Londres, mas é em Portugal que me sentia bem. Até cerca de seis meses atrás não sabia explicar. Desde novo que aprendi a falar português porque a mãe me falava em português e fez questão de me matricular na escola Portuguesa. Hoje tudo faz sentido para mim. Se eu soubesse quando conheci a Laura quem sabe não tinha partido. Mas Portugal não era a minha pátria, não é ainda. Não sei verdadeiramente se sou de algum lugar em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provo a sopa, excelente. Excelente sabor. Difícil de encontrar palavras para definir, um creme aveludado de favas com pequenos cubos de pão alentejano frito em azeite, uma iguaria típica, que nunca como senão aqui em casa deles.&lt;br /&gt;Parece que adivinharam que eu vinha, se há sopa que mais goste é desta que aqui provei pela primeira vez, um creme de favas divinal – Parabéns dona Rosário e parabéns também à dona Fernanda que é uma cozinheira impar.&lt;br /&gt;O Armando sorri enquanto me serve um copo de tinto Periquita reserva, um vinho que aprendi a gostar e que não bebo faz anos. Na escola náutica quando saiamos para o mar, a bordo bebia-se Periquita, um vinho terras do Sado, península de Setúbal. Recordo-me em particular de uma das viagens a bordo do navio Polar uma Goleta de dois mastros, bonito veleiro onde naveguei durante o tempo que estive em Lisboa a acabar a especialização e onde o apreciei pela primeira vez a caminho dos Açores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona Rosário fica a sorrir enquanto exclama, – coincidência João! Hoje são uma data de coincidências. Nunca nos passava pela cabeça que aqui pudesses estar hoje, mas ficamos muito contentes que estejas, acredita. Até parece que o almoço foi escolhido porque vinhas, diz a rir, já vais ver se tenho ou não razão.&lt;br /&gt;Fernanda recolhe os pratos vazios da sopa, e eu bebo mais um pouco deste vinho suave e intenso.&lt;br /&gt;Em casa dos pais de Laura sempre se sentiu, se respirou paz e harmonia. Equilíbrio. As coisas certas nos lugares certos, um culto do belo sem exageros, uma refinada mestria, o almoço ou o jantar sempre foram servidos e ainda hoje com regras de eficiência certas, nobres direi. Se eles fossem da nobreza. Penso, a mesa longa em madeira de carvalho, uma toalha em linho imaculada de branco, e as loiças, porcelana Vista alegre. O mesmo serviço ou parecido, os copos em cristal Atlantis vejo no copo alto de balão onde bebo, talheres em prata, os cabos trabalhados em baixos relevos, balanceados no peso, obras de arte autenticas, dá gosto comer assim aqui, qualquer simples comida aqui assume um sabor para lá do óptimo, esta casa, esta família emana um calor humano que nunca encontrei em lugar nenhum.&lt;br /&gt;Mas sou eu que sou demasiado ausente, demasiado habituado a viver no mar, com os gestos automatizados e rotineiros. Agora tudo me parece um deslumbramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo o meu pensamento a mais de mil processamentos de informação por segundo, é um tropel de recordações de sensações de emoções esquecidas, adormecidas em mim que regressam todas de uma vez, tantas que me fazem ficar ausente por breves momentos que se notam sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernanda regressa com uma travessa fumegante. Cabrito assado no forno com batatas que coloca frente a dona Rosário, regressa com outra pequena travessa de arroz seco alourado no forno e uma salada envolta num molho de maionese aromática. Fico a olhar meio surpreso. Devo ter feito uma cara de espanto porque a dona Rosário começou a gargalhar, – não te disse João que hoje o almoço era uma data de coincidências. Como sabia que vinhas? E como sabia que estes são os pratos que aprecias? – Não sabia! Mas o facto é que aqui estamos hoje, e como tal aproveitemos o momento.&lt;br /&gt;Diz enquanto me serve um naco de cabrito suculento e algumas batatas.&lt;br /&gt;Aguardo que todos se sirvam para provar o cabrito, está excelente.&lt;br /&gt;– Então! Gostas? Que tal está de sabor, interroga a dona Rosário, enquanto Armando me enche de novo o copo, e eu começo a sentir o efeito do vinho em mim a amaciar-me os sentidos, a folgar os músculos, a abaixar a tensão dos nervos.&lt;br /&gt;– Como calcula não tenho palavras dona Rosário. Tudo aqui está perfeito, direi demasiado perfeito para a vida a que estou habituado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armando retoma a conversa de novo – Então andas pelos mares do Pacífico? Questiona. Mas isso é muito longe. – Olha lá, e esses mares não são perigosos com os temporais que por lá andam? Costumamos ver nas notícias, ainda á uns anos, lembras, o Tsunami que varreu as costas da Indonésia com aquela devastação toda, por onde andavas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que lembro Armando. Nessa altura estava em Melburne.&lt;br /&gt;A navegação agora é mais segura, temos sempre informação meteorológica ao momento, rotas, tempos, ventos, tudo. Os satélites vigiam lá de cima, temos de ser atenciosos ás informações que chegam e decidir da melhor forma. Agora não se navega à aventura, temos prazos a cumprir, planos rígidos de segurança, tempos de chegada e de partida, os navios valem milhões, e no fundo tudo é um negócio, e os negócios tem de ser rentáveis para valerem a pena. Por isso os capitães dos navios são quase todos europeus, porque estamos habituados a navegar e não facilitamos, só os tripulantes são naturais dos países das cercanias, Singapura, Paquistão, Indonésia, Malásia, uma mistura de raças e de credos que é preciso saber gerir com muito cuidado a bordo. Costumo fazer equipa com um imediato canadiano, o chefe de máquinas é alemão assim como o primeiro maquinista, todos os oficiais que navegam comigo são ou europeus ou americanos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já naveguei com alguns marinheiros portugueses e brasileiros também, mas em viagens de um lado a outro. As tripulações estão sempre em mudança, o que por vezes se torna muito difícil de gerir. Acontecem por vezes falhas a nível de segurança a bordo em algumas aflições por que passamos por falta de prontidão e preparação da tripulação. Mas é tudo uma opção das companhias. Baixos salários e baixa preparação dos marinheiros, alguns nunca andaram no mar, e os barcos são a porta de saída para fugirem à miséria nos seus países de origem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Continua)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8623319264728648827?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8623319264728648827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8623319264728648827&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8623319264728648827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8623319264728648827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/05/do-desencontro-viii-continuacao.html' title='do desencontro... VIII (continuação)'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Sh8VlK-LuZI/AAAAAAAACYQ/gZtoKTan3Vk/s72-c/sonhador.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3350732167942684259</id><published>2009-05-24T23:44:00.010+01:00</published><updated>2010-01-09T00:47:20.549Z</updated><title type='text'>Do desencontro...VIII parte...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/ShnPPC2BjZI/AAAAAAAACYI/83eNSgRpV0w/s1600-h/mar+fechado.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339526690592886162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/ShnPPC2BjZI/AAAAAAAACYI/83eNSgRpV0w/s400/mar+fechado.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;( Livro de contos...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho de reorganizar as ideias. Sábado quero estar em Londres, mas primeiro vou resolver os assuntos que estão pendentes por cá. A casa no Porto, os pertences do pai, e principalmente quero resolver o meu envolvimento com Laura. Toda a noite estive acordado a pensar a repensar, acho que não posso exigir nada a Laura, não acho tenho a certeza, aqui quem se portou mal fui eu, que fui atrás de um sonho de um projecto de realização profissional onde ela não teve lugar, errei, fui demasiado egoísta e ciumento. Verdadeiramente não tínhamos um compromisso assumido, éramos só dois bons amigos, mas ambos sabíamos que a nossa amizade estava muito para alem dos actos e dos afectos, era amor que sentíamos um pelo outro, mas não quisemos assumir o compromisso, sempre disse a Laura que estava de passagem, que a minha vida era em Londres e a dela em Lisboa, sorria e dizia-me que a vida dela seria onde o coração se sentisse bem, fingi sempre não perceber as suas palavras…que egoísta fui. Que procuro agora? Como vamos reagir no momento em que nos encontremos? Bem tenho de me deixar de suposições e resolver logo de uma vez o assunto. Não posso viver agarrado a expectativas e lembranças passadas porque o mundo avança e o coração das pessoas muda, tem que mudar para melhor, acho que o exemplo do capitão Júlio me serve de lição, um amor único para toda a vida em pleno século XXI não resulta pelo menos se não for correspondido, partilhado em todos os momentos. Tenho as mãos vazias e o coração abandonado e carente, cheio de pequenas recordações cada vez mais escassas e longínquas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olho a rua quase nada mudou nestes últimos cinco anos na Brancamp Freire, só a porta de entrada do prédio de Laura é agora moderna em alumínio, olho os botões da campainha dos andares, tenho o peito a bater forte, a respiração apressada, imagino-me no meio de um temporal no Cabo Horn, não posso vacilar, tenho de ser frio como uma máquina e raciocinar ao milionésimo de segundo, sou o capitão do navio, sou o responsável supremo aqui nesta minúscula imensidão do oceano, não posso falhar, não devo falhar, carrego no botão terceiro direito. Espero, não acontece nada, espero, agora o coração quase que para, a respiração quase que para, os olhos fixos ali, o botão redondo cromado em latão, o cromado comido pelo uso, as letras gravadas em baixo relevo quase sem tinta preta. E se não habita ninguém já aqui? Lisboa tem mais de um milhão de habitantes, como faço? Sinto-me por momentos um náufrago abandonado numa pequena balsa no oceano sem fim. Mecanicamente toco de novo, mais demorado desta vez, olho o relógio no pulso, doze e dezassete minutos, hora de almoço, hora de estar alguém em casa, o trinco eléctrico interrompe os meus pensamentos com o seu barulho metálico vibrante, empurro a porta, entro, transponho esta espécie de fronteira e o coração dispara de novo, e as pernas tremem e sinto-me aflito, com medo, respiro fundo, olho para cima a clarabóia em vidro branco a iluminar as escadas em madeira velhas, impecavelmente lavadas, são três andares, seis lances de escadas, coloco a mão no corrimão em madeira polida, lembro-me das vezes que temerário e doido o descia sentado, com a Laura a correr escada abaixo aflita atrás de mim. Que doido era. Subo mais um lance, aqui junto a este vaso com esta avenca viçosa dei o primeiro beijo à Laura. Estas recordações tem a faculdade de me acalmar e de me decidir a continuar. Hoje vou em busca do ano que falta na minha vida, ou o encontro ou o perco para sempre. O sol incide na clarabóia, sinto o seu calor apaziguador, e o coração a acelerar outra vez, bato à porta, ouço o som de um rádio ou televisão, espero, é a espera que me angustia, mesmo breve é sempre demasiado longa. Abrem a porta, não conheço a senhora. – Perdão, gostaria de falar com a menina Laura é possível? Olha-me com surpresa, murmura – um momento e encosta a porta. Penso nem sei quantas possibilidades de combinações possíveis nesta fracção de tempo, pareço um imenso cubo mágico. Sinto de novo passos em direcção à porta, fico expectante controlo-me. Quem abre é a mãe de Laura, a mesma senhora linda e de olhar azul, que fica surpresa a olhar-me de olhos arregalados durante uns momentos que me parecem outra vez demasiado longos de transpor. Tudo me parece demasiado longo vagaroso hoje. – Olá João Pedro, que surpresa nos pregou o menino, entre, entre, diz de rompante como se eu ainda ontem lá estivesse estado. Obrigado dona Rosália murmuro enquanto avanço pelo pequeno corredor em direcção à sala ao fundo. – Armando, olha quem nos veio visitar, entro na sala o pai de Laura estende-me a mão com um sorriso a cumprimentar-me.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Então João Pedro o que é feito de si? Pelo que vejo a vida corre-lhe, de perfeita saúde, moreno e elegante como sempre. Não me passava pela cabeça encontrá-lo de novo. Mas sente-se, vamos para aqui para a salinha. Olhe fica para almoçar, e não admito uma nega, fica e pronto, temos muito para conversar, é para conversar que cá veio não é? Para conversar e saber da Laura. Sente-se, que já colocamos a conversa em dia.&lt;br /&gt;Fiquei sem reacção. O Sr. Armando armado com o peso dos anos a experiência da vida nem me deixou murmurar uma sílaba. Dei dois passos, autónomo, em direcção ao sofá que me indicou com a mão, e deixei-me literalmente cair, com todo o peso a afundar-me na almofada macia. A dona Rosália dirige-se a mim de braços abertos, levanto-me de novo e deixo que me abrace, enquanto me murmura baixinho, quase um sussurro ao ouvido – o menino foi um doido e agora já não tem remédio…&lt;br /&gt;Fiquem aqui a conversar que vou colocar mais um prato na mesa, diz enquanto me larga e se afasta. Que surpresa! Que surpresa o menino João aqui! Que surpresa vai ser logo! Escuto a querida senhora falando baixinho enquanto entra na cozinha. Olho a sala está tudo na mesma, só os móveis são diferentes mais claros, modernos, a sala de jantar com as paredes pintadas numa cor diferente a condizer com a mobília. As coisas que me passam na cabeça num repente, espécie de flashes, de clarões da memória que julgava perdidos, sem importância. Demoro o olhar na estante dos livros. As fotos expostas dos pais da Laura e da Laura, observo uma em particular, a Laura vestida de noiva, e outra, a Laura frente ao altar com o noivo. Começo a sentir uma espécie de agonia, um nó no estômago, o coração a descompensar. O Sr. Armando dá conta, e exclama. Então João o mundo avançou, são fotos da Laura sim, do seu casamento. Olhe, mais logo ela vem cá visitar-nos, se quiser pode ficar e também a cumprimenta e fica a conhecer toda a família. Não sei se o Francisco, o seu marido vai vir, ele está cá em Lisboa num congresso, é médico neurocirurgião. A Laura também está em medicina embora agora esteja em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudemos de assunto. Fale-me de si que tem feito? Vais fazer 6 anos que o João foi embora de viajem não é verdade? Pergunta enquanto me serve um cálice de Porto vintage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim vai fazer 6 anos que comecei a viajar exclamo enquanto cheiro o vinho do porto. O melhor vinho do porto que bebi em toda a minha vida foi aqui em casa dos pais de Laura, o Sr. Armando tem uma colecção excelente de vinhos do porto.&lt;br /&gt;Sempre excelentes os vinhos por cá, exclamo enquanto bebo um pouco. Armado esboça um sorriso, e eu penso numa fracção de segundo como resumir todos estes anos da minha vida de forma coerente, quando o que eu queria era saber pormenores da vida da Laura e que os ponteiros do relógio galgassem as horas que faltam e que ela entrasse pela porta. Para que eu a pudesse ver uma última vez, e depois ir embora fechar esta porta este capitulo ainda em rascunho na minha vida. Vem-me à memória um verso que escutei estes dias numa música da Mafalda e que me ficou a bailar dentro do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…“Era uma vez um pensamento teu&lt;br /&gt;Quase podia ser segredo meu e teu&lt;br /&gt;Era quem sabe um tempo de inventar&lt;br /&gt;Subir o teu corpo&lt;br /&gt;Cair do teu sonho&lt;br /&gt;E ficar em nós”… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(continua...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3350732167942684259?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3350732167942684259/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3350732167942684259&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3350732167942684259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3350732167942684259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/05/do-desencontroviii-parte.html' title='Do desencontro...VIII parte...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/ShnPPC2BjZI/AAAAAAAACYI/83eNSgRpV0w/s72-c/mar+fechado.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5760599645414939589</id><published>2009-04-25T22:21:00.002+01:00</published><updated>2009-04-25T22:28:27.251+01:00</updated><title type='text'>abril...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;abril&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tomo a liberdade nas mãos&lt;br /&gt;e armado de papel e pena&lt;br /&gt;escrevo-te&lt;br /&gt;espécie de libertação&lt;br /&gt;fingimento de revolução a dizer-te da saudade tua que sinto hoje&lt;br /&gt;e dos cravos vermelhos que oferecemos um dia um ao outro&lt;br /&gt;enquanto a rua se enchia de gritos e bandeiras e gente e revolução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era em Abril&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era eu&lt;br /&gt;eras tu&lt;br /&gt;e o Rossio ainda sem Pessoa imortalizado no bronze&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é Abril ainda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o coração deserto…&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 25 Abril 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5760599645414939589?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5760599645414939589/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5760599645414939589&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5760599645414939589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5760599645414939589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/04/abril.html' title='abril...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4601754089898811249</id><published>2009-04-19T15:57:00.001+01:00</published><updated>2009-04-19T16:05:27.690+01:00</updated><title type='text'>foto...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ses8Axfg7TI/AAAAAAAACXY/mMo7kQM-YgI/s1600-h/foto_latino_10623.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326416968278928690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ses8Axfg7TI/AAAAAAAACXY/mMo7kQM-YgI/s400/foto_latino_10623.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E como gosto de te sentir a minha miúda bela e forte ao meu lado. Como gosto da tua presença em mim. Como gosto do teu sabor em mim. A tua paz em mim. Tu em mim! E como gostava de te ter em meus braços, e não ser a fantasia, o sonho o delírio, ou o devaneio do homem disfarçado em poeta maltrapilho. E porque os meus gostos não passam mesmo disso, gostos, meras palavras que provocam a arritmia incerta quando me olhas. Vou eu entender o porquê! Beijo-te à minha maneira. E fecho os olhos porque te sinto pulsar com desejo assumido e quente. E porque gosto do teu desejo forte intenso como o meu, de olhos fechados adormeço embalado em ti, e perco-te no sonho... &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já não sei sonhar a dormir, então acordo aflito, em tua busca de novo, não te encontro no momento, e fica perene no tempo a fragrância do corpo teu que venero, como um perfume testemunha da tua passagem por mim. Aprendo a querer-te, a vencer medos, quem sabe a ser ousado ou louco... &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;...Porque no momento vais comigo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro, palavras soltas 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto da Net-  Fotografos Latinos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4601754089898811249?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4601754089898811249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4601754089898811249&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4601754089898811249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4601754089898811249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/04/blog-post.html' title='foto...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ses8Axfg7TI/AAAAAAAACXY/mMo7kQM-YgI/s72-c/foto_latino_10623.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3323378838438772757</id><published>2009-03-20T22:34:00.002Z</published><updated>2009-03-20T22:53:57.621Z</updated><title type='text'>dos oceanos a fio...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/ScQeWtolrYI/AAAAAAAACWo/E7H0hcKboG8/s1600-h/mara+mitchell.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315406835759820162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/ScQeWtolrYI/AAAAAAAACWo/E7H0hcKboG8/s400/mara+mitchell.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gostava de te encontrar pela manhã dos dias azuis&lt;br /&gt;Descias a ladeira que te trazia à vila&lt;br /&gt;E eu, sabedor das horas anunciadas pelo sol madrugador esperava-te&lt;br /&gt;Nunca deste por mim&lt;br /&gt;Nunca te dirigi a palavra&lt;br /&gt;Ficava-me a olhar-te graciosa enquanto caminhavas&lt;br /&gt;Os teus cabelos esvoaçando na brisa que se sentia impregnada com o cheiro das camélias em flor.&lt;br /&gt;Um dia não vieste&lt;br /&gt;Soube que foste embora em busca do amor&lt;br /&gt;Dei-me conta nesse dia que o meu tinha partido&lt;br /&gt;Nunca deste por mim, ou pelo cheiro das camélias que já morreram&lt;br /&gt;Cansado&lt;br /&gt;Um dia parti também&lt;br /&gt;Quis o destino pregar-me a partida, ou quem sabe&lt;br /&gt;Reencontrei-te na cidade à beira mar onde habitas&lt;br /&gt;Depois de atravessar oceanos durante anos a fio&lt;br /&gt;E quase ter esquecido o cheiro das camélias.&lt;br /&gt;Os dias madrugadores de cor azul&lt;br /&gt;Ou a ladeira por onde caminhavas em direcção à vila.&lt;br /&gt;Ficamos os dois parados, tolhidos pela surpresa súbita&lt;br /&gt;A partida do destino&lt;br /&gt;Então sorriste&lt;br /&gt;E então falaste&lt;br /&gt;Então sorri&lt;br /&gt;E então falei-te&lt;br /&gt;Palavras breves como os segundos que marcam os intervalos do tempo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;João marinheiro 2009&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto, Mara Mitchel&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3323378838438772757?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3323378838438772757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3323378838438772757&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3323378838438772757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3323378838438772757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/03/dos-oceanos-fio.html' title='dos oceanos a fio...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/ScQeWtolrYI/AAAAAAAACWo/E7H0hcKboG8/s72-c/mara+mitchell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8814622958527022604</id><published>2009-02-25T00:06:00.002Z</published><updated>2009-02-25T00:08:42.584Z</updated><title type='text'>rumo a Oeste...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SaSLxAB1upI/AAAAAAAACWQ/3BKWLt9o1Ew/s1600-h/vazio.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306519934886853266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SaSLxAB1upI/AAAAAAAACWQ/3BKWLt9o1Ew/s400/vazio.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as velas prenhas de ventos e de ideais&lt;br /&gt;o rasto nas águas frias do navio&lt;br /&gt;uma ardência de fluorescências que desenham riscos de sal sobre as ondas breves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acabaram-se os ancoradouros antigos&lt;br /&gt;os meus navios foram sempre uma miragem alucinada&lt;br /&gt;um sonho por cumprir&lt;br /&gt;demasiados naufrágios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morrem-me os dedos nas mãos vazias&lt;br /&gt;e a pena perde o tino nas palavras&lt;br /&gt;seca na folha amarelecida a tinta azul água&lt;br /&gt;o diário de bordo de um capitão velho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rumo a Oeste de nada&lt;br /&gt;uma carta náutica falsa, sem valor&lt;br /&gt;as coordenadas imperfeitas&lt;br /&gt;longitudes, latitudes, declinações magnéticas por corrigir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um imenso erro a escrita&lt;br /&gt;dou-me conta&lt;br /&gt;um marinheiro não pode ser poeta, ou o contrário&lt;br /&gt;não existe poesia na rudeza do sentir no mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as velas ainda se içam ao vento e enfunam&lt;br /&gt;prenhas, redondas, alvas&lt;br /&gt;é assim que as imagino&lt;br /&gt;mas todo eu sou um engano…&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro Fevereiro de 2009&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2009&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8814622958527022604?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8814622958527022604/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8814622958527022604&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8814622958527022604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8814622958527022604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/02/rumo-oeste.html' title='rumo a Oeste...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SaSLxAB1upI/AAAAAAAACWQ/3BKWLt9o1Ew/s72-c/vazio.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-725018860443397900</id><published>2009-02-15T13:11:00.005Z</published><updated>2009-02-15T13:23:57.413Z</updated><title type='text'>É de compreender que sobretudo nos cansamos</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303013841179479122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 292px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SZgW_fJ7jFI/AAAAAAAACVw/Uy8xmreNthw/s400/page.bmp" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;…Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Caí contra as esperanças e as certezas, com os poentes todos.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;…Estou hoje lúcido como se não existisse. Meu pensamento é em claro como um esqueleto, sem os trapos carnais da ilusão de exprimir. E estas considerações, que formo e abandono, não nasceram de coisa alguma - de coisa alguma, pelo menos, que me esteja na plateia da consciência. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez aquela desilusão do caixeiro da praça com a rapariga que tinha, talvez qualquer frase lida nos casos amorosos que os jornais transcrevem dos estrangeiros, talvez até uma vaga náusea que trago comigo e me não explico fisicamente…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Disse mal o escoliasta de Virgílio.&lt;br /&gt;É de compreender que sobretudo nos cansamos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viver não é pensar… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;In livro do Desassossego, Bernardo Soares&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem, Google&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-725018860443397900?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/725018860443397900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=725018860443397900&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/725018860443397900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/725018860443397900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/02/e-de-compreender-que-sobretudo-nos.html' title='É de compreender que sobretudo nos cansamos'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SZgW_fJ7jFI/AAAAAAAACVw/Uy8xmreNthw/s72-c/page.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8114236409203110824</id><published>2009-01-04T01:14:00.004Z</published><updated>2009-05-05T20:54:07.233+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro...VII parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SWATHvMBo0I/AAAAAAAACRc/f3dlDa1Z8JM/s1600-h/ana+guerreiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5287246986179879746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SWATHvMBo0I/AAAAAAAACRc/f3dlDa1Z8JM/s400/ana+guerreiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;( Livro de contos...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que apanhei um murro violento no estômago. Fiquei sem reacção sem forças, vazio por uns momentos demasiado demorados, parece que o tempo se esqueceu de mim e me deixou abandonado nesta aflição, este sufoco na alma, um arder por dentro. Cada vez estou mais angustiado e abismado, admirado com este homem misterioso a quem não pude olhar, a quem não pude chamar de pai.&lt;br /&gt;De repente vem-me à ideia que não sei como é, nunca vi uma foto sua, não faço a mínima ideia de quem seja. Como é o seu rosto, a cor dos olhos, dos cabelos, se alto se baixo, nada! Tudo é tão estranho. Sinto-me preso a abafar sem reacção, o olhar inundado de sal. Batem à porta. Acordo, deve ser o que pedi para jantar, sinto uma fraqueza a invadir-me o corpo e a mente. Acordo deste torpor em que estava a submergir-me depois de ler a carta no pc. Abro a porta num gesto autómato, a funcionária com um sorriso avança com o carro bar com a refeição. Quase não lhe falo – entre, digo. Brinda-me com um sorrido simpático. Meigo, imagino que o seu sorriso é meigo porque os olhos são meigos, de um verde paz meigo. No espaço de segundos processo mil pensamentos ao observar esta jovem, reparo em pequenos detalhes, a cor das unhas, a forma como estão cortadas, a cor dos cabelos, o perfume suave e discreto que usa, o uniforme impecavelmente limpo a sua forma elegante, esbelta, não deve ter mais de vinte cinco, vinte oito anos, um metro e sessenta e cinco, tiro a medida da sua altura quando ela se volta para mim – desculpe, quer que sirva o jantar ou deixo ficar? – Importa-se? – Importa-se de me servir? Retorqui enquanto a observo, enquanto lhe descubro o nome na placa dourada no peito, mesmo por cima do coração – obrigado Esmeralda. Obrigado. Olho-a nos olhos. À quanto tempo não olho uma mulher nos olhos? Vejo um sorriso nos seus lábios, um rosto bonito. Vejo por instantes. Por instantes faço comparações. Olho as suas mãos, as unhas cuidadas. Verniz vermelho vivo. Obrigado digo outra vez, quase sem palavras. Num ápice dispôs o prato na mesa, bife com molho tártaro, legumes salteados e arroz com frutas secas, serviu o vinho, dispôs o pão, duas fatias de pão integral, colocou a sobremesa, os talheres impecavelmente dispostos, o guardanapo branco, arrumou o carrinho, e com o mesmo sorriso luminoso, – por favor quando terminar a refeição queira solicitar à recepção para podermos retirar o carro. Tenha um jantar agradável e disponha se precisar de mais alguma coisa. Obrigado Esmeralda falei outra vez, enquanto ela se dirigiu para a porta e a fecha atrás de si.&lt;br /&gt;Estou de novo só. Por um momento pareceu-me que estava em casa, que tinha uma família, que tinha uma esposa que colocava a mesa com a habilidade característica das esposas. Por um momento só. Sento-me para jantar, mais logo ligo à mãe, ela fica acordada até tarde. Agora vou saborear este bife e o arroz com pinhões e passas. Faz muito tempo que não como assim uma refeição. Sorvo um pouco de vinho. Um tinto encorpado do Douro, bom vinho, demoro-me a ler o rótulo. Gostava de ter aqui uma companhia feminina com quem partilhar este vinho, com quem pudesse brindar a vida e também conversar. Preciso de uma companhia por perto. Ainda sinto o perfume de Esmeralda no quarto, ainda o sinto nas narinas, e isso excita-me e faz-me sentir desejo, e faz-me sentir saudade.&lt;br /&gt;Janto a correr. Bebo dois copos deste vinho rubro forte, 14 graus e meio, sinto o seu efeito relaxante a entrar em mim lentamente. Não estou habituado já a beber vinho. Fecho os olhos por uns momentos a descansar, a recuperar as forças, pareço um navio adornado na tempestade, a não se deixar adormecer e vagarosamente retornar ao seu ponto de equilíbrio, à posição vertical para ganhar rumo de novo.&lt;br /&gt;Estou em Lisboa faz quase um mês. Durante duas semanas aluguei um carro andei de um lado para outro ai pela costa, de sul para norte de este para oeste, sem rumo. Demorei tantos dias a decidir-me ir visitar o Capitão e aconteceram tantas coisas entretanto. Ainda estou estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo-me ficar mais um pouco, a noite iluminada por uma luz baça entra pela janela do meu quarto esbatida. Daqui deste oitavo andar olho o casario velho de Lisboa os telhados cinzentos e negros e ao fundo, a silhueta da Ponte a piscar. Vejo também o Tejo a luzir, as luzes a espelharem-se nas águas escuras no rio das mil descobertas. Andei a caminhar estes dias pela beira Tejo junto à Praça do Comercio. Faltam as colunas. O Cais das colunas desapareceu. Mutilam a cidade branca e ninguém se importa.&lt;br /&gt;Aqui impera o quase silêncio, quase, porque se escuta ainda um ruído abafado e distorcido do movimento de carros na avenida. A cidade prepara-se para adormecer, para fingir que dorme, é uma espécie de movimento perpétuo. Lisboa não pára nunca. Parece que adormece mas não pára. Só eu me sinto cansado e a parar. Gostava de olhar outra vez a funcionária do hotel. Ver o verde paz dos seus olhos. Sentir desejo outra vez. Sonhar outra vez. Gostava de conversar. De escutar uma voz de mulher durante um bocado a conversar comigo. No fundo é isso, é um vazio que existe em mim, um fosso difícil de encher agora. Sou um turista em Lisboa, sou um estranho em Lisboa. Um numero de estatística turística. Na Escola Náutica já não conheço ninguém do meu tempo, e era a única ligação que tenho a Lisboa, quase a única. Vim cá acabar a especialização durante um ano. Apaixonei-me. Depois parti, não devia ter partido, é esse ano que me falta. Sou um parvo. Um doido por estar a pensar estas coisas a esta hora. Ligo para a recepção – Por favor podem dizer à senhorita Esmeralda do restaurante que pode vir levantar o carro com o jantar.&lt;br /&gt;– Obrigado!&lt;br /&gt;– Espero! Espero!&lt;br /&gt;É o que tenho feito este tempo todo, esperar. Espero que a Laura ainda more no mesmo sítio; Rua Brancamp Freire.&lt;br /&gt;Espero. Espero que esteja em casa.&lt;br /&gt;Espero. Espero ter coragem de tocar à campainha, e subir até ao terceiro andar direito do seu prédio e tocar.&lt;br /&gt;Espero. Espero que seja ela a abrir a porta. Que ainda ali more.&lt;br /&gt;Espero tanta coisa adiada. É um ano que falta na minha vida. Insubstituível porque não posso voltar atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho a noite, tenho a janela aberta e a cortina corrida a um lado. Gosto de ver o sol nascer, mas estou de costas para ele. Sinto-me nervoso a andar de lado para lado aqui. Os meus passos são abafados pela alcatifa vermelho escura. Olho pela primeira vez com atenção a decoração do quarto, uma pequena suite, casa de banho, sala de estar e quarto. Olho pela primeira vez os quadros na parede. Janelas. Janelas de Maluda a pintora das janelas de Lisboa. São, bonitas. Copias a enquadrarem no papel de parede branco, branco sujo e ondulações ocres e pardas. A mobília em negro wengué e vidro vermelho fogo, a alcatifa a condizer. Acolhedor o sitio.&lt;br /&gt;Ainda sinto o perfume, ou sou eu que o imagino. Só pode ser. Costumo guardar pequenos detalhes durante anos na memória. Ouço bater na porta. Abro, é ela, venço a minha falta de palavras – olá Esmeralda bem vinda de novo! – Entre! – as minhas recomendações ao chefe de cozinha, o jantar estava muito bom. Olha para mim a sorrir, não diz nada, percebe que quero meter conversa. Claro! Deve estar farta de ser assediada, é uma mulher muito formosa. Apetecível. Sinto o seu cheiro e involuntariamente aspiro prolongadamente a entranhar em mim o seu perfume, para me ficar dentro a durar tempos. Arruma num ápice toda a mesa, aspira as pequenas migalhas de pão com um pequeno aspirador portátil, tudo pensado ao pormenor, eficiente. É assim que gosto de saber as pessoas, eficientes e competentes. Acabou. Olha para mim outra vez – o Sr. comandante João deseja mais alguma coisa? Fico surpreso, sabe o meu nome e profissão, esboço um sorriso, e toda a tensão que senti ao longo do dia se desvanece diluída pelo som da sua voz. O pequeno gesto de me tratar pelo nome, de falar comigo, não me tratar como um turista, um estranho na nossa cidade. Demoro a responder enquanto me olha, olhos nos olhos a desafiar, de frente, com personalidade. O que eu penso ao milionésimo de fracção de segundo. Respondo calmo&lt;br /&gt;– Obrigado Esmeralda! Posso tratar assim, Esmeralda? – Não preciso de mais nada por hoje vou descansar que tive um dia complicado, demasiado emotivo. Gostei que me tenha tratado pelo nome. Demonstra muito profissionalismo de sua parte e da equipa do hotel, afinal já cá estou quase há um mês hospedado, e estava a sentir-me um estrangeiro. Um turista na minha terra.&lt;br /&gt;– Obrigado. Não disse mais nada. Sorrindo dirigiu-se para a porta com o carrinho, olhou-me uma ultima vez a sorrir, sempre a sorrir. Tenha uma noite descansada Sr. Comandante. Amanhã o pequeno-almoço é das sete às 10 horas na sala Oriente. E saiu.&lt;br /&gt;Fiquei a sorrir também. A imaginar que por um momento era a Laura que ali esteve comigo a falar-me a olhar-me. Por um momento lhe senti o cheiro, quase o sabor da pele, a textura das mãos, o desenho dos lábios…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou doido. Antes de me deitar tenho de ligar à mãe, quem sabe se ainda hoje me sinto com coragem e ainda vou descobrir mais segredos no pequeno pc do capitão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Continua...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Ana Guerreiro, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.olhares,com/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.olhares,com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8114236409203110824?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8114236409203110824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8114236409203110824&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8114236409203110824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8114236409203110824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2009/01/do-desencontrovii-parte.html' title='Do desencontro...VII parte'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SWATHvMBo0I/AAAAAAAACRc/f3dlDa1Z8JM/s72-c/ana+guerreiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6136231683413167451</id><published>2008-12-25T00:52:00.006Z</published><updated>2009-05-05T20:54:21.068+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro... VI parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SVLdVPhy-NI/AAAAAAAACPk/Nre9S9bX6Do/s1600-h/Culatra+veleiro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283528669874288850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SVLdVPhy-NI/AAAAAAAACPk/Nre9S9bX6Do/s400/Culatra+veleiro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;(livro de contos)&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vou para o hotel, está decidido. Falei com o Dr. Ernesto e todos os pertences do pai vão ficar aqui guardados, os mais pessoais, os livros vão para Londres para casa da mãe, eu também vou, quero com calma mergulhar dentro deles colher palavra a palavra a tentar conhecer este homem, a tentar conhecer esta parte da vida desconhecida da mãe. Agora vou para o hotel, levo o computador portátil do capitão. Mais logo pela noite no sossego da madrugada vou ver o que encerra, o que me deixou escrito, as pistas, ainda me parece que tudo isto é um jogo, uma espécie de jogo virtual do qual não sei as regras, onde não conheço os adversários. Tenho momento que penso, nada disto está a acontecer, depois dou-me conta que tudo é demasiado real, demasiado forte, demasiado grande para estar a acontecer agora. Mas está, acontece, por vezes demasiado rápido para o entendimento, por vezes demasiado lentamente. Espécie de filme de imagens paradas, fotograma a fotograma, uma nitidez impressionante de arrepiar, que assusta. Tudo aqui foi pensado para a minha vinda, tudo aqui foi pensado para a morte, tudo aqui foi pensado com tempo. Todo o tempo do mundo. Num repente um flash de luz na minha cabeça, foi isso, eu vi o livro pousado na secretária, marcado, um marcador em couro, uma tira com um monograma dourado, é isso o livro, “ Todo o tempo do mundo” instintivamente dirijo o olhar para lá, a secretária. O livro permanece no mesmo lugar, pego-lhe e abro na página marcada, um poema sublinhado, demoro a ler:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Espero-te ainda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não sabes que do outro lado do mundo eu penso em ti&lt;br /&gt;Que te sinto em cada batida do coração a ressoar por dentro dolorido&lt;br /&gt;Que te desejo intensamente. Um vazio estremo&lt;br /&gt;E que o olhar morre lentamente&lt;br /&gt;As palavras dão á costa naufragadas na memória&lt;br /&gt;E que já não tenho memoria do tempo dos amantes de uma noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Não podes saber que as noites agora são sombrias&lt;br /&gt;Os braços de luz do farol se apagaram&lt;br /&gt;O rio secou assoreado nas lágrimas salobras&lt;br /&gt;O mar recolheu a uma terra estranha&lt;br /&gt;E a linha de costa&lt;br /&gt;É uma beira-mar juncada de sargaço morto&lt;br /&gt;E que eu estou aqui ainda&lt;br /&gt;Sentado na beira-rio esperando por ti&lt;br /&gt;Enquanto o frio me invade os sentidos&lt;br /&gt;O mar se recompõe da noite longa e acorda em maresias de sal&lt;br /&gt;A névoa se instala abraçando o mundo&lt;br /&gt;E eu cego, tacteio o rumo que me afasta de ti&lt;br /&gt;Espécie de suicídio negro na estrada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não sabes&lt;br /&gt;Da minha vontade de escutar a tua voz&lt;br /&gt;De te sentir no olhar&lt;br /&gt;De te amar outra vez&lt;br /&gt;Tu não sabes porque és espécie de andorinha que partes&lt;br /&gt;Porque o Verão é doido e parece Outono e te desnorteias&lt;br /&gt;E assim inicias o regresso sempre&lt;br /&gt;E eu fico aqui no outro lado de mim a olhar o mar na noite e o rio e a foz&lt;br /&gt;E o farol apagado que me guiava até ti na lonjura da memória dos tempos…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um poema que fala da memória dos tempos. Um poema a sentir-se a imaginar-se, quase um grito de desespero, estranho, a provocar um ardor por dentro. Folheio mais um pouco o livro e cai uma folha seca, esquisito, uma folha dentro de um livro de um homem do mar, agacho-me para a apanhar. Seca. Arroxeada. Parecia uma folha, não é, pego-lhe com cuidado, um amor-perfeito, é isso, a flor é um amor perfeito, pouso o livro e folheio a tentar descobrir onde estava, descubro a forma impressa na folha parda de papel, o lugar violado por mim, entro num espaço do tempo esquecido quase a medo, as palavras a bailarem vertiginosamente na frente dos meus olhos, quase um balanço brusco do navio. As palavras sublinhadas, e escrito a lápis em baixo uma nota de rodapé:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;“Foste a flor mais perfeita, o amor-perfeito em mim, és ainda, só secas, só morres quando eu morrer em ti e tu em mim.&lt;br /&gt;Amo-te Beatriz.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me a mais aqui, quase um ladrão a roubar os segredos, o lado mais íntimo do sentir, o pensamento, a emoção, o amor, não sei explicar o que sinto. Fecho o livro, levo-o comigo agora e o portátil, saio porta fora em direcção à porta principal, os corredores em silêncio na penumbra. Aqui o tempo passa demasiado devagar ou sou eu que me sinto a ficar sem forças, sem ar, um nó na garganta sufoca-me. Dou-me conta que este pai me fez sempre falta. Dou-me conta que sou como ele, cópia perfeita. Dou-me conta que foi isso que ele descobriu. Tenho de abrir o pc. Tenho de apanhar um táxi já e refugiar-me no meu quarto no hotel a ler. Vou ligar para a mãe a avisar que vou para Londres que levo os livros e os cadernos do pai, levo também o seu fato de capitão. O resto fica aqui guardado. Vou providenciar para que a casa do Porto seja arranjada de imediato, depois levo tudo para lá, e levo a mãe, quero regressar às origens, espécie de regresso ao ventre materno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou meio doido com tudo. Depois vou fazer uma visita a uma pessoa, vou tentar que me receba. Espero que me receba. Não adianta telefonar-lhe que não atende. Não responde às mensagens, mas tem toda a razão, fui eu que fui embora sem uma palavra, éramos só amigos, eu pensava assim ela não, era amor que sentia, eu não sabia, não queria saber, fingia não querer saber não me queria prender, depois dei-me conta da sua falta em mim.&lt;br /&gt;– Que porra! Fiz exactamente como o pai. Como pode ser possível? Como?&lt;br /&gt;Tenho de mudar de rumo, tenho de traçar uma nova rota a aportar ao coração dela, lá é o meu porto seguro. Se me receber, se me quiser, se me amar. Se não tiver já o coração ocupado. Sinto um calafrio a percorrer a espinha, o meu corpo, uma espécie de choque eléctrico. Sou um homem parvo, nunca me tinha passado pela cabeça que ela pudesse ter o coração ocupado. Que pode ter o coração ocupado. Casada. Uma família e filhos. Sinto o mundo a cair em cima de mim. Os sonhos, espécie de castelos de areia a desfazerem-se nas ondas do mar furioso. O medo apodera-se de mim e o desassossego. Uma tristeza instala-se por dentro a minar-me as forças, um sobressalto. Acho que a perdi no dia que fui para o mar. No dia em que embarquei para a minha primeira travessia. Já passaram cinco anos meu Deus. Tão rápido o tempo. Tão voraz a girar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O táxi deixa-me na porta do hotel. Não dei pela viagem de quase uma hora, saio a correr e subo as escadas como se uma matilha de lobos esfaimados estivessem quase a ferrar as presas em mim. Subo. E enquanto o elevador sobe ao oitavo piso tento acalmar, respiro devagar, pausadamente a desacelerar o coração descompassado. Como é possível nunca ter pensado. Como?&lt;br /&gt;Abro a porta do quarto retiro o pc da mala de transporte e ligo. Enquanto se inicia, sinto um desconforto interior, o estômago a roncar baixinho com fome. Dou-me conta que hoje não almocei, não jantei, não comi nada. Olho as horas dez e doze minutos, pego no telefone e peço à recepção alguma coisa para comer aqui no quarto. O pc abre e inicia automático, uma imagem do por do sol no mar. Um único ícone no ambiente de trabalho. Clico em cima.&lt;br /&gt;Lentamente abre uma pasta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Carta do Pai Júlio para ti meu Filho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Estremeço, sinto-me num turbilhão de emoções. O mar assoma aos meus olhos, inunda-me a alma, afoga-me o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Meu filho querido. Não estranhes ao ligar o computador esta mensagem assim. É propositada. No fundo eu sabia que virias. Que um dia virias à descoberta de mim, mas o corpo alquebrado pode não ter tempo para esperar o tal todo o tempo do mundo. Deves saber como é, um corpo velho como um casco de bacalhoeiro na última viagem, está meio carcomido pelo sal, encostado ao cais para morrer alquebrado, a ser engolido pelo lodo do rio, ou arder no inferno do fogo lentamente.&lt;br /&gt;Chega de falar de mim. Esta mensagem que te deixo aqui neste pequeno computador ao qual me fui afeiçoando, e que me permitiu viajar pelo mundo nestes três últimos anos, tem cá dentro toda a história e as respostas que vinhas à procura. Estão aqui para o caso de te atrasares. De não apanhares um bom ventinho favorável. Em pequenas pastas arrumadas. Com tempo faz a viagem se quiseres, a descobrires quem está na origem das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que digo eu, nem sei a tua ocupação ao certo. A tua mãe a minha queridíssima Beatriz escreveu-me uma carta que recebi faz pouco, atrasada, a falar-me de ti, a dizer-me que eras marinheiro. Não sabes a alegria que me dás saber-te marinheiro também. Vais entender-me porque os marinheiros têm a alma do mundo, o sangue dos oceanos a correr nas veias, o olhar do sol e da lua e dos vendavais. Vais entender-me.&lt;br /&gt;Aqui encontras todas as respostas às tuas perguntas. Principalmente a explicação do amor que sempre senti pela tua mãe.&lt;br /&gt;Único!&lt;br /&gt;Puro!&lt;br /&gt;Branco!&lt;br /&gt;Como eu costumava dizer. Como se o branco fosse a cor a pintar o amor. Não sei. Acho que confundi a cor com a cor dos cascos dos bacalhoeiros daquele tempo. Pode ser isso.&lt;br /&gt;A Beatriz na carta contou-me que tu fizeste como eu, que largaste a mulher que amavas e que partiste. Disse-me que estava a ver o mesmo erro em ti, uma espécie de alucinação do passado a repetir-se, mas que não te quis contar da minha existência. Que Morris era para todos os efeitos o teu pai de verdade, o único que conhecias. Ela fez bem, acho que sim. Mas agora peço-te que não cometas o mesmo erro que eu. Vai até onde te leva o teu coração. Se amas, segue o que ele diz. A tua mãe contou-me na carta que seguiste como eu o mesmo rumo. O mar, só o mar. Não faças isso! Se amas não troques o amor pelo mar, completa o amor com o mar, mas nunca o substituas. Olha o erro tremendo que eu cometi. Não o faças. Promete! Promete! Nenhum mar merece a troca do amor de uma mulher por ele. Nenhum mar, por mais que nos corra no corpo, por mais que esteja entranhado na pele. Nunca! O amor é insubstituível, e a saudade tão conhecida dos portugueses é um veneno que nos mata lentamente, nos suga a memória, nos embacia o olhar, nos tira o brilho, nos rouba as forças. Ficamos cinzentos, sombrios, assustadores, estranhos. É verdade meu filho, ficamos como lobos, lobos-do-mar solitários, sem alcateia, sem covil. À mercê de um tiro misericordioso que nos acabe o sofrimento. Os lobos são uma espécie protegida, assim o sofrimento será longo e penoso. O meu durou cinquenta anos, meio século de saudade e de ausência e de angústia. Fiquei com o coração avariado, destroçado completamente.&lt;br /&gt;Estou cansado. Foge-me a vista, acho que agora posso dormir nos braços do mar finalmente. Se tu conseguisses imaginar o que me custaram estes cinquenta anos de solidão sem o abraço da Beatriz. Se tu conseguisses imaginar o doloroso que foi tudo. Saber que existias só agora tão tarde. Imaginar que nos podemos ter cruzado no oceano sem saber que éramos a mesma carne – Meu filho! Fico com o coração enorme no peito a dizer a palavra. Os olhos rasos de água ainda. Eu que pensei não ter já lágrimas. Mas estas são de comoção, de amor. São lágrimas verdadeiras de pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promete que vais em busca do teu amor. Sei que irás. Eu sei que sim. Bastei eu para errar e para aprender com o erro.&lt;br /&gt;Um homem do mar não erra duas vezes.&lt;br /&gt;Ficas com as respostas.&lt;br /&gt;A historia de amor sem amor nenhum que eu fui.&lt;br /&gt;Um velho lobo-do-mar com o coração naufragado de saudade.&lt;br /&gt;Dá um beijo à mãe, a minha Beatriz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu Pai Júlio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Martinho, Novembro de 2007&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(continua)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6136231683413167451?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6136231683413167451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6136231683413167451&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6136231683413167451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6136231683413167451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/12/do-desencontro-vi-parte.html' title='Do desencontro... VI parte'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SVLdVPhy-NI/AAAAAAAACPk/Nre9S9bX6Do/s72-c/Culatra+veleiro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8053679832721831257</id><published>2008-12-18T13:05:00.007Z</published><updated>2009-05-05T21:22:55.735+01:00</updated><title type='text'>incomunicáveis...</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Incomunicáveis &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Incomunicáveis &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Incomunicáveis !!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma memoria cheia de ventos e de maresias que cabem num saco feito de velas rasgadas&lt;br /&gt;Este sou eu&lt;br /&gt;Um marinheiro fracassado, espécie de naufrágio em água revolta, fria, negra sem glória sem lembrança&lt;br /&gt;Uma memória branca por dentro. Quem me mandou enfrentar as tempestades, se o coração vacila, o corpo pende curvado, a imitar a quilha alquebrada do navio que trago no coração. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Depois o sal&lt;br /&gt;Sempre o sal&lt;br /&gt;Espécie de cristal maravilha que faz bater o músculo vermelho&lt;br /&gt;Depois a sede&lt;br /&gt;Depois&lt;br /&gt;Depois&lt;br /&gt;Depois....&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A morte&lt;br /&gt;Ronda-me a morte.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Partiram as aves todas&lt;br /&gt;O mar é um imenso vazio aos meus olhos&lt;br /&gt;Onde estão as silhuetas dos barcos e as velas?&lt;br /&gt;Partiram-se os mastaréus e as enoras agora são buracos sem fundo&lt;br /&gt;Um barco sem mastros é como um corpo sem braços&lt;br /&gt;Decepado&lt;br /&gt;É isso que se respira aqui&lt;br /&gt;Um decepar de memórias&lt;br /&gt;Uma angustia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renego-te. Vou pra sul !&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro, palavras ditas 2007&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8053679832721831257?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8053679832721831257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8053679832721831257&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8053679832721831257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8053679832721831257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/12/incomunicveis-incomunicveis.html' title='incomunicáveis...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3487360103767163843</id><published>2008-12-06T01:38:00.006Z</published><updated>2009-05-05T20:54:54.389+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro...V parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/STnaPRxdioI/AAAAAAAABt4/j7VjcpUETo8/s1600-h/Imagem1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276488394444999298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/STnaPRxdioI/AAAAAAAABt4/j7VjcpUETo8/s400/Imagem1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;( livro de contos)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Volto á habitação do capitão Júlio percorrendo de volta os mesmos corredores, trago na mão o envelope. Não o quis abrir ali na frente do Dr. Ernesto, prefiro estar recolhido ali no seu aposento, o seu sítio. A minha cabeça fervilha de pensamentos. Em cada passada, em cada metro que venço a encurtar a distância ao quarto do Comandante Júlio, o meu corpo começa a ficar em alerta. Que trago nas mãos? Que papeis são estes. Que carta. que noticias? Afasto por uns momentos da ideia as perguntas. Traço um plano mental. Hoje vou arrumar todas as coisas e levar as importantes para o hotel, amanhã ou depois irei ao Porto, quero de novo ver a casa, depois vou para Londres ter com a mãe. Sim será o plano mais acertado. Organizar as coisas. Preparar tudo. Quem sabe estou a fazer um temporal para nada. Abro a porta. Olho de novo o pequeno quarto, abro a janela e sinto a aragem fresca a entrar, uma espécie de vento a saber a maresia. Fico a pensar. Que espécie de homem era ele para até nas pequenas coisas insignificantes nos surpreender sempre, como sabia que aqui desta janela o vento trás o sabor do mar, o cheiro do sargaço. Nunca vou saber a resposta. Não é importante já. Agora vou ler a carta, aqui na sua secretária. Isso o importante agora. Quero saber o que nos queria dizer. Tremem-me as mãos ao abrir a carta.&lt;br /&gt;Duas folhas manuscritas a tinta azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;…” Espero que me perdoes. Eu tenho quase a certeza que vais ser tu que vens cá à minha procura, senti isso quando recebi a carta da Beatriz. Com tempo vais saber as respostas todas. A tua mãe, a Beatriz vai contar-te tudo. Não é uma história bonita. Foi uma história de amor sem amor. Impossível, por erro meu. Fracassei no destino que escolhi. Não fui um bom namorado. Não fui um bom marido. Não fui, soube agora, um bom pai, isso não me perdoo. Peço-te é perdão pelos erros cometidos. Por nunca ter sabido da tua existência, pelo tempo que não tivemos. Pelo colo que não te dei, os mimos, os afectos. Tolda-se-me a vista como uma névoa quando penso em tudo o que poderíamos ter sido como pai e filho, e nunca fomos. Nunca te olhei, nunca escutei a tua voz, não sei rigorosamente nada de ti, e ao pensar nisso, metade de mim afunda-se num sorvedouro, um redemoinho de sentimentos. Fui um doido orgulhoso porque cedi ao orgulho em vez de ceder ao amor que tinha pela tua mãe, virei-lhe costas zangado por ela ter ido embora, iludi-me durante anos, iludi a minha memória, enganei o meu coração, tentei apaga-la, sem nunca o conseguir, eu sempre soube que era única. E quando regressei quase não reconhecia o meu Portugal, e depois era tão tarde, o tempo foi um carrasco que me aprisionou. Tive medo. Tive medo de ir à procura da tua mãe e ela não me reconhecer. Não me querer ver. Tive medo de ser rejeitado, e então fiquei por cá por Lisboa. Deixei a casa do Porto abandonada. Custava-me lá ir. Parece que a via sempre, a olhar-me, uns olhos acusadores. Deixei de olhar as pessoas frontalmente com o tempo, confesso. Deixei de me interessar pelas pessoas. Os barcos eram a minha paixão, foi por eles que troquei o amor, foi por eles que fiquei só, o coração amargurado de arrependimento. Mas já não posso voltar atrás ou reescrever a história. Depois vim para aqui para São Martinho e como já não tinha amigos fazia muitos anos ninguém deu pela minha falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que me perdoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se vais ler esta carta no meu quarto, gostava que o fizesses, mas se o estás a fazer como eu penso, como eu pressenti que farias, olha então ao teu redor. Não são muitas coisas. Mas todas têm um lugar e uma história. Um tempo. Na secretária tens um pequeno computador, onde está tudo o que escrevi. Quero que o ligues Foi com ele que durante os últimos anos aqui neste lar substitui o mundo lá fora. As pessoas. Foi o meu confidente e companheiro dos dias felizes e dos dias tristes. As travessias longas e penosas. Os ventos ciclónicos e as calmarias. É teu. Aceita-o como uma forma de perdão, de me redimir da ausência. Dentro descobres que quase só escrevi a ausência, o amor ausente, a saudade. Não sou e não fui um escritor, ou um poeta do mar, como algumas pessoas me disseram. Pessoas com quem conversava por lá pela Internet. Fui um marinheiro de porto em porto como os barcos que comandava. Também tens aqui os meus livros e mais alguns pertences, são teus por direito, faz com eles o que muito bem entendas. Existe também uma conta bancária, tens tudo ai no computador, no banco tem instruções para quando os contactares. A Internet é prodigiosa, tratei de tudo por aqui para poder partir em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que já não posso esperar por ti, nem pela Beatriz, o meu tempo chega ao fim. Não julgues mal a tua mãe, fez o que achou melhor na altura. É uma grande mulher, eu compreendi o seu gesto e perdoei-lhe logo de seguida, mas o orgulho cega o coração e tolda-nos o pensar. A tua mãe na carta que recebi diz-me que tu também partiste para o mar que deixaste tudo e todos. No computador tem um texto pequenito escrito quase uma carta, a pedir-te algumas coisas, são uma espécie de lamentos sei lá, uma remissão dos pecados avalizados pela minha experiência, pelos meus erros. Lê com atenção e faz o que o teu coração te aconselhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto agora já tens aqui as orientações todas. Perdoa-me mais uma vez não ter sabido cuidar de ti, de te ensinar a cresceres na minha companhia. O destino assim o quis.&lt;br /&gt;Acabei também de escrever uma longa carta de despedida para a Beatriz, mais uma, confesso que lhe escrevi uma data de cartas que nunca enviei porque não sabia para onde enviar. Não sei porque o fiz, quando me dei conta era para ela que escrevia a fazer renascer a memória, a faze-la renascer na memória. Só a memória alimenta e produz e nos permite saber de onde vimos e para onde vamos, só ela. Comecei a escrever e publicar na Internet as palavras, acalentava a infantil ideia que ela a Beatriz ia ler e me encontrar, como se isso fosse algum dia possível. Todos os dias, religiosamente abria o computador no meu sítio a ver se ela lá estava. Nunca esteve.&lt;br /&gt;Depois as palavras começaram a rarear em mim na mesma proporção que as forças se iam embora, e a vista, e o coração maltratado ia baixando o ritmo, baixinho cada vez mais. Hoje em que te escrevo as derradeiras e ultimas palavras quase não o sinto no peito a bater, amanhã ou depois pára, é como um velho motor sem concerto, fatigado.&lt;br /&gt;Deixo-te mil abraços e beijos, para ti e para a mãe, a valerem todo o tempo do mundo.&lt;br /&gt;Dá-lhe um abraço por mim.&lt;br /&gt;Faz isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu pai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitão João Júlio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Martinho, Novembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho as mãos a tremer e o coração apertado. Por uns momentos fecho os olhos e escuto o murmúrio do mar o som do oceano e compreendo as palavras dele e entendo a sua dor. Que espécie de homem era para me surpreender em cada descoberta, como sabia que eu iria aqui ler a sua carta. Não sei se tenho coragem de ligar agora o computador, ou o leve comigo para o hotel e depois de andar um pouco, de arejar as ideias, então sim o ligue e possa entrar no seu mundo de memórias. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Logo tenho de ligar à mãe a dizer que cheguei tarde, que o capitão faleceu. Que não cheguei a tempo de o abraçar. Agora sinto-me como um saqueador de naufrágios à espreita que os despojos dêem à costa. O coração amarfanhado também… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(&lt;span style="color:#990000;"&gt;continua&lt;/span&gt;) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Sofia Trincão 1997&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3487360103767163843?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3487360103767163843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3487360103767163843&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3487360103767163843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3487360103767163843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/12/do-desencontrov-parte.html' title='Do desencontro...V parte'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/STnaPRxdioI/AAAAAAAABt4/j7VjcpUETo8/s72-c/Imagem1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-7250112904084795131</id><published>2008-11-08T22:46:00.006Z</published><updated>2009-05-08T00:23:50.966+01:00</updated><title type='text'>a última carta...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SRYYcud0WHI/AAAAAAAABrk/B11w7BALcRs/s1600-h/Resto+de+embarca%C3%A7%C3%A3o+Rio+Douro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266423696044873842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 298px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SRYYcud0WHI/AAAAAAAABrk/B11w7BALcRs/s400/Resto+de+embarca%C3%A7%C3%A3o+Rio+Douro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; ( livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Beatriz. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Perdoa-me. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Não pude esperar por ti.&lt;br /&gt;Hoje é o último dia, vou embora, morre-me o corpo. A alma, essa fica à tua espera. Mas o corpo está demasiado carcomido, demasiado curvado, demasiado usado. Dou-me conta que te esperei toda a vida. Foi a espera de ti que permitiu não ter sucumbido aos naufrágios. Não ter desistido de viver, como tantas vezes pensei. Desiludido com tudo, desiludido comigo. Foste tu, sempre, que ao meu lado permaneceste a dar-me a mão. A amparares-me. A acariciar-me no sono. A dar-me alento todas as noites. A ensinar-me o caminho de regresso. Ao navio que substituiu a casa anos a fio. Perdoa-me não ter sabido amar-te com todas as letras. Não saber olhar-te de olhos verdadeiramente abertos e ver por dentro dos teus. Por ter sido egoísta. Só pensar em mim, na minha vontade, deixar o nosso sentir para trás e partir sempre à aventura, partir para o fascínio, o feitiço do mar. O gosto do desconhecido. Partir como os antigos descobridores. Nada disso era importante dou-me agora no fim conta. Agora que ajusto as minhas contas com Deus. Sim o tal Deus que parece que existe em cada um de nós, cada qual à sua maneira, uma fé sempre diferente. Nestes últimos 3 anos tenho tido tempo para reflectir. Estou recolhido do mundo. Recolhido á espera da morte. É hoje o último dia, já me foi revelado, não te sei explicar. É hoje que me liberto deste corpo velho e irei visitar-te. A alma libertada. A minha tão maltratada pelo arrependimento. Não fazes ideia da dor que eu tenho sentido por te ter magoado estes anos todos. Por me ter magoado também estes anos a fio. Nunca consegui amar uma mulher além de ti. Foste única, és única e omnipresente em mim e tudo isso foi um suplício, um castigo. Amar-te foi um castigo. Ainda o sinto no corpo. Ainda te amo, mas é tarde para voltar atrás. Para parar o tempo. Só me resta morrer e renascer um dia outra vez. Então sim, retomar o caminho ao teu lado. Ou com outra que sejas tu renascida também. Estás a ver como sou doido em escrever-te estas palavras, logo eu que não acreditava em nada para alem da morte, logo eu, mas é a ultima restea que tenho de esperança, de te poder encontrar, te poder rever. Deixas que continue a amar-te? Mesmo para além da morte? É que não sei fazer outra coisa. E nenhuma mulher é suficientemente mulher como tu, ou se assemelhe a ti para que eu lhe possa dedicar o amor que te dedico. Sou um velho doido. Transformei-me num velho doido e inútil, por isso parto esta noite. Só tu sabes que parto. Não tive coragem de dizer a ninguém. A ti digo-te porque te falo com o pensamento. Sempre te falei com o pensamento, mas estás longe, muito longe. Mas agora sei onde estás. A tua carta fez-me renascer a alma, só o corpo eu não consigo que renasça. Só pela purificação da morte física. É essa a porta de entrada, a porta de saída. A salvação onde posso expiar todas as falta, os pecados cometidos. Não fiques triste. Não deves ficar. Depois de receber a tua carta pensei muito. No princípio quando a recebi, fiquei estranho, até pensei que o coração me atraiçoasse. Portou-se bem. Mas depois da tua carta, a ânsia que carregava por dentro de mim, o vazio da tua presença, a angustia de te amar, de amar uma recordação difusa, tudo isso se dicipou, e acalmei. Eu acho que foi o destino que nos pregou uma partida. No fim, cada um de nós, fomos felizes à nossa maneira. Dentro das nossas possibilidades. Eu cumpri o sonho de ser capitão na marinha. De ter o mar por companhia, de ir, como os navegadores mar adentro sempre. Tu não cabias no meu sonho. E quando partiste foste atrás do teu sonho. Eu não cabia dentro do teu sonho. Tivemos de nos afastar para se cumprirem os sonhos de cada um. Juntos não poderíamos voar como as gaivotas. Não poderíamos ter sido felizes. O amor de um ia prender o amor do outro. Um dia, com toda a certeza iríamos jogar à cara, um ao outro, essa prisão. Iríamos desbaratar. Iríamos maltratar. Iríamos aniquilar o amor grandioso no coração um do outro. Iríamos desmoronar, vencidos. E tu não querias que isso acontecesse um dia pois não? Eu sei que não. Penso que ainda me amas um bocadinho, um amor suave, tranquilo, um amor levezinho. Eu sei, sinto que sim. Já não vou dizer mais que te amo porque sempre foi assim. Quando adormecer o sono último e profundo, és tu que me vais dar a mão e me embalar até partir. Sei que irei em paz comigo, contigo e com o mundo. Que mais posso querer agora que sei de ti. Que estás bem. Que temos um filho. Gostava de dar um abraço aos dois, não vou a tempo. Perdoa-me por não poder esperar mais.&lt;br /&gt;Esta carta não lhe posso chamar carta, é mais um desabafo, não gosto de despedidas, é um até logo, um até sempre. Não sei se vais ler estas palavras são as minhas ultimas palavras para ti. Depois é o silêncio profundo sem retorno sem eco, um vazio completamente asséptico. Já tenho tudo tratado para a última viagem, poupo-te os pormenores, não são importantes. Importante foi saber de ti.&lt;br /&gt;Vou com um sorriso nos lábios, que mais posso querer se já tive tudo, quase tudo. A nossa historia de amor. Não posso parar o tempo nem a história, não a posso reescrever, nem voltar para trás. É o tempo das partidas. Cada um de nós foi feliz e cumpriu o destino. O destino é um livro em branco como o amor que eu falava. As folhas vão sendo preenchidas e ganham cor, ganham vida. Mas algumas permanecem fechadas demasiado tempo e amarelecem com a humidade dos dias. Outras transformam-se em histórias que atravessam o tempo, contadas, recontadas, escritas, reescritas. O meu livro não sei dele. Nunca soube, não me dei conta da importância de ter um livro em branco, branco da cor do amor. Não me dei conta do amor quando o tinha ao meu lado. Precisei de uma vida toda para acordar do erro e remediar o destino, só o livro não consigo já abrir. A humidade nas folhas estragou tudo. O coração, o corpo, a vista, as pernas. O tempo em mim no esplendor máximo. A punição da metamorfose das células.&lt;br /&gt;Desculpa o que estou para aqui a falar, doideira é isso. Não te interessam os meus pensamentos últimos, e não eram estes que te queria deixar. Gostava de ter mais tempo para conversar aqui contigo, por isso invento conversas sem nexo a fintar o tempo. Não vou ter tempo de te enviar esta carta que não é carta, fica junto de todas as outras cartas que não são cartas que nunca te enviei, à espera das tuas mãos se um dia as receberes. Quem sabe todas juntas se transformam no tal livro do destino branco como o amor que eu julgava. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guarda-as, são as minhas memórias. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Deixo-te um beijo e um sorriso nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;João Júlio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;São Martinho Novembro de 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2004&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-7250112904084795131?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/7250112904084795131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=7250112904084795131&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7250112904084795131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7250112904084795131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/11/ltima-carta.html' title='a última carta...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SRYYcud0WHI/AAAAAAAABrk/B11w7BALcRs/s72-c/Resto+de+embarca%C3%A7%C3%A3o+Rio+Douro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3125153891974251369</id><published>2008-11-04T00:38:00.010Z</published><updated>2009-05-05T20:55:11.440+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro... IV parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SQ-bT9rLdzI/AAAAAAAABq0/tysCpth4R_w/s1600-h/mariah+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264597256694888242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 311px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SQ-bT9rLdzI/AAAAAAAABq0/tysCpth4R_w/s400/mariah+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Livro de contos)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tudo começava a ser confuso para mim. Um mistério que se adensava a cada passada. Até a enorme mansão, os corredores compridos com o seu silêncio impecavelmente limpos e arrumados me intimidavam. O Dr. Ernesto ao meu lado em passos rápidos, sem uma palavra conduzia-me pelo labirinto. É isso estou num labirinto. Quem foi o capitão Júlio. Que espécie de homem? Porque tenho a sensação que planeou tudo, a morte, a minha chegada, o meu assombro, o meu medo. É isso! O meu medo neste momento. Que estaria na carta escrita. Que estaria guardado no quarto, que mais parece um camarote de navio. Agora enquanto caminho e os meus passos ressoam no chão limpo e se perde o eco nos corredores dou-me conta que o quarto cheirava a mar. Estranho. Como o conseguiu. Como é possível sentir o cheiro da brisa, o cheiro do sargaço ali, um quarto fechado na penumbra. Não sei. São já demasiadas perguntas que faço a mim próprio e para as quais não vou com toda a certeza obter resposta nunca. Chegamos, parece que acordo de uma espécie de êxtase. O Dr. Ernesto abre a porta. – Faça favor de entrar, e sente-se enquanto vou buscar os documentos que Sr. capitão Júlio me confiou.&lt;br /&gt;Sento-me, obediente, sem acção, sem raciocinar, num gesto automático a responder a uma ordem. Que se passa comigo? Olho em volta. É uma sala ampla duas enormes janelas com sacada. Mentalmente faço um exercício de localização onde me encontro. Onde o Norte? Os homens do mar são assim, temos por dentro uma espécie de agulha magnética que nos orienta, como as aves marinhas, pode ser isso, mentalmente na minha cabeça surge a imagem da mansão, é isso! As duas janelas com as sacadas viradas à alameda. é aqui o escritório virado a nascente, é aqui que os antigos fidalgos apreciavam o nascer do sol. Pormenores da arquitectura do tempo. Importantes, nem eu sei. É um escritório esta sala agora, mas com toda a certeza seria a biblioteca, a sala de estudo. As enormes estantes em carvalho velho até ao teto repletas de livros antigos. O enorme quadro do visconde a observar-me desde a parede. Os meus olhos como um radar preciso e rápido a dar-me a informação possível. Uma enorme lareira impecavelmente limpa e arrumada com as ferragens de bronze reluzentes. Demoro o olhar ali, preso na cor amarelada do bronze e fico a pensar nos velhos veleiros. Os barcos que o capitão Júlio tanto defendia. E fico a lembrar o nosso navio Sagres, com os bronzes impecavelmente polidos, motivo de orgulho e de vaidade das tripulações. O meu tempo a bordo como Cadete. O inicio das minhas viagens no mar. Volto à sala. Um grande sofá em couro escuro, dois mais pequenos, também uma mesita com um livro poisado, a pequena mesa toda trabalhada em talha, uma obra de arte, aqui tudo é de estremo bom gosto. Um piano de cauda, Alemão penso. Percebo pouco de instrumentos musicais, mas o nome, C. Bechestein incrustado, não me deixa grandes dúvidas. O Visconde na parede ainda sentado a olhar. A cadeira parece a mesma que está junto ao piano. Com certeza era nela que se sentava para escutar o piano. Tocado por quem? Nunca o vou saber. Respira-se aqui um misto de passado e de modernidade, o computador na enorme secretária é a prova da modernidade instalada. Mas o cheiro é uma mescla a madeiras e ceras difícil de encontrar já.&lt;br /&gt;– Ora aqui está toda a documentação, escutei. Por uns momentos esqueci-me do motivo que ali me tinha levado. Esqueci completamente o Dr. Ernesto. Era eu a vaguear no tempo. Regresso de repente. – Desculpe estava aqui a admirar a sala, retorqui.&lt;br /&gt;– É uma bela sala, tentamos na recuperação manter a traça o mais fiel possível, mesmo o mobiliário aqui ainda é o original, só as acomodações para os residentes foram alteradas. Mais modernas. Com as comodidades que a lei exige e mais algumas que achamos estas casas devem ter para proporcionar aos nossos idosos, a melhor qualidade de vida e a tranquilidade possível nesta ultima etapa que enfrentam.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como lhe disse há pouco, isto é uma missão, chamemos-lhe assim, é uma missão estar aqui ao lado deles, acarinha-los, escuta-los suprir todas as suas necessidades transpor as limitações que o tempo lhes impõe. Por exemplo o capitão Júlio, estava muito limitado já das pernas, nunca quis deslocar-se em cadeira de rodas, nem com o auxílio das canadianas. Os últimos meses quase não saia do quarto. Passava o tempo a escrever e a ler, muitas vezes a olhar a baia da janela, às vezes nos dias bons levantava-se de madrugada e vinha lentamente até ao refeitório pela manha cedo ainda antes do pessoal da cozinha chegar, e depois ia até ao jardim, caminhava muito lentamente. Dizia-me que tinha tempo. Que toda a vida andou demasiado depressa, que assim conseguia absorver os aromas da terra, as cores do dia, os sons. Que ao caminhar lentamente tinha tempo para dar valor a tudo, às pequenas coisas, ao caminhar da formiga, ao saltitar dos pássaros, às gotas de orvalho na relva, às flores nos canteiros.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gostava muito de conversar com ele já lhe disse. Mas vamos ao que interessa. Aqui estão as cartas que lhe falei dentro deste envelope, as cartas e as instruções para o caso de alguém vir à sua procura e chegar tarde como é o caso. O Sr. João Pedro desculpe-me a crueza das palavras mas é a realidade, aqui temos de ser prático acima de tudo&lt;/strong&gt;. (&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;continua&lt;/span&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Mariah&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3125153891974251369?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3125153891974251369/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3125153891974251369&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3125153891974251369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3125153891974251369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/11/do-desencontro-iv-parte.html' title='Do desencontro... IV parte'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SQ-bT9rLdzI/AAAAAAAABq0/tysCpth4R_w/s72-c/mariah+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1498230595998879672</id><published>2008-10-29T23:37:00.001Z</published><updated>2009-05-17T23:12:42.150+01:00</updated><title type='text'>hoje...</title><content type='html'>nos amaríamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apenas isso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;incondicionalmente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem reservas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim seria a entrega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;verdadeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem medos sem pressas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje mais do que nunca seria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pq já existimos um para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mistério esta lá fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acreditas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho q sim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não dentro de nós mesmos .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dás-te conta da beleza destas palavras hoje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo entre nós é belo... um cheiro de inocência&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1498230595998879672?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1498230595998879672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1498230595998879672&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1498230595998879672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1498230595998879672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/hoje.html' title='hoje...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1196217421412934239</id><published>2008-10-24T00:26:00.003+01:00</published><updated>2009-05-09T19:17:29.741+01:00</updated><title type='text'>ainda não sei responder-te</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Perguntaste-me se era feliz. Não te respondi. Fiquei a olhar-te a sorrir e tu entretanto mudaste de assunto. Eu a pensar. Sim era feliz mesmo cansado, sentado no sofá recostado para trás olhos fechados numa espécie de sono, te sentia, uma pena, a sentares nas minhas pernas a abraçar-me o pescoço, a beijares-me as orelhas, a face, a boca, a tua, doce a aninhar-se em mim. Era feliz quando abria os olhos devagarinho a imaginar-te e os teus olhos ali junto dos meus a brilharem doces a afagarem-me o sentir. Era feliz quando tu num repente despias a blusa, libertavas os seios tão formosos e te encostavas ao meu peito e baixinho ao ouvido, quase um sussurro, pedias – massaja-me as costas.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aqui estou sem te saber responder ainda. O peito vazio do teu, o olhar fechado, o corpo cansado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro, 2008&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1196217421412934239?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1196217421412934239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1196217421412934239&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1196217421412934239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1196217421412934239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/ainda-no-sei-responder-te.html' title='ainda não sei responder-te'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6591834535346780098</id><published>2008-10-18T23:41:00.006+01:00</published><updated>2009-05-09T19:14:08.523+01:00</updated><title type='text'>A tua carta II...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPpmmY5y_MI/AAAAAAAABn0/1UGg-rpNk6U/s1600-h/barcos.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258628324614405314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPpmmY5y_MI/AAAAAAAABn0/1UGg-rpNk6U/s400/barcos.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Livro de Contos)&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Custa-me escrever. Tenho os dedos cansados, fazia muito tempo que não escrevia assim desta forma, em papel, tenho de parar a descansar as mãos, acho que exerço demasiada força a agarrar a caneta, estou nervosa, é isso, tenho tantas coisas para te dizer que tenho medo de não o conseguir, de me esquecer das importantes. Se me cansar faço uma pausa na escrita e depois recomeço com nova força, as ideias mais claras a falar-te desta forma escrita.&lt;br /&gt;Meu querido de sempre. Também eu tenho de novamente pedir-te desculpa. Pelo meu silêncio estes anos todos. Pela saudade. Pela ausência que tantas vezes falas. Como te disse atrás, faz muito tempo comecei a ler as tuas cartas. Alimento a secreta certeza que és tu que as escreves. Só podes ser tu, porque senão é alguém que soube de nós. As coincidências são tantas meu querido. Resisti sempre à tentação de te responder, de te comentar. Tocam-me sempre tanto as tuas palavras. Quando te leio o tempo é só nosso, tens razão. Quando for a Portugal irei à nossa praia do Cabo do Mundo, e depois visitar-te. Não sei. Preciso de ir para me reencontrar, para te reencontrar, para nos reencontrar-mos os dois primeiro em pensamento, e depois frente a frente. Tenho medo desse momento.Também eu envelheci, não sou mais aquela menina como tu me chamavas, de olhos negros sem fim, e cabelos compridos da cor da noite estrelada, ainda me lembro das tuas palavras. Como podia esquecer as tuas palavras. Eu sei que me escreves. Desculpa insistir, ou alimentar a esperança que me escreves. Às vezes quando leio os poemas que publicas, sei que são para mim as palavras. Porque descreves pormenores nossos de tempos passados. Eu sei, e fico a sorrir com uma enorme ternura no coração por ti. Sempre nos quisemos muito. Acho que, de nos querermos tanto, partimos os dois para crescer, só livre o amor floresce e amadurece no coração das pessoas. Júlio, desesperava quando partias de viagem mar a dentro a correr perigos, tantos meses sem saber de ti, Júlio. Acho que nunca estive preparada para sofrer assim da forma que sofria. Sempre a angústia de poderes morrer no mar. O teu naufrágio na Terra Nova foi o despoletar da minha dor, tive que partir, de me libertar, por isso fui sem me despedir, sabia que não gostavas de despedidas, que as pessoas vinham e iam na vida. Ainda escreves isso, que não gostas de despedidas. Não me despedi de ti, levei-te comigo, dentro de mim, nunca te contei. Perdi o teu contacto escrevi-te algumas vezes mas as cartas foram devolvidas, depois habituei-me também à tua ausência. Sabes, eu acho que esta vida é feita de hábitos, de gestos, de rituais diários, que nos moldam, nos acomodam, e depois o tempo burla-nos, porque nos faz perder a vontade, nos faz ganhar medo de mudar, e vamos ficando, ficando, ficando. As silvas avançam na memória e tomam de assalto o tempo. Adormecemos por dentro. Morremos no coração…Tu não morreste no meu coração, ficaste adormecido, embrulhado na memória, guardado como tesouro. Descuidei-me Júlio e abandonei a memória tua durante anos confesso. Perdoa-me meu querido. Tens um coração tão doce, sinto que me perdoas, e sei tão pouco de ti, e tenho tanto ainda para te contar.&lt;br /&gt;Tive de parar de escrever, e recomecei outra vez esta carta, quis que ela fosse em papel, escrita pela minha mão, uma forma de me sentires quando me leres de saberes que sou eu que te escrevo com o coração em sobressalto, apertadinho, a tremer, emocionada.&lt;br /&gt;Tenho de te pedir também desculpa, penitenciar-me mil vezes. Nunca te contei, quero dizer numa das cartas que veio devolvida falava-te dele do nosso filho. É Júlio temos um filho, perdoa-me outra vez, nem eu sabia quando parti mas levava-te comigo no ventre. Temos um filho que é exactamente como tu. Todo tu. Teimoso, determinado amoroso terno. Morris ficou espantado quando ele, o João Pedro nos disse que ia seguir a carreira na Marinha, eu apanhei um susto no momento, depois pensei, vai atrás do pai. Sim, tem o teu nome, Júlio. João, escrevi-lhe a contar tudo, a contar quem eras, quem és, onde nós moramos no Porto e em Lisboa, e onde estás agora, sim eu sei, a Sílvia contou-me onde tu estás a viver, o Zé antes de ter o enfarte soube de ti, um anuncio no Jornal Noticias acerca de um Simpósio sobre recursos marinhos e navegação na Sociedade de Geografia, viu o teu nome, Capitão João Júlio entre os conferencistas convidados. Não conseguiu ir ter contigo, mas obteve a tua direcção, por isso te escrevo finalmente com a esperança, quase certeza que vais ler a minha tão longa carta.&lt;br /&gt;O João Pedro vive na Austrália em Sidnei, tas a ver, também ele está longe meu Deus, e tenho tantas saudades. Costumo falar com ele por telefone e escrevo-lhe por e-mail. Só vem a Londres uma ou duas vezes por ano, anda pelo Pacífico entre a Nova Zelândia e Austrália. Também ele é Capitão da marinha mercante.&lt;br /&gt;Sempre o mar meu querido, tanto mar entre nós a separar, a afogar o amor. Ainda sentes amor por mim? - Perdoa, que parva sou em fazer esta pergunta. Somos amigos, bons amigos, é melhor, sermos assim, amigos eternos, amigos de sempre, amigos para sempre, amigos até ao fim, como escreveu Vergílio Ferreira. Não sei se alguma vez leste o livro? -Deixa, que tonta sou em estar a falar-te estas coisas se temos tanto mais importante para conversar. Contei ao João Pedro e depois falei com ele por telefone, vem ter comigo a Londres, e com certeza vai a Portugal ter contigo, vais gostar de o conhecer. Tal pai tal filho. Se eu me sentir preparada também vou. Ainda não estou. Ainda não estou preparada para te olhar de olhos nos olhos. Tenho medo que o coração me falhe, ou me rejeites, ou não te encontre. Não te sei explicar Júlio. Mas quero ir e quero visitar a Sílvia também, recuperar o tempo perdido, recuperar as memórias. Dás-te conta que são elas, as memórias, que nos alimentam na saudade, na dor, na ausência, são elas que nos prendem à vida, nos seguram de pé quando não conseguimos levantar a cabeça, quando estamos aniquilados. O poder das memórias Júlio. Nestes últimos três anos tenho andado a treinar a memória a reavivar o passado, e de cada vez me lembro de mais um pormenor, e outro e outro. Fantástico o poder da mente o poder do coração. Tanto que quero saber de ti. Já não me chega o que escreves na net. És tu que escreves não és? Eu sei que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu querido Júlio agora já sabes o importante, que temos um filho, nosso, que sabe de ti e de mim, o nosso segredo, e agora sabes de mim, deixo-te também o meu número de telefone, se me quiseres telefonar. Telefonas-me? Espero o teu telefonema. Escreves-me? Espero uma carta tua a dar-me coragem para ir ai a Portugal ter contigo. Damos um abraço Júlio, abraças-me? Deixas-me sentir o teu coração junto do meu outra vez? Perdoa, estou piegas, tenho os olhos inundados. Emoção Júlio. Emoção. Havemos de nos encontrar e cumprimentar como fazem os amigos de verdade.&lt;br /&gt;Fico à espera de uma carta tua, agora sabes onde me encontrar. Agora é o tempo dos reencontros o tempo da serenidade. Diria o tempo dos amantes. O tempo sempre o tempo meu querido.&lt;br /&gt;Espero por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Londres Agosto de 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia, Oleo sobre tela de João renato&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui:&lt;a href="http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/07/tua-carta.html"&gt;http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/07/tua-carta.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6591834535346780098?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6591834535346780098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6591834535346780098&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6591834535346780098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6591834535346780098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/tua-carta-ii.html' title='A tua carta II...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPpmmY5y_MI/AAAAAAAABn0/1UGg-rpNk6U/s72-c/barcos.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5263640197844674224</id><published>2008-10-16T23:51:00.007+01:00</published><updated>2009-05-05T20:55:31.571+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro... III parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPfHbWdaS4I/AAAAAAAABnc/JnUzAcZlCGs/s1600-h/Imagem1.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257890362677676930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 370px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" height="244" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPfHbWdaS4I/AAAAAAAABnc/JnUzAcZlCGs/s400/Imagem1.png" width="333" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( Livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Obrigado. Respondi enquanto apertava a mão estendida. Agradeço, em meu nome e de minha mãe tudo o que fizeram para proporcionar o melhor conforto ao meu pai durante o tempo que aqui esteve. Obrigado mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não tem que agradecer. A nossa missão é mesmo esta, somos uma espécie de retaguarda avançada das famílias, parece irónico não é, retaguarda avançada das famílias, mas é verdade. Sabe, no mundo actual tão rápido de tempo, tão voraz, os velhos vão ficando para trás, é como se estivéssemos para apanhar um comboio na estação que começa a andar de repente, só os mais afoitos e ágeis conseguem correr e saltar para bordo, os mais fracos ficam, aqui os mais fracos são os velhos, não quero dizer que o capitão Júlio fosse um fraco, longe disso, estava era velho e principalmente só, e os velhos quando estão sós tendem a desmoronar as defesas da vida que construíram, tendem a ficar parados à espera. O senhor perdoe a minha franqueza, o meu modo de pensar, são já vinte anos dedicados à Terceira idade, encaro a profissão já como uma espécie de missão, entende.&lt;br /&gt;Mas o capitão Júlio era um grande senhor, muito lúcido, muito observador, muito cavalheiro, só as pernas não ajudavam, tinha dificuldade em andar, e o coração ás vezes pregava-lhe umas partidas. Foi pena o senhor não ter vindo mais cedo, ele estava, não sei, se à sua espera, mas estava à espera de alguém. Ás vezes conversávamos. Ajudou-me bastante com os seus conselhos, em algumas decisões difíceis que tive de tomar nestes últimos anos em que aqui esteve a partilhar o lar na nossa companhia. Nunca lhe agradeci a ajuda que dava de espontânea vontade a conversar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes acontecia que nos sentávamos os dois ali na alameda ao inicio da tarde e ele puxava a conversa, sabia sempre quando alguma coisa me preocupava, era muito bom observador, olhe, era tanto que eu sabia sempre como iria estar o tempo no dia seguinte, era só perguntar-lhe que logo me dizia -amanhã, pois amanhã! Ora deixa cá ver o céu. Amanhã pois, amanhã vai estar sol, e um ventinho de norte miudinho, uma nortada fresca. Ou então dizia-me; - chuva! Amanhã vai estar um dia cinzento com chuva, mas temperado o dia, ou fria a noite. Bastava-lhe olhar o céu. Eu nunca consegui entender a percepção que tinha para ver o tempo. Quando o questionava ria-se, dizia que aprendeu a saber do tempo a atravessar os oceanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desculpe-me outra vez. É que eu gosto bastante de conversar. Mas vamos ao que interessa, estou aqui para cumprir as ultima vontades de seu pai. Como lhe foi dito pela Hermínia, a senhora que o atendeu, ela avisou-me que o senhor aqui estava. O seu pai deixou algumas instruções escritas, e eu como fiel depositário dessas instruções procuro que se cumpram da forma que ele as delineou. A parte em que o lar estava directamente envolvida foi integralmente cumprida, agora a outra parte que não sei o que seja está aqui nesta carta que o seu pai me entregou, penso eu com as suas vontades. Como sabe todos os seus pertences iriam ficar aqui durante os próximos 5 anos até alguém aparecer para os reclamar, se isso não acontecesse, findo esse prazo, reverteriam a favor do Lar e logo lhes daríamos o fim mais conveniente. O seu pai deixou uma conta bancária também, a ser administrada pelo Lar durante esse tempo, findo o qual a conta reverteria para o Lar anualmente até se esgotar, mas tem toda a documentação detalhada no meu escritório se tiver a amabilidade de me acompanhar.&lt;br /&gt;- Com certeza que o acompanho, é minha intenção recolher os pertences do meu pai e levá-los para Londres para junto de minha mãe, irei pensar nisso depois de ler então o conteúdo da carta que deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia-me sofucar. Precisava urgentemente de sair dali, de me descalçar e sentir a areia da praia para me acalmar, perder o olhar na lonjura do horizonte salgado do mar que amo. Precisava do cheiro da maresia, do fresco da manhã para me avivar a lassidão que me entrava pelo corpo como uma maré viva de força desconhecida. Precisava de reagir, sair dali. Lembrei-me de ti da falta tua neste momento. O nosso amor tão vazio já tão distante no tempo.&lt;br /&gt;-Vamos! Disse baixinho enquanto me dirigi para a porta. (&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;continua&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia, Rio Minho em 1913&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5263640197844674224?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5263640197844674224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5263640197844674224&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5263640197844674224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5263640197844674224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/do-desencontro-iii-parte.html' title='Do desencontro... III parte'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPfHbWdaS4I/AAAAAAAABnc/JnUzAcZlCGs/s72-c/Imagem1.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1762569824738045925</id><published>2008-10-12T17:42:00.008+01:00</published><updated>2009-07-22T23:53:45.681+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro...II parte</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPIp9kxpxkI/AAAAAAAABnU/z-sTowePjKI/s1600-h/Imagem1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5256309852915484226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPIp9kxpxkI/AAAAAAAABnU/z-sTowePjKI/s400/Imagem1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Sou só um homem de mar só isso. Um homem do mar habituado a guardar as emoções, a ser frio de sentimentos, a ser máquina nas emoções, a não falhar, a saber comandar. Mas agora sinto as pernas a cederem, uma tristeza a invadir-me o corpo, uma angústia, um vazio inexplicável. Sinto-me a falhar. Estou aqui á porta do quarto que foi dele e sinto que falhei em alguma coisa. É este o quarto do meu pai, semelhante a um camarote de navio, decorado assim, simples, arrumado, deu para ver que sim numa mirada rápida, uma janela, uma cama estreita, uma secretária com um candeeiro e uma cadeira, um pequeno computador portátil fechado, um caderno de capa prata, um estojo de lápis e canetas, uma caixa castanha em couro aberta com um sextante reluzente no lado direito, um livro fechado com um marcador das paginas em couro preto e livros arrumados numa estante, um guarda fatos com espelho e dois gavetões, um tapete com uma rosa dos ventos a cobrir o chão todo e a indicar o norte. Demoro-me a olhar o tapete, parece-me Arraiolos, quase de certeza, mas o motivo náutico não é característico das tapeçarias de Arraiolos, e o Norte desta forma? Certo. O norte a coincidir, confirmo pela agulha que tenho no relógio de pulso. Fantástico. Teve de ser feito propositadamente para aqui só pode ter sido. Homem estranho este a quem não posso chamar de pai, já não sei. De repente ganhei dois pais ausentes, dois pais mortos, um cheio de memórias outro cheio de nadas, e são esses pequenos nadas que me afligem, que me querem dizer tanto, que me podem explicar quem sou, porque lhe sigo as mesmas pisadas de vida sem o saber, porque sou exactamente igual diz a mãe. Como pode isso ser possível.&lt;br /&gt;Agora entendo porque ela me dizia que era igual ao pai. Morris nem nadar sabia. Morris não gostava de mar. Se éramos contrários no gosto pela aventura. Agora percebo as palavras da mãe.&lt;br /&gt;Passo os olhos na estante dos livros. Olho os títulos. Alguns de relance, fujo à tentação de os tocar de os folhear. Sempre me fascinaram os livros, e manusear estes será profanar a vida dele, os seus segredos os seus gostos, quem sabe reler as frases sublinhadas, as páginas marcadas. Sensações estranhas me percorrem o corpo. Olho de novo, Guerra e paz, O dom silencioso, O homem e o mar, Cem anos de solidão, Os jardins da memoria, Arte de marinharia, Navegação astronómica, Ser capitão na marinha mercante, Tábuas náuticas, Manual de sobrevivência no mar. Tantos livros, técnicos e literatura universal, separados uns a um lado outros a outro lado arrumados por tamanhos e temas. Neste pequeno quarto tudo está no lugar certo. Na parede várias cartas náuticas, um mapa-mundo com rotas traçadas, coordenadas, pontos de referencias anotações escritas a tinta permanente numa letra vincada perfeita. Nisso não somos parecidos, a minha letra é uma desgraça de gatafunhos, penso comigo próprio.&lt;br /&gt;Estou aqui à meia hora, só, no seu quarto, sinto-me estranho e ao mesmo tempo num ambiente familiar. Volto a aproximar-me da secretária, abro o livro, reparo que tem umas capas colocadas, talvez para o proteger, todos os livros estão impecáveis de conservação, como novos, como se não tivessem sido manuseados. Abro e folheio. Nunca li este livro; “Todo o tempo do Mundo”, seria este que estava a ler? Estranho o título. Fiquei apreensivo. Curioso, sem respostas, sem perguntas para fazer. Olho de novo em volta a ver os detalhes, a tentar descobri este homem nos pequenos pormenores. Aqui permanece o silêncio, só interrompido pelo vento nos ciprestes da alameda ou o barulho do mar que escuto por vezes misturado com o som da rua vindo da janela entreaberta. Sinto um calafrio, é estranho este lugar, uma penumbra, uma meia-luz a espalhar-se nas paredes, reparo agora, de um azul água discreto, suave, espécie de mar calmo. Estou parado ainda quase na porta sem coragem para entrar no seu mundo, sinto-me um salteador de tesouros, salteador de memórias, sei lá, todo eu estou confuso, todo eu tremo todo eu não me reconheço. Quem foi este homem que se agiganta em sentimentos dentro de mim. Não sei. Já não sei se devo querer saber e profanar a memória, os segredos, ou virar costas. Mas estou curioso, porque me informou a auxiliar do Lar que ele estava á espera de alguém? E porque planeou a guarda das suas coisas por tanto tempo, 5 anos de espera? Sabia de mim? Da minha existência? E a tal carta que ela me falou? Que noticias lá estão?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Batem à porta, dou um salto interior, acordo por momentos, não sei se breves não estava aqui, vagueava a tentar descobrir, a tentar ver no rosto da mãe sinais deste homem, deste pai que nunca o foi, deste pai que não sei se renegue se abrace, se ame, se odeie. Estou parado a olhar a pequena foto junto da cama na pequena mesa-de-cabeceira, é a mãe a descer umas escadas a sorrir, é a mãe ali estática a olhar-me, a mãe sempre esteve ali ao seu lado. Tocam de novo á porta duas pancadas suaves. Acordo outra vez desta espécie de sonho, desta espécie de pesadelo, não consigo reagir com a lucidez, os reflexos anestesiados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia. Informaram-me que o senhor estava aqui. Sou Ernesto Vieira o director do Lar, sei que é filho do senhor Capitão Júlio, antes de tudo os meus sentidos pêsames pela sua morte. ( &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;continua&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto, Estaleiros Mónica Gafanha da Nazaré&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1762569824738045925?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1762569824738045925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1762569824738045925&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1762569824738045925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1762569824738045925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/do-desencontroii-pate.html' title='Do desencontro...II parte'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPIp9kxpxkI/AAAAAAAABnU/z-sTowePjKI/s72-c/Imagem1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1934037921862839783</id><published>2008-10-07T23:55:00.005+01:00</published><updated>2009-05-17T23:14:10.950+01:00</updated><title type='text'>no dia de anos...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SOv28Q-VJ4I/AAAAAAAABnM/YvLbir12eY8/s1600-h/fotos+carta.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254564905466800002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SOv28Q-VJ4I/AAAAAAAABnM/YvLbir12eY8/s400/fotos+carta.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;( livro de contos)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Beatriz. Beatriz. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Logo hoje recebo a tua carta. Logo hoje. O dia dos meus anos. Nem imaginas como estou por dentro. O meu coração fraco ainda a bater devagarinho, cada vez mais devagarinho, quase a despedir-se. Lembras de te falar dos cachalotes nos Açores, que via quando atravessava o mar, lembras? E te dizia que por vezes fracos, iam morrer à praia. É quase assim que estou Beatriz, a morrer na praia do cabo do mundo. A nossa. Já não sei. Sou um velho tolo.&lt;br /&gt;Agora a tua carta nas minhas mãos a falar-me de ti. As minhas mãos cansadas e tremulas Beatriz. As mãos que tu gostavas. As mãos que te afagavam, as mãos que te seguravam minha, as tuas nas minhas entrelaçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz. Beatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saboreio cada palavra tua devagarinho para lhe sentir o sentido, a profundidade da fala. Em cada frase fecho os olhos a imaginar-te, a tentar sentir-te, a tentar escutar o som da tua voz. O brilho dos teus olhos. Perdoa-me. Já não sou capaz. Já não consigo. Já não te sei desenhar de memória. És um esboço em mim cada vez mais esbatido, e agora a tua carta Beatriz. Meu amor. Não sei se te ame ainda ou te odeie. Não, não posso manchar de negro o meu coração, tu és amor ainda, sempre em mim. Foste sempre amor em mim. Perdoei-te quando foste embora, compreendi porque foste. Não foste feita para amar um homem do mar a cheirar a maresia, a saber a sal, de olhar perdido no horizonte, eu era assim não era? Perdoa-me. Não soube amar-te com o lado certo do meu coração. Agora já não me serve o coração. Está fraco. Inútil. Velho como eu, arrumado aqui neste corpo que se alquebra como os velhos navios do bacalhau se alquebraram todos abandonados. Perdoa falar ainda de barcos e de mar. Sei que não devo, mas corre-me por dentro no sangue. Nem sei se ainda tenho sangue por dentro, ou uma mistura de saudade e água salgada a queimar-me o coração. Deve ser isso. Só pode ser isso que faz anos me substituiu o sangue lentamente, e o corpo aguado vai corroído naufragando lentamente. Foi isso que me aconteceu. É isso que me acontece. Já não tenho conserto possível. É a quilha, sabes. A quilha e o cavername.&lt;br /&gt;E agora Beatriz a tua carta nas minhas mãos. A tua carta a dar-me noticias tuas a falar-me de ti da tua vida. Eu sabia. Eu sabia que um dia ias voltar, por isso deixei a casa no Porto, não me desfiz dela. Perdoa porque a abandonei, perdoa-me porque também te abandonei na memória, não consegui evitar, e a dado momento da vida quando ia ao Porto à nossa casa não conseguia ver-te nítida na lembrança, não conseguia escutar a tua voz em lugar nenhum, não conseguia sentir o teu cheiro nas roupas da cama. Desapareceste da casa Beatriz. Deixei-te fugir de lá, depois era uma violência em mim tentar reaver-te de memória, deve ter sido por isso que deixei de sonhar a dormir faz tantos anos. Existes em mim por dentro como uma capa que reveste o coração por dentro, sem acesso exterior mas que existe por dentro. Estás em mim incrustada.&lt;br /&gt;Desculpa. Não devia escrever estas palavras, porque são palavras vãs já a esta distância do tempo e o meu coração já não vale nada. Foi por isso Beatriz que abandonei a casa no Porto. Acho que faz mais de 25 anos que não vou lá. A Câmara quer ficar com ela porque está entalada por prédios altos, e dizem que se não faço obras reverte a favor do Município. Já não me interessa. Que dizer não interessava Beatriz, até saber do nosso filho. Porque nunca disseste-te. A dor que tenho dentro, um naufrágio imenso, um temporal imenso. Sofro uma dor que queima, ao pensar que toda esta minha vida foi uma vida sem sentido. Dou-me conta que fui pelo mar errado. Uma inundação da alma Beatriz saber que temos um filho e eu ter sido sempre um pai ausente, desconhecido, indigno da palavra. Mas eu sabia que um dia tu virias ao meu encontro, eu sabia. Esperava-te para me despedir.&lt;br /&gt;Agora a casa no porto é para o teu filho. O nosso filho que não conheço, não sei o nome. Se ele a aceitar. A casa de Lisboa vendi-a quando vim morar para a vila. Não me fazia falta, também vendi o veleiro que tinha, ficou nos Açores anos atrás. Lembras São Martinho, é aqui que estou, na pequena enseada, é uma boa praia para morrer, um sítio sossegado onde ainda sinto o aroma do mar, a ternura da nortada, os gritos das gaivotas. Tenho uma janela de onde observo o mundo. Um mundo pequenito agora, já me chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua carta Beatriz queima-me os dedos de saudade. Sinto-me impotente aqui, preso fechado, queria tanto ver-te uma última vez. Eu sei que não é possível. Eu sei&lt;br /&gt;Fico com essa mágoa dentro a denegrir-me a memoria. Maldito orgulho o meu em nunca te ter procurado. Havia de te encontrar. Mas para quê. Tinhas uma vida nova, longe do mar. Casada, feliz, realizada profissionalmente. Gostei de saber minha querida. Nem tudo se perdeu nesta nossa vida desencontrada. Nem tudo foi mau. Encontraste o amor e a felicidade. Ainda bem. Eu nunca te pude dar isso que ansiavas. E tu, tão nova, tinhas a ânsia de voar, crescer por dentro, de conhecer o mundo. O amor tem de ser livre para crescermos não é verdade. Tantas vezes falamos isso um ao outro. Escolheste o teu caminho o teu mundo. Não o meu mundo de água salgada, de longas noites de medos. Não. Este é um mundo fraco onde habitei nos últimos 50 anos. Corri oceanos e não sou de lugar nenhum. Atravessei continentes. Pisei terras distantes, conheci cidades imponentes. Dormi em camas de todos os portos. Esvaziei a paixão no corpo de mulheres viajantes do tempo. Não pertenço a lugar nenhum. Não tenho amigos. Não tenho raízes. Amava os barcos, é isso, foram os meus amores a vida toda. Um amor inútil. Sofrido. Cheio de vazios e de trabalheiras. De angustias tantas vezes. Agora aqui a pensar em tudo, acho que não valeu a pena. Que me enganei. Que estava errado na profissão, que o amor era um amor falso. Aos poucos estou a renegar os barcos, no entanto só a bordo fui feliz, só os barcos me deram a tranquilidade e o equilíbrio para vencer a saudade tua. É verdade. Tornei-me num viciado na saudade tua, e agora não sei como me curar, ou sei e espero. É isso espero a cura de ti. Esta carta é isso, sinto que sim, sinto como os cachalotes a minha hora, e já estou na praia Beatriz. Perdoa-me porque desisto, mas já não tenho força suficiente para teimar. O corpo não ajuda estou velho. E estou a renegar os barcos que amo e o mar que foi a minha vida.&lt;br /&gt;Beatriz. Beatriz meu amor agigantado. Meu amor Adamastor. Meu amor cabo dos medos.&lt;br /&gt;Fico à espera aqui. Tenho todo o tempo do mundo ainda para que voltes um dia.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estarei cá.&lt;br /&gt;Eu ou as memórias minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te ainda. Não. não te amo ainda. Amei-te sempre toda a vida é isso, e sou um velho louco e tolo em estar a escrever-te isto aqui. Nunca vais ler esta carta. Escrevi-te algumas, que nunca enviei. Não sabia para onde. Escrevia-te quando atravessava os oceanos, em dias que a lua espelhava na água profunda, em dias de tempestade. Todos os dias eram pretexto para te escrever. Quase sempre arrancava a folha do caderno e a lançava ao mar. Era o orgulho em não dar parte de fraco, afinal foste tu que foste embora sem te despedires de mim. Deixei de saber de ti quando deixei o Bacalhau e me separei do Zé o meu antigo imediato. Rumei à América e ao Pacífico perdi-me pelo oriente durante anos. Quando voltava a Portugal sentia-me um estranho por cá só demasiado só. Portugal mudava lentamente. Por sorte não apanhei a guerra em Africa, valeu-me andar na campanha ao bacalhau. Deixa. Não leias esta parte. Que tolo estar aqui a lamuriar-me.&lt;br /&gt;Tenho a tua carta aqui na frente dos meus olhos, para ler outra vez devagarinho. Saboreio cada palavra tua devagarinho para lhe sentir o sentido, a profundidade da fala.&lt;br /&gt;Fico à espera.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estarei cá.&lt;br /&gt;Eu ou as memórias minhas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Teu ainda sempre &lt;span style="font-size:78%;color:#990000;"&gt;(&lt;span style="font-size:100%;color:#cc0000;"&gt;continua&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Júlio&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Cap. M. Mercante&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1934037921862839783?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1934037921862839783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1934037921862839783&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1934037921862839783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1934037921862839783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/no-dia-de-anos.html' title='no dia de anos...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SOv28Q-VJ4I/AAAAAAAABnM/YvLbir12eY8/s72-c/fotos+carta.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6958129692267821142</id><published>2008-10-05T19:59:00.005+01:00</published><updated>2009-05-05T20:56:11.352+01:00</updated><title type='text'>Do desencontro…</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SOkRlMdBj_I/AAAAAAAABnE/a1136vp3TFA/s1600-h/barcos.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253749771000188914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SOkRlMdBj_I/AAAAAAAABnE/a1136vp3TFA/s400/barcos.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;( livro de contos )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi ir em tua busca, o pai tardio que com surpresa descubro agora. Olhar-te de olhos nos olhos para tentar perceber tudo o que se passou. A carta da Mãe foi uma surpresa, um estardalhaço em mim, a revelação do seu segredo tão bem guardado.&lt;br /&gt;Como se guarda um amor desta forma durante tantos anos sem que se perceba?&lt;br /&gt;Morris sempre foi o meu pai, não conheci outro, nunca duvidei do seu amor, foi ele que me criou, mas agora depois da conversa com a mãe quero saber a verdade, quero ir ao fim da história. Quero saber quem foste. Que espécie de marinheiro foste tu na vida dela. E quero perceber porque o mar também me chamou a mim, esta ligação aflitiva que temos. Agora algumas coisas começam a fazer sentido. Esta procura do mar, a ânsia de navegar, sentir o vento e o sal no rosto e no corpo, o barulho abafado dos motores, o contacto com o aço frio e húmido dos cascos, de atravessar os oceanos sem parar. Não pensar em nada, só em levar o navio a bom porto e depois de atracar fechar os olhos e descansar enquanto se descarrega e carrega de novo e partir, reduzir o contacto com terra firme ao mínimo indispensável. E o nome. A mãe perpetuou a tua memoria dando-me o mesmo nome sem nunca fazer uma referencia a isso, só agora na carta que me escreveu, e que me fez deixar o emprego que tinha longe de tudo.&lt;br /&gt;Sidnei é do outro lado do mundo. Imaginas onde fica a Austrália. Pedi uma licença sem vencimento por seis meses e vim para a Europa directo a Londres conversar com a mãe. Não sei pode ser impressão minha pode ser, mas acho-a diferente, mais aberta um, olhar mais vago, uma ruga nova na fronte uma voz mais saudosa. Não sei o que se passou com ela nestes últimos tempos, faz mais de um ano que não vinha à Europa, nem sei bem porquê, mas acho que eu também ando a fugir de mim próprio a desviar-me do coração a esquecer-me propositadamente.&lt;br /&gt;Agora estou aqui na vila à beira mar onde a mãe me disse que o capitão Júlio vive, uma residência de idosos, o antigo palacete da vila estilo colonial. O facto é que já o conheço por fora, de todos os cantos. O facto é que já aqui ando a tentar ganhar coragem para transpor o portão vai fazer três semanas, o facto é que já fui a Lisboa e ao Porto às ruas onde eles moraram. O facto é que a casa do capitão está abandonada, a cair, envolta por silvas que ocuparam o pequeno jardim. O facto é que a mãe a descreveu com pormenor, bastou-me olhar para saber que era aquela a casa. Baixa, duas janelas, pintada de branco e azul, o azul ainda se notava e o branco era um amarelo esbatido e sujo agora. A mãe disse-me que abandonou a casa tinha vinte e um anos, cinquenta anos portanto. Meio século meu Deus, meio século de vida apagada, meio século de emoções amordaçadas. Que espécie de amor foi o deles, que espécie de homem é o capitão? Estou cheio de perguntas, cheio de interrogações.&lt;br /&gt;Preciso de o olhar, de o ver para tentar perceber, tentar obter respostas a milhares de perguntas que me enchem a cabeça estes últimos dias. Caminho em direcção à entrada principal. Toco à campainha. É o tempo de resolver finalmente todas as perguntas. Todas as interrogações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia! Por favor, queria visitar o Sr. capitão Júlio, penso que ele vive cá, foi essa a indicação que me deram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Ti Júlio? Ele não gosta que lhe chamassem capitão. Dizia que esse tempo do mar já tinha passado. Que já não era marinheiro.&lt;br /&gt;- Que já não era?&lt;br /&gt;– Sim. O Ti Júlio, era assim que o tratávamos aqui, faleceu fez agora três semanas. Uma manhã não desceu para o pequeno-almoço logo pelas sete da manhã. Ele era um madrugador, e muito bom conversador. Logo pela manhã nos riamos com as suas graças, sabe. Estranhamos, pensamos que estivesse doente. Fui eu que fui ao quarto dele para o acordar. Dormia. Parecia que dormia, olhos fechados, rosto sereno, um sorriso nos lábios. Não pensei que estivesse morto, mas estava, agarrei-lhe a mão para o acordar, estava gelada, fria. Apanhei um susto enorme, gostava tanto dele, era uma pessoa tão terna, tão serena. Aqui não nos devemos afeiçoar às pessoas, mas que lhe posso dizer, tem algumas que nos entram pela alma adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que me deu, o que senti neste momento enquanto olhava a senhora ali na minha frente a falar da morte como se estivesse a falar das compras no supermercado, algo se desmoronou por dentro ao receber assim a noticia fria, impessoal, de uma forma banal, como se a estivesse a ler num jornal qualquer, a folha da necrologia. Olhei a senhora de novo, imperturbável, conversadora, parecia que queria contar uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, deixou duas cartas. Uma com as ultimas vontades dirigida ao director aqui do Lar ao doutor Ernesto, outra para entregar a quem o viesse visitar. Acho que ele esperava uma visita.&lt;br /&gt;Também deixou umas coisas, umas caixas com livros e mais o que escrevia. Está tudo guardado. Nós aqui no lar, cumprimos todas as suas ultimas vontades. O corpo do Ti Júlio foi cremado no cemitério do Alto de São João em Lisboa e depois as cinzas foram espalhadas no mar ao largo da foz do Tejo. Foi muito emotivo, muito triste, mas ao mesmo tempo, sabe, ele não tinha ninguém e fomos nós aqui do lar, não devíamos mas que quer, afeiçoamo-nos a ele, às suas histórias que nos contava, sentimos já tanto a sua falta. Só nós! - Sabe! Ninguém soube que ele morreu. Em três anos que aqui esteve nunca recebeu uma visita, um telefonema, só pouco tempo antes de morrer recebeu umas cartas que vieram da sua antiga morada.&lt;br /&gt;- Sabe, eu também fui ao enterro do Ti Júlio, ao mar a levar as cinzas, levei também uma flor para lhe oferecer, um ultimo gesto de carinho, uma orquídea, eram as flores preferias dele, as que mais gostava, sabia muito de flores, às vezes estávamos a tarde toda a falar de flores, gostava de flores selvagens, dizia que eram como ele, com alma e indomáveis. Aprendi tanto com o Ti Júlio.&lt;br /&gt;Depois, quando espalhamos as cinzas. Foi o senhor da funerária que fez isso, apareceram golfinhos e umas aves grandes a voar á roda do barco a gritarem, parecia que se estavam a despedir dele. Senti um arrepio no coração. Ficamos todos assim, apreensivos. Parecia uma coisa sobrenatural, mas acho que foi cisma minha, da emoção sabe, da tristeza. Ele era acima de tudo um senhor, um bom homem, daqueles que já não se encontram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-E o senhor quem é? Algum familiar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Sim! - Também sou marinheiro. Chamo-me João Pedro. O capitão Júlio era meu Pai. Que nunca conheci, soube da sua existência faz seis meses, estava no Pacifico. A minha mãe resolveu escrever-me a contar a verdade. Quando acabei a viagem meti-me no avião, tirei ferias, fui a Londres conversar com ela, foi quando soube onde ele estava. Não tinha a certeza, também não consegui vir logo aqui, acho que me faltou a coragem, faz um mes que estou cá na vila na Estalagem do Cabo. Andei a colocar as ideias em ordem. Para mim o meu pai era o marido da minha mãe. Um professor inglês que faleceu fez três anos, foi difícil tudo isto, lidar com esta realidade e agora. E agora sinto um aperto tão grande, um arrependimento tão grande, porque não vim logo até aqui. Acho que cheguei tarde. Demasiado tarde para poder abraçar o meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tempos estive aqui na praia à noite, na vinda estive a olhar o palacete do lado de fora, reparei num senhor à janela na ala Oeste, a virada para o mar, para a praia, não sei, senti qualquer coisa estranha, aquele homem ali, parecia que o conhecia, não sei, fui embora e não pensei mais nisso. Era a voz do sangue a chamar-me. Devia ser. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Pode ser sim. O seu pai, o Ti Júlio habitava a ala oeste, sim o quarto dele era o único que tinha janela para a praia, foi a única exigência que fez para se instalar cá. Ainda esteve ano e meio à espera que as obras ficassem prontas. O quarto está fechado com tudo o que é dele lá. Foi uma das exigências também, ficar assim até alguém vir em sua procura, depois podia ser habitado por outra pessoa. Não sei, ele tem cinco anos adiantados pagos, portanto a habitação é dele. Não sei o que pensava, nos últimos tempos estava estranho depois de receber uma carta. Sabe, acho que desistiu de viver. Tinha problemas de artrite e o coração também não andava lá muito bem, acho que foi a falta de uma mulher ao seu lado. Demasiada solidão. Não sei que mais lhe dizer.&lt;/strong&gt; (&lt;span style="color:#990000;"&gt;continua&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6958129692267821142?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6958129692267821142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6958129692267821142&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6958129692267821142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6958129692267821142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/10/do-desencontro.html' title='Do desencontro…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SOkRlMdBj_I/AAAAAAAABnE/a1136vp3TFA/s72-c/barcos.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4278019799787352885</id><published>2008-09-26T00:19:00.007+01:00</published><updated>2009-05-09T19:17:42.605+01:00</updated><title type='text'>morremos...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SN1NEmFEZVI/AAAAAAAABmc/bigrBTyKvaU/s1600-h/noite.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250437481920488786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SN1NEmFEZVI/AAAAAAAABmc/bigrBTyKvaU/s400/noite.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;não me despedi de ti, levei-te comigo, dentro de mim, nunca te contei. Perdi o teu contacto. Escrevi-te algumas vezes mas as cartas foram devolvidas. Depois habituei-me também à tua ausência. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sabes, eu acho que esta vida é feita de hábitos, de gestos, de rituais diários, que nos moldam, nos acomodam, e depois o tempo burla-nos, porque nos faz perder a vontade, nos faz ganhar medo de mudar, e vamos ficando, ficando, ficando. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As trevas avançam na memória e tomam de assalto o tempo. Adormecemos por dentro. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Morremos no coração…&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;João marinheiro , Palavras escritas, 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4278019799787352885?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4278019799787352885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4278019799787352885&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4278019799787352885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4278019799787352885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/09/no-me-despedi-de-ti-levei-te-comigo.html' title='morremos...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SN1NEmFEZVI/AAAAAAAABmc/bigrBTyKvaU/s72-c/noite.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3937114134437131313</id><published>2008-09-22T09:36:00.005+01:00</published><updated>2009-05-17T23:16:19.615+01:00</updated><title type='text'>ainda o risco, a pisar...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SNdZnIWVHWI/AAAAAAAABj4/kSyj-Fs9jHY/s1600-h/pisar+risco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5248762419514514786" style="DISPLAY: block; 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MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SMWpjRfYDvI/AAAAAAAABhw/rVcgfiXNN9w/s400/pisar+o+risco.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3049474660260482995?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3049474660260482995/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3049474660260482995&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3049474660260482995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3049474660260482995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/09/pisar-o-risco.html' title='pisar o risco...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SMWpjRfYDvI/AAAAAAAABhw/rVcgfiXNN9w/s72-c/pisar+o+risco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8468523923182386918</id><published>2008-08-30T13:36:00.007+01:00</published><updated>2009-05-05T20:58:55.609+01:00</updated><title type='text'>dormir na praia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SLk_3l68c4I/AAAAAAAABgw/fZFwYKnwYeQ/s1600-h/dormir+na+praia.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240289865726980994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SLk_3l68c4I/AAAAAAAABgw/fZFwYKnwYeQ/s400/dormir+na+praia.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;(Livro de contos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado direito do peito tenho o mar. O lado esquerdo é teu.&lt;br /&gt;As mãos estão paradas ao longo do corpo, vazias. O ruído de fundo que se ouve vem da praia, vem das rochas, a água salgada a bater e ser espuma que se desfaz em mil bolas minúsculas. A espuma é branca da cor do amor, como se o amor tivesse cor. Não tem. Dói. O amor dói. Arde na pele da mesma forma que o sol em brasa a queimar a pele quando durmo na praia. É uma febre vermelha. O amor com outra cor? Será? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sol.&lt;br /&gt;Vento.&lt;br /&gt;Praia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O vento está de sul, rondou esta noite. A madrugada foi de chuva, o vento sul trás a chuva. Pelas sete horas o nevoeiro estava à porta á janela, na varanda, na rua, a praia encoberta, as gaivotas pousadas viradas a sul. Na varanda a chuva cai do telhado em pingos grossos como lágrimas de dor. Aqui não há dor nem amor. O amor é mais logo quando o dia clarear, agora é neblina meio cinzenta meio branca, escurecida. Não quero o amor assim, sombrio, gosto de um amor com sol, solidário, presente, omnipresente.&lt;br /&gt;Só tu não estás para a palavra ser verdadeira.&lt;br /&gt;Aqui tudo é falso. Quero dizer.&lt;br /&gt;Aqui tudo é imaginado, não real. Virtual. Essa a palavra. Virtual! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O amor é assim? Será assim virtual. Branco? Deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias andava na praia como ando sempre a olhar o mar com olhos de não ver. Posso andar na praia assim de olhos fechados que sei onde está o mar.&lt;br /&gt;Contigo é diferente, arregalo os olhos até doerem, luto com o sono, o peso das pálpebras como persianas velhas a caírem, venço e fico de olhos demasiado abertos. Só tu não estás. Por mais esforço que faça. Não te vejo. Não te sinto, nem na mão esquerda nem na mão direita, atrás ou á frente de mim.&lt;br /&gt;Às vezes dormes ao meu lado, mas acho que fazes de propósito. Só pode. É quando vencido fecho os olhos e adormeço na praia até acordar assustado com o mar a lamber-me os pés com uma língua fria, húmida, a inundar-me num estado liquido, diria pastoso de areia fina e água salgada, às vezes também chegam farrapos de sargaços vencidos pelo mar de fundo vigoroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar tem fundo, não tem?&lt;br /&gt;E o coração? Tem fundo? Fica fundo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gostava que me dissesses como é o coração. Podes dizer-me mesmo ao ouvido. Murmurar-me, sussurrar-me, soprar-me ao ouvido mentalmente como é o coração.&lt;br /&gt;Fazes isso? Fico à espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vou adormecer outra vez na praia à espera que faças isso. À espera que venhas. À espera que chegues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dás-te conta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha vida mais parece uma Gare Marítima onde me encontro sempre à espera. À TUA ESPERA! Espero-te ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale a pena?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sopras-me também ao ouvido se vale a pena esperar por ti a dizeres-me que não?&lt;br /&gt;Fazes isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matas-me não é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre desconfiei que tinha um coração fraco, um coração inundado pelo mar, um coração inútil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazemos assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morro de amor por ti. Afinal tenho um coração inútil.&lt;br /&gt;Afinal estou parado sempre à espera. Qualquer lugar me serve. A tal Gare Marítima da minha infância. (Lembro-me da de Leça, também serve, mas nessa altura não existias). Um cruzamento de ruas. Uma paragem de autocarros laranja abrigada, dentro um banco corrido com duas pessoas sentadas. Eu espero do outro lado. A outra rua do cruzamento. A paragem é um tubo frio ao alto com uma placa de chapa numerada.&lt;br /&gt;Chove. Hoje acordei com chuva e neblina, alguns trovões distantes faziam escutar-se no silêncio abafado da manhã. Voltaram agora do lado do mar, ouvem-se perfeitamente enquanto penso as palavras. Aguardo que se aproximem os relâmpagos. São traços de luz poderosa na noite.&lt;br /&gt;A placa com números. Cada número é um autocarro laranja, podes vir em qualquer um deles. Por isso espero. Nunca vieste! Não andas de autocarro.&lt;br /&gt;Desculpa-me! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu não sabia! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A Boavista tem uma rotunda enorme, larga. Atravessei-a a correr de forma obliqua. A fugir do sol.&lt;br /&gt;Os ponteiros do relógio no pulso castigam-me. Condenam-me a esta existência de esperas. Vou atrás de ti. Vou de uma forma estranha. Vejo-me a ir nos vidros das montras reflectido, uma sombra? A rua por onde caminho a descer. Os pés não tocam o chão. Voo! Caminho como se andasse sobre a espuma no mar. Deslizo de uma forma obliqua ainda a fugir do sol, paralelo ao tempo. O tempo está nos ponteiros do relógio que me castiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me, mereço castigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já não vou escrever mais a palavra AMO-TE. Fica proibida no meu dicionário, no meu léxico gramatical. Afinal tenho um coração fraco, que não te merece. Gostas dos corações fortes e eu não sou. Sou humano, cheio de defeitos. Fazemos assim: GOSTO DE TI. Ficas a saber. Concordas que substitua a palavra proibida agora por esta? Quando eu adormecer cansado na praia dá-me também essa resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua agora sobe, reconheço-a por reconhecer ao fundo a janela da sala onde me despedi da mãe ligada às máquinas. O corpo a despedir-se, quase morto. Se tu soubesses…Viro para trás, mudo de rua. Detesto esta rua íngreme. Se aqui estivesse o mar no lado direito de mim podia caminhar de olhos fechados e passar a rua, olhar a janela da sala sem ver.&lt;br /&gt;Chego à estação dos comboios com a sensação de estar atrasado. Compreendes porque me atrasei? Porque tive de mudar de rua. Conheço tão mal a tua cidade. Olho os comboios e espero que chegues. Espero. Vais chegar não vais? Espero que chegues no comboio rápido Lisboa – Porto. A tua cidade é o Porto. Verdade? Também não sei. Mas a minha não. Não tenho uma cidade minha. Tenho momentos meus em muitas cidades. É triste não é? Não te importes, eu não me importo já, estou habituado foi isso com toda a certeza que me tornou assim meio ausente, sempre à espera sem o saber. Por falar nisso. Na espera. Também não vieste em nenhum comboio rápido Lisboa Porto, esperei pelos outros todos também, gritei o teu nome, escrevi um grafitti na parede com o teu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não viste!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois. Não te disse que existe sempre um depois? E também não te disse que depois o depois é sempre diferente do imaginado. Eu imaginava que vinhas, que ias escutar o teu nome no altifalante, que ias ler o teu nome na parede, o grafitti assinado por mim, e depois me vias e sorrias e eras o sol, o meu sol. Foi tudo completamente diferente. Depois chegou a policia, tas a ver o depois. Levou-me, ali o criminoso era eu. O coração fraco a bater. A dado momento já não sei se chove por fora ou por dentro de mim. Depois. O depois diferente, tive de explicar tudo na esquadra e depois repetir ao juiz que compreendeu o meu coração fraco e humano a errar.&lt;br /&gt;Que te esperava, que só gritei o teu nome no altifalante aflito, que só pintei o teu nome na parede como ultimo gesto desesperado da espera, porque os comboios já tinham chegado e partido todos, porque só os abandonados permaneciam na estação, a dormirem sob um monte de cartões velhos a esconder a vergonha. Neste momento estou atormentado, espero a condenação que tarda. Vou limpar a parede, apagar o teu nome de mim, e depois tenho umas quantas horas de serviço comunitário para fazer, eu não me importo, vou limpar todas as paragens dos autocarros da tua cidade. A ver se te encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque te estás a rir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que as probabilidades são de um para um milhão de te encontrar. Tu não andas de autocarro. Mas não tive escolha. E se vens pela rua a caminhar? E se vens pela avenida a descer em direcção ao mar? E se vais até á ribeira a ver o rio? E se vens a conduzir o teu carro. Tens carro, não tens? (As coisas que me faltam saber de ti). Posso estar no dia um dos tais dias que fazem parte do milhão de dias e te encontro. Já tentei! Juro! Já tentei, estavas na tal paragem no cruzamento das ruas. Eram duas pessoas sentadas no banco à espera do autocarro laranja, uma eras tu. Só podias ser tu! Quando te vi e soube que eras tu, mandei parar os ponteiros do relógio no pulso. O tempo começou a deslizar muito lentamente. Eu disse-te que caminho sem tocar o chão? Quase a parar o tempo! Deitei fora o coração inútil por ser fraco, (esse o meu erro). Substitui a palavra em uso, GOSTO DE TI pela palavra proibida, AMO-TE (nunca me perdoaste o gesto), fechei os olhos para te manter cativa na memória e fui a correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos fechados na tua cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Era um cruzamento, duas ruas, eu estava na paragem à tua espera e tu estavas também à espera, não de mim mas eu não sabia. Ainda não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Atravessei a rua a correr os olhos fechados ainda, tu tão perto. O tempo a parar. A ter-mos tempo. A palavra substituída de novo no lugar certo, verdadeira. Tu tão perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estendia a mão esquerda aberta, o corpo inclinado para a frente quase a tocar-te, a mão direita também. Lembro-me perfeitamente do som dos travões, o ruído dos pneus na rua a chiarem, o cheiro a borracha queimada.&lt;br /&gt;O tempo ainda parado como eu lhe tinha pedido. Os olhos fechados. O corpo a correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O doce do sangue na boca. O movimento estranho a flutuar na espuma. O corpo a ficar.&lt;br /&gt;Abri os olhos. Não eras tu na paragem era uma semelhança tua, já não vi bem. Tenho o coração fraco e tinha-o deitado fora. E sinto o frio do mar a inundar-me por dentro, os farrapos de sargaço a abraçar-me as pernas. Não sinto o relógio a bater no pulso. Não sinto o coração fraco a bater ainda por ti. Não sei se chove ou se é o meu lado direito do peito a inundar-me, não lhe sinto o sabor da água, ou a força do vento ou o calor do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem eu vinha a correr de olhar fechado na tua cidade a pensar que era na praia e que eras tu sentada nas rochas à minha espera.&lt;br /&gt;Pensando bem para que penso. Para que sinto?&lt;br /&gt;O sol, descobri agora, é azul em relâmpagos intermitentes. O vento é um uivo ondulante na cidade. A chuva é amarga a arder nos olhos.&lt;br /&gt;Os ponteiros do relógio desobedeceram e avançam sem ordem um pouco o tempo. O tempo desordenado. Sabes o que é isso? O tempo desordenado. Deixa. Não queiras saber como é.&lt;br /&gt;Tarde. É tarde.&lt;br /&gt;Sinto uns dedos em mim. Juro que nesse momento perdi o rumo, a direcção. Desnorteei-me. Sinto uns dedos em mim a abrirem-me as pálpebras. Eram uma espécie de prédios altos, esguios, brancos, as pessoas. Um ângulo completamente obliquo e diferente de todos os ângulos. Olharam-me! Está morto! Ouvi dizer. Fecham-me os olhos então, e eu como estava cansado deixo-me adormecer na praia, a mão esquerda estendida para te sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quiseres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vieres&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro, excerto do Livro de contos, "Dormir na praia "&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Praia de Fornelos 2008 &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8468523923182386918?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8468523923182386918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8468523923182386918&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8468523923182386918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8468523923182386918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/08/dormir-na-praia.html' title='dormir na praia'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SLk_3l68c4I/AAAAAAAABgw/fZFwYKnwYeQ/s72-c/dormir+na+praia.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-52817025287319199</id><published>2008-08-25T12:46:00.002+01:00</published><updated>2009-05-17T23:14:44.132+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;se eu pudesse refugiar a memória no escuro da noite...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-52817025287319199?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/52817025287319199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=52817025287319199&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/52817025287319199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/52817025287319199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/08/se-eu-pudesse-refugiar-memria-no-escuro.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3913672656592895108</id><published>2008-08-21T00:01:00.005+01:00</published><updated>2009-05-05T21:23:24.089+01:00</updated><title type='text'>o coração todo teu...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Agora que sabes que te amo&lt;br /&gt;O coração todo teu&lt;br /&gt;Para lá do tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envolves-te no manto do silêncio&lt;br /&gt;Eu aqui na angustia da espera&lt;br /&gt;Tardas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Envelheço nas curvas dos dias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sem memória já&lt;br /&gt;do teu corpo inalcançável&lt;br /&gt;e fico adormecido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;este amor&lt;br /&gt;tão doloroso de ausente&lt;br /&gt;como ausente sou sempre&lt;br /&gt;das noticias tuas que tardam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ausência esse lugar dos destroços&lt;br /&gt;agora que sabes que te amo&lt;br /&gt;o coração todo teu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3913672656592895108?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3913672656592895108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3913672656592895108&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3913672656592895108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3913672656592895108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/08/agora-que-sabes-que-te-amo-o-corao-todo.html' title='o coração todo teu...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2228171408056207056</id><published>2008-08-16T20:26:00.003+01:00</published><updated>2009-05-05T20:59:41.271+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Acordo 150 milhas a oeste de nada e o silêncio é sofucante&lt;br /&gt;Abro os olhos no escuro total. O barco parado estático. Tacteio em direcção ao poço e ligo o motor, acento as luzes, carrego as baterias extenuadas, lentamente os instrumentos de bordo iluminam-se, lentamente os visores, os alarmes passam do vermelho ao laranja finalmente ao verde. 14 volts a carregarem as baterias.&lt;br /&gt;35º de temperatura 80% de humidade a escorrer pela pele, irrespirável, o mar um caldeiro onde os meus pecados se expiam. O nevoeiro espesso a assustar&lt;br /&gt;Penso em ti&lt;br /&gt;Se tu me entendesses…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;joão marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2228171408056207056?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2228171408056207056/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2228171408056207056&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2228171408056207056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2228171408056207056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/08/acordo-150-milhas-oeste-de-nada-e-o.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6758328044173101134</id><published>2008-08-02T19:44:00.005+01:00</published><updated>2009-05-17T23:14:33.715+01:00</updated><title type='text'>breve história...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_PqliyGdZIBs/SJSscwV0jgI/AAAAAAAABfs/6kd70eXbflA/s1600-h/brest.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229994677296729602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_PqliyGdZIBs/SJSscwV0jgI/AAAAAAAABfs/6kd70eXbflA/s400/brest.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Éramos dois ao serão nas noites da memória, eu e tu, e uma gata persa triste.&lt;br /&gt;Um dia foste embora e continuamos dois. Eu e a gata persa triste que entretanto morreu com saudades das tuas festas.&lt;br /&gt;Ainda somos dois.&lt;br /&gt;Eu e a memória tua nas noites agora longas e frias.&lt;br /&gt;Nunca te disse da forma como te amava.&lt;br /&gt;Ou como te amo agora que aprendi este amor novo em silêncio feito de esperas e de desejos como fogo frio a consumir-se por dentro.&lt;br /&gt;Espero também partir e depois já não somos ninguém à tua espera.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2008 &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6758328044173101134?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6758328044173101134/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6758328044173101134&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6758328044173101134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6758328044173101134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/08/breve-histria.html' title='breve história...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_PqliyGdZIBs/SJSscwV0jgI/AAAAAAAABfs/6kd70eXbflA/s72-c/brest.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-7283398075729230602</id><published>2008-07-22T00:42:00.014+01:00</published><updated>2009-05-09T19:14:22.761+01:00</updated><title type='text'>A tua carta...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPplYTWInKI/AAAAAAAABns/W1qPJH6aPUw/s1600-h/azul.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5258626983092853922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPplYTWInKI/AAAAAAAABns/W1qPJH6aPUw/s400/azul.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Livro de Contos)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Querido Júlio&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não estranhes esta minha carta tão tardia. Peço-te desculpa por isso. Por ser tão tarde. Mas aconteceram tantas coisas nestes quase 50 anos que nos separam. Acho que desisti de ti ou desisti do teu amor. Não sabes quanto me custou separar-me, ir-me embora sem uma palavra, sem me despedir, sem dizer que ia. Foi um acto de cobardia de minha parte eu sei. Não sabes os rios de lágrimas que correram nos meus olhos. Acho que chorei tudo por uma vida. Agora secaram-me as lágrimas.&lt;br /&gt;Durante uns tempos soube de ti. Lembras a Sílvia a namorada do Zé Areias, casaram quando vocês regressaram do mar. Acho que te recordas do Zé foi o teu imediato na segunda ou terceira viagem à Terra Nova, já não estou certa. Como andavas embarcado com o Zé eu ia sabendo algumas notícias. Terminaram quando deixaste a pesca do bacalhau e foste para os navios de longo curso. Fui mantendo o contacto com a Sílvia, umas duas cartas por ano. Nos primeiros anos perguntava por ti, ou ela me dava uma notícia a dizer-me que andavas pelo Pacifico, pela Austrália, pelas Américas, nessas alturas tinha a esperança que pudesses vir a Inglaterra a algum porto. Sentia uma vontade enorme de te ir ver. De ir ver o barco onde navegavas, a tua casa no mar. Nunca vieste pois não? Nunca quiseste vir para norte. Eu sei que soubeste que eu estava em Inglaterra. A Sílvia contou-te que eu vivia em Londres mas não te contou tudo. Isso vou fazer agora nesta carta, tentar contar-te tudo nesta carta. Não sei se vou conseguir. Confesso Júlio que me foi muito difícil começar a escrever. Compreendes aquele receio, aquele aperto no coração, aquele sufoco na garganta. Tanto que queremos dizer e não sabemos por onde começar. Eu demorei quase cincoenta anos a começar estas letras. Ainda gostas da minha letra? Desculpa que pergunta tola que te faço. Desculpa!&lt;br /&gt;Fui embora Júlio porque desisti. Desisti de ti e de mim ma altura. Era o mar que se entrepunha, que nos separava. Comecei a odiar o mar que tu amavas. Tu sempre a dizer-me que amavas o mar, que te corria no sangue, que era uma paixão. Comecei a sentir-me uma mulher traída, e as mulheres quando amam, quando se sentem traídas perdem a cabeça. Perdi a minha foi isso! Perdi a cabeça e fui embora. Desculpas-me? Não desculpes!&lt;br /&gt;Quando foste para baixo para Lisboa no navio para te juntares à frota acho que na minha cabeça a decisão já estava tomada. Tínhamos discutido, queria que arranjasses um trabalho em terra, e eu queria continuar os estudos, não ficar em casa à espera na angústia sem saber de ti tantos meses. Não sou uma mulher do mar. Quando cheguei a casa a decisão estava tomada. Fiz as malas e apanhei o comboio para França, depois o barco para Inglaterra. Atravessei o canal com medo. Medo de ver as velas do teu navio branco, um cisne do mar como lhe chamavas, mas sabia que era impossível, ias rumo aos Açores. Eu estava a norte, muito a norte de ti.&lt;br /&gt;Matriculei-me na universidade e diz o doutoramento, no início foi difícil, diria complicado, os pais também se zangaram comigo, valeu-me no início a prima Zara que vivia em Londres e me auxiliou no primeiro ano. Não dominava a língua com facilidade, mas rapidamente me integrei na vida estudantil, também arranjei um emprego aos fins-de-semana numa livraria fantástica. Valeu-me Morris um querido professor de Arquitectura. Apaixonou-se por mim e eu com o tempo afeiçoei-me a ele, foi muito importante a sua presença durante a minha gravidez. Tive sempre o seu apoio. Acabamos por casar. E tu? Também casaste? Morris faleceu, faz hoje precisamente três anos. O tempo que me levou a decidir escrever-te. Três anos. Tenho pensado nisso. Se calhar por me sentir outra vez sozinha aqui. Talvez por sentir saudade de Portugal, da minha cidade, do rio Douro da praia, do mar. Acho que a palavra saudade é uma palavra traiçoeira. Ingrata diria mesmo. Prega-nos partidas. Mina-nos o corpo. Já não sei o que digo. Mas depois de Morris partir, à noite ficava na sala sentada no sofá a ler, ou a trabalhar no computador. Reformei-me, faz anos, mas continuo com as minhas pesquisas, os meus trabalhos de investigação, colaboro com algumas editoras e regularmente publico os meus artigos. E tu? Ainda escreves as tuas histórias de marinheiros que gostavas, eu te lesse em voz alta na sala. Se calhar já não. Há tempos numa pesquisa apanhei um susto. Fiquei a tremer. Comecei a ler, contava histórias que me eram familiares, parecia que eu fazia parte das histórias. Não és tu que escreves pois não? São demasiadas coincidências as palavras. Acho que nunca vou saber se foste tu que escreveste. Mas é a tua maneira sentida de escrever que me lembro, que eu li ali num sítio perdido da Internet. As palavras nestes três anos passaram a fazer-me companhia pela noite. Nunca fiz um comentário, nunca tive a coragem para vencer a barreira do medo, do anonimato, e escrever a perguntar quem era, quem escrevia assim da forma igual a mexer com os sentidos, a entrar em nós, como tu escrevias. Nunca fiz um comentário. Foi medo que me impediu. Medo da rejeição de saber se eras tu. Durante estes três anos alimentei a fantasia que eras tu. Sabia pela forma como escrevias se estavas alegre ou triste, se estava sol ou chuva, se era verão ou Inverno, se a praia estava deserta ou povoada. Se os barcos ainda continuavam a morrer abandonados na areia ou se salvavam. Durante estes últimos três anos viveste comigo outra vez à noite pela madrugada até ao nascer do dia. Eras tu que escrevias não eras? Mas já não interessa. Não faz falta saber. Finalmente ganhei a coragem para te escrever. Escrevo-te com a mesma caneta que me ofereceste um dia. Guardo-a como um tesouro, foi a única coisa que trouxe comigo. Acho que não te devo maçar com estes pensamentos, qualquer caneta serve para escrever. A Sílvia veio ter comigo este verão. O Zé faleceu repentinamente vítima de um enfarte, e ela veio ter comigo a passar um mês, foi um reencontro de duas amigas. Fez-lhe bem e a mim também. Pude treinar o meu português esquecido, faz vinte anos que não vou a Portugal, sei das notícias pela RTPi. Estou a pensar em ir ao Porto, a Sílvia convenceu-me. Este verão possivelmente.&lt;br /&gt;Falamos de ti e de nós. Soube que te reformaste, que continuaste a dar aulas de náutica, que não deixaste os velhos barcos à vela, que manténs a mesma casa, que viajas bastante, e que ainda escreves. Não contei à Sílvia que te leio na net faz três anos. Depois de ela me dizer que ainda escreves, fiquei com a certeza de que és tu que escreves. És tu que escreves não és? Soube também que não te casaste, que optaste pelo mar, que andavas sempre em viagem a levar navios cada vez maiores de um porto para outro. Que naufragaste duas vezes que da segunda vez te encontraram por mero acaso ao fim de quinze dias, moribundos, tu e mais oito dos teus marinheiros, que estiveste uns meses no hospital, que depois disso deixaste as longas viagens e te reformaste. Porque nunca casaste?&lt;br /&gt;Com o reencontro da Sílvia voltou a palavra esquecida ao meu corpo a palavra saudade. Comecei a sentir saudades de ti, do mar, de nós. Aos poucos reuni a coragem suficiente para te escrever. Já não tenho a coragem de antigamente. A idade torna-nos submissos. Já não consigo imaginar-te. Como és, se o marinheiro alto e esbelto, entroncado de cabelo loiro curto vestido de branco e azul-escuro, se um marinheiro alquebrado pelo mar de olhar triste irreconhecível, distante. Por vezes pergunto-me se te encontrasse na rua, se te iria reconhecer, acho que sim, tenho essa secreta esperança. Mas será difícil. É incrível mas a Sílvia de tantas fotografias que trouxe, não tem uma única onde tu estejas, nem do tempo que o marido andava contigo embarcado. Sempre foste pouco fotogénico como dizias, eu sempre achei que não. Deixa parece que já não sei que te escrever e estou para aqui envolta nos pensamentos. Desculpa fazer-te perder tempo a ler estes disparates que escrevo…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Beatriz &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Continua...)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia: Oleo sobre tela de João Renato&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui:&lt;a href="http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/04/viii-carta.html"&gt;http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/04/viii-carta.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://memoriasvirtuais1.blo/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-7283398075729230602?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/7283398075729230602/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=7283398075729230602&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7283398075729230602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7283398075729230602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/07/tua-carta.html' title='A tua carta...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SPplYTWInKI/AAAAAAAABns/W1qPJH6aPUw/s72-c/azul.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-7898922951772533413</id><published>2008-06-17T23:41:00.008+01:00</published><updated>2009-05-05T21:23:10.673+01:00</updated><title type='text'>do silêncio...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SFg_wjkGgxI/AAAAAAAABYU/NhACkpGMKtE/s1600-h/avi%C3%A3o.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212986672094282514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SFg_wjkGgxI/AAAAAAAABYU/NhACkpGMKtE/s400/avi%C3%A3o.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;A gare do aeroporto a andar de roda. O café quente. O olhar brilhante. A voz a dizer que o embarque é na porta seis dentro de meia hora. Um estremecimento no corpo. A pressentir. A sentir. A desejar outra vez. A imaginar outra vez. Imaginar sempre. Só podias ser tu. O coração aos tombos. O ar a faltar. O calor a subir. Caminhavas na minha direcção. Eu a fingir que não era eu. Eu a esconder-me de mim. Eu a esconder-me de ti.&lt;br /&gt;Olhámo-nos.&lt;br /&gt;E o silêncio em nós.&lt;br /&gt;O acelerar violento do coração no peito apertado. A voz que não sai. A voz que não sai. A garganta que não obedece. O cérebro que pára. Os punhos cerrados. As pernas a caírem sem forças. As pessoas a correrem de um lado para outro. Beijos. Abraços. Despedidas. Lágrimas. Partidas. Chegadas. Os carros que chegam. Os carros que partem. O sol lá fora e o frio em nós.&lt;br /&gt;E o silêncio em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria dizer-te que não é este o silêncio que gosto. Que não é este o silêncio que diz tanto. Que não pode ser.&lt;br /&gt;O coração aos tombos em mim.&lt;br /&gt;Eu a disfarçar para que não escutasses o som. Era o silêncio ainda em nós.&lt;br /&gt;Olhamo-nos. Cada vez mais perto. Caminhavas. A porta de vidro, automática, a abrir e fechar nas tuas costas. A voz a chamar para o embarque. O café esquecido. O tempo a passar lentamente. Tu a caminhares lentamente. Eu a imaginar que caminhavas lentamente. Que o tempo se movia lentamente. Eu a imaginar. Eu a imaginar que não podes ser tu aqui. Os aviões a chegarem e a partirem. Eu a fazer um filme de tudo o que nunca te disse. As palavras por escrever ainda. O desanimo em mim a sobrepor à musica que tenho por dentro &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;– Love! – love! – love! Questa parola…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Não vais parar. Não me vais falar. Não me reconheceste. O medo que eu tinha que assim fosse. O medo em mim. As palavras inúteis já. Já não consigo escrever-te o amor de outra forma que não esta, que me violenta.&lt;br /&gt;O Silêncio em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a desviar o olhar. Eu a rodar no banco. O olhar que se perde.&lt;br /&gt;A gare do aeroporto ainda a girar à roda de nós. Quase a parar.&lt;br /&gt;– Pára! – Pára! É o silêncio total. Não me ouves. Não paras. As palavras finitas. O coração que falece mais um pouco. A mesa redonda. Os bancos altos. Dois. Um vazio. Um banco vazio e um vazio por dentro. Uma chávena vazia. O pacote de açúcar vazio. A boca amarga. Seca. Vazia. O aeroporto demasiado grande. A cidade enorme. Tenho medo. Silêncio. Estás em silêncio.&lt;br /&gt;Passaste sem dar por mim. Tudo é silêncio em nós e os ouvidos doridos de tanto clamor. É deste silêncio que te falo. O avião que parte. Eu que vou partir. O tempo que passa tão rápido tu tão apressada. Imaginei-te. Só pode ter sido. Uma lágrima que teima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telemóvel que toca. A mensagem que chega – Gostei de te ver…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-7898922951772533413?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/7898922951772533413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=7898922951772533413&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7898922951772533413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7898922951772533413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/06/do-silncio.html' title='do silêncio...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SFg_wjkGgxI/AAAAAAAABYU/NhACkpGMKtE/s72-c/avi%C3%A3o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1150649630725923096</id><published>2008-06-09T02:12:00.008+01:00</published><updated>2009-05-09T19:14:47.285+01:00</updated><title type='text'>o amor também morre de saudade...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SEyEKxx1vGI/AAAAAAAABX0/key5O07_M8Y/s1600-h/navegar.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5209684189656759394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SEyEKxx1vGI/AAAAAAAABX0/key5O07_M8Y/s400/navegar.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Onze e um quarto da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sopra nordeste fresco e o mar é um enrolar de espuma branca a abraçar-se. Bolino. Quero ir para norte, para as Rias. Vou a bordejar aos zig zags, o triplo da distância, não importa. Tenho tempo. Todo o tempo para te pensar. A ternura que me banha o peito quando te penso. Não te dás conta. Todos os dias te penso. O tempo é testemunha. Penso-te e invento-te. Tu entre o vento e o sol. Recortada em clarões de branco e espuma. Os cabelos negros soltos a espalharem a fragrância. O perfume da tua pele colado em mim a misturar-se com o sal que tenho entranhado nas narinas.&lt;br /&gt;Só tu me entendes. Por ti não finjo o amor que não sinto por outra mulher que passa nos meus olhos. Por ti não deixo que o tempo avance na memória e te conservo cristalizada no peito. Jovem e doce. Guardada onde te sei de todas as formas e te amo. É isso, ainda te amo. Aqui na imensidão deste mar onde navego em solitário outra vez, e o vento fresco me endurece os ossos, e me faz soltar uma lágrima no canto dos olhos, que teimo em afastar para que a vista permaneça atenta à navegação, e os sentidos alertados nos sinais do tempo, e de terra, que se avista quase a perder na linha divisória do mundo oscilante onde me encontro, e o outro mundo sólido a fenecer. Sei que é amor por ti. Olho o relógio no pulso outra vez, um gesto mecânico repetido vezes sem conta ainda, que ficou do tempo antigo de esperas por ti. Tardavas sempre, e o desejo em que chegasses crescia em mim sempre mais e mais até estalar no peito a magoar a ausência tua, o sobressalto, a duvida que não viesses, mas quando te via a desceres a rua, a tua rua, tudo se acalmava em mim. O mar era de novo calmo e o sentir sobressaltado apaziguava-se como uma maré a vazar no ciclo do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doze e quarenta e cinco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou ao largo de Montedor, reconheço o monte e o farol na linha de terra, mais à frente Afife, o monte de Santo António, e pela amura de barlavento Santa Tecla, o monte do outro lado do rio a separar as pessoas. A nós foi o mar que nos separou. Nunca vou saber a resposta porque nunca consegui fazer-te a pergunta, se era o mar que se entrepunha em nós. Já não é importante. Nada é importante agora, só o vento para me levar até às Rias para atracar e descansar, fechar os olhos e desligar-me de ti como se desliga um motor ou uma luz, depois é o silêncio ou a escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tempo, calculo as horas. Ao cair da noite estarei a chegar a terra, mas tu não vais estar à minha espera e eu já não sei a tua terra ou em que porto vais estar. O mar continua a abraçar-se em rolos de espuma branca e dois golfinhos vem a fazer-me companhia, a saltarem velozes ora a uma ora a outra borda do barco a luzirem ao sol por momentos, um grande e um pequeno ao lado, mãe e filho em sintonia de amor e beleza a olharem-me por instantes enquanto os Mascatos de asas abertas cortam os céus sempre de um lado para outro sem parar.&lt;br /&gt;Pela manhã ao sair a barra, duas andorinhas voavam rumo a sul. No início não liguei, mas depois comecei a pensar e é estranho andorinhas tão longe de terra a voarem em pleno mar aberto rumo a sul. Quantas vezes pensei que foste uma andorinha na minha vida. Sem ninho. Porque nunca mais regressaste como as andorinhas fazem todos os anos. Não nunca podias ser como uma andorinha senão tinhas voltado, e eu tinha perdido a mania de estar constantemente a olhar o relógio a contar as horas em que não estavas. Agora conto o tempo. O tempo que falta para anoitecer. O tempo que falta para chegar. O tempo que falta para morrer. O amor também morre de saudade.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia der Barcoantigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1150649630725923096?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1150649630725923096/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1150649630725923096&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1150649630725923096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1150649630725923096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/06/o-amor-tambm-morre-de-saudade.html' title='o amor também morre de saudade...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SEyEKxx1vGI/AAAAAAAABX0/key5O07_M8Y/s72-c/navegar.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8993464937250180203</id><published>2008-05-20T23:01:00.009+01:00</published><updated>2009-05-05T20:59:25.874+01:00</updated><title type='text'>Depois podia morrer...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SDNK1OWaiCI/AAAAAAAABSU/Ql6QndiTr0c/s1600-h/berlenga.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202584272788686882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SDNK1OWaiCI/AAAAAAAABSU/Ql6QndiTr0c/s400/berlenga.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mas já não sei. Por vezes fecho os olhos e o pensamento é todo teu, espécie de mundo redondo onde as tuas palavras ecoam. Já não sei se são as tuas palavras a chamarem por mim ou tudo é um eco perdido na névoa espessa onde me perco nas navegações estimadas e cegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rumo a norte de novo, aproveito o vento, aproveito a noite que se aproxima para me recolher em memórias enquanto as velas prenhas de vento deslizam a empurrarem o velho veleiro que hoje é só uma silhueta entre mim e a ilha a bombordo de ti. Espero que o velho farol acenda e me ilumina. Vou imaginar que são os teus lábios em mim a provocarem clarões de luz. As tuas mãos, os teus braços abertos num abraço, espécie de lais de guia que me prende o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressas lentamente e eu estive sempre esperando por ti. Sempre a navegar no oceano da memória, na vazante do rio, na enchente do mar, em cada maré viva, em cada tempestade, em cada fúria do mar, em cada naufrágio onde me despedaço de encontro às rochas frias.&lt;br /&gt;É importante o teu regresso em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou atento ao vento e ao frio que chega húmido a anunciar a noite, ligo o piloto automático, as velas estão afinadas, cheias de vento, e a proa corta as vagas pequenas. Seis nós. Faltam duzentas milhas para entrar na tua cidade outra vez. Imaginar-te na cantareira sentada à minha espera como fazias no tempo antigo. Mais de trinta horas de viagem, se o vento se aguentar. Seis nós, é uma boa velocidade neste velho veleiro feito de sonhos, memórias e tantas viagens de ausências. Sento-me no banco cansado a observar o lume azul no fogão bamboleante enquanto aguardo que a sopa aqueça na lata em banho-maria, não sei porque lhe chamam banho-maria, para mim é só água a aquecer uma lata de sopa pronta, feita de modo industrial para enganar o estômago. Olho pela escotilha o farol da Berlenga ao longe que já acendeu e o do Cabo a piscar em vermelho fogo, e sinto o fogo em mim a matar-me lentamente.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais logo vou dormir no convés a sentir a noite. Vou olhar as estrelas a ver se uma cadente rasga o céu e lhe peço um desejo. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Estou muito cansado. Demasiado cansado. O mar entranha-se em mim como uma maldição. Precisava do teu regaço para descansar a cabeça e fechar os olhos. Depois podia morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;João marinheiro 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8993464937250180203?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8993464937250180203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8993464937250180203&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8993464937250180203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8993464937250180203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/05/depois-podia-morrer.html' title='Depois podia morrer...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SDNK1OWaiCI/AAAAAAAABSU/Ql6QndiTr0c/s72-c/berlenga.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3674859819593380600</id><published>2008-04-30T00:10:00.005+01:00</published><updated>2009-05-17T23:14:56.753+01:00</updated><title type='text'>De partida...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SBetGvH8rTI/AAAAAAAABQQ/vzrKxQUiAfY/s1600-h/01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194811026435779890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SBetGvH8rTI/AAAAAAAABQQ/vzrKxQUiAfY/s400/01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Preparo o saco, saímos barra fora pelas duas e trinta da tarde. A aproveitar a maré-cheia. A barra está assoreada, é um perigo. O mar rompe ali&lt;br /&gt;O vento esperado a entrar de sudoeste, a vaga de três metros, quatro metros no Cabo Silheiro sessenta milhas a norte. Vai ser uma noite de trabalho a bordo&lt;br /&gt;Arrumo no fundo do saco impermeável as roupas quentes, as meias de lá, o velho casaco, o capelim preto para a cabeça. Finalmente parto rumo a Norte. Finalmente parto para mais próximo de ti, porque estes anos todos naveguei sempre a sul, cento e oitenta graus a afastar-me de ti. Já não me importo. Já nada me importa. As roupas são pretas, espécie de vestes com que faço o nosso luto. Se morrer não vertas lágrimas, basta-me o sal do mar para ficar em paz, junto dos meus.&lt;br /&gt;Agora vou.&lt;br /&gt;Acabei de fechar o saco. Encerrar um sonho e a memória da última viagem que fizemos os dois. Parece uma primeira vez. É uma primeira vez depois de me teres abandonado a meio da travessia, esta viagem que faço. Ontem ouvia-se o mar e o vento a chamar por mim nos brandais frios dos veleiros em terra, à espera abandonados. Fiquei aflito, fazia já muito tempo que aqui não vinha ao porto ver os veleiros. Não te queria ver de memória. Já não sei ver-te quanto mais amar-te. Amo o mar e isso me tranquiliza nas noites frias como as que se avizinham.&lt;br /&gt;O resto é o tempo.&lt;br /&gt;Espero as horas da partida&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3674859819593380600?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3674859819593380600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3674859819593380600&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3674859819593380600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3674859819593380600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/04/de-partida.html' title='De partida...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/SBetGvH8rTI/AAAAAAAABQQ/vzrKxQUiAfY/s72-c/01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3378326003914144922</id><published>2008-04-21T00:28:00.006+01:00</published><updated>2009-05-05T20:59:59.725+01:00</updated><title type='text'>VIII Carta...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ontem foi 1 de Abril dia das mentiras.&lt;br /&gt;Acho que esta carta é uma mentira. Uma partida que alguém me pregou, quem sabe o Zé das Areias meu amigo dos anos de mar que sabe os meus segredos me fez esta partida. Não sei. A letra é tua, perfeita. Fui procurar as tuas cartas guardadas. Tu não sabes que as guardo. Ainda as guardo. Espécie de tesouro que são para mim, palavras de verdade, palavras de amor. Palavras de sentir que eram as nossas cartas escritas, faz tantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta carta queima-me os dedos. Disse que ia dormir mas não consegui, só o corpo vencido pelo cansaço acalmou, os olhos se cerraram vencidos pelo escuro do quarto, foi como se estivesses aqui. Sentada no velho sofá a olhar-me na noite.&lt;br /&gt;A letra é tua e a tinta da caneta é a mesma, se calhar ainda usas a mesma caneta Parker que te ofereci um dia ainda namorávamos, numa caixinha azul, acho que é a mesma porque a forma da tinta é igual às cartas que guardo tuas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tomar o pequeno-almoço lá abaixo à sala grande de jantar, um refeitório com janelas grandes a darem para o jardim. Chove, hoje chove uma chuva forte, fria, espessa, e faz vento, um vento de redemoinhos que entra pela alameda e faz as arvores tremerem, as folhas partirem voando a cobrirem o chão de saibro. Depois vou ler as tuas palavras com calma. O coração hoje acho que aguenta. Vai aguentar. Tem que aguentar. Porque te desejo ainda e esperei todo este imenso tempo por notícias tuas. Tenho de ler depressa, afinal podes estar a dar-me noticias importantes a quereres uma resposta a elas e a carta demorou tantos meses a chegar às minhas mãos. Não quero pensar que pensas que não te quero dar noticias minhas, se quiseres saber de mim. Se é isso que a tua carta diz, se são essas as tuas palavras escritas. Saber de mim da forma que eu sempre quis saber de ti. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vou ler, se estivesse sol e se as minhas pernas aguentassem o caminho ia até à praia ler. Para te sentir mais próxima, mais mar a entrar em mim, o cheiro a maresia liberta. Ler-te a sentir o mar na areia, as gaivotas batendo asas, a linha do horizonte de nós na distância onde a terra se abraça ao mar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Queria abraçar-te, queria tanto. Não sei se quererias já um abraço meu. De um velho marinheiro cheio de saudade, esquecido aqui, sem ninguém a quem falar. Escrevo-te. É a forma de te falar. Escrevo-te em voz alta para sentir as palavras. O eco das palavras em mim e imaginar que estás ai de olhar reluzente e sorriso nos lábios a escutar as minhas palavras. Acho que tenho uma doença incurável. Terminal. Tu és o remédio para a doença de amor que padeço. O amor. O meu amor por ti é uma doença, mas é uma doença bonita, grande, que me faz brilhar a alma, acelerar o coração, embargar a voz quando murmuro baixinho o teu nome todos os dias antes de adormecer a dar-te as boas noites&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3378326003914144922?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3378326003914144922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3378326003914144922&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3378326003914144922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3378326003914144922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/04/viii-carta.html' title='VIII Carta...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3211508744064065866</id><published>2008-04-17T21:49:00.004+01:00</published><updated>2009-05-05T21:21:34.295+01:00</updated><title type='text'>VII Carta...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A carta tem quase um ano. Atrasada. Para mim. Foi para a antiga morada, a minha casa esvaziada. Acho que foi um milagre ter vindo ter comigo. Tenho de agradecer ao Zé da Areia. É ele que me trás a correspondência.A carta.É uma carta tua.A tua letra a dizer o meu nome a dizer que é para mim, no remetente só o teu nome a dizer que é tua, a dar-me noticias finalmente. Uma carta a romper as palavras mudas em nós. Todos estes anos de silêncio passados. Releio outra vez a tua letra bonita. Vou abrir. Tremem-me as mãos cansadas, os dedos não obedecem vencidos que estão pela artrite. Dói-me o coração no peito de tanto bater. Andei o dia todo com ela na mão, às voltas, a ver se tinha uma abertura por onde pudesse espreitar sem ser notado, sem a conseguir abrir. Parece que me queima os dedos. Ainda a levei ao nariz, mas era só papel manuseado. Perdeu-se o cheiro das tuas mãos na folha escrita. Porque penso é uma carta escrita. Não sei se abra. Que me queres dizer? Que noticias me trazes três décadas já passadas.– Não! Não vou abrir hoje a tua carta. Vou esperar pelo dia de amanhã, e vou ler-te pela manhãzinha enquanto o sol se levanta e me entra pela janela. Que são 12 horas mais a juntar a oito meses, a juntar a trinta e muitos anos de silêncio nosso.-Nada! Doze horas não são nada, e eu estou demasiado velho para me emocionar pela noite. O coração não aguenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Amanhã leio-te.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3211508744064065866?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3211508744064065866/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3211508744064065866&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3211508744064065866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3211508744064065866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/04/vii-carta_17.html' title='VII Carta...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4639648575336025427</id><published>2008-04-04T21:40:00.008+01:00</published><updated>2009-05-17T23:12:31.050+01:00</updated><title type='text'>Incompleto...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R_aWZo8kntI/AAAAAAAABNU/nLSXFqZ-lV0/s1600-h/incompleto.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185497388196077266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R_aWZo8kntI/AAAAAAAABNU/nLSXFqZ-lV0/s400/incompleto.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;S&lt;/span&gt;onhei-te demasiadas vezes&lt;br /&gt;E desejei-te outras tantas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria-te com a força do náufrago&lt;br /&gt;Em busca do salvamento a terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fomos trevas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo apenas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;João marinheiro, Abril 2008 &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4639648575336025427?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4639648575336025427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4639648575336025427&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4639648575336025427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4639648575336025427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/04/incompleto.html' title='Incompleto...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R_aWZo8kntI/AAAAAAAABNU/nLSXFqZ-lV0/s72-c/incompleto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2134807220876685160</id><published>2008-03-21T12:41:00.006Z</published><updated>2009-05-17T23:15:48.431+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-OtPI8kmxI/AAAAAAAABIY/tAsLInZQBvE/s1600-h/luz.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180174472017386258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-OtPI8kmxI/AAAAAAAABIY/tAsLInZQBvE/s400/luz.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Da tua história não sei. Conta-me só as coisas boas de ti&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;João marinheiro &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2134807220876685160?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2134807220876685160/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2134807220876685160&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2134807220876685160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2134807220876685160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/da-tua-histria-no-sei.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-OtPI8kmxI/AAAAAAAABIY/tAsLInZQBvE/s72-c/luz.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8271844963486431775</id><published>2008-03-20T00:23:00.009Z</published><updated>2009-05-17T23:11:18.205+01:00</updated><title type='text'>Apenas...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-GvHo8kmnI/AAAAAAAABH4/qXBIdA6th-c/s1600-h/Buldog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179613592238201458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-GvHo8kmnI/AAAAAAAABH4/qXBIdA6th-c/s400/Buldog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Apenas um beijo daqueles cheio de vento salgado...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;João marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Buldog&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8271844963486431775?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8271844963486431775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8271844963486431775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/apenas.html' title='Apenas...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-GvHo8kmnI/AAAAAAAABH4/qXBIdA6th-c/s72-c/Buldog.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8421492549915669814</id><published>2008-03-18T22:47:00.009Z</published><updated>2009-07-22T23:54:37.041+01:00</updated><title type='text'>Amar-te é uma derrota minha...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-BGnY9vJNI/AAAAAAAABHI/4BjY2-iVtss/s1600-h/palmeiras.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5179217214006306002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-BGnY9vJNI/AAAAAAAABHI/4BjY2-iVtss/s400/palmeiras.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amar-te é uma derrota minha. Só minha.&lt;br /&gt;Acordei tarde e repeti-me de novo a olhar o mar na pequena praia onde existo&lt;br /&gt;Tudo permanece igual a ontem&lt;br /&gt;Podes vir&lt;br /&gt;Podes vir e alojar-te de novo em mim como fazes sempre&lt;br /&gt;Já não me importo com as dores na pele, as dores nos ossos, as dores em mim&lt;br /&gt;Já não me importo&lt;br /&gt;Amar-te é um desnorte, um desacerto no rumo&lt;br /&gt;Uma declinação da agulha&lt;br /&gt;Um rasgar de velas&lt;br /&gt;Um partir de mastros&lt;br /&gt;O navio demasiado cansado a desarvorar e a borda a orçar, a amura a descair no mar&lt;br /&gt;Somos um naufrágio de sentires os dois só&lt;br /&gt;Só!&lt;br /&gt;Imagino-te tanto&lt;br /&gt;O meu mar dos sonhos&lt;br /&gt;O meu mar de anseios e desvarios&lt;br /&gt;Espécie de eco na neblina cerrada&lt;br /&gt;- Mar!&lt;br /&gt;- Mar!&lt;br /&gt;- Mar!&lt;br /&gt;Eu sei que te invento&lt;br /&gt;Que os breves momentos em que existimos não existem e que os invento para sobreviver&lt;br /&gt;Invento-te&lt;br /&gt;A cor dos olhos negros na noite&lt;br /&gt;A cor dos cabelos negros na noite&lt;br /&gt;O cigarro na mão na noite&lt;br /&gt;Tu na noite eu na noite perdido em ti&lt;br /&gt;O navio que parte&lt;br /&gt;O farol de braços abertos de luz branca a rodar&lt;br /&gt;O rio que vaza a maré toda para o mar de sal&lt;br /&gt;O mar aqui, a enseada redonda batida do vento, áspera&lt;br /&gt;Toda tu és mar&lt;br /&gt;Sabes a sargaço&lt;br /&gt;Flor do sal&lt;br /&gt;Algas vermelhas&lt;br /&gt;Como me liberto de ti?&lt;br /&gt;Se me estás nos poros da pele&lt;br /&gt;No ar que respiro&lt;br /&gt;O olhar&lt;br /&gt;Amar-te é uma derrota minha. Só minha&lt;br /&gt;O vento de norte chega agora&lt;br /&gt;As palmeiras agitam-se dançando&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tudo permanece igual a ontem…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;joão marinheiro 2008&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo2008&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8421492549915669814?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8421492549915669814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8421492549915669814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/amar-te-uma-derrota-minha.html' title='Amar-te é uma derrota minha...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R-BGnY9vJNI/AAAAAAAABHI/4BjY2-iVtss/s72-c/palmeiras.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6123979524903502258</id><published>2008-03-16T23:47:00.011Z</published><updated>2009-07-22T23:55:01.327+01:00</updated><title type='text'>É uma varanda...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R92x5I9vJMI/AAAAAAAABGo/gZsr8Ry4iYo/s1600-h/alcantilado.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178490741763024066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R92x5I9vJMI/AAAAAAAABGo/gZsr8Ry4iYo/s400/alcantilado.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;É uma varanda de 5 por 1 metro, uma janela e uma porta que dá para o mar em frente.&lt;br /&gt;À direita duas palmeiras resistem à força do vento norte. Sete candeeiros completam a vista a romperem a noite. Só um é de luz branca mesmo, e perto de mim os outros são amarelo sódio de alta pressão as lâmpadas. Só um é vapor de mercúrio branco, como se isso fosse importante. Importante é o som forte do mar, um rugido impressionante, baixo persistente de pedras a chocarem, a sentir-se vir da profundeza, a entrar em mim, a estremecer-me o corpo em calafrios de medo. Aqui o mar é sempre assim quando o vento sopra de norte, forte como hoje, e o vento sopra quase sempre de norte aqui neste pedaço de costa aberta recortada pela penedia e o alcantilado de tojo baixo e forte onde sobressai a torre do sinal sonoro que agora, faz anos, se mantêm em silêncio, como se o nevoeiro de hoje não fosse uma cerração de névoa espessa à vista, perigosa para os marinheiros, para os barcos que demandam a costa ainda indiferentes a mim e à pequena varanda por onde me passeio a sentir o mar.&lt;br /&gt;Olho o céu nesta madrugada e a lua meio encoberta pelas nuvens brilha em branco prata, espécie de queijo redondo como eu lembrava que seria em menino, e as nuvens correm ligeiras tocadas pelo vento. A chuva tarda. Se calhar já não vem, e eu aqui entretenho-me a matar o tempo com o telemóvel a inventar relatórios do estado do tempo e a enviar para números ao calha a dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Relatório do estado do tempo das 22 horas:&lt;br /&gt;Céu nublado&lt;br /&gt;Vento de noroeste seco&lt;br /&gt;Algumas nuvens&lt;br /&gt;Estrelas no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois envio 1 beijo deste lado a rematar a mensagem, mas este lado não existe. O relatório não interessa a ninguém, porque ninguém olha o mar a esta hora da noite com os meus olhos, e o telemóvel moderno que podia ser a minha ligação ao mundo continua dolosamente em silêncio. Aqui só se escuta o mar. Faço relatórios do estado do tempo ainda. Mania que ficou dos anos embarcado a atravessar oceanos. Faço relatórios do estado do tempo e não sei do estado em que estou, ébrio de saudade, ébrio do desassossego que sinto. Diariamente enlouqueço. Diariamente mato-me na mentira. Então os dias ficam parados e eu espero.&lt;br /&gt;Conto as vagas que chegam a espumarem de raiva salgada de encontro às pedras negras que se erguem dos fundos aqui na reentrância de costa a fazer uma praia numa baia cercada por camboas onde se fazia a despesca até aos anos quarenta, quando por decreto, se proibiu este modo de pesca e se mandou destruir os muros que a vista atenta descobre em ruínas. Testemunho de um tempo de fome e de angustias passadas. As vagas chegam ritmadas, cíclicas, em grupos espaçados de sete seguidas e depois uma ligeira acalmia até chegarem de novo, era neste espaço de tempo de acalmia precária que se saia ao mar nas pequenas catraias nesse tempo em busca da sardinha e do pilado para matar a fome. Nem sei porque me lembro destes tempos de miséria mas tão puros na essência. Tão verdadeiros na fraternidade, na palavra dos &lt;em&gt;Homens de Respeito&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;A varanda de 5 por 1 metro é fria a esta hora da noite, a caleira arruinada pinga lágrimas da chuva que escorre do telhado negro, lágrimas de alguma água atrasada que ficou a despedir-se sei lá do quê e para quê, e eu caminho de ponta a ponta a contar os mosaicos velhos do chão a disfarçar, a imaginar que o tempo passa mas não passa. Aqui junto do mar cada dia tem vinte e quatro horas de angústia uns a seguir aos outros. Já não sei da coragem para morrer. Já não sei dos dias. Quem sou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro, praia de Fornelos 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6123979524903502258?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6123979524903502258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6123979524903502258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/uma-varanda.html' title='É uma varanda...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R92x5I9vJMI/AAAAAAAABGo/gZsr8Ry4iYo/s72-c/alcantilado.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-501922045022506133</id><published>2008-03-15T17:52:00.006Z</published><updated>2011-01-28T23:54:34.098Z</updated><title type='text'>Do olhar hoje...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R9wN749vJLI/AAAAAAAABGg/hs1GC0hKQcc/s1600-h/onda.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178028994123998386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R9wN749vJLI/AAAAAAAABGg/hs1GC0hKQcc/s400/onda.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-501922045022506133?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/501922045022506133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/501922045022506133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/do-olhar-hoje.html' title='Do olhar hoje...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R9wN749vJLI/AAAAAAAABGg/hs1GC0hKQcc/s72-c/onda.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3884077119409227161</id><published>2008-03-14T23:53:00.006Z</published><updated>2009-05-09T19:18:02.656+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Adormecer...&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3884077119409227161?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3884077119409227161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3884077119409227161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/adormecer_14.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8798985805465094836</id><published>2008-03-09T22:37:00.009Z</published><updated>2009-05-05T21:22:00.128+01:00</updated><title type='text'>VI carta...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R9RvJY9vI9I/AAAAAAAABEw/YvGbQVTLVPk/s1600-h/veleiro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175884078866441170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R9RvJY9vI9I/AAAAAAAABEw/YvGbQVTLVPk/s400/veleiro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Quatro e trinta e cinco da madrugada.&lt;br /&gt;O relógio do pequeno rádio pisca em vermelho vivo a dizer-me que é tarde. Não me importo. O vento forte e frio e húmido entra pelas aberturas na porta e faz estremecer as paredes. As portas do sotão nos esconsos fazem um ruído que assusta de batidos incertos conforme a força do vento. Eu estou aqui. A janela sem as cortinas corridas aberta para a noite fria e ventosa por onde espreito a chegada da maré viva à praia deserta de nós. Imagino-te outra vez. Desejo-te outra vez e afogo-te em mais gole deste vinho ácido que me queima por dentro e me faz estar assim, velho, inútil, abandonado, bêbado nesta hora aqui a olhar o mundo deste pedaço de quarto onde habito agora. As noites desde que me mudei para aqui são dolorosas, em vigília sem sono, sofro de alucinações que me fazem ver cabos e velas rasgadas nas paredes, e ventos furiosos e temporais e gritos e naufrágios e companheiros que desaparecem borda fora numa volta de mar e tenho medo. Medo sim de estar aqui preso inválido sem forças, vencido por uma saudade silenciosa que me rouba a vontade e não me permite ir ate à praia de novo em busca dos restos de ti. O teu naufrágio doloroso em mim. A carcaça só navio, imponente que foste por dentro de mim. O mar onde naveguei temerário a desafiar as tempestades a desafiar os medos a desafiar os dias cíclicos e o sentir. Sinto-te. Sinto-te como quando tinha trinta anos e estava convencido que numa mão virava o mundo todo porque te amava. Agora já não. Tenho medo. Estou velho e só aqui, e a minha história de vida é desconhecida para aqueles que não sabem quem sou e não suspeitam do amor que guardo puro e níveo e inocente em mim. Espécie de segredo amaldiçoado que me persegue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro e quarenta da madrugada.&lt;br /&gt;Passaram cinco minutos que me parecem um século inacabado pesado plúmbeo. Estremeço. Levanto-me para afastar os temores e vou à janela minúscula quase uma fresta na muralha que construí para me proteger do universo e aspiro com dificuldade o ar frio da noite a aragem marítima da pequena praia que vejo, o meu pedaço de mundo de imaginar, respiro numa hiper ventilação como fazia há cinquenta anos atrás nos tempos do mergulho, no principio dos tempos do mergulho a inebriar-me, a oxigenar-me de mar e imaginar que és tu que entras por dentro de mim, o sal escorre nos olhos velhos enevoados a fugirem a não verem já de forma precisa a tua silhueta a esta hora da madrugada na pequena praia deserta daqui, da janela, do meu humilde quarto que escolhi para me despedir da vida toda que tive e viver só da memória cada vez mais escassa em mim, e em ti, por ti a partir de ti hoje e ontem e seguramente amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco horas da manhã.&lt;br /&gt;A chuva anunciada chegou violenta. Hoje tudo é violento aqui. Forte a encharcar num repente o ar frio, as paredes, a rua velha, os candeeiros públicos a serem trespassados por pingos grossos, bagas de água pura dos céus que se abatem a esta hora do dia que ainda não acordou. Queria dar-te notícias de mim para me sentir vivo ainda e já não sei. Cada vez sei menos de notícias de mim e novas de ti. Cada vez sei menos, e é este silêncio sepulcral que me assusta, me faz retrair a emoção, as palavras, o querer, porque já nada vale a pena. O amor, a saudade, a vontade. Só a tua ausência me marca e me desfalece sempre. Já não existes. Não tens nome. O nome pequenito que pronunciava de duas letras do tamanho do universo todo, porque ele eras tu, toda, graciosa, a cheirar a perfume de flores e vida e emoção no olhar e eu que sempre me perdia nos teus olhos porque só a ti olhava de olhos nos olhos verdadeiro e sem medo. Anos mais tarde tentei fazer isso a experimentar o olhar de outras mulheres mas fiquei magoado porque partiram com medo do meu olhar que revelava a saudade tua sempre tua eternamente e nunca pude ser delas todo livre como o queriam porque o amor tem de ser todo pleno livre exclusivo de uma forma só esculpido a golpe de navalha nas tábuas do casco do navio que sulca os mares da emoção toda no oceano de tremuras e sal e ventos.&lt;br /&gt;Sinto a pele fria o corpo pesado a cabeça toldada pelo vinho tinto que me fez a companhia possível esta madrugada enquanto esperei que regressasses pela maré-cheia e a lua prateada na pequena praia que me faz companhia agora. Eu sei que já não voltas que podes ter morrido já ou que podes ser feliz numa cidade qualquer distante amada por outro que não um marinheiro errante sem porto seguro e sem navio para governar, sem velas para desfraldar, a brisa sem proa para dar à vaga alterosa, eu sei. Mas só assim te perpétuo dentro de mim. A memória escassa do tempo que fomos demasiado breve. Espécie de horas de descarga no velho cais onde indiferentes os navios acostam e os homens pisam terra a esquecer o mar. Foste uma espécie de terra desconhecida que pisei com o coração, esse o erro, em nós marinheiros a terra não se deve pisar com o coração porque o coração atraiçoa e prende e depois perdemos ferro e correntes e barco e tino e destino e a agulha desnorteia e as marcas na carta deixam de ser marcas no papel para serem marcas na pele espécie de tatuagem invisível só visível por olhos experientes e treinados nas lides do horizonte do mar e das luas e das estrelas cadentes que num lamento mergulham no mar como que a pedir perdão do erro cometido. Foste o meu erro que repetia de novo e de novo. Porque o amor é assim feito de erros após erros. Aprendizagens a dois. Certezas e incertezas. Perguntas e duvidas e caminhares de mãos dadas pelas ruas da vida e pelas estradas do mundo. Tínhamos todo o tempo do mundo pensava. Afinal não era verdade, sempre tive pouco tempo no mundo que construi contigo, porque o mundo sempre foi um mundo de sonho paralelo à margem do Douro por onde passeávamos. E ficou tanto prometido e ficou tanto sentido e ficou tanto por dizer e demasiado por fazer. Tudo adiado ad eternun.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis e meia da manhã.&lt;br /&gt;Clareia por cima dos telhados e das antenas a nascente o novo dia. Não o vejo daqui mas imagino porque tem de ser assim cíclico porque a natureza repete-se a horas certas, cíclicas, só nós não. A claridade avança a diluir a luz amarela da noite e as gotas de água ganham uma vida nova nas vidraças, como pérolas que brilham frescas e puras, macias, a recortarem o caminho nas janelas em direcção ao chão escuro de asfalto velho e paralelos gastos dos anos e do tempo.&lt;br /&gt;Olho o copo de vido grosso que me tem acompanhado estes dias e num lampejo sinto saudade do velho serviço de chá que deixei abandonado. O velho sofá o relógio na parede. O tempo. Sei que não devo ser assim que o meu tempo já não é, que não existo. Sou um número estatístico num lar. Um velho sem vida abandonado que interessa só para fins estatísticos à segurança social, à misericórdia, sei lá. Não me interessa. Aqui não adormeço só quando quero dormir e sei que se não acordar alguém vai cuidar do corpo. E em casa já não, porque estava completamente abandonado e só, e tu não fazes ideia da solidão que é por dentro quando estamos assim desta forma arrumados para morrer.&lt;br /&gt;Amo-te ainda.&lt;br /&gt;Dói-me pronunciar estas palavras agora. Parecem um pecado que cometi, que me persegue até à expiação dos dias. Ontem foi dia da mulher, estive a ler no jornal, lembro-me de uma vez te ter oferecido uma Gerbera vermelha a simbolizar o nosso amor, espécie de sol rubro num malmequer gigante. Já não sei da flor. Já não sei de tantas coisas. Em que ano estamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem estava aqui a olhar o mundo e observei um homem, acho que era um homem parado a olhar a casa durante um pedaço de tempo agarrado às grades que limitam o jardim. Fiquei a cismar que o conhecia. Aquela silhueta, mas é alucinação minha. Aqui ninguém sabe que existo e vim para morrer.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro, praia de Fornelos 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo em 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8798985805465094836?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8798985805465094836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8798985805465094836&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8798985805465094836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8798985805465094836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/03/vi-carta.html' title='VI carta...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R9RvJY9vI9I/AAAAAAAABEw/YvGbQVTLVPk/s72-c/veleiro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2881579808938855063</id><published>2008-02-24T23:40:00.007Z</published><updated>2009-05-17T23:16:01.702+01:00</updated><title type='text'>Do mar da memória...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R8IA1AEL0KI/AAAAAAAABEY/uYJNNavjXEQ/s1600-h/mar+da+memoria.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5170696232725368994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R8IA1AEL0KI/AAAAAAAABEY/uYJNNavjXEQ/s400/mar+da+memoria.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rua. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faz anos que passo esta rua em direcção à praia. O meu pedaço de mundo e de imaginares possíveis. Esta rua com as pedras gastas dos passos das pessoas andarilhas da vida. A rua tem uma agitação diferente, interrompida. Durante uns tempos tive de me afastar dos tapumes que cobriam a entrada da casa grande. Um palacete sec. XIX estilo colonial que ia caindo aos pedaços como caiu o império. Alguém a comprou, algum benemérito, alguma alma caridosa a tratar da alma da casa. Fazia-me impressão o abandono. Causava-me angustia aquele silêncio coberto de silvas. Às vezes punha-me a espreitar o jardim, as mãos pousadas no gradeamento trabalhado em ferro artístico, belo, a morrer de ferrugem, a escorrer em lágrimas castanhas pela parede do muro. Já não lhe distinguia a cor, e dos jardins imaginava a alameda, os lagos, a fonte com os repuxos no sítio onde o boneco do menino brotava água que agora só se imagina. Soube pelo jornal que dali iria sair uma casa de repouso, espécie de lar, hospital geriátrico. Achei bem e não pensei mais no assunto. A casa sempre ali estivera, abandonada à sua sorte, e a rua também a desgastar-se. Estive fora uns anos, também eu parti um dia a responder ao apelo do mar, quando voltei à rua para ir ver o meu pedaço de mundo de imaginar parei a olhar a casa. Lavada. Pintada num amarelo desmaiado e simples, e pessoas velhas nos jardins e algumas de bata branca. Médicos? Enfermeiros? Não sei. A alameda de novo aberta, as arvores podadas e viçosas, as flores alinhadas nos canteiros. Bancos novos aqui e ali. Agarrei-me às grades novas, de tubo inox a destoar da casa, e fiquei uns momentos a olhar. Já ali tinha estado naquele sítio uns anos atrás, antes de ter partido à procura do mundo de imaginar. O mesmo sitio. No cruzamento da rua paralela, junto do mesmo candeeiro publico de cimento curvo, em arco, de luz amarela que agora estava apagada. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faz anos que passo esta rua em direcção à praia. A areia fina. A mesma areia de anos e anos que me viu crescer. A areia que eu tinha saudades de sentir nos pés, e a mesma água de um salgado fresco e um cheiro a maresia que fica entranhado nos sentidos. Nesta praia depois de ter ido à procura do mundo de imaginar, sinto-me outra vez em casa, como se nunca daqui tivesse partido um dia. Como se nada se tivesse alterado em mim. Ainda me sinto menino a correr atrás das gaivotas que teimam em pousar na borda da água, se elas tivessem nomes de certeza que os saberia, e se as chamasse vinham a correr ter comigo. Mas não tem. Não são as mesmas gaivotas de há trinta anos atrás. Nada é já. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Demoro-me sempre na praia a olhar o longe, a olhar o céu. A olhar a linha do horizonte até o sol alaranjado chegar para dormir no outro lado do mundo e as gaivotas se recolherem, voando rumo a norte e o vento acalmar e se transformar em brisa primaveril e chegar de terra o cheiro das magnólias e das glicínias misturado. Acordo da minha espécie de sono da imaginação e olho a pequena vila desde a borda mar, as cores dos candeeiros públicos que se acendem como pirilampos gigantes e a luz vermelha dos carros a travarem, poucos a esta hora, a passarem na estrada estreita que bordeja a praia. Olho o sinal multicolor a dirigir o trânsito na rua e vejo a casa grande de costas para a praia na rua paralela. A grande chaminé. O telhado de não sei quantas águas e uma luz, uma pequena janela com luz e aberta. Engraçado que nunca tinha reparado naquela aquela janela ali, aberta, com luz. Pareceu-me uma entrada na parede grande, amarelo desmaiada. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O olhar distraiu-se outra vez a ver o navio que lançou o ferro com um ruído metálico, ondulante, de correntes enferrujadas a rasparem o aço ali, quase à mão de terra, uma escassa meia milha. Fiquei a imaginar como será a vida a bordo de um navio daqueles. Atravessar os oceanos com tempestades e ventos e solidão. O mundo resumido a um pedaço de chapa de aço recurvada, de solo metálico e frio e água, um céu suspenso de estrelas cintilantes nas noites repetitivas.&lt;br /&gt;Lentamente dou a volta á pequena enseada de areia branca e subo o passadiço de tábuas que me leva à rua de retorno à pequena vila da minha infância. Chego à esquina da rua paralela e instintivamente o olhar procura a tal porta na parede, a janela pequena. Paro. Os meus olhos ficam presos a ver para dentro. O velho à janela. O cabelo alvo, o porte altivo, não sei que me deu. Um estremecimento no corpo um alarme a soar. Não sei. Um pressentimento. À distância no lusco-fusco da noite julguei reconhecer o vulto. Seria ele&lt;/strong&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2881579808938855063?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2881579808938855063/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2881579808938855063&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2881579808938855063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2881579808938855063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/02/do-mar-da-memria.html' title='Do mar da memória...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R8IA1AEL0KI/AAAAAAAABEY/uYJNNavjXEQ/s72-c/mar+da+memoria.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5852732953991026869</id><published>2008-02-18T23:43:00.008Z</published><updated>2009-05-08T00:26:10.857+01:00</updated><title type='text'>De uma praia...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R7oYRQEL0II/AAAAAAAABEI/3VVeNR8pRR0/s1600-h/fui+e+vim+a+ver+o+mar.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5168470207010427010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="421" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R7oYRQEL0II/AAAAAAAABEI/3VVeNR8pRR0/s400/fui+e+vim+a+ver+o+mar.JPG" width="322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Caminhei na beirada do mar à tua procura&lt;br /&gt;Já não estás&lt;br /&gt;A praia vazia&lt;br /&gt;Só o mar ali&lt;br /&gt;Mais eu&lt;br /&gt;Que regresso triste...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;João marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2008&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5852732953991026869?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5852732953991026869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5852732953991026869&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5852732953991026869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5852732953991026869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/02/de-uma-praia.html' title='De uma praia...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R7oYRQEL0II/AAAAAAAABEI/3VVeNR8pRR0/s72-c/fui+e+vim+a+ver+o+mar.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8594720942839180429</id><published>2008-02-14T23:52:00.007Z</published><updated>2011-01-28T23:54:51.683Z</updated><title type='text'>És hoje...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R7TUSgELz1I/AAAAAAAABBw/SDqb1vD2zyw/s1600-h/mar.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166988086811021138" style="DISPLAY: block; 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MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R6B4a2GYyeI/AAAAAAAAA_0/4-zVV_CCHHs/s400/HPIM4736.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já não te amo.&lt;br /&gt;Sinto só a falta que me fazes todos os dias em que escrevo só, aqui neste pedaço do mundo tão estranho.&lt;br /&gt;A maioria das vezes caminho por esta cidade que eu quis nossa, sozinho.&lt;br /&gt;E sou um estranho de visita tão breve como breve é o desejo ou o arfar do peito.&lt;br /&gt;Caminho a bordejar o Douro. Sempre o Douro. O nosso rio, e já não reconheço os lugares, as pedras da calçada, as pedras do molhe na Cantareira. A Foz. Nada! Já não me reconheço na névoa que me embacia o olhar.&lt;br /&gt;Paro a descansar. A reunir as emoções em forma de palavras frias. A registar o momento tão breve de nós que nunca fomos. Preciso de te registar em palavras. A forma desumana e possível. O amor-perfeito no passado e no futuro mais que perfeito, imperfeito na essência por não ser realizável.&lt;br /&gt;Caminho, os olhos desertos não vêem a luz do sol a espraiar-se nas águas do Douro, o eléctrico que passa amarelo, velho, a reluzir nos trilhos em aço coçados. O guarda-freio antigo de chapéu e fato azul-escuro, afável, e calmo, com todo o tempo que dura a viagem breve demais para que se possa sonhar o tempo.&lt;br /&gt;Já não te amo. Já não quero sonhar que te amo. Já não quero imaginar que te amo. Já não!&lt;br /&gt;O eléctrico tão antigo e tão terno a tilintar em cada paragem. Os trilhos a abraçarem o Douro de mãos dadas. Olho quando passa, e fica-me cá dentro a pintura do eléctrico amarelo e os rostos voltados para dentro de si, fechados. Eu olho, mas não vejo no coração das pessoas, e fico aflito se serei humano, ou um autómato inventado por mente alucinada aqui, nesta cidade tua que eu queria nossa e não consigo.&lt;br /&gt;Caminho&lt;br /&gt;A vida é um jogo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;João marinheiro 2008&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2006&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5576286636758796638?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5576286636758796638/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5576286636758796638&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5576286636758796638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5576286636758796638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/01/iii.html' title='III..'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R6B4a2GYyeI/AAAAAAAAA_0/4-zVV_CCHHs/s72-c/HPIM4736.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-3837113695919403047</id><published>2008-01-19T01:15:00.003Z</published><updated>2009-05-17T23:15:37.329+01:00</updated><title type='text'>Volto sempre.</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R5FSzNzrdPI/AAAAAAAAA74/dYgKeeh09mE/s1600-h/moinho+leÃ§a+da+palmeira,+boa+nova.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156994088149153010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R5FSzNzrdPI/AAAAAAAAA74/dYgKeeh09mE/s400/moinho+le%C3%A7a+da+palmeira,+boa+nova.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;Disse,&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Voltei .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Disseste,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Gosto quando voltas .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Retorqui,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Volto sempre!&lt;br /&gt;Na maioria, do lugar só já resta uma memória.&lt;br /&gt;Acho que tudo será um deslumbramento, &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;um brilho que se acaba de ambos os lados da luz.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro Janeiro 2008&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto de Barcoantigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-3837113695919403047?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/3837113695919403047/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=3837113695919403047&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3837113695919403047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/3837113695919403047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/01/volto-sempre.html' title='Volto sempre.'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R5FSzNzrdPI/AAAAAAAAA74/dYgKeeh09mE/s72-c/moinho+le%C3%A7a+da+palmeira,+boa+nova.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1458994898471975577</id><published>2008-01-11T22:57:00.002Z</published><updated>2009-05-05T21:24:59.204+01:00</updated><title type='text'>o velho búzio...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R4f0fmVjegI/AAAAAAAAA4Y/zIh9JDQj5xk/s1600-h/Buzio+em+Ferrol.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154357122252896770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R4f0fmVjegI/AAAAAAAAA4Y/zIh9JDQj5xk/s400/Buzio+em+Ferrol.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No velho búzio escuto o murmúrio do mar&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;a linguagem secreta que só os marinheiros sabem. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;No velho búzio anuncio a chegada a terra&lt;br /&gt;O alerta perdido na névoa. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;O velho búzio…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2008&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1458994898471975577?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1458994898471975577/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1458994898471975577&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1458994898471975577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1458994898471975577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/01/o-velho-bzio.html' title='o velho búzio...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R4f0fmVjegI/AAAAAAAAA4Y/zIh9JDQj5xk/s72-c/Buzio+em+Ferrol.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5192359439976833679</id><published>2008-01-09T12:41:00.002Z</published><updated>2010-04-21T23:45:57.973+01:00</updated><title type='text'>E essa lentidão é ora suave ora desesperante…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R4TCpWVjeeI/AAAAAAAAA4I/PGN4nphI0HQ/s1600-h/34.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153457889245100514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R4TCpWVjeeI/AAAAAAAAA4I/PGN4nphI0HQ/s400/34.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;...Na realidade é mesmo assim que começo esta carta, porque é nas minhas andanças na estrada que mais me lembro de ti, estranho não é. Funciono assim, concentrado na condução como um autómato e o pensamento longe, e o pensamento vai até ti, e confesso, não sei quem és ainda. Lentamente descubro&lt;/strong&gt;.&lt;strong&gt;E essa lentidão é ora suave ora desesperante…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Cartas 2006, Excerto&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo,2007&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5192359439976833679?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5192359439976833679/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5192359439976833679&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5192359439976833679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5192359439976833679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/01/e-essa-lentido-ora-suave-ora.html' title='E essa lentidão é ora suave ora desesperante…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R4TCpWVjeeI/AAAAAAAAA4I/PGN4nphI0HQ/s72-c/34.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-7054477652839984052</id><published>2008-01-01T22:46:00.002Z</published><updated>2009-05-17T23:09:05.115+01:00</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>O longe não é estar ausente&lt;br /&gt;mas sim o sentir saudade&lt;br /&gt;de não poder estar presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro Leça da Palmeira Novembro de 1982&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-7054477652839984052?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/7054477652839984052/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=7054477652839984052&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7054477652839984052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7054477652839984052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2008/01/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-8017208713185185829</id><published>2007-12-20T01:32:00.002Z</published><updated>2009-05-05T21:25:20.274+01:00</updated><title type='text'>V carta...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R2nHWbWgE3I/AAAAAAAAAys/uyNCebkfwY8/s1600-h/mar+de+CarreÃ§o.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145863237360685938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R2nHWbWgE3I/AAAAAAAAAys/uyNCebkfwY8/s400/mar+de+Carre%C3%A7o.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Estou desesperado. Demasiado velho já. tremem-me as mãos, a vista está enevoada. Definho. Espero por ti. Tantos anos. Desisto de te amar. Só o mar me consola sempre, só ele foi fiel, e esteve sempre aqui, meu confidente e companheiro de lágrimas. Só ele porque é salgado e eu por vergonha só no mar chorava por ti para confundir as lágrimas no sal.&lt;br /&gt;Corri mundo. Atravessei oceanos, conheci terras e gentes. Mulheres. Procurei-te tantas vezes. Já não sei de ti. Não faz mal, acabou. Estou desorientado. O nevoeiro sufoca-me, faz-me lembrar quando andava na Terra Nova a fazer pela vida. Nevoeiro intenso e perigoso. Húmido pegajoso. Espesso. Não sei de ti. Já não sei de ti. O coração está cansado de te amar assim em silêncio. Em segredo. Desesperado o coração. Definha. Morre. Só o sangue é ainda rubro de paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tenho tempo. Perco-me a pensar enquanto aproveito o pouco de sol que espreita nas nuvens e me aquece. É triste ser velho, estar só abandonado. Não tenho família. Qualquer dia é outra vez natal. Já não sei mas deve ser, a luz nas ruas não engana. Agora tenho tempo. Faz tantos anos que não recebo um presente. Faz tantos anos que não dou um presente. Aqui onde estou agora a viver já tudo anda numa correria, mas eu sou um mundo à parte. Trago comigo o cheiro a salitre, a porão de navio velho, a minha pele é escura, negra, queimada do ar do mar e do sol. Sou um estranho!&lt;br /&gt;Tu não sabes que tenho aqui no meu pequeno quarto uma janela onde vejo mundo, e o mundo para mim é o mar que vejo da minha janela. Já não tenho família, já ninguém me visita e eu mato o tempo em mim a olhar as ondas cadenciadas e certas a morrerem na praia. A praia é um pedaço de areia que avisto da minha janela. Tinha-te dito que precisava de ir para um sítio onde não adormecer só, aqui durmo só mas existe sempre alguém que vigia a noite. Na minha casa pequena não. Gostava de poder dizer a nossa casa pequena, mas não é, não foi, Era a minha casa onde vinhas por vezes mas é a tua casa se voltares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui deste pedaço de praia imagino-te. Procurei uma casa, um lar perto do mar, demorou, tive de vir para longe porque só longe encontrei um quarto com janela e mar e um pedaço de mundo meu que contemplo enquanto te escrevo outra carta. Esta será qual? Que numero lhe dou? Quantas cartas já te escrevi eu? Não faz mal, tenho sempre alguma coisa a dizer-te, a segredar-te ao ouvido, a imaginar-te. Às vezes não sei de que forma te posso imaginar mais, porque já te imaginei de todas as possíveis, e em todas, cada vez és mais tu. O meu amor. Achas isto possível? Eu acho que deve ser da minha idade avançada, que devo estar a ficar senil também. Velho rezingão a dar trabalho, e eu não quero dar trabalho a ninguém, prefiro fechar os olhos de uma vez, e ir embora. Por isso cada carta que te escrevo é sempre uma carta de despedida, como se fossem as ultimas palavras a ti. Se um dia leres alguma das cartas que te escrevo, algum dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui desta praia rectangular sem cortinas imagino-te. Mas já não vou até à areia contigo, caminhar na beirada da água, as minhas pernas já não aguentam. Lembras-te? Já não lembras. Não lembras que eu existo ainda. Não faz mal. Já nada faz mal, porque o mal está feito e não tem remédio. Envelheci, é isso, e agora estou para aqui entretido, a olhar o mundo da minha janela e a pensar em ti e a escrever para me distrair de ti. Para me distrair de ti. Como se isso fosse possível.&lt;br /&gt;Amei-te. Amei-te como amo o mar. Intensamente. Um amor fiel e puro, feito de sacrifícios, de lutas diárias. Só o amor puro fica para sempre. Nós não. Tenho medo de continuar a amar-te para lá da morte.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Queria deixar-te um poema e já não sei imaginar um poema para ti, que seja belo. Digno de ti. Ficam as palavras estas tentativas de poema que não são:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;...Sento-me frente ao mar&lt;br /&gt;E tudo faz sentido…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro, Dezembro 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Barcoantigo 2006&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-8017208713185185829?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/8017208713185185829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=8017208713185185829&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8017208713185185829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/8017208713185185829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/12/v-carta.html' title='V carta...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R2nHWbWgE3I/AAAAAAAAAys/uyNCebkfwY8/s72-c/mar+de+Carre%C3%A7o.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4210260895789427239</id><published>2007-12-13T00:02:00.002Z</published><updated>2009-07-22T23:55:59.425+01:00</updated><title type='text'>A falta que me fazes...</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R2B4SXEuaBI/AAAAAAAAAxc/xIpX419Z0Kc/s1600-h/chÃ¡.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143243031283918866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R2B4SXEuaBI/AAAAAAAAAxc/xIpX419Z0Kc/s400/ch%C3%A1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Está um frio imenso e dói-me a cabeça e o corpo e eu continuo aqui na velha sala minúscula que me parece demasiado grande sem ti e está frio cá dentro e lá fora e eu neste domingo em que me apeteciam as tuas mão nas minhas tão cansadas a tua voz na minha voz tão rouca de te falar baixinho ao ouvido as tuas palavras nos meus ouvidos tão exaustos os teus olhos nos meus olhos tão secos dos ventos e das maresias salgadas fico aqui a alimentar-me de saudades e destas pequenas bolachas salpicadas de chocolate porque eu sei que gostavas de comer chocolate e assim em cada uma é como se aqui estivesses tu a comer e agora já não sei e penso nisso enquanto bebo um chá porque está frio e me apetece esperar pela noite aqui a olhar a porta a imaginar que chegas vestida de mãe natal e vens ajudar-me a fazer a arvore minúscula como no ultimo natal que passamos juntos os dois enquanto o amor existia em nós e a estrela polar que continua no mesmo sitio nos indicava o norte e o caminho de casa e éramos felizes e agora só sou meio feliz porque te penso feliz lá para além das estrelas todas que ainda vejo nas noites que passo sem sono em claro a ver se cai uma cadente a quem possa pedir um desejo pequeno possível de realizar porque só os pequenos desejos se podem realizar eu sei porque todos os outros são sonhos e os sonhos são desejos impossíveis e eu enquanto bebo a ultima chávena de chá no mesmo serviço velho que é o único que conservo penso em ti e em mim e dói-me a cabeça e está frio e sinto a falta que me fazes…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro Dezembro 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4210260895789427239?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4210260895789427239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4210260895789427239&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4210260895789427239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4210260895789427239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/12/falta-que-me-fazes.html' title='A falta que me fazes...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R2B4SXEuaBI/AAAAAAAAAxc/xIpX419Z0Kc/s72-c/ch%C3%A1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5342907963890339736</id><published>2007-12-08T16:59:00.002Z</published><updated>2011-01-28T23:47:06.384Z</updated><title type='text'>Encruzilhadas...</title><content type='html'>Respondendo ao desafio lançado aqui está o resultado árduo de juntar as palavras...Com todos os imprevistos acontecidos estes dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5141962817497098210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="426" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R1vr8HEuZ-I/AAAAAAAAAxE/p2dKCXKt84w/s400/Daniel+camacho.jpg" width="300" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/10/s-tu.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Só tu&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Só tu me fazes escrever-te vezes e vezes e vezes sem conta as mesmas palavras repetidas até à exaustão dos sentidos. À exaustão dos dias. À exaustão do amor que te tenho ainda, guardado no coração ferido. Sim tenho um coração ferido, com cicatrizes que sangram de tempos a tempos como um vulcão adormecido, que hiberna, que finge.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/10/da-ultima-vez.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Da última vez&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; que te escrevi foi uma carta de despedida, ou uma carta ridícula, ou nem sei já. Ando confuso e velho, demasiado velho para te amar, porque na minha cabeça ainda és a minha miúda sem tempo presente, só passado e conservo-te da mesma forma como te recordo quando foste embora. Tenho medo que o meu amor por ti seja um amor mumificado no tempo, que seja uma espécie de &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/10/sobrevivncia.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;sobrevivência&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; do sentir, algo de petrificado em mim que me entope as artérias e calcifica o sentir, não sei. Sobrevivo à &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/11/extino.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;extinção&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; pura e simples e inglória. Só a memoria perdura no tempo, só a memoria perdura para a eternidade. Para lá das palavras, para lá das cartas escritas, para lá de ti e de mim. Só a memoria é em ultima analise a sobrevivência de nós. A sobrevivência do amor que eu já não consigo dizer em palavras, que eu já não consigo demonstrar em gestos, que eu já não consigo dizer nos actos. Que eu, é verdade, já não consigo sonhar. O meu sonho de ti é uma amálgama confusa de rostos e de cores e de brumas. &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/10/invento-um-mundo-sem-tamanho-ou-margens.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Invento um mundo sem tamanho ou margens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; para te ter, uma invenção cada dia mais e mais e mais difícil de inventar com nitidez com a clarividência dos dias claros. A minha vista tolda-se de um negro que me parece um luto, e tenho medo de cegar lentamente, de deixar de te ver mesmo assim desta forma insuficiente. Peço que me perdoes a falha física mas sou humano, com todos os erros que cometo. O corpo envelhece, consequência dos dias. Perdoa-me. Nos últimos tempos só sei pedir-te perdão. Nunca sei se efectivamente me perdoas a falta cometida.&lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/10/haja-o-que-houver.html"&gt; &lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Haja o que houver&lt;/span&gt; &lt;/a&gt;serás sempre o meu amor. Livre, completamente livre. Só assim eu te posso ter como uma andorinha, livre, em branco e negro as cores das tuas vestes. As cores das tuas asas, que me parecem braços, os teus braços dos quais tenho uma saudade imensa. Que me rodeavam o peito. Que me abraçavam, me protegiam do frio nas noites de Inverno. Estas noites de agora são noites de Inverno de novo, um Inverno que chega com nevoeiro e frio e chuva miudinha, e eu lembro-me do teu abraço e do meu abraço a ti, do felizes que éramos nesse tempo cúmplice em nós. Até as gaivotas na praia se riam das nossas brincadeiras de crianças grandes na beira-mar. Quando posso e o corpo me leva vou até à beira mar recordar-me de ti.&lt;br /&gt;Às vezes os velhos companheiros dos barcos lembram-se de mim, e convidam-me para ir longe a falar de barcos e de memórias. Vou. Gosto de contar historias. Faz-me bem recuar no tempo, ao tempo de menino ao serão nas noites de Inverno de roda da lareira e da masseira e da saia da bisavó e da avó e de andar com o avó a preparar a lenha para acender o forno para cozer o pão de milho que a moleira trouxe na quinta feira pela tardinha montada numa mula castanha dócil, a quem eu fazia festas no pescoço enquanto ela, com os seus enormes olhos me fitava serena, e escutava com as enormes orelhas de burra, as minhas perguntas sem resposta. Depois ia embora rumo a Rio de Moinhos, rumo a Outeiro. Nesse tempo o tempo tinha outro valor, era mais intenso, acho que mais verdadeiro. Este de agora é demasiado rápido supérfluo, artificial, falso. É isso! – Um tempo falso este de agora.&lt;br /&gt;Faz tempo. O nosso tempo verdadeiro escrevi-te uma carta. &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/11/segunda-carta-tiou-no-sei.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Segunda carta a ti&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;.&lt;/span&gt; Começava assim: …&lt;em&gt;Tenho tantas saudades tuas. E cada dia que passa é mais um a juntar ao sonho…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É verdade. Tenho tantas saudades tuas. Demasiadas saudades que me prendem, me enredam como os peixes emalhados numa rede tecida de fios de algodão invisíveis. Tanta saudade que dói. Até quando? Até quando eu vou conseguir amar a tua memória só. Porque já só amo a tua memória breve. Tão breve. Tão breve.&lt;br /&gt;No tempo que estive fora. Sem ver o oceano atlântico. Sem te ver nas ondas de espuma branca, sem te sentir no cheiro da maresia, andei aflito. Quis dar-te noticias minhas, não fosse tu regressares e andares a passear na beira mar e eu não estar na nossa praia do cabo do mundo à tua espera, e te sentires só e pensares que eu te esqueci e te troquei por outra. Confesso que às vezes o tento fazer, o faço num momento breve. Mas não resulta, não são perfeitas como tu. Não encaixam no meu coração como o teu encaixa. Porque o teu foi feito à medida do meu, em peça única. Sem substituição possível. Agora já sabes que és insubstituível. Que o meu amor é PARA SEMPRE.&lt;br /&gt;Escrevi-te pela madrugada a passar o tempo a matar o tempo da única forma possível, pensando em ti. Foram noites longas de insónia e de desejo teu, do teu corpo. Do teu amor. Dos teus beijos e carícias. Da tua pele na minha pele. Desejo de sexo contigo. É isso, sexo louco contigo. Perdoa o meu pensamento assim desta forma a dizer sexo ao amor que fazíamos, mas por vezes nem sei se te deveria ter amado com este amor todo que me ficou entranhado na pele e sinto nas mãos, ainda, a latejarem no desejo de te tocar, ou te deveria ter amado de outra forma indolor – só sexo! Os dois de olhos fechados, estranhos, sem marcas no tempo. As marcas no coração que se ressente hoje de novo.&lt;br /&gt;Tenho medo. Medo de ter que o substituir e te perder definitivamente. Medo de ter que usar um coração diferente, que não encaixe na memória do teu, e acorde diferente, estranho, sem memória, desmemoriado de ti e de mim. E não te reconheça, nem os lugares da memória, nem os lugares onde fiz a peregrinação de ti estes anos todos. Prefiro que doa. Que me faça doer o peito, me faça ficar aflito, sufocado, sem ar. Me faça desfalecer cada vez mais. Mas não o troco. – É teu!&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Agora já sabes porque te escrevo. Agora já sabes o porquê das minhas cartas cada vez mais longas e longas e inúteis. Agora já sabes porque deixei de escrever poemas. E te escrevo cartas. Porque o tempo urge. Porque o tempo escasseia. O meu tempo para te amar aqui ainda. Porque te irei amar na eternidade quando o mar me levar para adormecer definitivamente nos seus braços. Peço-te que nunca, mas nunca, tenhas ciúmes, porque eu não tenho e o mar completa-me contigo e fecha o círculo da minha vida aqui. Agora já sabes. Estou velho, se um dia passares por mim e eu não te reconheça, passa devagar para me dares tempo a reconhecer-te ou então não passes nunca. E fica o silêncio, foi assim que terminei a minha &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/11/terceira-carta-ti.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;terceira carta a ti&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. …&lt;em&gt;Impera o silêncio a estremecer o corpo por dentro&lt;/em&gt;...Este silencio em nós tão louco e disforme e sem sentido. Já nada faz sentido neste Dezembro, neste dia 8 feriado que era o dia da mãe no meu tempo de menino e agora não porque o trocaram também. E agora porque o escrevi, recordo a mãe, e os olhos humedecem com uma névoa salgada. Ficam os restos do amor e a solidão. Só ela e o silêncio aqui na pequena sala onde te escrevo sôfrego do que te queria dizer e não consigo, porque as palavras não falam a expressão do rosto, o brilho dos olhos, a entoação da voz, as palavras não são nada de nada, só os caracteres, o código possível da nossa existência breve. O registo futuro para memória futura, o testemunho de acusação ou de absolvição, as provas, o material de trabalho para os juízes inquiridores me julgarem pelos pecados cometidos, as palavras omissas, os gestos reprimidos. O amor trocado no corpo de outras mulheres a ver se te esquecia, ou, em desespero, o coração delas se assemelhava ao teu e encaixava no meu, mesmo com arestas vivas a ferirem a pele por dentro, mesmo assim. Tenho frio, precisava que cuidasses de mim agora, me desses uns mimos, espécie de mãe a quem não é preciso pedir porque dá do coração, sempre, disponível e atenta. Espécie de mãe…que não és, nunca foste. Não poderias ter sido. Só eu inconscientemente procurei em ti as qualidades dela, só isso. Inconscientemente.&lt;br /&gt;Ando louco, sem paciência para o mundo que gira demasiado veloz a destruir o sentir. Demasiado ruidoso demasiado ruidoso, e eu preciso do silêncio para conversar contigo, para te escrever as palavras que já não escutas da minha voz sem som, amordaçada pela ausência. Porque nunca mais me deste uma noticia tua? Será que morreste e eu não o senti? Sei que não que vives algures por ai e que és feliz, quero crer que sim que és feliz algures. Para triste basto eu aqui a definhar só. Era esse o motivo da minha última, quem sabe definitivamente ultima carta, dizer-te que já não consigo estar só, que vou procurar um lar, um asilo onde me acolham como náufrago dos barcos e da memória e do amor teu. Que vou deixar a nossa rua em paralelo torta, a casa, tudo. Levo a tua foto amarelecida e desmaiada do tempo. Já não consigo ver a cor dos teus olhos lá nem o brilho nem a cor do teu vestido, nada. Só me emociono sempre que paro a olhar a parede onde habitas. Não sabes mas nessa parede só tu habitas, como uma casa ampla. Recordo que me dizias gostar das paredes livres, as salas amplas com luz natural, as casas a respirarem. Nunca consegui satisfazer o teu desejo. Só a parede é grande e tua. Tudo o resto da casa é pequeno e velho e não tem luz natural e não respira, é um mundo secreto onde permanece o teu odor. Não te vou repetir nem descrever de novo a nossa sala. Deixei tudo como está também parado no tempo. Espécie de museu a minha casa, museu de ti. Agora já sabes o motivo da minha &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/11/quarta-carta.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;quarta carta a ti&lt;/span&gt;.&lt;/a&gt; Das minhas duvidas os meus receios os meus pensamentos.&lt;br /&gt;Vou procurar um sítio onde se escute o mar para morrer… &lt;a href="http://memoriasvirtuais.blogspot.com/2007/10/venho-hoje-despedir-me-de-ti-trouxe-um.html"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Venho hoje despedir-me de ti.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Termino esta carta. Outra carta à laia de desafio desta vez com algumas palavras de um livro que alguém. Amiga, muito amiga me ofereceu, e que fala também ele o diário de um velho marinheiro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;...Desespero por nem conseguir imaginar a forma como me olhavas!&lt;br /&gt;Roubaram-me os sentidos e a memória.&lt;br /&gt;Estou vencido.&lt;br /&gt;No meio de uma sala ou no meio do oceano?&lt;br /&gt;Que importa?&lt;br /&gt;Abandono-me.&lt;br /&gt;Os brandais da vida partem-se e o corpo oscila solto como um mastro tremulo quando os brandais cedem.&lt;br /&gt;Resta deixar-me cair na espuma que me rodeia.&lt;br /&gt;Estarei já morto?&lt;br /&gt;E que diferença faz o tempo nestas condições?&lt;br /&gt;Estou cansado…muito cansado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vêem-lhe a palidez?&lt;br /&gt;Devolvam-lhe a memória ou deixem-no em paz&lt;br /&gt;Morto, se possível. E lancem-no ao mar… *&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;* Jayme velho, Quando os brandais cedem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro, 8 de Dezembro de 2007 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5342907963890339736?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5342907963890339736/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5342907963890339736&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5342907963890339736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5342907963890339736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/12/encruzilhadas.html' title='Encruzilhadas...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R1vr8HEuZ-I/AAAAAAAAAxE/p2dKCXKt84w/s72-c/Daniel+camacho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5335265940618110423</id><published>2007-12-05T12:59:00.002Z</published><updated>2011-01-28T23:55:19.043Z</updated><title type='text'>Computador....</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R1ahLqS3YTI/AAAAAAAAAuI/BQgIxyx40ew/s1600-h/ooo1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140473246394048818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 310px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" height="136" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R1ahLqS3YTI/AAAAAAAAAuI/BQgIxyx40ew/s400/ooo1.jpg" width="186" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esta recebi por mail e não resisti a partilhar aqui neste dia de chuva e nevoa...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;SÓCRATES COMPRA UM COMPUTADOR E... TELEFONA VÁRIAS VEZES AO MARIANO GAGO PARA O AJUDAR A USÁ-LO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Mariano? É o Zé Sócrates. Oh, pá, ajuda-me aqui. Comprei um computador, mas não consigo entrar na Internet! Estará fechada? Aquilo fecha a que horas?&lt;br /&gt;* Zé, meteste a password?&lt;br /&gt;* Sim! Quer dizer, copiei a do Freitas&lt;br /&gt;* E não entra?&lt;br /&gt;* Não, pá!&lt;br /&gt;* Hmmm....deixa-me ver... qual é a password dele?&lt;br /&gt;* Cinco estrelinhas...&lt;br /&gt;* Oh, Zé!...Fo...-seeeeee....Bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te. E o resto, funciona?&lt;br /&gt;* Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: "Cannot find printer"! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo em frente ao monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!&lt;br /&gt;* Fooo .... -seee....Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão. Sócrates desliga o telefone. Passados alguns minutos torna a ligar.&lt;br /&gt;*Mariano, já posso dar a ordem de impressão?&lt;br /&gt;* Olha lá, porque é que desligaste o telefone?&lt;br /&gt;* Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?&lt;br /&gt;* Fooo .... -seee...Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta. Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?&lt;br /&gt;* Oh, Zé...Fooo....Eh, pá! esquece....Vamos fazer assim: clica no "Start" depois...&lt;br /&gt;* Mais devagar, mais devagar, pá! Não sou o Bill Gates...&lt;br /&gt;*Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí...Olha lá, e já tentaste enviar um mail?&lt;br /&gt;*Eu bem queria, pá! mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do "a".&lt;br /&gt;* O circulozinho...pois.... Bom...vamos voltar a tentar aquilo a impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas.&lt;br /&gt;* ok, espera aí...&lt;br /&gt;* Zé?...estás aí?&lt;br /&gt;* Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?&lt;br /&gt;* Foo....Senta-te, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito? *&lt;br /&gt;* Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...&lt;br /&gt;*Zé, olha para a porra do monitor e vê se me consegues ao menos dizer isto: o que é que diz na parte debaixo do écran?&lt;br /&gt;* Samsung.&lt;br /&gt;* ...&lt;br /&gt;* Mariano?... Mariano?...Desligou...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5335265940618110423?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5335265940618110423/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5335265940618110423&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5335265940618110423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5335265940618110423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/12/computador.html' title='Computador....'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/R1ahLqS3YTI/AAAAAAAAAuI/BQgIxyx40ew/s72-c/ooo1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-5829147505335517032</id><published>2007-11-18T02:18:00.002Z</published><updated>2009-05-08T00:27:28.731+01:00</updated><title type='text'>Quarta carta…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rz-ixCn31oI/AAAAAAAAAsw/Xe9tRwQ8i1k/s1600-h/letras.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5134001063627052674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rz-ixCn31oI/AAAAAAAAAsw/Xe9tRwQ8i1k/s400/letras.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já voltei a casa, aos dias longos de esperas aqui, sentado no beiral junto da estrada em paralelo que te afastou de mim. Espero. Os dias ainda tem sol por dentro e humidade fria ao entardecer. As horas agora mudaram, são horas de Inverno, por dentro e por fora do corpo. Queria ler um livro e não tenho vontade. Vivo numa espécie de apatia, como um peixe num aquário redondo, sinto-me redondo, não sei se a palavra descreve o que sou no momento. Contemplo as mãos, os dedos defeituosos já, as cicatrizes, as unhas roídas, esse é um vício de infância. (Disseram-me um dia que isso foi falta de afecto na infância, não sei, tive todo o afecto do mundo e algumas separações, nada de anormal). As mãos tremem, ressentem-se da artrite que avança em silêncio como a noite, aqui na rua frente à minha porta. Lá dentro tenho uma sala pequena, com uma televisão em silêncio, e uma parede com fotos amareladas, e uma mesa em madeira preta, e quatro cadeiras, e uma jarra sem flores, as últimas morreram secas. Acho, já não tenho a certeza. Às vezes não tenho a certeza de nada, nem de mim próprio, se existo, se não sou uma criação literária como se diz agora. Tenho também um rádio, velho como o tempo, a válvulas, com um olho mágico verde, que ilumina a noite na sala, quando eu, cansado, aquecido do dia ao sol me deixo ficar ali. No velho sofá onde me lias um livro. Prostrado. Os olhos fechados à espera. Ultimamente estou sempre à espera de algo. Não sei precisar, espero só, de olhos fechados. A rua é uma rua em silêncio. Velha. Estreita e escura, com gatos e alguns cães vadios como os meus pensamentos. São os cães que vigiam na noite a rua que eu gosto, é a minha rua, pequena, escura, mal iluminada, sem nome. Tenho também na sala minúscula, a um canto da parede da frente, um relógio velho com um cuco que já morreu faz muito tempo. Só dá as horas certas, timbradas, espécie de trovões, pancadas na parede que me estremecem o sono e me despertam por momentos, os momentos lúcidos onde me dou conta que o tempo que tenho, ainda se torna mais curto de hora a hora certa. Lembro-me quase sempre de um poema do Pessoa que li um dia, quando a vista era uma vista plena, e não esta de sombras, a enganar-me, a confundir-me, a deixar-me desesperado. Estou a cegar aos poucos também. O medo que tenho é de não conseguir reconhecer-te, nem de olhar o teu olhar, e já não me perder no mar, todo, nos teus olhos. Tenho medo de navegar em ti, que o oceano nos teus olhos seja um oceano seco já.&lt;br /&gt;Tenho medo. Volto ao poema do Pessoa, e já não sei dele, onde pára, em que sítio da minha cabeça o guardei. Dou-me conta que guardo as coisas e as emoções e as perco depois. O meu coração já não treme quando penso em ti, nem sinto frio nem calor, as minhas mãos já não suam, nem acelero o passo para mais depressa te encontrar. Dou-me conta que muitas coisas já não são como as imaginei, estes anos todos quando andava no mar a fazer pela vida. Dou-me conta que o mais importante era a minha vida contigo, e não foi, e agora já não tem remédio ou cura possível. E hoje que é mais um domingo estou aqui ao sol, calço as velhas meias de lã branca feitas à mão a aquecerem os pés, e as velhas alpergatas de pano, e a samarra puída nos cotovelos cinzenta, e aquela camisa de flanela ao xadrez castanha, e as calças de fazenda que me picavam quando eram novas, e agora já não porque como eu estão demasiado velhas. Ainda uso o mesmo relógio de dar corda todos os dias, só o mostrador amareleceu por dentro do sal do mar, e os números se tornaram ilegíveis, mas sei a posição dos ponteiros, e o tempo para mim já não tem o mesmo valor que tinha quando era novo, e andava ao mar a fazer pela vida, e o contava para chegar a ti o mais depressa possível. Cada minuto perdido era um minuto sem ti, e hoje já não conto minutos ou horas ou dias, porque os anos avançam sem mim.&lt;br /&gt;Na madrugada, quase sempre, escuto a rádio e as noticias que me trazem o mundo à sala. A maioria dos dias durmo aqui. Ainda conservo o velho serviço de chá com duas chávenas e o bule. Já não tem asa perdeu-a uma noite, assim também já não pode voar, sem asas não voa. Também já não bebo chá. Eras tu que me trazias as saquitas bonitas perfumadas com as infusões para saborearmos na noite, às vezes vinhas no pleno do verão beber um chá pela madrugada e ler um livro, deixaste ficar um ou dois que guardo, ainda tem as folhas marcadas, ainda tem as frases bonitas sublinhadas, aquelas que sentíamos e relíamos, gostavas de me ler em voz alta, como que a representar, sempre achei que andavas no teatro, nunca me disseste se sim, se não, rias só, e os teus olhos cresciam, tornavam-se estrelas cintilantes quando de livro na mão me lias e rodopiavas sobre o tapete vermelho. Perdia-me sempre no teu olhar. Tu eras toda a graça da sala, o recheio, a mobília, a decoração, o perfume, a luz. Eu o espectador atento, rendido à beleza, ao amor. Só dele soube mais tarde. Demasiado tarde. Comecei a pedir-te que me lesses uma e outra vez cada passagem. Assim admirava-te no esplendor dos teus trinta anos. Tiravas o casaco comprido que te escondia e revelavas-te. Tu em contra luz, os seios redondos a quererem saltar da blusa, o corpo perfeito, escultura de artista, e eu afundado no sofá, e o rádio a cantar baixinho na madrugada, e o chá a dizer que arrefecia com um fiozinho de aroma no bico do bule, e as pequenas bolachas salpicadas de amêndoa e açúcar. Tudo era perfeito. Só eu não. Deixaste de aparecer. Começaste por espaçar as vindas, e depois eu também parti novamente para o outro lado do mundo no navio velho. Quando regressei não te encontrei, mas fui à tua procura. Ainda hoje te procuro. Ainda hoje. E ainda hoje me perco aqui no medo. Inevitavelmente dirijo-te a palavra, um monólogo de louco alucinado que é o que sou, no que me estou a tornar, um velho louco e alucinado em tua busca. Tenho urgentemente de procurar um refúgio. Um daqueles sítios onde se depositam os velhos pra morrer, uma espécie de lar, de casa de loucos sem esperança, onde nos drogam para dormir. Mas tenho medo. De ter pesadelos, de acordar a meio da noite e não saber de mim, de não encontrar a minha sala pequena, não escutar as badaladas do relógio na parede, de não escutar os gatos na janela, os cães na rua vigilantes, a rua não existir.&lt;br /&gt;E depois tenho pavor que voltes e eu não esteja aqui em casa para te abrir a porta e te dar um abraço. É que podes voltar a qualquer momento. Espero. Sobretudo espero o momento. Às vezes também parto, mas são momentos breves de ida e vinda, quando vou, aproveito para te buscar pelas ruas, avenidas, pelas praias volto sempre de mãos vazias e um monte de sonhos guardados nos bolsos sem valor, só sentir.&lt;br /&gt;Fui e voltei.Voltei, de ter ido falar das memórias. Memorias com barcos. Da alma dos barcos. Do amor pelos barcos. Eu disse-te que ia ao outro lado da península e que aproveitava para te encontrar na cidade grande, não estavas. Nesse tempo pensei que pudesses ter regressado a casa, a chave está no mesmo sítio debaixo do tapete que diz bem-vindo em letras gastas, estava no mesmo lugar exacto, tu não vieste, e eu agora fecho os olhos aqui na sala, são duas e tal da madrugada e já gastei o lápis e as folhas todas onde te escrevo esta espécie de carta, chamemos-lhe assim, uma carta, mais uma a ti. Mas não é uma carta, são palavras na noite a fazerem-me companhia para me sentir lúcido e conservar a memória dos dias. Só isso. Tudo o mais é invenção. Invenção a matar o tempo. O tempo que já não temos. Ficam-me no pensamento palavras, uma espécie de voos, com gaivotas e maresias e ventos que me embalam entoadas que recordo de Eugénio ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;As gaivotas. Vão e vêm. Entram pela pupila.&lt;br /&gt;Devagar, também os barcos entram.&lt;br /&gt;Por fim o mar&lt;br /&gt;Não tardará a fadiga da alma&lt;br /&gt;De tanto olhar, tanto olhar.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;João 2007 &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-5829147505335517032?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/5829147505335517032/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=5829147505335517032&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5829147505335517032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/5829147505335517032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/11/quarta-carta.html' title='Quarta carta…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rz-ixCn31oI/AAAAAAAAAsw/Xe9tRwQ8i1k/s72-c/letras.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1534857725477959560</id><published>2007-11-10T22:03:00.002Z</published><updated>2009-05-05T21:22:16.649+01:00</updated><title type='text'>Terceira carta a ti…</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5132388622209666498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RznoQmQQTcI/AAAAAAAAAsg/BWyr9L09mY4/s400/barco.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Já faltam poucos dias para fazer o caminho de volta, atravessar outra vez a península, e depois, se tiver forças, vou avistar o mar atlântico na nossa praia. Preciso de me reencontrar outra vez. O mar aqui a esta distancia é tão diferente e sem o brilho. Preciso de ver o brilho do nosso mar no sol poente, no acejo da noite e ficar ali a imaginar as catraias barra fora rumo a norte em busca da sardinha prateada. Os reflexos nas ondas frias lembram-me o teu olhar como um farol na noite a iluminar-me. Deixo-me ficar até ser noite fechada, espero as estrelas, a polar que me saúda novamente no esplendor da sua cintilação. Aprendi, com o tempo, a amar a madrugada, o frio da noite, a humidade do mar, a névoa que se levanta traiçoeira, a luz das estrelas, o nascer do sol a leste de mim. Mas é o brilho do teu olhar que recordo, que guia o pequeno barco onde vou ao leme, como um mestre à moda antiga, porque eu depois de o ver uma última vez já posso matar a saudade… morrer neste mar tão cheio de mágoas e de partidas.&lt;br /&gt;Somos assim, pessoas sempre em partidas uns dos outros, inevitavelmente, e eu sinto-me sempre uma espécie de ser raro, a água de um rio represado a querer saltar e sair rompendo margens e barragens até á foz. Estranho. Deslocado aqui nesta cidade grande, e os conhecidos dos barcos de tempos antigos, são breves, porque são de mundos diferentes, de tempos diferentes, só os barcos nos unem verdadeiramente quando desfraldamos as velas e vamos no correr do vento contra a corrente ou ao correr da vaga, ai sim, somos todos iguais, homens, marinheiros, humanos no sentir, e quando regressamos, trazemos a felicidade no rosto. Os barcos têm uma alma própria pela qual nos enamoramos de forma avassaladora. Às vezes penso que tinhas ciúmes do meu amor pelos barcos, que te deixava, e ia ter com eles, assim uma espécie de amor secreto, uma amante em silêncio, que só precisava que dela se cuidasse com carinho para não sucumbir de vez. Os barcos não morrem. São como as pessoas, pertencem à família como mais um elemento, só morrem quando naufragam, quando o mar se revolta e se vinga da imprudência dos homens, só morrem quando não restar a ultima tábua com serventia. Nessas alturas, quando alquebrados pela espinha, de quilha partida, abandonados, tem morte inglória e terminam em labaredas muitas vezes, a alimentar a fogueira dos homens nas noites de São João e São Pedro. Recordo, quando era rapaz, de fazermos uma grande fogueira na rua e à vez, todos rapazes da rua e os das vizinhança saltarmos a fogueira, e depois irmos rua em rua aos gritos e correrias a saltar as fogueiras do São João, queríamos lá saber dos barcos que ardiam debaixo dos nossos saltos de gigantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não tinha tema de conversa para te falar, já me rareiam as palavras, me falha a memória das conversas que tivemos. Tenho medo de me tornar monótono, demasiado repetitivo, de te estar sempre a falar as mesmas coisas, uma e outra vez. A verdade é que já não me lembro, eu sei que só consigo falar de barcos, mas correm-me no sangue como espécie de glóbulos vermelhos, e sem eles não sou nada. Não vivo, sobrevivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não aprendi as falas do mundo, estas falas modernas, estranhas, frias, rápidas. O mundo a correr.&lt;br /&gt;O que eu gosto mesmo é de estar sentado à roda de uma mesa na velha taberna com os companheiros a recordar. Dou-me conta que, cada vez somos menos. Já rareamos também, e as mesas vão ficando vagas, as cadeiras vazias, a sala em silêncio. As prateleiras esvaziadas das garrafas de aguardente e anis e ginja e licores que íamos bebendo nos dias frios pela manhã. Os copos alinhados meios velhos, as canecas secas escanadas, algumas sem asa, irremediavelmente feridas, sem poderem voar para as mesas, demasiado pó. As pipas de tinto e branco a deixarem cair os restos do vinho em gotejos nas torneiras de madeira gastas. Vejo também algumas aranhas recolhidas a um canto das teias que me parecem redes que já não pescam. As aranhas são pacientes contentam-se com pouco, sobretudo esperam…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impera o silêncio a estremecer por dentro o corpo. O silêncio também assusta. Não te dás conta do vazio que fica em nós.&lt;br /&gt;O silêncio.&lt;br /&gt;Assusta-me já a ideia de falar, de escrever.&lt;br /&gt;Dou conta que repito e repito as palavras. Mas se já não me escutas, se não lês o que escrevo mesmo a repetir-me, que me resta então senão o silêncio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;João, Barcelona 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Barcoantigo 2005&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1534857725477959560?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1534857725477959560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1534857725477959560&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1534857725477959560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1534857725477959560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/11/terceira-carta-ti.html' title='Terceira carta a ti…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RznoQmQQTcI/AAAAAAAAAsg/BWyr9L09mY4/s72-c/barco.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4391359388037635083</id><published>2007-11-08T01:21:00.002Z</published><updated>2009-05-08T00:25:10.521+01:00</updated><title type='text'>Segunda carta a ti…Ou não sei...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RzJsXGQQTWI/AAAAAAAAArw/_A325y3G220/s1600-h/100_3212.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130282069599997282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RzJsXGQQTWI/AAAAAAAAArw/_A325y3G220/s400/100_3212.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho tantas saudades tuas&lt;br /&gt;E cada dia que passa é mais um a juntar ao sonho.&lt;br /&gt;Estou aqui, altas horas da noite em vigília, como sempre faço, quando tenho saudades e o sono não chega, e o corpo demasiado desperto do desejo teu. Olho o telefone e afasto a vontade de te ligar. Nunca atendes e eu já não sei se o número que guardo religiosamente é o teu ou ainda existe fora da minha agenda telefónica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma cidade grande, estranha nos primeiros dias, e eu tenho dificuldade em a compreender, e compreender a correria a que vive esta cidade. Esta noite é uma noite cheia de irlandeses bêbados, seguidores do Glasgow Rangers, amanhã há jogo com o Barça, e eles acompanham o clube, chegaram mais de 20.000 de avião. Sequiosos, ruidosos, libertos. O futebol tem destas coisas. Pena que eu não goste de futebol e goste de barcos. Velhos, antigos, abandonados. Sem multidões, sem espectáculo. Cheguei, faz pouco ao hotel. Fui andar a caminhar nas Ramblas, desisti do passeio e de me afastar de copos vazios e de latas de cerveja abandonadas e de gritos que mais parecem brados de guerra, de guerreiros vestidos de azul e pele branca e demasiado gordos a cheirarem a cerveja. Fico a pensar até onde vamos ter de chegar. Afasto o pensamento, estas reflexões enquanto caminho distraem-me de poder ver, poder olhar. Alheio-me também do cheiro intenso a batatas fritas e hambúrgueres, e das miúdas latino americanas que me dão o braço a convidar a uma noite de sexo fácil e rápido. Indolor, digo eu. Não sei se a vida é um negócio demasiado breve?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço ao metro, movimento-me nas entranhas da cidade demasiado apressada, aqui tudo é organizado, é fácil perceber como funciona. As pessoas correm, algumas sobem de dois em dois os degraus das escadas rolantes, sempre a correr, os minutos contados. O dia não deveria ter só vinte e quatro horas, porque decididamente não chegam. Aqui, no metro, enquanto ele rápido e frio avança estação a estação, eu olho as paredes do túnel, demasiado negras, escuras. Fora das estações tudo é negro. Não sei porque pintam assim as entranhas da cidade. Sentado junto a uma janela que é negra, olho as pessoas à minha volta. As pessoas não. Alheias á cor das paredes, são de todas as raças, e cores e sorrisos. Escutam música nos ouvidos, compacta, em formato mp3, falam ao telemóvel línguas estranhas, outras dormem, o sono que lhes foge na noite. Conversam. Os grupos de jovens com os seus risos contagiam, multiplicam-se os sorrires nos rostos diferentes. Eu observo maravilhado, e às vezes, dou por mim a olhar o rosto de uma mulher que por qualquer motivo me leva a ti. Imagino-te ao meu lado, sentada, enquanto o metro avança de encontro à próxima estação. O pensamento é demasiado breve, dois, três, quatro minutos no máximo, só o tempo da mulher que eu olhava e me fazia recordar de ti sair na estação desejada. Pestanejo. Acordo. Saio porta fora sem olhar para trás. Fico com o pensamento interrompido e sem querer, acho que é sem querer, começo de novo a procurar outra, onde possa pousar o olhar, a descansar a memória. Um retrato. Um rosto a imaginar que és tu. Sei que não és, que nunca és, descubro, passado que são, os breves momentos em que fixo os olhos e me lembro do teu rosto, por comparação com o rosto que vejo agora. A forma dos lábios não é igual, os teus são mais bonitos, a forma das sobrancelhas não são iguais, as tuas eram um risco a negro bonito, os brincos nas orelhas também não são iguais, tu usavas uns pequenos brincos discretos, e a tua pele brilhava de pura, e esta não, brilha do creme usado a disfarçar a idade penso eu.&lt;br /&gt;Dá por mim a mulher e sorri, e eu, descoberto, desvio o olhar. Invento-te, e são estas pequenas invenções da memória, forçada, na comparação com o rosto de outras mulheres, que me permitem saber de ti, em detalhes, que só eu sei e percebo.&lt;br /&gt;Desta vez, atravessei meia península para te inventar nesta cidade que fervilha de vida e de gente que sorri. Só não encontro o teu sorriso, porque já não me lembro dele. Podes perdoar-me um dia esta falta da minha memória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tenho tantas saudades tuas.&lt;br /&gt;E cada dia que passa é mais um em que te invento cada vez menos. E depois ando na rua a olhar as pessoas, mas é como se não andasse, e que não estivesse aqui tão longe da nossa praia onde fui feliz com a tua companhia. Tão longe do por do sol e do cheiro do mar.&lt;br /&gt;Aqui não consigo ver o por do sol, nem o mar como no nosso tempo. Acreditas que tivemos um tempo que era só nosso?&lt;br /&gt;Ainda não fui ver o mar, e os barcos estão todos, quase todos, de velas içadas na esperança que chegue o vento e a água. Mas não navegam aqui, e deixam que as mãos curiosas das pessoas, os toquem, para que os sintam, e as crianças sobem a bordo, e são marinheiros, e piratas, e corsários por breves momentos, nos sonhos secretos que povoam a sua imaginação inocente e pura ainda. E os barcos contam-nos as histórias, revelam a alma, e às vezes, eu, conto a história dos barcos e das gentes dos barcos, porque lhes entendo a alma e a fala secreta. É por isso que estou aqui hoje com os barcos. A tentar contar a história para que não se perca a memória, já me basta perder a tua memória.&lt;br /&gt;Tu, um dia, disseste-me que me conhecias como o homem do património marítimo. Que era assim que me ias recordar sempre. Lembras-te? Já não sei. Será que ainda gostas dos barcos que eu gosto, velhos, a desmantelarem-se. Poucos já, demasiado poucos na beirada do mar.&lt;br /&gt;Aflige-me não saber e ficar com esta dúvida aqui, a minar, como a ferrugem mina o aço do costado do meu navio onde corri mundo.&lt;br /&gt;Também já não sei para que escrevo a tentar falar-te. A inventar uma conversa contigo. Um dia escrevi para ti. Uma carta ridícula. Acho que era ridícula pois que era uma carta a disfarçar o amor de ti. As cartas de amor tem de ser ridículas dizia o Poeta, acredito nas suas palavras ainda. Era uma carta a falar-te da minha lembrança de ti, porque nessa altura também estava só, também demasiado longe, mas via o mar e o por do sol e sentia o vento e cheirava a maresia. Atravessava o atlântico, uma das minhas ultimas viagens a comandar o navio. Reformou-se. Tu não sabes. Estava demasiado velho, e lento, e obsoleto. O casco, demasiado carcomido do sal vertia demasiadas lágrimas de ferrugem. O progresso condenou-o, já não era rentável. Agora, depois de derretido e fundido, quem sabe, é parte de algum destes carros que aqui andam velozes e modernos, e eu, como não me pude fundir para reciclar, para algo mais moderno, fiquei junto ao cais da reforma, que é uma espécie de morte dos homens que já não fazem falta por terem sido ultrapassados pela idade o único tesouro que guardamos está na memória do saber-saber, aquele saber que não se aprende na escola mas com os dias que a vida nos ensina. Não quis governar um navio sem roda de leme, sem alma para o sentir, sem lhe ver a proa e o mar. Os navios de agora governam-se, com um joy-stick, uma espécie de jogo computorizado. A minha cabeça já não dá para essas modernices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava em casa à espera dos dias monótonos. Falaram-me de vir aqui a falar dos barcos antigos. Aceitei. Afinal estava com todo o tempo do mundo e na nossa cidade já não te encontro. Gostavas de viajar, gostavas de Barcelona, de passear pelas Ramblas, vim à tua procura, um dia disseste-me que vinhas aqui muitas vezes, e que quando deixasses de leccionar era aqui que querias viver. Vim à tua procura. Agora já sabes. Não sabes, mas estou aqui meio perdido no Bairro Gótico a ver se te encontro. Por vezes passa uma mulher que me lembra o teu andar, mas ela não és tu, só uma semelhança, e eu que estou velho e lento deixo o poeta escrever estas coisas, porque imagino que vais ler um dia as minhas memórias póstumas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade é demasiado grande sem ti e eu confesso que me sinto perdido.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Barcelona Novembro de 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Barcoantigo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4391359388037635083?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4391359388037635083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4391359388037635083&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4391359388037635083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4391359388037635083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/11/segunda-carta-tiou-no-sei.html' title='Segunda carta a ti…Ou não sei...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RzJsXGQQTWI/AAAAAAAAArw/_A325y3G220/s72-c/100_3212.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2616023295053790062</id><published>2007-11-06T23:29:00.002Z</published><updated>2009-05-17T23:08:18.814+01:00</updated><title type='text'>Extinção</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RzD5ohcNwMI/AAAAAAAAAro/Yt46T5XQY2A/s1600-h/Imagem1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129874450141790402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RzD5ohcNwMI/AAAAAAAAAro/Yt46T5XQY2A/s400/Imagem1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;...Num barco, as diferenças são muitas entre estar como tripulante ou como passageiro. Ao primeiro exige-se conhecimento técnico e experiência pessoal, ao segundo apenas a vontade de lá estar. E é aqui que reside o maior problema para a extinção. Quando um barco pára, poucos se dão conta, mas o tripulante, esse, sofre as consequências da perda do seu barco. Aqui a mudança não dá lugar a novas formas de continuidade. Quando um barco “tradicional” pára não é para ser substituído, é para morrer. Por isso o tripulante também pára. Quase sempre também definitivamente. Afinal, perdemos com este parar os últimos 2500 anos de informação histórica, tecnológica, empírica e cultural...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Texto em versão integral aqui:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.culturamaritima.org/node/2499"&gt;http://www.culturamaritima.org/node/2499&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;joão Barcelona 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Excerto conferencia Feira Nautica de Barcelona/ Marina tradicional novembro 2007&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto de arquivo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2616023295053790062?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2616023295053790062/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2616023295053790062&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2616023295053790062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2616023295053790062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/11/extino.html' title='Extinção'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RzD5ohcNwMI/AAAAAAAAAro/Yt46T5XQY2A/s72-c/Imagem1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6661172717834225169</id><published>2007-10-18T01:29:00.002+01:00</published><updated>2011-01-29T00:07:11.705Z</updated><title type='text'>Haja o que houver...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RxarbTjkrUI/AAAAAAAAAoA/p8tYfgbRM_E/s1600-h/foz.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122470111774813506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RxarbTjkrUI/AAAAAAAAAoA/p8tYfgbRM_E/s400/foz.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sinto-me cansado. Muito cansado. A espera é longa. Demasiado longa.&lt;br /&gt;Não voltas. Já li todos os livros. Escrevi todas as palavras. Abandonaste-me. Agora vou por esta rua da cidade, as mãos nos bolsos, vou desamparado. Sou um estranho aqui.&lt;br /&gt;Não sei se te amo ainda, ou o pensamento que tenho de ti, me tem cativo, do amor que imagino. Já não sei. Sinto-me terrivelmente cansado.&lt;br /&gt;É já noite, e a rua mal iluminada cai em mim, como o negro do luto carregado nas vestes das mulheres, do mar da Póvoa.&lt;br /&gt;Queria dizer-te. Queria olhar-te. Queria tocar-te as mãos. Percorrer a tua face. Sentir a tua pele, e já não sei rigorosamente nada de ti – Não existes por fora da minha cabeça pois não? – Sou eu que te imagino pois sou? Olho-te se fecho os olhos. Os teus olhos negros a rirem de mim. Da minha fragilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja o que houver vou sempre esperar por ti. Só tu não. Já não esperas. Já não chegas. Já não vens. Já não voltas. Só eu fico aqui, exposto ao tempo a enferrujar como uma máquina velha obsoleta.&lt;br /&gt;Ás vezes as lágrimas escorrem por dentro, são lágrimas de saudade, mas tu nem sabes o significado, nem o sabor das lágrimas. Nem sabes que eu aqui fico sempre à espera das notícias que não chegam. As cartas vêm devolvidas, perdi a tua direcção, o teu endereço postal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias fui em tua busca até à foz. Fui em vão.&lt;br /&gt;Fui em tua demanda até à nossa praia. Viagem inútil. As memórias são só minhas agora. Escrevo uma invenção da memória, a ver se coincide com a tua memória minha, e te lembras de mim, um dia, e então regresses à minha memória de hoje, em que me sinto angustiado e terrivelmente cansado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tempo agora é um tempo de Inverno que vai chegar aqui, junto a mim.&lt;br /&gt;E eu para me aquecer, para me sentir reconfortado precisava de um mimo teu. Queria dar-te um abraço hoje, um abraço grande. Com os braços a envolverem-te toda. As mãos a agarrarem-te toda. Uma espécie de laço forte feito de amores e de afectos. Com o sentir, todo, à flor da pele arrepiado. Enquanto o tempo, esse, se reúne no céu, a decidir se há-de deixar cair as lágrimas em bátegas de chuva, ou nos ensurdecer os sentidos com o ruído dos trovões a fingir que nos atemoriza.&lt;br /&gt;Sou eu que me assusto, só, com o vazio da tua ausência em mim.&lt;br /&gt;A falta que me fazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;João 2007&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Barcoantigo 2007&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6661172717834225169?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6661172717834225169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6661172717834225169&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6661172717834225169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6661172717834225169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/10/haja-o-que-houver.html' title='Haja o que houver...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RxarbTjkrUI/AAAAAAAAAoA/p8tYfgbRM_E/s72-c/foz.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-9167713010336058128</id><published>2007-10-03T23:51:00.003+01:00</published><updated>2009-07-23T00:02:10.676+01:00</updated><title type='text'>De um sonho...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RwQdWTjkrOI/AAAAAAAAAnQ/qqvF--fXWgk/s1600-h/jose+belchior.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117247345643531490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RwQdWTjkrOI/AAAAAAAAAnQ/qqvF--fXWgk/s400/jose+belchior.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas pessoas aqui chamam-me poeta…&lt;br /&gt;Não é isso que sou. Sou um marinheiro velho com sonhos por cumprir.&lt;br /&gt;É isso que sou…&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;A história de amor e desamor de José Belchior aqui, para quem não conhece:&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.olhao.web.pt/Personalidades/josé_belchior.htm"&gt;http://www.olhao.web.pt/Personalidades/josé_belchior.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.olhao.web.pt/Personalidades/josÃ©_belchior.htm"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;João 2007&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto José Belchior&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-9167713010336058128?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/9167713010336058128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=9167713010336058128&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/9167713010336058128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/9167713010336058128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/10/algumas-pessoas-aqui-chamam-me-poeta-no.html' title='De um sonho...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RwQdWTjkrOI/AAAAAAAAAnQ/qqvF--fXWgk/s72-c/jose+belchior.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-4647256139027789884</id><published>2007-08-28T19:07:00.002+01:00</published><updated>2009-05-09T19:18:20.713+01:00</updated><title type='text'>De súbito desaba a trovoada…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103814950176828754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRkp_CeLVI/AAAAAAAAAdg/VYN2Nlh1ZHc/s400/temporal.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De súbito&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desaba a trovoada neste dia abafado de um verão qualquer à beira mar. Junto do mar. E o vento em redemoinhos de pó chega, e encrista a superfície das águas salgadas. E eu aqui, deste pedaço de sítio, vejo o tamanho do mundo, para lá da janela onde me escondo do tempo que chega frio. O vento que é sempre um norte residente aqui, fugiu, e entra um sul abafado e quente que tinge as nuvens de cinza escuro, e os trovões chegam com ele, como que todos à uma a atropelarem as nuvens. A estourarem os tímpanos. Na casa ao lado uma criança grita, um choro aflitivo de medo. Escuto a mãe, deve ser a mãe, – Madalena! – Madalena! É a mãe. Deve ser, a criança deixou de gritar. Só a voz da mãe tem o poder de afastar os medos e curar os choros, assim era, assim será. De súbito as nuvens choram também. Abatem-se num choro imenso e quente e húmido. Estamos em pleno verão, e a chuva torna-se uma espécie de névoa no asfalto quente da estrada que bordeja o mar. Vejo daqui, da minha janela onde avisto um pedaço do mundo. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRloPCeLXI/AAAAAAAAAdw/uiplA0zP7Cg/s1600-h/veleiro+na+janela.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103816019623685490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRloPCeLXI/AAAAAAAAAdw/uiplA0zP7Cg/s400/veleiro+na+janela.JPG" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;E ao fundo, um pequeno veleiro arreou as velas e navega rumo a sul. Aqui, todos navegam rumo a sul a afastarem-se da memória de ti. Parece que me lêem os pensamentos, ou que navegam por dentro da minha memória. E o vento agora roda. Observo o seu rodar como marinheiro velho habituado a sentir o medo, a partilhar o vento. A noite passada fizeste o mesmo, rodaste mais de 180º. Agora vens de terra. De terra dentro, e deverias trazer o calor do interior do fogo. E vens frio. Arrefeces a chuva, e eu aqui, de tronco nu, a sentir na pele e na face esta água fria a arrefecer os sentidos. Observo-te. És um vento manhoso, nada parecido com a nortada, ou o vento suão quente. Não és um vento deste tempo. O horizonte está demasiado carregado, espécie de electricidade pronta a explodir em raios de luz e trovões. Observo os pardais aflitos, a procurarem refugio nas palmeiras aqui próximas. As gaivotas pousadas na borda de água, recolhidas do vento. Olho a norte. O céu rasgado pelos gritos das andorinhas que voam alto, demasiado alto. Aflitas. Em círculos de acrobacias onde se vê o peito branco a luzir no dia cinza, e o negro a confundir as nuvens. Olho as andorinhas durante um bocado, aqui, neste pequeno palco onde vejo um pedaço do mundo e penso em ti. Um dia disseste-me que eras como uma andorinha, que ias e que voltavas na primavera. Já não sei. Porque o verão já vai a mais de meio, a primavera já foi. As andorinhas já construíram os ninhos e agora voam alto, e em nenhuma te reconheço. A verdade é que não sei de ti. E estas andorinhas, parece que voam assustadas com este fim de tarde que não é deste tempo. E o mar começa a crescer agora. As vagas a chegarem cadenciadas e fortes à praia, as gaivotas correm um pouco para cima, de asas abertas, a delimitar o seu espaço. Recolho-me. A tua lembrança em mim provocou um arrepio que não queria sentir. Visto uma roupa qualquer, assim protejo-me do frio, disfarço o pensamento. O olhar vai em busca das andorinhas de novo. Queria-te na distância do meu olhar hoje. E as andorinhas continuam a voar cada vez mais alto aos gritos assustadas.&lt;br /&gt;Tu não és assim, não és uma mulher assustada. – Ou és?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O vento!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRkzPCeLWI/AAAAAAAAAdo/JtcNIhdl764/s1600-h/veleiro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103815109090618722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRkzPCeLWI/AAAAAAAAAdo/JtcNIhdl764/s400/veleiro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em casa sinto o uivar do vento na chaminé. Pesado. Grave. Contínuo. Este vento não é deste tempo. Demasiado aflito, demasiado breve. A querer romper os sentidos. A estremecer a pele. A encrespar o mar. A rasgar as velas dos veleiros distraídos. Lembro-me de nós. Do tempo em que fui um marinheiro demasiado ausente. Ausente de ti. Ausente de mim. (Acho que verdadeiramente nunca te compreendi. Nunca soube ler por dentro do teu olhar a linguagem silenciosa que me dizias, sempre, com o teu sorriso suave nos lábios e a luz a incidir no teu rosto). As andorinhas nesses tempos eram andorinhas do mar, quando as avistava sabia que estava próximo de terra e logo te iria abraçar. Agora tudo é diferente. Mas o mar é o mesmo. Salgado, dócil e impiedoso. Misterioso e imenso. Só eu não. E as andorinhas hoje voam alto e demasiado assustadas e são andorinhas migratórias. Dentro em pouco reúnem-se em bandos nos fios dos telefones e partem rumo às terras quentes. E este vento que chega agora estranho a arrepiar os sentidos e a fazer-me lembrar de ti. Hoje demasiadas andorinhas se reuniram à minha volta.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;– Voas!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRms_CeLYI/AAAAAAAAAd4/V1qxAw3PZTo/s1600-h/gaivotas.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103817200739691906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRms_CeLYI/AAAAAAAAAd4/V1qxAw3PZTo/s400/gaivotas.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;E de súbito – agora!&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A chuva é desalmada e fria e escorre na vidraça e o ar abafado. O dia um misto de calor amarelecido, um por do sol que teima em afastar o vento, e as nuvens negras, pesadas de água, e os redemoinhos, e o ruído que assusta na chaminé desta casa frente ao mar, juntinha ao mar, onde me recolho a imaginar-te, sempre na eternidade do tempo, enquanto tento por todos os meios enganar as horas e os dias. Outro dia e eu aqui, os olhos fechados a tentarem disfarçar o tempo das horas.&lt;br /&gt;Deito-me. abandono-me nesta cama que já foi tua. Onde fizemos amor a primeira vez. Amortalho o pensamento, esqueço-me de mim próprio. Quando me deito fico numa espécie de êxtase, narcotizado. Uma espécie de torpor bamboleante, como se estivesse a bordo a dormir no meu pequeno beliche e o som da água de encontro ao casco a adormecer-me como uma canção de embalar. Finjo que o vento que uiva na chaminé é essa canção. A criança está de novo a chorar. A mãe grita – Margarida! – Margarida! Calou-se. A voz da mãe. Tem que ser a voz da mãe assim curativa. Balsâmica nos ouvidos. Até eu me sinto mais aconchegado, menos ausente. Abraçado. Um abraço precioso e desejado. (fazia-me falta o teu abraço, Mãe). Fecho os olhos, ardem salgados por dentro das orbitas agora. Quero adormecer e afastar-me de ti. Vou na boleia do veleiro que arreou as velas há pouco, e rumo a um sul sempre demasiado a sul de ti, e de mim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amanhã.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O dia será outra vez com vinte e quatro horas, e no alvor, os barcos lançam as redes em busca da sardinha cor de prata. E o sol vai nascer a leste de mim, por detrás das montanhas, e das hélices enormes na serra que aproveitam o vento a gerarem a energia limpa. O campo de milho vai estar lá, ali junto ao sopé da serra, separado pela estrada negra, e os carros vão passar para um lado e outro, rápidos. E por vezes, as ambulâncias com toda a aflição dos tempos correm contra o tempo escasso. Os minutos que marcam a salvação ou a morte.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amanhece. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRnZvCeLZI/AAAAAAAAAeA/orRteyCFW9Q/s1600-h/palmeiras.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103817969538837906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRnZvCeLZI/AAAAAAAAAeA/orRteyCFW9Q/s400/palmeiras.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Queria perguntar-te pelo sol. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Queria saber se o sol está junto de ti hoje. Sinto que sim. O dia amanheceu a chorar aqui junto a mim. Os telhados a pingarem a água que os céus reuniram na noite onde me abandonei nesta cama que já foi tua. Aqui tudo já foi teu. E eu sou uma espécie de guardião da memória tua nesta casa. E a casa é demasiado grande e fria e vazia. Quase um museu dos sentires. Um museu dos afectos. Os museus não tem sentimentos, pois não? Nem seres vivos, pois não? Nem sentires, pois não? Nem alma, pois não? Espécies de depósitos de trastes e coisas velhas inúteis…&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As palavras a ti.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Queria perguntar-te pelo sol nos teus olhos e já nem sei as palavras a ti. A falarem ao teu coração. A saberem de ti. Já não faz mal. Sou mesmo uma espécie de marinheiro tolo e doido, alucinado do sal no corpo. É o tempo que me faz assim, estranho também. Incompreendido. Incompreensível, sem tempo deste tempo. Coisa estranha esta. A tempestade no pleno Agosto a chuva forte. O vento que geme na chaminé, o grito da criança na noite e a voz. A voz da mãe. Tem que ser a voz da mãe.&lt;br /&gt;Fico sem saber se o sol está junto de ti hoje. Mas também não sabia ontem, ou antes de ontem, ou no futuro. O futuro é sempre a minha angústia por não saber de ti, adiada. E quando adormeço nunca sei se acordo á tua beira ou se te invento para me sentir lúcido e vivo. Porque o que queria era sentir-me amado por ti. E já não és nada. Por fora de mim. Existes por dentro só, num lugar secreto onde existe o sol sempre, e o teu sorriso nos lábios, e os olhos brilhantes, e a tua pele, as tuas mãos, o teu perfume. Porque me dizes que não usas perfume? Não és a mesma pessoa que amei um dia? Mas o teu cheiro perdura em mim e no tempo. O teu olhar na noite quando me fitavas a quereres entrar por dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que nos aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De súbito desaba a trovoada e o céu chora neste Agosto ausente de ti.&lt;br /&gt;Eu fico aqui, junto ao mar, como faço sempre. A envelhecer. Abandonado como uma carcaça de um velho barco. Na praia. A envelhecer de saudade. A envelhecer de amor. Nem eu sabia que o amor nos torna velhos e abandonados como os barcos que amo. Espécie de alma que os barcos já não tem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, praia de Fornelos 2007 &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografias de Barcoantigo 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-4647256139027789884?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/4647256139027789884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=4647256139027789884&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4647256139027789884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/4647256139027789884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/08/de-sbito-desaba-trovoada.html' title='De súbito desaba a trovoada…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RtRkp_CeLVI/AAAAAAAAAdg/VYN2Nlh1ZHc/s72-c/temporal.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6605918457064974541</id><published>2007-08-21T17:52:00.002+01:00</published><updated>2009-07-22T23:56:50.143+01:00</updated><title type='text'>Resta-me a ilusão da tua existência</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RssY8fCeLHI/AAAAAAAAAbw/so6JIM__X-M/s1600-h/alina+andrei.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101198430330301554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RssY8fCeLHI/AAAAAAAAAbw/so6JIM__X-M/s400/alina+andrei.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Resta-me a ilusão da tua existência.&lt;br /&gt;Tenho de forçosamente que apagar-te da minha memória. Lentamente. Aos poucos. Cada dia. Cada gesto teu. Cada palavra tua. Cada beijo teu.&lt;br /&gt;Apago-te. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Off! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Delete!&lt;br /&gt;Como se isso fosse possível.&lt;br /&gt;Fui à nossa cidade em tua busca. Os lugares, as ruas, os sons, os cheiros. A luminosidade do teu olhar em cada janela. Tão difícil de te decifrar já. Passa mais um ano na minha memória que queria esquecida de ti. É o mês das ferias e voltaste estranha. Demasiado estranha, a ires embora da tua breve ausência. Por onde andaste para ficares assim. Que te aconteceu? Deixei de saber de ti. Senti, sabes, aquela sensação amarga e fria por dentro, que te ias embora no teu regresso.&lt;br /&gt;Resta-me a ilusão da tua existência.&lt;br /&gt;Fomos um amor imperfeito, – não! Eu é que me convenci. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não fomos amor nenhum! Eu é que me convenci que podíamos ser uma espécie amor-perfeito e colorido e redondo e grande. Eu, só! Acho que me iludi. Me perdi às voltas numa qualquer rotunda a imaginar-te e agora achei a nossa cidade invicta sem encanto. Faltas tu! Não sei porque me encantas ainda. Vejo-te a sorrir, o teu sorriso grande em cada montra, em cada grande vidro da cidade. O que me encanta em ti ainda? Porque me encantas tu? Verdadeiramente nunca soube quem eras. Se existes com alguma verdade por fora da minha memória, se as minhas mãos tocaram as tuas, se o meu corpo tocou o teu, se o olhar se encontrou agora que fico aqui nesta cidade demasiado grande sem ti. As ruas perdem a graça. As pessoas passam e não dão por mim. Não te reconheço em nenhuma delas. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;– Imagino-te! – Imagino-te sempre! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Foste embora. Não deixaste nada. Uma palavra. Um gesto. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não restou nada teu em mim. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Só este silêncio que me assusta.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;João Praia de Fornelos 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia de Alina Andrei&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6605918457064974541?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6605918457064974541/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6605918457064974541&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6605918457064974541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6605918457064974541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/08/resta-me-iluso-da-tua-existncia.html' title='Resta-me a ilusão da tua existência'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RssY8fCeLHI/AAAAAAAAAbw/so6JIM__X-M/s72-c/alina+andrei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1721176205933798336</id><published>2007-08-19T13:01:00.002+01:00</published><updated>2009-05-05T21:00:49.920+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tens a idade da beleza irrepetível…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1721176205933798336?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1721176205933798336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1721176205933798336&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1721176205933798336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1721176205933798336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/08/tens-idade-da-beleza-irrepetvel.html' title=''/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2351461251286366547</id><published>2007-08-15T17:32:00.002+01:00</published><updated>2009-05-05T21:01:10.909+01:00</updated><title type='text'>Do teu dia de anos …</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RsMqsrgT7MI/AAAAAAAAAW0/t6l5CsBPz5c/s1600-h/MÃ£e+no+farol+esposende.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098966150194392258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="428" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RsMqsrgT7MI/AAAAAAAAAW0/t6l5CsBPz5c/s400/M%C3%A3e+no+farol+esposende.jpg" width="284" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quantos anos fazes hoje? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;já não sei, perdi-lhe a conta.&lt;br /&gt;Tens os anos do sentir, os anos da memória.&lt;br /&gt;Habitas em mim e fazes anos sempre que queres e sempre que contigo partilho a Luz.&lt;br /&gt;Estás ai e aqui ao meu lado.&lt;br /&gt;Uma espécie de amor secreto que só as mães sabem partilhar.&lt;br /&gt;Mas o facto é que tenho saudades tuas.&lt;br /&gt;Da tua presença física.&lt;br /&gt;Hoje dei-me conta que partiste cedo demais.&lt;br /&gt;Eu sei.&lt;br /&gt;Porque me disseste depois, num dos raros regressos do espírito a mim, que a tua hora era aquela, que estavas sofrendo agarrada a um corpo inútil já, e que a tua alma/espírito livre tinha de ir.&lt;br /&gt;Haja o que houver espero sempre que voltes e que estejas aqui ao meu lado enquanto escrevo de novo para ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem andei no mar da Póvoa.&lt;br /&gt;Estes dois dias são de memórias e de recolhimento interior.&lt;br /&gt;Ontem enquanto a lancha entrava a barra de todos os medos e todos os naufrágios, olhei a nossa antiga casa, a janela do meu quarto.&lt;br /&gt;Quase que juro, que eras tu e eu que estávamos de novo à janela como fizemos tantas vezes nos dias de temporal e regresso dos barcos.&lt;br /&gt;Lembras ainda o naufrágio dos meus companheiros naquele Inverno tão rude.&lt;br /&gt;Ontem na quietude do vento lembrei-me deles e de ti e de mim.&lt;br /&gt;As memórias tão por dentro sentidas. Espécie de fantasmas na memória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes Mãe…&lt;br /&gt;Faz demasiado tempo que não te escuto.&lt;br /&gt;Mas sei o som da tua voz em mim.&lt;br /&gt;Por isso aprendi a não sonhar quando durmo.&lt;br /&gt;Porque sei que velas por mim e que sofres se te chamo.&lt;br /&gt;E porque tudo parece confuso mas não é...&lt;br /&gt;Porque a luz é branca a tua luz.&lt;br /&gt;E hoje, nas minhas memórias ao ver esta foto amarelecida pelos anos recordei as palavras que te escrevi três anos depois de teres partido, e como hoje serias menina de novo, e porque escrevo porque me apetece sem ter de dar satisfações a ninguém dedico-te estas palavras outra vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não consegui dedicar-te outras...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu filho, 15 de Agosto de 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2351461251286366547?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2351461251286366547/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2351461251286366547&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2351461251286366547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2351461251286366547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/08/do-teu-dia-de-anos.html' title='Do teu dia de anos …'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RsMqsrgT7MI/AAAAAAAAAW0/t6l5CsBPz5c/s72-c/M%C3%A3e+no+farol+esposende.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2550854558732161432</id><published>2007-07-04T01:11:00.002+01:00</published><updated>2009-05-09T19:15:20.924+01:00</updated><title type='text'>Será importante saberes…</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RormTxrNiNI/AAAAAAAAASM/Mp5ywox9Rvc/s1600-h/piotr+Walski+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083128356867508434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="241" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RormTxrNiNI/AAAAAAAAASM/Mp5ywox9Rvc/s320/piotr+Walski+3.jpg" width="368" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje sentaste-te na minha frente a jantar. A mesa redonda em demasia. O restaurante demasiado grande. Já não conseguimos estar sós. Até a cidade é demasiado grande.&lt;br /&gt;Disseste-me de fugida que não devia olhar para ti. Que é perigoso o meu olhar em ti. Que os teus amigos dão por isso. Que não queres.&lt;br /&gt;Porque me ensinaste a olhar de olhos nos olhos se durante anos e anos não o conseguia fazer. Imaginas o esforço que fiz. Para todos os lugares que olhava era o teu olhar que me olhava. Como consegues entrar assim dentro do meu sentir.&lt;br /&gt;E agora que faço?&lt;br /&gt;Finjo que não se passa nada?&lt;br /&gt;Finjo que não sei quem és?&lt;br /&gt;Que não me conheces?&lt;br /&gt;Que não te conheço?&lt;br /&gt;Que fizemos ao amor que temos tanto dentro de nós para partilhar.&lt;br /&gt;-Tenho saudades tuas.&lt;br /&gt;De te dar a mão e caminhar na longa praia de areia quente. De molhar os pés contigo na agua morna. De te dizer das nuvens que estão ao longe. Ensinar-te que são nuvens de nevoeiro que chegam devagarinho pelo entardecer, e das outras cinzentas como farrapos no céu, nuvens de chuva anunciada neste verão que parece um Outono. Falar-te das ondas, dos ventos, das andorinhas do mar e das gaivotas que voam de encontro ao sol vencendo o vento norte que sentimos na face. Dos barcos. Falar-te dos barcos que gosto. Ontem enquanto os barcos partiam iluminados na noite rumo ao mar e eu te dizia que eram barcos modernos do arrasto despedias-te de mim. Ainda me perguntas porque estava estranho eu.&lt;br /&gt;-Tenho saudades tuas.&lt;br /&gt;De te enlaçar em mim. De te abraçar e levantar e rodopiar na areia enquanto os teus cabelos se colam na minha barba. De me deixar cair na areia quente abraçado a ti. De te sentir. De sentir os teus lábios quentes em mim enquanto me beijas com a sofreguidão da primeira vez. Sentes como estremeço por dentro.&lt;br /&gt;- Tenho saudades tuas.&lt;br /&gt;Saudades das tuas mãos. Saudade da cor das tuas unhas. Saudade do teu cheiro em mim.&lt;br /&gt;Saudades dos teus olhos negros que me fascinam.&lt;br /&gt;Ontem pela madrugada despedias-te de mim, e eu fiquei sem conseguir falar-te. Acho que parti num dos barcos que rumavam ao mar…&lt;br /&gt;Será importante saberes que em todos os lugares que vejo é o teu olhar que me olha. Será?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João 2007&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Piotr Walski&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2550854558732161432?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2550854558732161432/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2550854558732161432&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2550854558732161432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2550854558732161432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/07/ser-importante-saberes.html' title='Será importante saberes…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RormTxrNiNI/AAAAAAAAASM/Mp5ywox9Rvc/s72-c/piotr+Walski+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-7615557376820559771</id><published>2007-06-07T22:31:00.002+01:00</published><updated>2009-05-05T21:22:33.491+01:00</updated><title type='text'>Carta ridícula...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh5tTwbaFI/AAAAAAAAAQc/_S80CMA_VSo/s1600-h/navio1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073438799537334354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh5tTwbaFI/AAAAAAAAAQc/_S80CMA_VSo/s400/navio1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Às vezes escrevo cartas.&lt;br /&gt;Gosto de escrever cartas sentidas e imaginar o efeito das palavras nas pessoas a quem são dirigidas. Na maioria não obtenho respostas, não sei o efeito, acho que o destinatário é um ser imaginado por mim. Por vezes brincamos com as palavras sem medir as consequências. Esquecemos que existem pessoas que estão do outro lado das palavras …&lt;br /&gt;Mas escrevo cartas. Acho que vou sempre continuar a escrever cartas. Umas de amor outras de desamor outras de despedida, outras desesperadas de saudade.&lt;br /&gt;Esta é uma carta ridícula a esta altura em que me sinto ridículo a escrever outra carta que eu não queria ridícula mas de saudade. Uma carta de saudade ridícula.&lt;br /&gt;Esta é uma espécie de carta de amor. Breve.Vazia. Sem amor nenhum. Só saudade em cada letra. Saudade em cada palavra. Saudade em cada linha e em cada folha cheia de palavras a disfarçarem o amor, a tornearem a saudade, a fintarem o tempo. Esta é, afirmo, uma carta ridícula. Vazia de amor. Do nosso amor. Que posso fazer mais, além de não te deixar morrer por dentro, seco da sede de ti. Custava dares-me a mão e guiares-me nas noites frias ciclónicas, que enfrento em cada noite que te sonho e desejo. É que eu já não sei o que mais faça. Se desisto. Se me abandono. Se fecho os olhos definitivamente e deixe que as lágrimas brilhem exaustas da saudade.&lt;br /&gt;Esta é mais uma carta, mais uma só a juntar a tantas outras que colecciono, uma colecção de saudades, de sentires angustiantes, de mortes. Morro em cada palavra que te escrevo vestida do negro da ausência.&lt;br /&gt;Que me fizeste?&lt;br /&gt;E eu que me parece, partiste ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh6EzwbaGI/AAAAAAAAAQk/nj-7pz5y0Ok/s1600-h/navio+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073439203264260194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh6EzwbaGI/AAAAAAAAAQk/nj-7pz5y0Ok/s400/navio+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Peço-te um momento e ele é um momento do mundo sem tempo. Ficam as palavras de novo. Sempre as palavras. As palavras são assim espécies de rosas coroadas de espinhos em nós.&lt;br /&gt;Hoje não me recomendo para companhia. Persegue-me a saudade como uma nuvem negra, espécie de bicho papão que me assusta.&lt;br /&gt;Estou desesperado. Olho o telefone não sei quantas vezes ao dia na espera de noticias que já não chegam.&lt;br /&gt;Liguei-te e atendeu o gravador frio a falar inglês. E eu fiquei mudo, parado, estático. Quantos anos se passaram.&lt;br /&gt;E eu que me parece, partiste ontem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh6VTwbaHI/AAAAAAAAAQs/L2gJo_hqYpg/s1600-h/navio+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073439486732101746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh6VTwbaHI/AAAAAAAAAQs/L2gJo_hqYpg/s400/navio+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Parti também. Fui atravessar o mar…&lt;br /&gt;A última viagem foi difícil e longa.&lt;br /&gt;Estremeço. Sinto o estremecimento do navio, e aqui no meio do oceano neste dia de fúrias e ventos e angustias e medo, é em ti que penso e no último acto antes de embarcar. Tenho mais medo do gesto simples de te ligar que enfrentar esta tempestade monstruosa que me quer engolir junto com o navio cansado. Fecho os olhos em cada investida. Sob os meus pés todo o navio estremece quando as vagas medonhas se abatem sobre nós. A máquina principal trabalha certa, alheia à fúria do mar. Gira precisa, e o navio avança por entre gritos, estilhaços de espuma, silvos do vento e muitos medos. Os nossos medos recolhidos que estão no corpo cansado. Na ponte atento, olho a agulha, os imensos mostradores, as coloridas luzes que piscam. O ecrã do radar descortinando o imenso vazio sem um eco, só o ruído do tempo. Aqui, longe de tudo de todos, os medos que sinto em terra, quando me perco pelas ruas do Porto em tua busca, imaginando que na próxima esquina te vou encontrar. Aqui despido das emoções e das ternuras, sou frio como o aço do casco e tento ser um só com o navio cansado e com a máquina/coração que nos leva singrando por entre a fúria. Tu não sabes da beleza que é o mar assim furioso. Não tenho palavras para te escrever disso, é preciso sentir entendes. Sentir na pele e no olhar este mar. Beber o sal, ficar ensalitrado até aos ossos. Os pulmões inebriados de maresias. Sou um lobo-do-mar solitário já. Só tu és plena na companhia que me fazes na memória. Por isso enquanto o navio avança te escrevo esta espécie de carta, confissão, desabafo para vencer o medo. Para te sentir próxima. Não te conto as novidades por não existirem e não te interessarem. Não pergunto por ti, por não obter resposta. Não sei de ti porque já partiste e não vou em tua demanda. Espero só que regresses, porque quando regressares eu estarei cá para te receber de braços abertos e o coração pleno do amor que juramos um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2007&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotos de Geno&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-7615557376820559771?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/7615557376820559771/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=7615557376820559771&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7615557376820559771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7615557376820559771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/06/carta-ridcula.html' title='Carta ridícula...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rmh5tTwbaFI/AAAAAAAAAQc/_S80CMA_VSo/s72-c/navio1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-7224954711110108731</id><published>2007-05-05T02:33:00.002+01:00</published><updated>2009-05-17T23:11:53.765+01:00</updated><title type='text'>De ti…</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RjvhYsrGj2I/AAAAAAAAAMs/bnOQe5XmZ9k/s1600-h/3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060886420705939298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="232" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RjvhYsrGj2I/AAAAAAAAAMs/bnOQe5XmZ9k/s320/3.jpg" width="342" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;De ti sabia apenas a cor dos teus cabelos negros estendidos pelas costas.&lt;br /&gt;Sentada à sombra do guarda-sol não deste por mim hoje. Ou ontem, ou antes de ontem, ou nos outros dias todos em que te esperava e não vieste.&lt;br /&gt;De ti sabia o teu porte altivo e seguro.&lt;br /&gt;Acho que lias um livro. Acho. A chávena fria do café forte manchado no bordo, O jornal impecavelmente dobrado a um canto da tua mesa.&lt;br /&gt;A mesa era branca, moderna. Plástica. Destoava de ti.&lt;br /&gt;De ti sabia a cor dos óculos de marca. Armani, talvez? &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Grandes. Negros que te escondiam o olhar.&lt;br /&gt;De ti sabia das horas incertas da tua presença. O desalento em que ficava sempre que terminavas a leitura, fechavas o livro, ajeitavas o cabelo, te levantavas e ias embora sem olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só eu fico sentado nesta cadeira moderna afastado na esperança que regresses.&lt;br /&gt;És a mulher que eu sonho quando se dissipam as angustias e por breves momentos a ternura nasce em mim.&lt;br /&gt;De ti sei apenas a cor dos teus cabelos negros.&lt;br /&gt;A tua silhueta recortada na linha do horizonte imaginário onde te observo.&lt;br /&gt;Um universo demasiado cativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei foste a primeira mulher que vi.&lt;br /&gt;Acreditas no destino.&lt;br /&gt;Na predestinação das almas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não sabes que regresso sempre ao mar, que preciso de sentir o frio da água salgada nas mãos, de sentir o aroma da maresia, o murmúrio das vagas contra o casco, a fúria ou a mansidão do vento de encontro às velas alvas.&lt;br /&gt;Quando vou deixo tudo.&lt;br /&gt;Uma espécie de despedida sem lágrimas, sem lenços brancos, sem os três apitos prolongados do navio no cais na hora de partida para a guerra.&lt;br /&gt;Que sabes da guerra que me faz ainda sofrer por dentro…&lt;br /&gt;Vou sempre.&lt;br /&gt;Comigo vai na lembrança a primeira mulher que vejo quando desembarco depois da travessia.&lt;br /&gt;Desta vez antecipei a chegada porque foste e vieste comigo desde a última vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;João marinheiro 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Glover Barreto/www.olhares.com&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-7224954711110108731?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/7224954711110108731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=7224954711110108731&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7224954711110108731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/7224954711110108731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/05/de-ti.html' title='De ti…'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RjvhYsrGj2I/AAAAAAAAAMs/bnOQe5XmZ9k/s72-c/3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-1489124519584461203</id><published>2007-04-23T13:43:00.002+01:00</published><updated>2009-05-05T21:24:01.997+01:00</updated><title type='text'>Os ponteiros do relógio...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9n-crGjpI/AAAAAAAAALE/j0jxZntnWwE/s1600-h/relogio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057375229106884242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="238" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9n-crGjpI/AAAAAAAAALE/j0jxZntnWwE/s320/relogio.jpg" width="357" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os ponteiros do relógio. Retorcidos. O relógio que já não marca o tempo. Os ponteiros traços de um rosto de esmalte vidrado envelhecido. A estação parou, as linhas velhas e carcomidas foram levadas. Só a memória do lugar fica. Os sons. Os cheiros. O resfolgar cansado e húmido da velha máquina a vapor das minhas viagens. O cheiro a carvão e óleo queimado. O rosto do fogueiro a suar com um olhar esgazeado e cansado. O olhar atento do maquinista. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Só a partir do passado eu sei quem sou. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Só a partir do passado construo o meu futuro que há-de vir. Me identifico com os lugares onde retorno outra vez, como uma primeira vez cheia de memórias presentes. As memórias dos lugares. Das terras. As terras têm de ter memória. Só as terras com passado podem ter futuro. Nisso são como as pessoas. Completam-se. O futuro é uma visão moderna do passado. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Só quem sabe de onde vem, sabe até onde pode&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;ir. Eu vou. Procuro os trilhos do comboio a vapor das minhas memórias na linha da Póvoa. Encontro os sítios. Abro a porta às memórias de menino. Deixo-as virem de encontro a mim como um mar imenso. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não lhes sinto já os cheiros. São importantes os cheiros dos lugares. Não lhes sinto já os sons estridentes da máquina, o apito do chefe com a bandeirola ao alto dando a partida. Perdeu-se o lado humano. As pessoas não têm rostos agora. Correm como máquinas tristes. Perdem-se umas das outras.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9onsrGjqI/AAAAAAAAALM/WU6fTGs7ek8/s1600-h/comboio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057375937776488098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9onsrGjqI/AAAAAAAAALM/WU6fTGs7ek8/s320/comboio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;-&lt;/span&gt; O que são as pessoas hoje? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sento-me num banco moderno e frio e observo as idas e vindas do comboio chamado Metro que anda silencioso na linha polida e certa. Já não sinto o cheiro do alcatrão que abraçava as travessas de carvalho onde adormeciam os carris de outrora. Fazia-me falta sentir esse cheiro agora para me sentir na minha estação do comboio. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9pI8rGjrI/AAAAAAAAALU/75yRfWekpss/s1600-h/linha+ferrea.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057376509007138482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9pI8rGjrI/AAAAAAAAALU/75yRfWekpss/s320/linha+ferrea.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Observo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#c0c0c0;"&gt;- O que são pessoas? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estou ali sentado e ninguém fala comigo. Ninguém me olha, ninguém dá por mim. Estou só, mais as minhas memórias de um dia menino em que subi a primeira vez para a carruagem que me levou à Trindade. Ninguém dá por mim, ou se dão não se importam que me sinta perdido. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;Sinto na pele uma espécie de maus-tratos. Fazia-me falta uma palavra de alguém. Uma espécie de mimo sonoro. Uma espécie de silvo estridente que ressoasse por dentro dos tímpanos e me fizesse vibrar, me fizesse acordar deste torpor em que me encontro.&lt;br /&gt;Olho de novo o relógio da estação. Só existe na minha cabeça. E na certeza de tantas vezes ter olhado para ele na incerteza de não chegar a tempo para apanhar o comboio cansado. O velho relógio que controlava o tempo e me controlava a mim nas idas e vindas. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Esta terra é um emaranhado de memórias em mim. Uma data de nós sucessivos que tento desembaraçar com a perícia do marinheiro ou o desprendimento do afecto. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Devagarinho o futuro é um refúgio para onde adio sempre o presente. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Para sempre. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O comboio da chegada foi sempre o comboio da partida. Só eu fiquei ali. Sentado. A olhar as pessoas que vão e vem apresadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt; O que são as pessoas hoje? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9rBcrGjsI/AAAAAAAAALc/IFnvhNdu_2M/s1600-h/Estacao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057378579181375170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9rBcrGjsI/AAAAAAAAALc/IFnvhNdu_2M/s320/Estacao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vida de cada lugar nasce e morre com cada lugar. Só a memória perdura como testemunho. A memória popular repleta de lendas e mitos. E a minha memória? Quem preserva a minha memória dos lugares onde fui pessoa. Será o tempo? O tempo lento de outrora. O tempo que lento mesmo assim não deixava ninguém ficar para trás. E agora? O tempo não tem ponteiros que nos indiquem as horas, nem relógios de corda nas estações abandonadas. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;As pessoas passam, e os mais fracos ficam para trás abandonados nas esquinas da noite, tendo por cama uns pedaços de papelão e por cobertor uns jornais com notícias atrasadas. Que tempo este que deixa as pessoas sós?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanto-me do banco moderno e frio e caminho de encontro à cidade moderna de agora que quase não conheço. Percorro os mesmos caminhos de outrora. As ruas estão nos lugares certos. Só o silêncio é diferente. Só a luz é diferente, só as pessoas são diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;-&lt;/span&gt; O que são as pessoas hoje?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Só eu me sinto a mais, como um estrangeiro na terra onde fui menino e onde retorno quase com uma violência interior a abrir portas cerradas por dentro da memória. Onde a custo ensaio as chaves que possam abrir as fechaduras cicatrizadas.&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Cansado sento-me neste jardim requalificado. Estranho. Arrefecido. Faltam as flores vivas. As pessoas. Tu vens. Sinto-te quente. O teu corpo quente. Devagar sem que me aperceba sentas-te na minha perna e abraças-me. És o mimo que queria faz tempo. Sinto-te a respirar junto do meu ouvido. Um ar quente que vem de dentro de ti. Um ar que cola os sentidos e embriaga o sentir. Não sei se é amor ou paixão ou desejo. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Não falas. Não dizes nada. Ofereces-me os teus braços que abandonas ao redor do meu pescoço. Estremeço. Não te dás conta. Não te olho. Não te toco. Tenho medo que te desvaneças, ou que partas também tu. Não falo para não quebrar o momento mágico que se instalou em nós e ao redor de nós. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A cidade parou. Voltou aos dias diferentes. As pessoas voltaram a ser pessoas e a sorrirem e a dizerem bom dia, boa tarde, boa noite. E a pararem à porta de casa para conversar. Na minha rua todos nos conhecemos e brincamos à bola e ao pião. E no adro da igreja da Lapa no beiral da parede ao redor do templo fazemos corridas com as caricas das garrafas de pirolito que bebemos na festa a Assunção no Agosto pleno. À tarde, numa chapa, assamos batatas no fieiro da praia, envoltas na areia grossa salgada. Construímos castelos de areia e de sonhos que o vento destrói. Comemos as batatas quentes misturadas com os grãos de areia que nos estremecem os dentes e rimos como loucos. Dentro em pouco vamos à aventura das espigas de milho doces para os lados do Anjo, algum de nós sabe sempre onde está um milheiral, falta chegar o Setembro para elas estarem boas a comer. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Temos os rituais certos da adolescência pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Descansas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repousas o rosto no meu ombro cansado. Sinto-te o perfume dos teus cabelos, e lembro um campo verde com erva acabada de cegar com uma foicinha afiada e ágil por mãos experientes sob um sol quente. Escuto os sons dos grilos ao longe. São grilos que chegam cedo no Abril adiantado. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Caminho numa estrada de xisto rodeada de muros de xisto castanho, a cidade ficou para trás por um momento, foi o perfume, a ervas dos teus cabelos que me trouxe até aqui a este lugar que revisito como uma primeira vez outra vez.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Importantes os cheiros. Os cheiros dos lugares com memórias. Dou-te a mão em silêncio. Não falamos nunca. Não nos olhamos nos olhos. Tenho medo do feitiço dos olhos e que partas também tu. Ou me enfeitices. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9tPMrGjtI/AAAAAAAAALk/Y6Szn1_pAnE/s1600-h/erva+cegada.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057381014427832018" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9tPMrGjtI/AAAAAAAAALk/Y6Szn1_pAnE/s320/erva+cegada.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Levo-te numa visita guiada a ver os moinhos e as azenhas. A sentir o cheiro da farinha acabada de moer que brota da pedra andadeira. Como gostava de te oferecer um pouco de broa de milho da que fazia com a avó sempre na sexta-feira imensa e mágica. Como gostava de sentir o sabor na boca de novo, ou a massa levedada morna nas mãos. Fica-me a mágoa de não ter feito a peregrinação do ciclo do pão outra vez com a avó antes de ela partir também. (Preciso de encontrar uma chave certa que abra de vez esta porta cerrada que tenho ainda).&lt;br /&gt;O teu andar é leve o meu é pesado. O teu andar flutua no espaço sem tempo. O meu estremece as pedras da calçada e magoa-me a coluna ferida por dentro. Carrego o peso do mundo em mim. Fazemos uma espécie de peregrinação dos lugares sagrados e profanos. Uma espécie de peregrinos fora do caminho de Santiago. Ensino-te os meus caminhos de menino para que descubras os sonhos e fiques com as memórias. As minhas memórias que se perdem como a água que escorre na levada. &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Continuo a ter dificuldade em encontrar a resposta. &lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;-&lt;/span&gt; O que são pessoas ainda?&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Ainda é cedo para saber as respostas. Se não partires tu também. Se não partires tu também. Se não partires.&lt;br /&gt;Só quem sabe de onde vem sabe para onde vai. Se não partires…&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9u38rGjvI/AAAAAAAAAL0/LM7eXXRg1R8/s1600-h/cortar+o+pano.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057382814019129074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 215px; TEXT-ALIGN: center" height="178" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9u38rGjvI/AAAAAAAAAL0/LM7eXXRg1R8/s320/cortar+o+pano.JPG" width="320" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aos poucos construo as velas dos sonhos que vão dar a vida de novo ao moinho de vento. Em cada volta do fio que segura a tralha exterior à interior, deixo que o amor do gesto fique perpetuado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9uAMrGjuI/AAAAAAAAALs/b7C8FK2WwUM/s1600-h/coser+a+tralha+exterior.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057381856241422050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9uAMrGjuI/AAAAAAAAALs/b7C8FK2WwUM/s320/coser+a+tralha+exterior.JPG" border="0" /&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E quando findas as velas, seguras nas varas, o moinho gire com a nortada ou o barcelão forte e matreiro. &lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057383574228340482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9vkMrGjwI/AAAAAAAAAL8/ABTIYp97NRQ/s320/velas+armadas+ao+vento.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os ventos que o fazem gemer. Girar a entrosga com os seus dentes de oliveira e o carreto. O moinho gira e gira e gira dando as voltas possíveis e únicas e breves da memória&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9wqcrGjxI/AAAAAAAAAME/fNVREIW-5tI/s1600-h/entrosga+e+carreto.JPG"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057384781114150674" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9wqcrGjxI/AAAAAAAAAME/fNVREIW-5tI/s320/entrosga+e+carreto.JPG" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; Unto a rela para que gire sem gemer o choro estridente do metal, folgo o urreiro para que o imenso moinho gire mais leve. Comovo-me ao ter de novo a visão esquecida das velas girando. Sou menino outra vez neste momento. Que me importa que o relógio tenha os ponteiros retorcidos e que o tempo avance sem ele.&lt;br /&gt;Sentes o cheiro da farinha acabada de moer fresca e doce. Os grãos de milho transformados que vão ser o milagre do pão.&lt;br /&gt;O casal de mós de mãos dadas. O pé da mó grande, espesso, pesado, redondo. É ele o homem simbolizado no moinho. E olha a mó andadeira que gira por cima, leve vertiginosa. A mulher graciosa. Parece que grita, parece que tem vida. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Escutas? - Afinal sempre existem pedras que falam.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9y7MrGjyI/AAAAAAAAAMM/AbNPcBW_Hnw/s1600-h/farinha+moida.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057387267900215074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9y7MrGjyI/AAAAAAAAAMM/AbNPcBW_Hnw/s320/farinha+moida.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dou-te a mão de novo. Seguro a tua mão fria já. Não falamos, não nos olhamos. Partimos outra vez de encontro aos sentires da memória. &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;Tenho uma memória antiga feita de pequenos nadas. Sinto sempre o medo de ver assumir em ti o enfado das minhas memórias. Tu não sabes que a história das terras se conta nos lugares públicos. Nos caminhos, no lavadouro, na fonte, na azenha, no moinho, nas alminhas na berma do carreiro, no cruzeiro onde se namorava, na praça onde todas as ruas vão dar, ao redor do adro da igreja velha, ao redor da escola abandonada agora por ser antiga e estar ultrapassada, porque separava por sexo os meninos e as meninas. Eu fui sempre separado nessas escolas abandonadas. Hoje não se separam os meninos e as meninas. Mas as escolas continuam abandonadas por não terem já meninos. Fazem falta as crianças de novo nos lugares da infância outra vez. Tu não sabes mas estás a tempo de saberes desses lugares. Porque senão, um dia, dás-te conta que as crianças não sabem de onde vieram enquanto cidadãos desta ou daquela terra. Não sabem o que os identifica e os distingue. Tornam-se globais, apressados, em competição. Cruéis. Deixam de saber brincar, e saber sorrir, e saber falar, e abandonam os mais fracos nas esquinas da noite e não sentem remorsos e não se preocupam e não são felizes. Mas, ainda não sabem disso. ~&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Volto à cidade. Cansaste-te de mim. Foste breve e partes também tu. Desabraçaste-me o pescoço, levantaste-te sem que eu me tenha apercebido, deixei de sentir o perfume do campo nos teus cabelos. Interrompi a viagem pela aldeia de menino. Parou o moinho, só, abandonado outra vez. O moleiro já partiu também. O forno ficou frio no tempo, a broa de milho já não se saboreia com leite na manhã dos sábados.&lt;br /&gt;Arrependo-me de não te ter olhado por dentro dos teus olhos. Agora não lhes sei a cor.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#c0c0c0;"&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;-&lt;/span&gt; O que são as pessoas ainda?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já não sinto o teu respirar quente junto do meu ouvido que me estremecia o desejo. Já não sinto. E tento a custo esquecer-te como me esqueço dos lugares mágicos escondidos para lá das fechaduras cicatrizadas no tempo. Só o relógio me dei conta, não existe já. O relógio que agora não marca o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9wqcrGjxI/AAAAAAAAAME/fNVREIW-5tI/s1600-h/entrosga+e+carreto.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Continuo a caminhar, espécie de peregrino andarilho por um trilho marcado no chão onde as pessoas não me vêem, espécie de fantasma das fábulas. &lt;/strong&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri906crGjzI/AAAAAAAAAMU/T47A6Xagv4g/s1600-h/moinho+Ã"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057389454038568754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri906crGjzI/AAAAAAAAAMU/T47A6Xagv4g/s320/moinho+%C3%A0+noite.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Só a memória perdura como testemunho de lendas e rituais. Já ninguém é de ninguém. E qualquer estranha mulher que se sente na minha perna enquanto descanso é uma espécie de redentora por quem esperava desesperado, a quem possa dar a mão num gesto pequeno e espontâneo para tentar disfarçar uma dor que existe desconhecida por dentro ao sermos estranhos a quem nos ama.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O facto é que sinto saudade, mesmo que no sonho durmas ao meu lado, ou viajes comigo no velho comboio a vapor. Saudade de te ver. Saudade de me recordar de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2007&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografias; Barcoantigo, Google&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-1489124519584461203?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/1489124519584461203/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=1489124519584461203&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1489124519584461203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/1489124519584461203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/04/os-ponteiros-do-relgio.html' title='Os ponteiros do relógio...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Ri9n-crGjpI/AAAAAAAAALE/j0jxZntnWwE/s72-c/relogio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2259715166107664173</id><published>2007-04-10T09:09:00.002+01:00</published><updated>2009-05-05T21:24:34.139+01:00</updated><title type='text'>Qual foi a manhã....</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RhtG1w3pDCI/AAAAAAAAAJs/2Lq4iLmrlqQ/s1600-h/imagem+para+artes+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5051709296491432994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RhtG1w3pDCI/AAAAAAAAAJs/2Lq4iLmrlqQ/s320/imagem+para+artes+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Qual foi a manhã que deixaste de falar comigo&lt;br /&gt;Qual foi?&lt;br /&gt;Continuo a estar cada vez mais só. Demasiado só.&lt;br /&gt;As pessoas são momentos breves que desiludem.&lt;br /&gt;Resta-me o sabor do fel&lt;br /&gt;E o calor do aço&lt;br /&gt;O ar viciado para me encher o peito&lt;br /&gt;Adormeço todos os dias numa espécie de narcose&lt;br /&gt;Já não tento substituir-te.&lt;br /&gt;Sei que todas as mulheres que amo são sempre mulheres que partem&lt;br /&gt;Só tu ficas alojada por dentro como uma farpa de madeira rubra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a escrever-te. A dedicar-te as palavras&lt;br /&gt;Às vezes escrevo a outras mulheres as palavras&lt;br /&gt;Mas não é a mesma coisa&lt;br /&gt;Não me entendem. Acabam por partir&lt;br /&gt;Só tu permaneces.&lt;br /&gt;Escrevo eu. Um sobrevivente das palavras&lt;br /&gt;Eu sei que já não és&lt;br /&gt;Que já partiste&lt;br /&gt;Que habitas algures a meio da travessia nas profundezas atlânticas&lt;br /&gt;Eu sei&lt;br /&gt;Mas é como se estivesses aqui comigo&lt;br /&gt;Não me importa que a tua ausência seja uma ferida. Quero-te à minha beira&lt;br /&gt;Desejo-te à minha beira&lt;br /&gt;Preciso de ti entendes. Para me sentir lúcido ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é que faço a peregrinação dos lugares sem ti&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Como é que faço?&lt;br /&gt;Morro de saudade tua.&lt;br /&gt;Lembras&lt;br /&gt;Aquele restaurante junto ao mar na Afurada onde íamos comer um peixe assado&lt;br /&gt;Já fechou.&lt;br /&gt;Agora como faço a peregrinação dos lugares onde fomos felizes os dois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes.&lt;br /&gt;O que me assusta é não conseguir ver já o teu rosto&lt;br /&gt;Mesmo de olhos fechados a rebuscar a memória&lt;br /&gt;Já não vejo o teu rosto&lt;br /&gt;A linha dos teus lábios&lt;br /&gt;A cor dos teus olhos&lt;br /&gt;A forma da cicatriz que tinhas no sobrolho do tempo que usaste um percing&lt;br /&gt;E isso assusta-me&lt;br /&gt;Envelheci.&lt;br /&gt;Perco a memória&lt;br /&gt;E eu prometi que nunca te esqueceria&lt;br /&gt;Perdoa por não o conseguir cumprir. Eu tento&lt;br /&gt;Tento.&lt;br /&gt;Mas às vezes surges como que rodeada de névoas, nem sei se és tu&lt;br /&gt;Eu é que teimo e imagino que sejas.&lt;br /&gt;Mas podes ser uma qualquer que passa por mim na rua&lt;br /&gt;Já te falei que às vezes olho as mulheres na rua a ver se me lembro de ti&lt;br /&gt;Mas nunca és no rosto delas nunca és.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morro aos poucos como aquela árvore que dava sombra no jardim Constantino&lt;br /&gt;Lembras?&lt;br /&gt;O banco onde nos sentávamos. Onde gravei o teu nome na tábua.&lt;br /&gt;Morro aos poucos sequioso de saudade. Sequioso da fonte dos teus lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes penso que já não vou escrever-te mais. Porque me violento ao escrever&lt;br /&gt;Porque estremeço por dentro&lt;br /&gt;Porque te amo ainda.&lt;br /&gt;Mas as saudades dão à costa&lt;br /&gt;E eu como o náufrago reúno de novo as palavras dispersas à deriva&lt;br /&gt;E volto a ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João marinheiro 2007&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Google&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-2259715166107664173?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/2259715166107664173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=2259715166107664173&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2259715166107664173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/2259715166107664173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/04/qual-foi-manh.html' title='Qual foi a manhã....'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RhtG1w3pDCI/AAAAAAAAAJs/2Lq4iLmrlqQ/s72-c/imagem+para+artes+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-6379869699851935051</id><published>2007-03-16T00:13:00.002Z</published><updated>2011-01-29T00:08:19.151Z</updated><title type='text'>Das andorinhas que partem...</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfnlN1UxIJI/AAAAAAAAAHA/hhSXA9NQNkw/s1600-h/andorinha+do+mar.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rfnk_1UxIII/AAAAAAAAAG4/UIHuOGmUIDA/s1600-h/andorinha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042313043115057282" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="229" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rfnk_1UxIII/AAAAAAAAAG4/UIHuOGmUIDA/s200/andorinha.jpg" width="249" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que sabes tu das andorinhas que partem&lt;br /&gt;Do cheiro a erva cegada nos campos&lt;br /&gt;Do sabor do pão saído do forno quente&lt;br /&gt;Ou das mãos que acariciam o tempo&lt;br /&gt;Que sabes tu disto e daquilo e do nada que sou&lt;br /&gt;Queria morrer agora!&lt;br /&gt;Morrer sem que tu saibas que morri&lt;br /&gt;Para andares à minha procura como doida do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabes das rolas na árvore no dia de chuva&lt;br /&gt;Que vejo da janela onde estou&lt;br /&gt;Que sabes deste mundo onde habito&lt;br /&gt;De loucos&lt;br /&gt;Hospício da vida&lt;br /&gt;A minha vida sem ti tornou-me louco por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabes das flores, margaridas e papoilas&lt;br /&gt;E trevos verdes no campo que olho diariamente&lt;br /&gt;Agora que a primavera chega&lt;br /&gt;As andorinhas voltam&lt;br /&gt;E eu espero que voltes como prometeste&lt;br /&gt;Quando partiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabes tu! Que eu não sei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ingénuo fui escrever-te cartas de amor&lt;br /&gt;Não queres cartas de amor&lt;br /&gt;Queres que te amem&lt;br /&gt;Não sei amar-te! Não sei amar uma andorinha que parte?&lt;br /&gt;As andorinhas amam-se com o pensamento&lt;br /&gt;Acariciam-se com o olhar só.&lt;br /&gt;Nunca senti uma andorinha nas mãos&lt;br /&gt;Nunca fizeram ninho nas minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sei eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou demasiado rude e frio&lt;br /&gt;Sou homem do mar habituado a acariciar as vagas de saudade&lt;br /&gt;As ventanias.&lt;br /&gt;Os medos&lt;br /&gt;O frio e o sal nos olhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabes tu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfnlN1UxIJI/AAAAAAAAAHA/hhSXA9NQNkw/s1600-h/andorinha+do+mar.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5042313283633225874" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="161" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfnlN1UxIJI/AAAAAAAAAHA/hhSXA9NQNkw/s200/andorinha+do+mar.jpg" width="232" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…Às vezes nas travessias&lt;br /&gt;Sou visitado por andorinhas.&lt;br /&gt;Não são como tu, são Andorinhas do mar.&lt;br /&gt;Dizem-me que chego a terra e quando chego, na primavera, procuro atracar naquele porto velho com pedras centenárias comidas pela saudade dos marinheiros.&lt;br /&gt;Subo a rua estreita e íngreme e húmida em direcção à taberna velha com a tabuleta da sereia em ferro, sem cor, dançando ao vento com pequenos gritos.&lt;br /&gt;Parecem gritos de sereias o chiar do ferro.&lt;br /&gt;No beiral, escondido pelo ramo de loureiro seco que tempera o olfacto existe um ninho de andorinha que está vazio agora.&lt;br /&gt;Penso sempre que és tu que o habitas mas sei que não…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabes do queixume das flores&lt;br /&gt;Do choro dos pássaros&lt;br /&gt;Da ânsia dos amantes&lt;br /&gt;De saber de mim que sou teu! &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;João marinheiro 2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotografia Google&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21931984-6379869699851935051?l=memoriasvirtuais1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/feeds/6379869699851935051/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=21931984&amp;postID=6379869699851935051&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6379869699851935051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/21931984/posts/default/6379869699851935051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://memoriasvirtuais1.blogspot.com/2007/03/das-andorinhas-que-partem.html' title='Das andorinhas que partem...'/><author><name>joão marinheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05792046964527971015</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/Rfnk_1UxIII/AAAAAAAAAG4/UIHuOGmUIDA/s72-c/andorinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-21931984.post-2486068756306040242</id><published>2007-03-12T00:24:00.002Z</published><updated>2009-05-08T00:23:33.770+01:00</updated><title type='text'>As costas da mão…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfSeNEauhEI/AAAAAAAAAGg/3DrUcLWcFjc/s1600-h/chuva+na+janela.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040827830295757890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfSeNEauhEI/AAAAAAAAAGg/3DrUcLWcFjc/s200/chuva+na+janela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estava à janela. Chovia torrencialmente. Ele chegou, estacionou o carro em frente.&lt;br /&gt;Viu-o chegar. Sentiu-o rodar a chave na fechadura. A porta abriu-se com um gemido. Ouviu-o reclamar! - Raio de chuva! - Raio de tempo este, morrinhento! – Só água!&lt;br /&gt;Não disse nada, continuou ali costas voltadas para a porta, só a janela interessava. A luz cinzenta, húmida que alumiava o rosto e as lágrimas na face…&lt;br /&gt;Hoje chove torrencialmente nos meus olhos.&lt;br /&gt;Chove lá fora.&lt;br /&gt;Parece que todas as lágrimas se juntaram na minha janela…&lt;br /&gt;Ele disse-lhe:&lt;br /&gt;- Isto é um jogo! (o pensamento voou como um relâmpago. As palavras ficaram a meio da garganta a sufocarem. Espécie de nó junto da maçã de Adão.Tu não existes! Eu de te querer tanto é que te imagino. Imagino-te tanto que te sinto quase real. Mas não existes. Eu é que insisto em que existas. Eu só!)&lt;br /&gt;- Isto é um jogo ouviste!&lt;br /&gt;Ela não lhe respondeu.&lt;br /&gt;Com as costas da mão limpou as lágrimas. Virou-se para trás. Ele estava no meio da sala, mesmo no sítio onde o imaginava. Disse-lhe: -Vens buscar as tuas coisas não é?&lt;br /&gt;– É, retorquiu. Mas o dia não ajuda. Chove. Está um tempo dos diabos…&lt;br /&gt;Olhos nos olhos, quase uma ultima vez, uma despedida, uma ultima carícia. Engraçado. Nestes anos todos verdadeiramente nunca estiveram presentes os dois. Estavam os corpos, estavam as mãos. Faltaram sempre as palavras. Os pensamentos. Os dois mundos paralelos nunca se tocam para passarem a ser um só mundo dos dois. Verdadeiramente acho que se desconhecem por completo. Será que alguma vez nos amamos com um amor de verdade. Será? A pergunta é de difícil resposta e agora ela já não faz falta. É passado. O presente é este aqui e a chuva lá fora para nos dizer que é presente também. Este mundo que vejo, esta sala demasiado grande, húmida, fria, onde os dois mundos se atropelam. Não cabem já.&lt;br /&gt;É tempo de abrir as portas, as janelas do coração.&lt;br /&gt;O coração é um engano.&lt;br /&gt;O coração é um jogo de sentires. O coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou-o outra vez. – Porque dizes que isto é um jogo? Somos um jogo porventura? Que sou eu? Um peão e tu o rei que me dá o xeque-mate? Não gosto de jogos sabes disso.&lt;br /&gt;Porque me viras as costas? Estou a falar contigo agora é a minha vez ou não? Já não tenho vez na tua vida ou tens de ver na tua agenda um espaço livre.&lt;br /&gt;E ele disse com aquela voz profunda que a fazia vibrar por dentro ainda. Vibrações de vidros a partirem cortantes. Tinha de ter cuidado não deixar assomarem aos olhos o sangue das lágrimas. Não vá ele perceber e ter pena. Pena é a ultima coisa que quer que sintam por si. Acabou. Espécie de filme, sem guião. O emaranhado dos cenários, dos adereços, dos artistas. Uma espécie de casting, sem texto. Foi isso. Uma espécie de casting sem texto os dois. O filme. (Num flash passam na memória os nomes de todos os filmes vistos. Nenhum titulo é suficientemente bom para servir). Foram um filme sem nome. As lágrimas assomam de novo ao olhar, vira costas olha de novo a chuva lá fora e cá dentro bem por dentro de si. Limpa de novo o olhar com as costas das mãos, o sal correu na cara até aos lábios, sensação estranha o sabor acre, espécie de verão revelado nos lábios. Espécie de praia plena, deserta com a água ali salgada e morna. Quando foi a ultima vez que viu o mar? Pousa as costas da mão molhada nos lábios e bebe, bebe os restos desse mar salgado em lágrimas. Queria sair, sair dali para a chuva para o tempo de Inverno. Arrefecer até aos ossos. Ficar húmida de chuva, a chuva torrencial que cai, parece que o tempo sabe.&lt;br /&gt;O tempo sabe. O tempo.&lt;br /&gt;O tempo é um assassino. Mata! O tempo mata e eu morro aos poucos em cada salto do ponteiro no relógio silencioso da sala. Fechaste a porta do cuco, não gostavas do som do cuco do relógio na noite. (agora penso que não gostavas de muitas coisas, e eu deixei de gostar delas por gostar de ti) tenho de lhe abrir a porta, de dar corda ao relógio. Das poucas coisas que trouxe comigo. A memória da casa dos pais e do som certo nas noites a marcar o ritmo do tempo na aldeia na serra. Ali não se escutava o sino na igreja distante. Ali tudo era distante. Mesmo assim deste comigo. Mesmo assim. Perdeste-te para me encontrar, coisa dos destinos. Não acredito no destino, acredito nas pessoas. Acreditava. O meu acreditar em ti revelou-se um fracasso em todas as direcções. Porque me viraste as costas e saíste da sala?&lt;br /&gt;Não consigo já falar-te. Só o olhar fala ainda a linguagem muda dos sentires. A linguagem dos medos das revelações tardias. Onde é que está o meu amor? Onde é que foi o meu amor? Não existe o amor. Existimos nós nesta sala e somos diferentes do amor agora. Nós e o teu perfume masculino e forte. Um exagero pensei sempre. Questão de personalidade dizias tu. Que interessa agora neste dia de chuva. Que me interessa a que cheira a tua pele. Que me interessa o arrepio sentido quando me passavas a face com a barba por fazer no meu corpo. (tenho de afastar estes pensamentos proibidos agora. Espécie de sexo desejado. Animal. Pareço uma gata no cio? Será que pensam assim nestes pequenos nadas enormes?) ouço-te a mexer nos livros no escritório, escuto as caixas dos cds a caírem com demasiado estrondo. Tudo é demasiado estrondoso hoje em mim. Ouço-te a exclamar – Merda de desarrumo! Fico a rir por dentro. Espécie de pequena vingança, pequena vitória. O teu mundo em casa foi sempre ali. Faltavas sempre ou quase sempre. Às vezes regressavas altas horas da noite impregnado com o cheiro a cigarro, regressavas e deitavas-te ao meu lado ruidoso sem o respeito pelo meu sono (quantas vezes fingi dormir. Quantas vezes te esperei horas seguidas e não vinhas e adormecia a arder no desejo. Espécie de sexo só?) e às vezes procuravas-me, sempre no princípio, sempre. Mas a vida é mesmo assim, o amor é mesmo assim. Eu penso que o amor é mesmo assim como a vida. Envelhece. Envelhecemos os dois no amor? Porra! Tenho trinta anos! Envelheci? Acho que não. Esqueci foi de viver, eu, e passei a viver em ti. Olha o resultado. Estás ai detrás dessa porta reclamando. E eu aqui tentando disfarçar as lágrimas olhando o nada lá fora.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfSeiEauhFI/AAAAAAAAAGo/R0R1zdZwsHk/s1600-h/chuva+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5040828191073010770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PqliyGdZIBs/RfSeiEauhFI/AAAAAAAAAGo/R0R1zdZwsHk/s200/chuva+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nem um carro passa nesta rua deserta hoje. E eu aqui a ver um filme à janela, espécie de porta por onde entramos e saímos os dois, demasiadas vezes, saímos demasiadas vezes já. Desta vez só tu sais e fechas a porta. Com tempo, depois de acordar do pesadelo vou reescrever o final deste filme duo que fomos. Acho que vou. Pelo menos tentar. Pelo menos não me esquecer de mim. Foi o que fiz esquecer-me de mim depois que acabei o curso. E agora que faço? Por onde recomeço. Afinal o arquitecto famoso és tu. Nunca exerci. Nunca quiseste. Quiseste sempre que te esperasse em casa, e eu fiquei esperando as tuas chegadas. As tuas chegadas cada vez mais longas. Nem sei quando me começaram a parecer partidas em vez de chegadas, tudo se tornou confuso. Disforme fiquei aqui andando de sofá em sofá abandonando-me nos livros de sonhos. Já não sei sonhar? Talvez? Tenho de reaprender tudo de novo. Onde fica o princípio de mim? Onde o perdi? Em que divisão da casa ficou esquecido. Nunca entendi porque querias viver numa casa tão grande se vivias no escritório. Tinha medo de deambular por todos os sítios nas noites frias em que não voltavas. Nunca te apercebeste. Nunca. Que te aconteceu? Que é feito do meu amor? Nunca te apercebeste que comecei a ter medo da ausência da tua partida eminente, que a tua chegada era sempre uma chegada no princípio da ida e que cada vez ias mais. Ias. Ias. Ias. Já não consigo estender as mãos para te segurar um momento. Para te atrasar um momento. Para te ter um momento. Para seres mais um momento na minha vida. Não tenho vida sem ti. Não tens momento para mim. Eu não existo. É isso não é? É isso? Já não existo em ti?&lt;br /&gt;Porque me dizes que isto é um jogo agora porquê?&lt;br /&gt;Que carta fui? A tua indiferença magoa-me. Agora é a minha vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuo a achar que as pessoas são egoístas. Usam-se umas às outras para atingirem determinados fins…Não sei qual foi o teu, se era para pôr-me triste e desiludida conseguiste. Parabéns…&lt;br /&gt;Eu é que tento sempre não ver o que está visível. Mas sou assim, acredito nas pessoas. Tenho de mudar ou aprender. Guardo-te na minha memória porque lá só gosto de guardar as coisas boas.&lt;br /&g
